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sábado, 31 de janeiro de 2026

MUDAS A FOTO, NÃO ENGANAS O PERFIL

 

Preocupam-me todos os sistemas totalitários, e sobretudo não quero que me gele a vontade de brindar com sangue a morte de todos os monstros do mundo. É infinita a distância que nos separa. Estes ideais inquietos, causam-me a angústia de que nada vai mudar. Estão mais altos do que nunca, os velhos muros do ódio. Tenho gravadas nas mãos, as marcas de frias grades onde escorrem poemas com o sabor do tempo. O que falta? O único minuto, deserto, sempre deserto de esperança. Serão agora ainda mais difíceis os sorrisos que ancoravam com toda a cumplicidade, vagas não exageradas de optimismo. De nada valeram os gestos ensaiados. A mentira mais fingida foi sempre maior que o cenário disponível. Toda a evidência encharcou a metáfora. Talvez não custasse muito destilar outras frequências. O tudo e o nada será sempre a medida exacta. Aqui a dúvida não passa de um intercâmbio de palavras. Apostamos a fatalidade numa bolsa com o crash há demasiado tempo preparado. Há ainda quem pense que o dow jones foi o primeiro guitarrista dos Rolling Stones. Eu diria: é preciso não acreditar na inteligência do ar condicionado. Garanto-vos a inexistência de cobardias honrosas, e, as verdades que nos querem impingir não passam de uma imitação adulterada de pechisbeque. Não há ponto razoável para acreditar em virtudes tísicas. São sempre indigestas as discussões estéreis. Olhamos para o céu mentindo copiosamente na vontade de lá chegar. Há imaginações com demasiada cinza.

.2015aNTÓNIODEmIRANDA 

#Livraria Buenos Aires# - Editora Tea For One / 2015Março




sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

E EU AINDA NÃO SOU ANJO no livro #Livraria Buenos Aires# - Editora Tea For One / 2015Março

 

E EU AINDA NÃO SOU ANJO
Para os que comemoram aniversários clandestinos debaixo dos viadutos, ouvindo sinfonias estereofónicas de claxons e que conhecem de cor as influências dos fluídos do trânsito no comportamento das pessoas. Para aqueles que ainda têm a coragem de assumir a diferença cada vez mais etiquetada com heterónimos de loucura. Para os que rezam em silêncio desfilando entre os dedos rosários de lágrimas e, ajoelhados em soluços de desespero, esperam ainda com a esperança possível, aparições dos anjos do néon.
EU AINDA NÃO SOU ANJO
Para os que constroem a poesia com o amargo optimismo de experiências repetidas e que, sobretudo, sobretudo não lamentam , não invejam a maldita sorte dos poetas malditos :
Visões do apocalipse
Tentações demoníacas
Desolação
E EU AINDA NÃO SOU ANJO !
VIVA LA MUERTE !
Os duendes de Somorra invadiram as autoestradas deste inferno com sorrisos malignos de arco -íris.
Para aqueles que ignoram as constantes tentações do deus publicidade e fumam orgulhosamente beatas anónimas, marimbando-se nas marcas, e ainda para os que olham as montras sem qualquer laivo de cobiça, manifestando delicadamente a sua indiferença pelo Yves Saint-Laurent.
Para os guerrilheiros da angústia, que atacam a normalidade com raids ritmados de swing e destroem horários com metralhadoras de coragem.
E EU AINDA NÃO SOU ANJO !
Para os que gastam o tempo antes que o tempo os gaste e sorriem às estátuas com sorrisos cheios de cumplicidade 
Para os que lavam as horas em retretes repletas de relógios, para que o despertar não tenha o sabor inglório da obrigação digital. 
Para os que se deitam na praia desenhando na areia voos obscenos de gaivotas e desfilam sonhos de m`água e que compreendem docemente os queixumes do mar e choram no silêncio soluços da ausência.
Para os que acordam sempre
do mesmo lado 
da mesma maneira 
devorando avidamente croissants recheados com perfumes da Dior e devoram avidamente o nosso tédio, cuspindo depois as algemas da nossa escravidão.
Para que os vagabundos tenham pena de nós, da nossa impotência, da nossa burguesia, das nossas aspirações, dos nossos projectos, da nossa incoerência, do nosso medo e, sobretudo, sim sobretudo, para que lamentem :
A nossa falta de coragem que sempre desculpamos com a sorte
porque gastamos a vida na margem dum rio que se chama morte.

aNTÓNIODEmIRANDA




segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

DO PASSADO NÃO SE LIMPAM AS NÓDOAS

 


Há uma passagem sem retorno abandonada pelo brilho do céu arrependido. 
Porca ilusão, consciência conspurcada na traidora celebração do momento. 
Vida com vista para o precipício como se fora castigo hospedado na bandeja dos vendavais. 
Sou assim, exactamente como o que não pretendo, verso mentido nas palavras que não quis abraçar. 
Amargura escondida na demência 
das horas sem ouvidos para me atender. 
Fila única, 
Sentido contrário, 
Feliz aniversário, 
Onda curta morta 
Na curva da auspiciosa sorte. 
Vou caminhando ao invés dos canteiros do suplício, ramalhete escondido no almofariz da realidade virtual. 
E, assim confronto indesejáveis artroses 
alojadas numa robusta indelicadeza. 
O que espero, 
não sei nem me importa! 
Imagino uma opção condigna do meu pensar, 
assim como qualquer coisa parecida 
com aquilo que pretendo, 
dado que não acredito no saber absoluto.
Um gume eficaz, 
um laço pegado ao abraço 
para depois poisar no regaço daquela virgem 
artisticamente adorada no Balneário Municipal 
da República da Pudicícia. 
É bem verdade que hoje o dia está difícil. 
Raptaram os sonhos num raid manhoso 
e as manhãs prometedoras esqueceram-se de aparecer. 
Por mim bastaria uma realização onanista 
em modo de “câmara lenta” sem discursos de circunstância. 
E, sobretudo nada de lembranças pindéricas 
nem alusões inoportunas. 
Nem sequer um aplauso enlatado, 
daqueles expostos nas montras da inútil conveniência. 
Mas o que me oferecem 
é uma amnistia congelada com sabores bolorentos. 
Mas, eu só preciso de uma vitamina simpática. 
E tu? 
Porque esperas? 
Morres nesse dano sem fim.





2026Jan_aNTÓNIODEmiRANDA
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CONSTATAÇÃO AMBÍGUA (1) (ideia do Fábio Mendes)

 


Estarei 

                

                        Se For

Mas

        Se Irei

                                    Ainda

        Não 

Sei



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O QUE DE MIM VÊS E AINDA NÃO ACONTECEU

 


Diferente, eu?

Não!

Mas Nunca Será 
Pecado Meu 
Se Igual Assim 
Ainda 
Não Aconteceu!





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Patxi Andión - 20 Aniversario (Palabras)

Patxi Andion - Manuela (1971-1973)

MAUS HÁBITOS

 


A vida, 
dizem,
tem muitas 
ocasiões.

Mas na praia d
os sonhos,
só de algumas
mantenho lembrança.

A alegria,
ou lá o que lhe queiram 
chamar,
está a ficar 
curta.

Não me convidem 
para o banquete 
da amargura.

 Faz tempo 
que deixei 
os maus hábitos. 


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A CONTRIÇÃO DA VOZ DO DONO

 


 

Só lhe falta saber escrever, 
para que, 
com a convicção possível, 
afirmarem: 
Agora sim!
Estamos na presença do verdadeiro Pateta!
(confortável, 
o poeta sorri
nas pautas dos 
Grandes Momentos De Pinotecnia)...




2026Jan_aNTÓNIODEmiRANDA
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PELE DE UM SÓ NASCER

 


Olhando Mais Que O Mundo


Desgosto Maior Que O mundo


Sofrendo Mais Que O Mundo


Morrendo Mais Que O Mundo


Na esperança ainda maior 


Que O Mundo


Odeia-me! Odeia-me Deveras
E Que Nunca Seja A Última vez!!!
[Do que me valeu sair a lotaria]
Fiquei com o dinheiro
que nada valerá se a prateleira permanecer vazia
[Os dói-nativos não funcionam]




2026Jan_aNTÓNIODEmiRANDA
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domingo, 25 de janeiro de 2026

NÃO SEREI O ÚNICO

 Dizes  que sou 

Um gajo

Amolgado...


assim fiquei

Desde 

Que 

Caí  

Do

Céu



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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

QUEIMAR DESGRAÇAS

 


Olhar triste neste acordar de sentido proibido. 
Um cálice de rosas vertidas na cor de sangue, para um céu que não me atende. 
Encontro o piano das teclas ensonadas que embalam as fantasias do caminho que não apanhei. 
Uma voz que não conheço, escreve que a esperança não deveria ter morrido desta maneira. 
Estou farto de abraçar candeeiros abandonados, e as mensagens que envio para nevoeiros confidentes, só me querem adormecer com ideias de plástico. 
Janela dorida, um sorriso como o teu, era o mundo que eu precisava. 3 desdéns no bolso, 1 bilhete para picar o futuro, um balançar não embaraçoso na corda bamba, um chuveiro de champanhe harmonioso, um tempo sem a vez de voltar atrás, um banho temperado  com soluços gotejados do teu sexo. 
Tudo é absurdo neste velório de aplausos.
Nada é importante desde que senti que a vontade fingia.






,2020Dez_aNTÓNIODEmIRANDA
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AO CORRER DO TEMPO Graça Lopes SEC`ADEGAS 2017

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

FLORES DA AUSÊNCIA NO JARDIM DA TERNURA CONFISCADA

 


            A pele é o destino deste medo fiel depositário da sempre sangrada ilusão.
            Até quando conseguirei mentir à vontade do único sonho que me resta?
            O peso das palavras chicoteia sem parar esta ideia nunca abandonada de alcançar a diferença. 
            De todas as vezes que abusaste da minha pequenez, o vazio já não cabia no peito. 
            E o saco das prédicas compradas “on-line” cambaleava no bordel da absolvição. 
            100 Mortes por segundo doridas esperavam-me na falésia dos deuses furiosos. 
            Aqueço o desespero no congelador das defuntas opções - embalo os lençóis no suor arrependido, fujo para estar (assim como se o céu ainda se lembrasse de mim). 
            Mas... caiem lágrimas, demasiadas vezes nuns ombros que de mim tanto fugiram. 
            O velho resistente, (disfarçado de gato desinteressado), aparece para o piquenique da cansada madrugada. 
                    Sopros de vento bailam na janela, e a lua, feita puta manhosa, aconchega a mantada aflição e escreve no travesseiro o habitual poema: 
    
                                                     [Tem cuidado! 
O teu sossego é a mais importante das minhas
trapaças]. 

            Não desistas.
            O esquecimento é a próxima paragem.



,2024Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
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NO TRAVESSEIRO DA VIDA ONDE SE ESCONDEM OS GRITOS DA SOLIDÃO

 


No descontente deitar tento abalar a melancolia mas a solidão encharcada nestes ossos não passa da mais indesejada das companhias. 
E a revolta que entope as veias não desiste de animar o que farei com as mãos erguidas para o absurdo desejo. 
Chegam-me as notícias da saudade, como se aquilo que pretendo, fosse a mais traiçoeiras das ambições. 
Recuso passar o acontecer enfiado num sarcófago à espera da admiração “post mortem”.
Entretanto na almofada da vida possível, tímidas nuvens tentam fugir da nostalgia agitando a bandeira da ofensa. 
Não há rendição possível.
A consternação repousa na mais impostora indignidade. Banhos de sangue não passam de lamentos tatuados na hipocrisia que domesticamente nos conforta.
                    
QUEM MAIS PODERÁ GOSTAR DE TI? 
(fala do reclame).

Olha a televisão! 
Comprei-lhe toda a mentira! 
E não imaginas o quão dourou este falsário. 
Não penses que sou o único!
Esse é o fatídico erro. 
(Tão pouco me importa o teu desapontamento). 
Estou sempre disponível para aplaudir a ingenuidade da fé que tanto te agacha. 
E agora, que tudo te roubei, poderei então saudar a estima e consideração que por ti nunca terei.

,2024Dez_aNTÓNIODEmIRANDA
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

CAN - Future Days ( com poema de AM)


FUTURE DAYS

Já começo a ouvir vozes estranhas.
Falam dos dias do futuro, mas sinto 
que estou a perder a cabeça com tantas desculpas 
que tenho para escrever. 
Nada escolhi de errado e sinto-me incomodado 
pelos sorrisos que pretendo recusar. 
Está tudo tão errado nesta pressa que em mim caminha 
e estes sons estranhos que se entranham na pele, 
correm pela estrada fora, como se fossem meus. 
É o corpo que me arde nestes dias cada vez mais esquisitos, 
e os medos que pinto nas paredes que me cercam, 
neste modo aborrecido, acalmado pelos uivos da guitarra. 
Eu que nada compreendo deste sussurro de tambores 
que enchem a noite do meu último sonho. 
E a lua que chocalha o meu pensamento, 
embrulhado num cocktail de garrotes, 
lá naquela montanha de dançarinos pintando o céu. 
Estou metido nestas ondas beijadas por calmas sereias, 
que juntam na minha mão, pérolas dos olhares que julgava ter perdido. 
Ei, não sei onde fica o lugar onde estou, 
mas nesta música ouço trombetas de pessoas agora felizes. 
Não sei se o paraíso é possível e se será este 
o clamor da orquestra dos anjos. 
Estou pronto para qualquer momento, 
e penso que irei achar o caminho. 
Não poderei continuar a resistir à tristeza 
e debaixo deste nível, nada existe. 
Nesta valsa compassada em cascatas, 
talvez a minha alma possa ser reanimada 
e a minha certeza realizada. 
Não digo que não, eu sempre acreditei nos momentos diferentes, 
mais dia, menos dia, não é isso que me interessa. 
Faço o que sinto, embora digam que é da maneira errada. 
Mas eu sei que tudo o que vejo poderá estar
nas mãos de uma criança e isso torna muito mais fácil 
a ideia da esperança. 
Mas o que fazer dos dias futuros? 
Estou a ouvir CAN.
Vi esta banda há muito tempo num concerto em Lisboa. Anos mais tarde, cumprimentei o Damo Suzuky na ZBD. Não falamos muito. 
Velhos conhecidos não são para essas coisas. 
Olhamo-nos com o sorriso dos caracóis celestiais.
Estou a subir as escadas agarrado a um espelho que me mostra o sítio.
Dizem-me sempre para ter cuidado, 
aqueles que não escutam esta música.
Não sei se vou cair, mas não tenho medo.
Chegam-me sons ritmados, 
como se fossem convites ilustrados na viola do Michael Karoli.
Sinto-me vivo nesta loucura de constante procura, 
onde delicadamente me corto nestes timbres alucinados 
que me fazem dançar.
Estou louco!
Embora só de vez em quando.
Tudo tenho a ganhar.
E isso eu quero aproveitar.
Que se foda o juízo!
É disto que eu preciso.
Poderia fazer outra coisa.
Mas não me apetece.



2017,jul_aNTÓNIODEmIRANDA 
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

DORME MEU ANJO, QUE EU VOU PINTAR OS TEUS SONHOS

Despede-se de mim, a manhã embrulhada no teu sorriso. Resta-me a tua boca de romã, molhada nos meus lábios. Lambo o desejo que deixaste espalhado no meu corpo, como um segredo constante, colado nos ouvidos. Tudo o que assim acaba, nunca terá razão de ser. É a mais dolorosa facada, neste peito que não quer morrer. Saudades das tuas mãos, do teu olhar, que pensei, nunca me iria abandonar. 
Dorme meu anjo, 
que eu vou pintar os teus sonhos. 
Entregaste este deserto que me espanca, e um chocalho de lágrimas num balir infeliz. 
Diz ao teu amante, que a nossa paixão, não tinha o toque da infâmia, agora que me deito contigo, nas noites farsantes, abraçado ao travesseiro das malícias fantasiadas. Escreve-me um segundo, mesmo com palavras que eu não entenda. Já só tenho este tempo que, nunca me mostrará a magia que perdi. 
Dorme meu anjo, 
que eu vou pintar os teus sonhos. 


2019set_aNTÓNIODEmIRANDA
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Lawrence Ferlinghetti - Last Prayer (The Last Waltz) / O POETA NUNCA DIZ QUE É POETA (com os melhores cumprimentos para o Senhor Ferlinghetti)


Our father whose art’s in heaven
Hollow be thy name
Unless things change
Thy kingdom come and gone
Thy will   will be undone
On earth as it isn’t heaven
Give us this day our daily bread
At least three times a day
And lead us not into temptation
Too often on weekdays
But deliver us from evil
Whose presence remains unexplained
In thy kingdom of power and glory
Oh Man!


A Última Oração do Senhor
por Lawrence Ferlinghetti
Pai nosso cuja arte está no céu
Oco seja o teu nome
A menos que as coisas mudem
Teu reino venha e se vá
Tua vontade será desfeita
Na terra como não é no céu
Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia
Pelo menos três vezes ao dia
E não nos conduzas à tentação
Com demasiada frequência nos dias de semana
Mas livra-nos do mal
Cuja presença permanece inexplicada
No teu reino de poder e glória
Ó Homem!

O POETA NUNCA DIZ QUE É POETA 
(com os melhores cumprimentos para o Senhor Ferlinghetti)
Num contexto fácil e descontraído, preocupa-se com factualidades terríveis, como a queda da aranha na maionese, que ostensivamente machucou o néon dos seios daquela musa, surpreendida pelo ondular achocolatado das pregas da sua dança.
Um lenço acena uma seda triste.
O poeta que nunca diz que é poeta, afoga com estima, molduras ressequidas, e num laço afectuoso, envolve as sombras da poesia. Depois, senta-se lavando lágrimas no alguidar dos poemas que ninguém leu. Amparado na bengala da solidão, acende candeeiros abandonados pelo céu das estrelas fraudulentas. Desobedece confortavelmente às intenções maliciosas do bem-estar oferecido. Conspurca sempre a higienização social, e asfixia no mictório da normalidade, a pronúncia dos patetas que dizem ser poetas. O poeta não perde tempo com zunidos, não gosta que lhe entupam os sonhos. Fala com os amigos que também não se dizem poetas, e desfiam artifícios como sobremesa.
Na conversa dos poetas, aqueles que dizem não serem poetas, gravam-se sorrisos num grafiti engraçado, para mais logo emprestar.
O poeta nunca acaba o poema. Tem na folha outra invenção. E cavalga a onda do seu consentimento, só para aparar limalhas que choram no seu peito. Sustenta a tristeza que corre nas veias, lambe as feridas, e diz o único adeus com sabor a despedida.
O poeta que nunca diz que é poeta, entorna o olhar na memória lenta dos poemas que o abandonam. E tatua cicatrizes na marcha da ignorância, só para lembrar, que como sempre, morrerá só.
Os que se acham poetas, não passam de alucinações doentias!
&, Como os poetas que dizem não serem poetas sabem, isso é uma estupidez sem cura possível.



2018Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
#SÓ ESPERAVA A VIAGEM PROMETIDA#
volta d' mar







#DEZEMBRO E OS OUTROS TEMPOS#_LOVE IN VAIN _ILUSTRAÇÃO da Sandra Filipe

 





quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

CCR - Run Through The Jungle (Vietnam footage)

ÊXTASE


Percorrê-la com o olhar

e já sem olhos

enrolar-me na sua ternura.

E esperar

que o vento sopre a insónia

para um êxtase apetecível.




,2016jan12aNTÓNIODEmIRANDA
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

ASCO! Trumpin` in usa : e o Nojo Continua...

 


Graças aos meus pais não sou americano!
Agradeço continuadamente essa dádiva.
Não vivo naquela parte onde um boneco com uma alcatifa loura ornamentando uma boteifa mal cheirosa, pretendendo esconder uma diarreia cansada e careca, sossegou a idiotice dos aparvalhados que nele votaram. 
Que vergonha a vossa! 
A ignorância que vos gerou nunca perceberá. Vivemos assim os tempos ainda mais difíceis para os conscientes e o terrível preço que continuaremos a pagar pela vossa boçalidade. Não me alegra estar a escrever isto, mas também não me sossega a vossa contínua idiotice. 
Desde que me conheço, sofro na vida os malefícios do cancro da vossa pequenez. 
A vossa democracia é uma mousse defeituosamente servida no great american disaster
E a América tinha os índios, não me levem a mal, tinha os beatniks, não quero que me perdoem, tinha os irmãos Marx, podem continuar a ignorar o senhor Woody Guthrie, teve Marlon Brando que vos comprou Wounded Knee com o dinheiro do óscar que recusou receber, deu-nos todos os pretos de quem vocês sempre tiveram vergonha, deu-nos todos os Blues com palavras tão sangradas que vocês consideram estúpidas. 
Estou farto da América! 
E mete-me asco aquele mundo que estupidamente imita a América! 
Pergunto à tua infâmia quando poderei ASSASSINAR-TE com os disparos que ainda não te mataram?
Responde-me para o asco habitual.
Ficarei vivo até estas contas estarem saldadas!
Mesmo velho e cansado, presto à tua maldade um juramento perpétuo de que nunca será agradável a tua presença.
Até nunca!





2016,11aNTÓNIODEmIRANDA
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

TODO O AMOR




No envergonhado silêncio
saberá alguém o que sofri
só  por desejar o olhar que nunca 
me conheceu?
Mais um dia a sair da tumba.
Dia após sonho não paro de morrer.
Doce desejo embrulhado em algodão 
de morte.
O suicídio será sempre a oração 
preferida 
dos poetas inconvenientes.
Deixem a importância dos anjos malvados 
lavrar os verdadeiros epitáfios.
Assim será feita a vossa última vontade 
tanto na tela como no céu.
Vida maldita que se dane a sorte.
O teu sorriso será a moldura do meu rosto. 
Mas naquele nascer ainda não havia o tempo.
Todos ignoram as noites do seu murmúrio, 
e no desfile das feridas entregues pela vergonha, 
enxota esperanças sem consolo possível. 
A mesquinhez acampada no travesseiro, 
decora o acordar que o condena. 

                E ele num gesto teimosamente copiado, 
cospe sorrisos na sempre rota algibeira.

            E assim caminha 
para onde nunca quis chegar.



2025Dez31_aNTÓNIODEmiRANDA
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UM BOM KARMA AO SEU DHARMA TORNA

 


Está só?


Não!


Aguardo a minha vez.


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PORN FLAKES

 


Isto 

Está 

Que 

Nem 

Ele 

Sabe



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PODE SER QUE DEUS AINDA NÃO TENHA FUGIDO DO CÉU

 


E o carrossel que não pára de lubrificar 
a memória sem pecado concebida.
Triste magia inacabada, 
nódoa nunca apetecida, 
cruz de xisto cravada na mais nojenta
calúnia.
Nesta paragem com vista 
para o que não quero, 
aliso passos com o desdém 
que a mim mesmo permito.
Era fácil, 
segrega a conveniência. 
Mas continuo voltado 
para o rio que alcançará  a desejada maré.

Pensar na vida?

Puta de Alternativa.

O tempo pediu ao tempo 
os abraços com horas para a coragem.
 
Pode ser que Deus ainda não tenha fugido do céu.

Rezo aos meus ossos boas aventuranças. 





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PROPAGANDA

 


Tudo é falso

Assim não vale

Só sabem prometer 
Aquilo que nunca irão fazer

Estou teso
 
E tu também 

O que havia de nos acontecer

Vem amigo 
Lutar comigo 
Contra quem não se cansa 
de nos foder






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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

ESTA NOITE A POESIA VAI ROUBAR A TUA ALMA

 


Sai da minha nuvem,
imunidade sentimental

O original não encontra amigos

Navego num manto de sobrevivência

Naufrágio sem amor à vista


Hotel da clandestina fuga
onde almas sem destino não podem 
entrar

Grades nada oferecem

Tanques só deveriam servir para lavar 
roupa


2025Dez31_aNTÓNIODEmiRANDA
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ERVA DANIFICADA (vaquinha, burrinho e os camelos da sorte malvada)

 


Meu menino olha o que fizeste!

Se calhar desapontei-te. 

A bússola que pediste estava avariada. 

E os aplausos encomendados 
aos sonhos que pensaram irias vestir, 
eram putas escondidas 
na almofada dos atropelos.

Estrelas revoltadas grafitam no céu 
a deprimida expectativa.
 
Até porque o mundo continua acamado 
na palha mijada.
Desculpem-me esta má vontade. 
(Até porque o desapontamento 
voltará dentro 
de momentos). 





2025Dez_aNTÓNIODEmiRANDA
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DIAS ENFEITIÇADOS

 


Parti no sonho roubado
 
Acalmo os passos tristes 
com uma mentira  qualquer 
só para recordar o cansaço do dia 
que procura o silêncio  confortável  
no alívio da noite

O cântico final navega 
num póstumo elogio 
ao encontro da constelação 
dos poetas silenciosos




2025Dez31_aNTÓNIODEmiRANDA
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ALEGRE MAS NÃO TRÔPEGO

 


Ser o teu céu 
Nesta lua de veludo 
É o que desejo 
Para então 
Bordar abraços 
Nos sonhos de jasmim 
E celebrar a vida de volta 
Ao caminho do encanto




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AÇAMBARCADOR DE CONTEÚDOS GENIAIS

 


Dei-te 

Quase 

Tudo 

Ainda 

Mais 

Exigiste




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AINDA NOVO DEPOIS DESTES ANOS?

 


Grandes e melhores mentiras 

Foram escritas muito antes 

Desta parvoíce.


Dizem que os tempos 

Mudam


Contudo a estupidez

Não pára de

Crescer


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Amália Rodrigues - "Gaivota" (Official video)

Balada Do Outono _ Sara Correia