Pesquisar neste blogue

terça-feira, 20 de novembro de 2018

ALUGAM-SE QUARTOS

O poeta,
descansa o olhar no cachimbo,
e folheia entre os dedos memórias sem alta definição.
Ata as palavras para que não fujam da algibeira, sossegando-as com o fumo que disfarça a fraqueza.
Desenha na ampulheta momentos que não quer esquecer.
Veste o pijama ao mar, aquece a areia na espuma do peito, e volta e meia, desaparece sem ninguém dar por isso.
Lá, naquele sítio, onde se atiram pedras à sorte, cães curiosos brincam à cabra-cega,

no calor da luz do farol.
A noite vai caindo,
agasalhada no sobretudo do nevoeiro.
Alugam-se quartos.
A lua sorri matreiramente.



2018Out_aNTÓNIODEmIRANDA

Sem comentários:

Enviar um comentário