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domingo, 4 de setembro de 2022

HORAS SEM CONTAS

 


Lá longe 

para além das horas sem contas 

fico cansado da teimosia 

desta esperança



,2021Setembro_aNTÓNIODEmIRANDA


FOLHAS CAÍDAS ACENAM AO LENTO PASSAR DOS ENGANOS

 

Já não conto o tempo, 
nem do mundo sei os dias, 
que só conseguem empatar o acordar desesperado, 
pintado na mentira do horóscopo. 
Encomendo a habitual dose de optimismo 
na compra on-line, 
embora saiba que o saldo da vontade, 
continua negativo. 
Informam que a operação foi cancelada. 
Maldita conveniência, 
sempre pronta para me atraiçoar.
Pisadas pelos passos sem volta,
folhas caídas acenam ao lento passar dos enganos.

,2021Novembro_aNTÓNIODEmIRANDA


DESLIGOU A TELEFONIA DOS SONHOS MENTIROSOS


    Olhar desengonçado como se espremesse 
    as borbulhas do tempo que não conseguiu     alinhavar. 

Barbeou os desgostos numa espuma fálica 
que ensurdecia o trautear dos conhecidos 
e pisados fantasmas. 

Afastou a hora da velhice 
que só queria distrair o sentir de penas feito. 

(E assim manipulava a sinfonia desafinada), 
resgatando o pecado entregue pelos medos 
das próteses celestiais.

Vomitou todos os futuros trapaceiros.

Desligou a telefonia dos sonhos mentirosos.


,2021Dezembro_aNTÓNIODEmIRANDA

ESTRELAVA NO CÉU BEIJOS AGRADECIDOS

 
Não passo de um ruído espalhado pela vida, que, mesmo no paraíso precisa de amigos.
E no alarido de um coração picado há um cavalo que foge da sela que o quer trair. 
Subtrai a ternura suicidante que lhe apaga a chama efémera e num grito desenfreado salta a angústia como se fosse arte poética. 
E agora cansado chora o libelo da maldição que o fez prender. 
Saltou o mais que pode a cerca que lhe toldava o horizonte e só agora pode beber num gole total a imensidão que lhe vendaram. 
Feito poeta e na ausência do juízo normal aquece no galope sonhos há muito guardados. 
Aparece de quando em vez nas quintas-feiras da poesia possível e fingindo que não chora, abraça qualquer presença. 
Na forja que lhe derrete a alma espalha todos os poemas que cabem no seu mundo. 
Apenas um sossego aqui na terra depois deste deus louco irmão de todas as morfinas e crítico apreciável dos benefícios da marijuana, longe da masturbação das agulhas beijando na fornicação a cara sem sangue que desliza pela parede riscos indolores de uma salvação com doses para uma semana. 
Pedaços que exibe na mão foram um poema nunca sujo, escrito em moedas que mancharam a carne que pensava o amava. 
E agora não consegue saltar os muros do sonho neste cenário de bêbados circuncisados. 
Nesta escrita de raposa com a permanente promessa de não ganhar qualquer "grammy", perde-se nesta sensata e inútil razão que se perpetua na pele. 
Deus não existe! 
O diabo é que às vezes se esquece de ser mau! 
O inferno é aquecido por um micro-ondas. 
E as formigas diligentes lêem notícias sem sabor. 
Dizzy e Parker sabem do que fala. 
E eu não minto tanto assim. 
Naquele tempo Nina Hagen vagueava pelo Harlem e beijava todos os pretos que tinha no coração. 
Miles tinha escrito nas bochechas que a infância nem sempre é um acto saudável. 
Berry no seu "duck walk" olhava docemente para certas "teenagers" que fingiam ter “sexteen”.
Ás vezes sentia no corpo um fato que pertence a outro, quando o dia lhe corria tal mal contrariando a mais optimista previsão do relatório do tempo. 
Era quando o vento fugia da morte e empurrava esta mania de pensar que sabia quem foi. 
E molhado por esta invenção, entregava ao "deus-trará" protocolos falsamente assinados da sua presença. 
O gato de Ferlinguetti poderá testemunhar a afluência inaudita na agência de turismo onde costumava urinar. 
O calor do seu orgasmo aumentou a temperatura do deserto que foi a cama que nunca cheirou a sua solidão. 
Eram noites sem janelas onde a memória acaba por fugir. 
E assassinam gemidos de guitarra sangrando o ventre até aos dedos que só a queriam acariciar. Agarrava os blues do Mississipi e snifava o pó dos velhos "vinyls" que podaram a sua juventude. Retornava á velha casa e beijava o som roufenho que chorava naquele velho gira-discos, só para voltar a escutar de novo aquela música.
No caminho de volta encenava estrelas e falava com todas as palavras possíveis. 

Estrelava no céu beijos agradecidos.
   

,2017,abr_.aNTÓNIODEmIRANDA





Por favor...

 Estou a precisar de férias!

Por favor,

desliguem a ignorância.

2016,09aNTÓNIODEmIRANDA

sábado, 3 de setembro de 2022

PARA AQUELES QUE FAZEM DO “QUEIXAR” A ORAÇÃO PREFERIDA

 Falas da hora errada!

Da falta de sorte no azar que construíste.

Da culpa de quem não fez nada.

...

Mas nunca mudaste os minutos da pulhice.


2018Set_aNTÓNIODEmIRANDA