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terça-feira, 4 de novembro de 2025

FUTEBOL

 


Demonstrámos inequivocamente 
a nossa superioridade.

O adversário 
esteve à altura 
da nossa derrota.



2018Ago_aNTÓNIODEmIRANDA

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GOSTARIA DE NÃO TER FEITO MUITAS COISAS

 


Matar moscas demasiado confiantes na minha 
falta de destreza.

Aniquilar baratas expectantes da minha 
benevolência.

Molestar sardaniscas só porque não condiziam 
com a minha cor clubista.

Desconfiar algumas vezes da minha 
honorabilidade.

Apertar com brandura certas 
amígdalas.

Não ter dado ainda maior desprezo 
aos hipócritas do costume.  

Acreditado, pelo menos uma só vez, 
no sucesso “pós” – traumático.

Não me lembrar da página onde rasguei 
os planos para o futuro.






2018Set_aNTÓNIODEmIRANDA
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É PROÍBIDO ENTRAR

 


Fecha a porta. 
Já estão cá todos. 
Mesmo aqueles que não sabem que faltaram. 
As flores esperam o toque, 
enquanto brincam com palavras cruzadas. 
Cá fora, na pedra dos sonhos curvados, 
juntam-se numa amena cavaqueira, 
versos amarelecidos por tão longa espera. 
Um Bandoneon abandonado,
 aguarda na milonga mãos que o afaguem. 
Cá fora é um lugar que não merece ser respeitado. 
E a velha canção vai espalhando teclas, 
que já não são flores, num caminho já sem sentido.
Sangramos a mesma cor do triste tango.
Cá fora,
risquei a voz que constantemente repetia:
é proibido entrar.






2018Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
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LAR DOCE LAR

 


Lar doce lar

que tanto me empobreces

no pagar



2018Mar_aNTÓNIODEmIRANDA
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DUBONET ON ICE (It could be the paradise)

 


Pintei o vestido na tua pele
numa câmara lenta vestida de púrpura.
        E na canção riscada
do disco tão tocado
                sorrimos lado a lado
molhando a volúpia  
            com a nossa saliva.
Amávamos no silêncio cúmplice
        que enlouquecia os lençóis.
O diferente era uma luz que nos cobria
e nunca se importou
com as malícia dos beijos
                que cansavam o nosso 
adormecer.


2017nov_aNTÓNIODEmIRANDA
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INTIFADA - POEMAS PARA UMA PÁTRIA OCUPADA (Anos 80)

 























segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Pai! POEMA PARA ABÍLIO de MIRANDA (1927.12.04 – 1987.11.03)

 


Podemos começar ouvindo Charles Aznavour cantando  “ La Bohème” ou para momentos mais sérios escutar a “ Avé Maria “ de Schubert
Passaram-se dias, muitos deles acompanhados daquelas cores feitas com lágrimas. 
Alguns ainda em que o sangue beijou o chão.
Foi numa terça feira, ao cair da tarde ( sei agora que é o momento em que o sol vai dormir com a lua), que me disse as suas últimas palavras : 
às 7 vou deixar de ser anão . Levanta-me ! … 
E assim, partimos os dois, o senhor abraçando os meus braços. 
Ás vezes sinto-me como uma criança perdida, mirando uma qualquer estrela que passeia despreocupada lá naquele lugar com um nome tão estranho e tão longe. 
Ás vezes sinto-me cansado e durmo como se mil sonhos estivessem á espera de me acordar.
A verdade é que estou  menos novo, e, a Mãe, o Jorge Faria, o tio António e a Guilhermina, já não podem ficar nas fotografias. 
A vida vai gastando o tempo e filtrando na sua imensa paciência, os verdadeiros amigos. 
Não me arrependo de lhe ter dito algumas verdades ( daquelas que doem a sério ), mesmo sabendo que estava pronto para a viagem. 
Recordo-me das nossas festas, das nossas canções, cantadas como só aqueles que se gostam podem fazer. Tenho na garganta o sabor daquele “americano”. 
Tenho na pele a promessa de tomar conta da Mãe. 
Tenho no coração a mais linda declaração de amor 
( falava você com a ela), que alguma vez ouvi. 
Tenho a certeza que você era diferente dos outros !
Lembro-me perfeitamente quando com um sorriso cúmplice me dizia : 
tens lá em baixo livros “novos”. 
O que eu aprendi consigo !
Sentado neste banco de memórias, deixo-lhe a minha saudade.

Não sei qual é a pressa de acelerar a minha corrida. 

Afinal a vida continua a ser um lugar estranho para se morrer!


,2013.out30_aNTÓNIO­ DEmIRANDA