Na curva onde morre o fim do mundo,
o cão do poeta Ferlinguetti entregou um poema.
Quando o tempo nos abandona, despejamos as mesmas desculpas, cuspimos o mesmo sangue, repetimos os mesmos medos.
Na toca dos solitários lamentos, veste-se o desejo do amanhã, que, não importa o que será, tarda em chegar.
Na curva onde morre o fim do mundo, o cão do poeta Ferlinguetti, sossega através da janela, olhares sem cura possível.
E na trilha da inabalável fé, o seu ladrar saúda a doce aparição da bondade projectada num écran imaginário.
E nos atalhos da decência não orquestrada, cumprimenta os que fugiram do mundo e voltaram para o filme, e que agora descansam na Oficina da Reparação dos Silêncios.
O cão do poeta Ferlinguetti, sentado no banco das mágoas, tenta abrir o cofre dos aflitos aplausos.
Já passa da meia-noite e o camião da recolha das frustrações está, como sempre, atrasado.
O pessoal do condomínio está deveras inquieto!
Ele há demoras que não se desculpam.
E na curva onde morre o fim do mundo, o cão do poeta Ferlinguetti, ofereceu à
Repartição dos Sonhos Sem Data Prevista para Acontecer,
o Relatório Anual das Notícias Atractivas.
poemanaalgibeira.blogspot.com
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