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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

NA SEXTA-FEIRA PARA O SÁBADO QUE NUNCA ACONTECEU

 


Dispensei as boas vindas da usual cretinice, 
elogiei qualquer coisa mentida 
como se tratasse do simpático contentamento. 
Má sorte ter comprado este reportório. 
Prometi escrever outras palavras à Nina Simone, 
mas o meu optimismo “jazzia” doente 
sempre que tentei matar o tempo ouvindo “ain`t no life”. 
Nada sei do bálsamo que nos prometeram, 
mas continuo à espera de algo parecido comigo. 
(assim como uma bandeja de asas livres). 
Mesmo que tal voar acabe por cegar 
a pretensa meiguice do céu. 
Já não acredito em abraços estrelados! 
A Sexta-feira escondida na enfermaria 
do sábado preguiçoso, expulsou a alegria do paraíso, embora Jeff Beck no convite da sua guitarra, 
tentasse seduzir o derradeiro assomo da esperança. 
Bonnie Raitt tocava num “Slide guitar” corajoso 
a hora da partida. 
Contudo as minhas botas já não alcançam 
qualquer caminho. 
Mas, 
um vermelho garnisé, no seu louco cantar, 
teima que o jogo ainda agora começou. 
(que pena tenho da inocente carochinha, 
cansada de tanto desamor, 
que ainda anseia pelos prometidos suores 
no enlevo dos acetinados sonhos). 
A vida, afirma a sabedoria da memória, 
melhor correria com um “boggie” 
do profeta John Lee Hooker! 
Quem serei eu para discordar de tamanho 
entendimento? 
Mas hoje já é Sábado, 
apesar da hipótese 
daquela Sexta-feira que não me apeteceu. 
Porém, como está escrito na velha gaita de boca do senhor Sonny Boy Williamson, 
quem atira moedas ao ar 
é porque tem o “migalheiro” cheio de promessas oxidadas. 
Naquela Sexta-feira que não apareceu, 
uma vida noutra vida caberá no funil da expectativa?
Talvez o abraço prometido acabe por morrer esquecido! 
Possivelmente a vida sofrida daqueles que a não puderam viver no tempo sempre apressado da reservada despedida.
A pera está madura!
Tem de cair…




2026Ago25_Vila Chã_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

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