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domingo, 21 de abril de 2024

SINA ERRADA

 


Há tanto tempo que vivo sem abrigo. Há tanto tempo que mantenho constante, esta lembrança sem qualquer laivo de surpresa, só abafada pelo cair de algumas moedas na caixa de cartão, que tenho à minha frente. É tão triste este chão. O que me aquece é o abraço das estrelas amigas, que disfarçam o embaraço com que fingem olhar para mim. Não presto para a atenção, ninguém pega em mim ao colo, julgam-me tolo e os mais afoitos, sempre dizem que já tenho idade para ter juízo. Leram-me a sina errada e sujaram o meu destino com todos os registos da maldade nunca frequentada.
Que lágrimas poderei chorar, para não manchar a vossa indiferença?
Sei o que valho, e orgulhosamente aceito que isso não vos importe.
Temos peles diferentes.
& O meu sorriso não tem cotação comercial.
Não é ignóbil.



,2016 aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com



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