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sábado, 28 de fevereiro de 2026

O CÃO DO POETA FERLINGHETTI

 


Na curva onde morre o fim do mundo, 

o cão do poeta Ferlinguetti entregou um poema.

Quando o tempo nos abandona, despejamos as mesmas desculpas, cuspimos o mesmo sangue, repetimos os mesmos medos. 

Na toca dos solitários lamentos, veste-se o desejo do amanhã, que, não importa o que será, tarda em chegar. 

Na curva onde morre o fim do mundo, o cão do poeta Ferlinguetti, sossega através da janela, olhares sem cura possível. 

E na trilha da inabalável fé, o seu ladrar saúda a doce aparição da bondade projectada num écran imaginário.

E nos atalhos da decência não orquestrada, cumprimenta os que fugiram do mundo e voltaram para o filme, e que agora descansam na Oficina da Reparação dos Silêncios.

O cão do poeta Ferlinguetti, sentado no banco das mágoas, tenta abrir o cofre dos aflitos aplausos. 

Já passa da meia-noite e o camião da recolha das frustrações está, como sempre, atrasado. 

O pessoal do condomínio está deveras inquieto! 

Ele há demoras que não se desculpam. 

E na curva onde morre o fim do mundo, o cão do poeta Ferlinguetti, ofereceu à 

Repartição dos Sonhos Sem Data Prevista para Acontecer, 

o Relatório Anual das Notícias Atractivas.


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poemanaalgibeira.blogspot.com

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