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sábado, 27 de junho de 2026

NUVENS ARGUTAS ABRAÇAM SOMBRAS IMPRUDENTES

 

Este é o tempo que apaga memórias confortadas por orações dos afectos a fingir, 
da coragem que afirmam peremptoriamente indisponível. 
Este é o tempo que não deseja outra coisa senão sacudir-se a si próprio. 
Roupagem bimba & tola, 
pautas de decadência, 
senilidade estampada nos rostos desocupados. 
É este o tempo dos revolucionários retardados, masoquistas arrependidos, 
sofredores por antecipação, 
intelectuais ocasionais, 
da tolerância acidental. 

Odeio esta possibilidade.
 
Tenho na algibeira orações rotas, 
acenos roucos e cansados de opções congeladas.
 
A saída de emergência 
há muito que deixou de funcionar.
 
Direi mesmo que a competência, 
na prateleira mais mentirosa da loja da ignorante conveniência, 
aguarda pacientemente 
a chegada de algum crédulo...   

Nuvens argutas, 
abraçam sombras imprudentes.


,2022Fev_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

MÃOS SUJAS QUE NOMES PODERÃO LAVAR?

 


Construíram uma ponte 
para as desculpas sem fim 
se divertirem.

Uma pista
 para a hipocrisia aterrar.

Uma alfândega 
sem impostos para a barbárie.


Mãos sujas 
que nomes poderão lavar?



,2020Julho_aNTÓNIODEmIRANDA
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MANIAS DE PROFETA

 Poderei não ser um bom 

discípulo,

mas, 

tenho a certeza
 
que sou o único que 

LHE vende o ópio 

em fascículos abençoados.



,2020Dez_aNTÓNIODEmIRANDA
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UM NOME SEM - MEMÓRIA

 

Sou a tua sombra - Diz a velha mania
Tento mais uma vez - Quebrar a mentira do Espelho -
Não compreendo - Reclama o sorriso com lábios de  Sangue
Deixa-me ser o Alpendre - Uma vontade lacrada na flor que
Secaste - Qual brisa na manhã nunca
Acontecida - Ou uma chuva que me traga o cheiro da tua - Maçã
Um traço riscado na janela - Mesmo com um nome sem - Memória
Se não acordar
É porque o sonho não 
Aconteceu


,2020Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
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sexta-feira, 26 de junho de 2026

JÁ NÃO TENHO ESGOTO PARA TANTA MERDA

 

Assinalarei a minha presença 

Com a ausência da disponibilidade 

Para vos aturar



,2020Dez_aNTÓNIODEmIRANDA
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LEVEM-ME ATÉ À BELEZA MAIS PRÓXIMA

 


Satisfaçam a minha alma.
Deixem uma agonia perfeita, 
os sonhos que me roubaram, 
o nome com que me engano, 
só um dia bom embrulhado 
nos abraços verdadeiros, 
mesmo um momento 
que me faça esquecer de mim mesmo.
Um desassossego, 
para fingir que não escuto 
uma consciência apodrecida.
Um sopro que afaste esta tristeza 
sem luar para desaguar.
Leio nas veias um apelo 
que não conheço indicado 
pela sombra dos passos que perdi.
Estúpida memória que aperta os braços, 
fazendo de mim o mendigo 
dos afectos que há muito deixaram 
de me impressionar.
Percorro-me nesta corrente de lágrimas, 
agarrado ao laço da angústia, 
enquanto choro versos à deriva.
Ergo para o céu todas as iras, 
esfrego no peito cheiros de nojo, 
ajoelho e entrego com a nulidade da fé, 
a bênção dos dias felizes.
No conforto deste canto 
nada mais me apetece pensar.
E também não quero falar disso!
É sempre o mesmo pecado 
que teima em deitar-se comigo.



,2020Nov_aNTÓNIODEmIRANDA
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NAQUELA NOITE E NOS PESADELOS SEGUINTES

 


Nos tempos com asas para o fim  voa 
distante o caminho do amparo nem sempre 
com elevados índices de consideração. 
Dizem impostor este teimoso capricho do 
acordar.
(Quem me dera a mim outro mundo neste 
fraco viver). 
Certos futuros nunca caberão na minha
bossa.
Guerreiros desleixados combatem a 
velhacaria do destino.
Dizem-nos muito bons. 
(eu é que não tenho jeito para gostar 
dessa merda). 
A paciência que exibo mudou de capoeira. 
Um homem não treme 
(ideia estupidamente absurda) 
do bobo do leme. 
Olá musas desencantadas. 
Deixai de andar desvairadas à procura 
do enfermo remo. 
Ai agora é que  tremo qual rena 
num trenó na atarefada entrega da nostalgia.
Ó besta quadrada  tendência desembestada
(árdua missão naufragada 
num impiedoso autoclismo), 
quando deixarás de importunar o peluche
que precisa de exílio? 
No caminho da memória 
escondo as fraldas da lucidez 
limada num ribombar ensurdecedor 
que atrapalha o ânimo que me entende.

                                        Mas não é essa a essência que procuro.


,2024Nov_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com