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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

ESPUMA

este jogo já não me agrada e não quero jogar outro, que embora diferente resultará justamente como todos os outros que ganhei e perdi. não me interessa absolutamente nada o que de novo surgirá depois deste naufrágio no qual as minhas próprias m`águas navegam. tudo o que acontece dilui-se, não importa a maneira, na mentira que o tempo não perdoa. será por isso, talvez, que nuvens de subvida invadem a minha nostalgia e eu continuo a pensar que os banhos da espuma dos dias resultam. tentarei estar atento às constelações venenosas que pairam sobre o meu olhar e esfumam a esperança, a terrivel esperança de qualquer tentativa de sonhar. palavras ocas continuam a sua função pedagógica para a normalização dos comportamentos. doses de cinismo instantâneo, enlatado, servem-se abundantemente temperadas com risos abusivamente hilariantes – patéticos. eu cumprimento todos os dias o boneco animado sentado à secretária. até amanhã para quê ? gostava de ter um relógio digital que não se atrasasse na hora da gastroenterite. embebedo-me nas conversas de circunstância automática ausentes de importância e tento tento desesperadamente desatar os pulsos amarrando-os com o cordão umbilical que me prende a este mar de descontentamento. como um qualquer marinheiro levanto a âncora mas a maré já não me leva a parte alguma. não é difícil, somente basta uma pequena dose e se tiver sorte acabarei por ser notícia de jornal.86

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