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domingo, 10 de dezembro de 2023

… MAS ELES JÁ NÃO DÃO POR ELA

 


Há sempre uma possibilidade que nos atinge, 
assim como um raio insensato parido 
no micro-ondas. Um chapéu-de-chuva para
 sacudir as gotas que envinagram o nosso suor. 
Há lentidões temperadas em casca de limão 
e aquela chuva tão gentil e educada 
que chora lágrimas só para não nos molhar. 
Há ainda cabelos nos ombros, 
leves escombros para não nos atingir. 
Há sonhos agitados em banhos de pão-de-ló 
com gestos açucarados para se banharem 
no nosso café. E há gostos vestidos com véus 
em direcção aos céus que mesmo assim 
nos ficam tão longe. Há sempre um espaço 
que marca a distância que habitámos nesta 
construção de delicadeza robusta. 
Também há palavras que ainda não 
sabemos dizer. E uma estúpida vergonha 
que nos trai a audácia. 
Guardamos esta amálgama 
no mais inútil fervedor.
Depois esperamos o amor, 
nestes tempos de guerra.
O que faz de nós mais uma espécie 
em vias de extinção.
O que é verdade é que o mundo 
ficará mais pobre.

… Mas eles já não dão por ela.


2016,12aNTÓNIODEmIRANDA


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