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quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

VOAR CONTRA O DESTINO

 

Elevar o veneno.   
Traço para aspirar.  
Encher  
o balde. 
Sujar até atingir o zero.
Entrelaçar genitais burgueses. 
Sentado num charro de erva, 
com um índio que parece um anjo, 
cujo primeiro acto de traição foi o ter nascido. 
Estou em guerra com toda a contemplação, 
e contento-me em fumar a minha alma 
nesta alucinação não odiosa. 
Quebrar o estado de sítio estampado numa frigideira 
com banha de porco. 
Corpos fritos, atados com arame, 
no anexo da podridão. 
E aterrar sempre fora da pista, 
numa capotagem perfeita.  
Saquear os fornos do pão sangrento. 
Ungir a loucura e santificar todos os beijos 
no altar dos enlevos não mentirosos.
Ó cogumelo celestial, 
estou louco por chegar até ti, 
e sair deste voo de excrementos pisados. 
Descalço ao som da bateria do Max Roach
curvo-me perante toda a ousadia,  
e carrego no botão do gancho do umbigo, 
uma dose anímica  de alegria em conserva.  
E procuro na pedreira, 
a esmeralda preferida da primeira dor que pretendo esculpir. 
Estrondo paralisado no rabo da sombra, 
imaginação de veludo pregada com laços. 
Abandono a faixa da rodagem correcta, 
e distribuo autógrafos escondidos nas sandwiches 
da realidade confrangedora. 
Princípios rígidos, desdenhosos, atirados à poeira. 
Rendição agachada, zombies maltratados com anúncios encharcados na testa, amontoam-se na prateleira dos delírios prontos para o banho da guilhotina.
É chegado o tempo de esmaltar as orações recolhidas, 
e voar contra o destino. 

,2019_ jan_aNTÓNIODEmIRANDA

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