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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

A MEDIDA DA MENTIRA

 


Alguém cremou o sonho julgando que era a mentira.
Ainda estariam verdes os desejos que desencaminhamos, mas as flores do feitiço, 
cansadas de tanta espera,
espalhavam versos no tempo que tardava.
E o doce remar na areia do sossego,
estendia nas dunas a mais sagrada das ausências.
Na cama do olhar nunca beijado,
cavalgavam nuvens da esperança possível.
Então, línguas de fogo derramavam nas ruas da lama, asas dos sonhos dourados.
Alguém escondido na vergonha das folhas caídas, 
rezava artifícios de dor num lamento 
tão pesaroso como a saudade.
Mãos rotas poderão erguer misericórdias
para a infinita tristeza?
Escondido nos andaimes da liberdade, 
o bando de larápios ignora o que deixaram 
aqueles que mais perder, 
já não conseguem.
    No colapso da coragem vendem-se filmes 
feitos à medida da mentira.


2026Ago25_Vila Chã_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com


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