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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

TODO O AMOR




No envergonhado silêncio
saberá alguém o que sofri
só  por desejar o olhar que nunca 
me conheceu?
Mais um dia a sair da tumba.
Dia após sonho não paro de morrer.
Doce desejo embrulhado em algodão 
de morte.
O suicídio será sempre a oração 
preferida 
dos poetas inconvenientes.
Deixem a importância dos anjos malvados 
lavrar os verdadeiros epitáfios.
Assim será feita a vossa última vontade 
tanto na tela como no céu.
Vida maldita que se dane a sorte.
O teu sorriso será a moldura do meu rosto. 
Mas naquele nascer ainda não havia o tempo.
Todos ignoram as noites do seu murmúrio, 
e no desfile das feridas entregues pela vergonha, 
enxota esperanças sem consolo possível. 
A mesquinhez acampada no travesseiro, 
decora o acordar que o condena. 

                E ele num gesto teimosamente copiado, 
cospe sorrisos na sempre rota algibeira.

            E assim caminha 
para onde nunca quis chegar.



2025Dez31_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

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