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quarta-feira, 24 de abril de 2024

SOMBRA

 


Vigia a tua sombra.
Existe ainda um fantasma
dentro de ti.
    A liberdade chegará
malgrado a vontade nula
que ponho na minha sobrevivência.
    É chegado o momento
de encararmos as coisas
com a frontalidade possível.
    Façamos da incoerência
a nossa amada e tão necessária
Coerência.
    E,
sobretudo
continuemos a evitar
as perguntas perturbadoras.
    É urgente
a paixão ardente
o amor violento
que emane
sem margem para
quaisquer dúvidas
a nossa malvadez
o nosso gentil ódio.
    Sim,
a liberdade chegará
e, embora sem sermos capazes
de compreender a sua presença,
escreveremos o seu nome nas
paredes,
soletra-lo-emos
letra a letra,
pelo que ela não deixará de
ser aquilo que sempre foi :
                                            Uma palavra agredida
                                            Pela nossa futilidade.
    Perdoa - me! Perdoa - me 1000000
De vezes
por não ter
um filho teu.
    Mas tens de admitir
que a vida é dura
quando um homem
só tem
aquilo que deus
Lhe deu!
(e deus não existe!)
    Vigia!
Vigia a tua sombra
há sempre um fantasma
dentro de ti.
    Vigia!
vigia o teu fantasma
há sempre uma sombra
dentro de ti.
    Não fiques intrigado
com o teu próprio jogo:
os trunfos que podes deitar
são o espelho da tua
versatilidade.
    Joga com a cautela
que te é usual
    Assim, não perdes o que podes
Ganhar
(recuperas sempre o fracasso).
    Porque a vitória
só é possível num jogo viciado.
    O que nos une,
e é necessariamente
Urgente
que disso
tenhas consciência,
é o nosso desastre
arduamente conquistado,
conseguido gota a gota
falhanço a falhanço
pela nossa imbecilidade
pela nossa cretinice.
    Tomai e bebei do meu cálice!
E, que o veneno seja assaz eficiente!
    Perdoai a minha coragem
assim como eu não admito!
    Não aceito!
O vosso bom comportamento
a vossa boa disciplina
a vossa boa organização.
    Tomai e bebei todos
este meu ódio permanente
este néctar que deliciosamente derramo
sobre os vossos pensamentos
sobre os vossos sorrisos
que,
abusivamente
têm o gosto
amorfo do tédio!
    Há um fantasma dentro de mim
que ocupa o sossego do meu corpo.
    Há milhares de sombras sorridentes
que preenchem a minha imagem.
    Vou!
vou esconder-me
esconder-me bem
pôr-me fora de vista.
A polícia do sexo
anda por aí espalhada!
(alguém lhes disse
que tinha no frigorífico
as mãos da minha namorada!)
    Como é difícil de explicar a dificuldade do amor!!!
    Corações ardentes
paixões violentas
milhares de humanidades refugiadas
no medo da solidão,
que fecundam o desprezo
a nulidade da personalidade
e toda a tentativa individual
    DO DIREITO À DIFERENÇA.
(Como é diferente
Ser-se Diferente.)
    Tomai e bebei todos!
Este é o veneno do meu corpo
para vossa glória
por mim derramado.
    Dão - vos um yô-yô
e com ele brincam à felicidade.
    E depois dizem -me:
assenta bem os pés
no chão!
    Então
como poderei tirar as calças?
    (evitemos
as perguntas perturbadoras...)
    Assumamos
De uma vez por todas
A inconveniência da comum conveniência.
    Consumamos
consumamos o desejo de ser obrigatório
Consumir.
    Consumamos até á exaustão
a ânsia da ignorância,
dos prazeres consentidos
pela legalidade legalizada.
(amor: que jogo mais estranho!)
    Vou escrever
uma carta apaixonada
antes que aniquilem esta
vontade louca que tenho de ser feliz!
    Corações violentos
paixões ardentes: enterrem
a minha loucura
na curva
do rio.
    Haveremos de viver!
(O homo sapiens
usa perfume penetrante
bebe coco cola
e encharca o corpo
com desodorizante).
    Assim, tudo!
tudo não passa de
reclame
iluminado pelo néon
da nossa estupidez.
                                Ámen!
                                    Desolação!
                                        Sou um anjo da desolação!
    Estou farto de lutas
árduas conquistas e
principalmente
do herói de celulóide
que aconselha a pasta dentífrica
que devo usar.
    Resta - nos esperar
pela imortalidade da morte.
    Porque
                    As pessoas diferentes
                    acabarão por realmente
                                                            VIVER !


84.jan,                            

84.jan, aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

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