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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

SÓ ESTOU Á ESPERA DA CHEGADA

 
Como uma nuvem abençoando a chuva no lamento de todos os golpes, choro na alma as vozes que mataste. 
E os algozes que louvaste? 
Dos ideais que enterraste nem ouso escrever. 
E os gritos que calaste? 
É urgente que nos deixemos de conhecer. 
Há muito que deixei de acreditar nas portas douradas do paraíso. 
Respeitei apenas a advertência da minha salvação emocional. 
Cá se fica enviuvando a morte em vivos soluços. 
Ninguém se importa com os olhares que gritam o dorido destilar das memórias numa qualquer sargeta, 
como se fosse obrigatória a tristeza. 
E assim, na penumbra da inocência 
sacode-se o nojo que envenena a vontade. 
A vida só queima o tempo. 
E os murmúrios do silêncio serão para sempre a única a verdadeira possibilidade.
(as estátuas há muito que deixaram de ouvir o nosso cumprimento). 

Jaz a vida num cabaz agonizante. 
Nada para ver.
 
É tudo tão diferente do que se tenha 
imaginado. 

E agora que as horas sumiram, 
onde será punido o desalento?
 
A duas linhas paralelas 
nem sempre se poderá resistir 
à beleza do seu convite.

2026Fev_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

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