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segunda-feira, 9 de abril de 2012

 ALLEN GINSBERG
Poeta beat nascido em New Jersey (Estados Unidos). Allen Ginsberg (1926-1997) foi não apenas o poeta norte-americano de maior prestígio da segunda metade do século XX, como também o grande rebelde romântico e poeta-anarquista contemporâneo. Promoveu, em parceria com Ke­rouac, Burroughs, Corso, Ferlinghetti, Snyder e outros uma revolução na linguagem e nos valores literários que se transformou em rebelião coletiva, na série de acontecimentos revolucionários que foi o ciclo da Geração beat na década de 50, e da contracultura e rebeliões juvenis dos anos 60 e 70. Conseqüências do impacto provocado pelo lançamento de Howl and other poems, em 1956, e, logo em seguida, de On the Road, de Kerouac, em 1957, e de outras obras representativas da literatura beat, como Kaddish and other poems, do próprio Ginsberg, e Naked Lunch, de Burroughs.
Expressões da liberdade de criação, tais obras romperam com o beletrismo, o exacerbado forma­lismo que dominava a criação poética e o ambiente acadêmico, e com seu correlato, o bom-mocismo da sociedade. Arejaram um mundo sufocado pela polarização entre o macarthismo e o stalinismo, abrindo perspectivas, não só literárias, mas existenciais e políticas. Alusivas a acontecimentos reais, escritas na primeira pessoa, a partir do “eu” de seu criador, e não de um mundo de abstração formal, promoveram uma nova relação entre poesia e vida.
Um de seus livros mais conhecidos, Uivo, (L&PM Pocket), conquistou milhões de leitores. Publicado em 1956, valeu um processo por pornografia contra seu editor, Ferlinghetti, no ano seguinte. O escândalo, associado ao impacto do lançamento de On the Road de Kerouac, contribuiu para promover mundialmente a Geração Beat e trans­formá-la em mito moderno e movimento social.
Como bem observaram seus tradutores e divulgadores franceses, Alain Jouffrouy e Jean-Jacques Lebel,até então, mesmo obras inovadoras, como as de Breton, Artaud e Michaux, resultavam em tiragens de uns poucos milhares de exemplares. Por isso, ao tornar-se fenômeno editorial, Ginsberg também se tornou emblema da rebelião, no plano da criação literária, da conduta individual e do conjunto das relações sociais.
Na perspectiva atual, é até difícil avaliar o quanto a rebelião beat foi importante, e qual a extensão de sua contribuição para a formação de uma nova ideologia, uma percepção do mundo e do homem da qual fazem parte a ampliação e o enriquecimento da liberdade individual, e a superação de divisões e mo­dos de repressão.
Um dos méritos de Gins­berg, Burroughs e especialmente de Ferlinghetti foi terem feito a ponte entre o modernismo anglo-ame­ri­cano, de Ezra Pound e William Carlos Williams, e a vanguarda francesa, principalmente o surrealismo. Em um grau enorme de atualização literária, Ginsberg e Carl Solomon, internados em um hospício em 1948/49 (episódio decisivo para a criação de Uivo), escreveram uma carta delirante para o surrealista Malcolm de Chazal, autor de exceção até hoje, cujo Sens Plastique acabara de sair. Palestras e ensaios de Ginsberg demonstram sua vinculação à vertente objetivista, de Pound e Williams, e do fluxo de consciência, de Gertrude Stein e James Joyce, e mostram como seu trabalho com a prosódia, os valores sonoros da linguagem, é consistente e complexo.
O conjunto dos textos escritos entre o final dos anos 40 e o início dos 60 reflete algo como uma experiência iniciática, resultando em uma nova consciência e uma nova cor­poreidade depois desse confronto com a morte. A seu modo, Ginsberg reproduziu a viagem órfica, a descida de Orfeu, arquétipo dos poetas, ao inferno, e a trajetória do xamã, do bruxo-sacerdote tribal. Emergiu dela, após aderir ao budismo tibetano, como líder de movimentos sociais dos anos 60 em diante, e um permanente animador cultural, à frente do Naropa Institute, a universidade alternativa que criou e dirigiu até o fim da sua vida.
Morto aos 70 anos, fará falta, mesmo com a permanência de sua obra. Em uma admirável síntese do poeta olímpico, a celebridade mundial, e do poeta maldito, o marginal, jamais abriu mão do senso crítico e da busca do novo, tão evidente na permanente transformação de sua obra desde a fase heróica da Beat, nos anos 40-50. Enfrentou crises pessoais como a de 1960 a 63, interrupções do seu processo criativo, mas nunca se tornou um repetidor, um epígono de si mesmo. Não soará estranho, atualmente, afirmar que alguém como ele, um rebelde com um comportamento extravagante e desregrado, foi um exemplo de integridade, de uma elevada ética da poesia. (Trecho do texto do tradutor e poeta Cláudio Willer, autor da introdução, das notas e da tradução de Uivo para a L&PM Editores).
OBRA | Poesia :
Howl and Other Poems, de 1956 (no Brasil L&PM Editores 1982, e L&PM POCKET, 2000); Kaddish and Other Poems, de 1961 (no Brasil L&PM Editores 1982, e L&PM POCKET, 2000); Empty(1961); Reality Sandwiches (1963) Ankor Wat (1968); Airplane Dreams(1968); Planet News (1969); The Gates of Wrath, Rhymed Poems 1948-51 (1972); The Fall of America, Poems of These States (1973); Iron Horse, (1974); First Blues, (1975); Mind Breaths, Poems 1971/76 (1978); Poems All Over The Place(1973); Plutonian Ode, Poems 1977-1980(1982).
Prosa :
The Yage Letters (com William Burroughs), de 1963; Indian Journals(1970); Gay Sunshine Interview (1974); Allen Verbatim: Lectures on Poetry, etc. (1974); The Visions of the Great Rememberer (1974); Chicago Trial Testimony(1975); To Eberhart From Ginsberg (1976); Journals Early Fifties Early Sixties(1977); As Ever – Collected Correspondence. Allen Ginsberg & Neal Cassady (1977); Composed on the Tongue (Literary Conversations, 1967-1977), 1980; Straight Heart’s Delight: Love Poems and Selected Letters (com Peter Orlovsky), 1980.

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