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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

FORA DO SONHO NEM SEMPRE VIVE A VERDADE

 


Colamos na alma os dias luminosos das histórias que amamos.
A morte fica-lhes tão bem.
Do outro lado do mundo se não morres na morte padeces na sorte.
Nunca tão tristes viram estas mãos nuas sobre a terra sangrenta.
Gostaria que por vezes as palavras não cultivassem o condão da mentira.
Cavalgo um catavento misericordioso sempre pronto a fugir do anseio 
qual rio de geleia esfregando as mãos no monte dos desperdícios. 
Como confortar o furacão que navega na horta dos desejos, desobedecendo às amarras do tempo chorado? 
Alguém viu o bando de espermatozóides desempregados apanhado a vender preservativos empolgados à porta da Oficina dos Poemas para celebrar práticas emocionais?
E, no armário dos sorrisos, esconde-se a enciclopédia dos maus feitios.
O falsário das indicações não recicladas, (divinamente autografadas em claro respeito pelos Presentes_E_Ausentes), encomenda ao CriaMor 3 certificados sermões na brasa.
Para que saibam, não estive lá. 
Alguém fugiu do paraíso. 
Cada vez tornam -se mais raros os sinais da inteligência. 
Também já não se aplaude sabiamente. 
Um fantasma voando na nuvem de algodão oferece uma temática inoperante. Bactérias disfuncionais habitam o corpo em adiantado estado de desilusão, piscando olhares apodrecidos. 
Lentamente vai-se finando a esperança. 
O relato do passado magoado obrigado a mentir, destila à toa palavras da  sorte. Apaixono-me de cada vez que aqui estendo o olhar. 
Um grito gourmet sem gorjeta aparecida. 
O sorriso sonolento acena a um cais moribundo com a previsão do boletim neurológico. 
E um calendário ruinoso dirige o tempo assassinado, para que o sangue oculto numa esquina discreta, aplauda a magnífica derrapagem da maldade da glória sem corrigir o inquieto adormecer. 
Até porque engomar pesadelos é a desculpa sem futuro. 
E assim se edifica 
A miserável Comédia Da Vida.







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SÓ ESTOU Á ESPERA DA CHEGADA

 
Como uma nuvem abençoando a chuva no lamento de todos os golpes, choro na alma as vozes que mataste. 
E os algozes que louvaste? 
Dos ideais que enterraste nem ouso escrever. 
E os gritos que calaste? 
É urgente que nos deixemos de conhecer. 
Há muito que deixei de acreditar nas portas douradas do paraíso. 
Respeitei apenas a advertência da minha salvação emocional. 
Cá se fica enviuvando a morte em vivos soluços. 
Ninguém se importa com os olhares que gritam o dorido destilar das memórias numa qualquer sargeta, 
como se fosse obrigatória a tristeza. 
E assim, na penumbra da inocência 
sacode-se o nojo que envenena a vontade. 
A vida só queima o tempo. 
E os murmúrios do silêncio serão para sempre a única a verdadeira possibilidade.
(as estátuas há muito que deixaram de ouvir o nosso cumprimento). 

Jaz a vida num cabaz agonizante. 
Nada para ver.
 
É tudo tão diferente do que se tenha 
imaginado. 

E agora que as horas sumiram, 
onde será punido o desalento?
 
A duas linhas paralelas 
nem sempre se poderá resistir 
à beleza do seu convite.

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CONVERSAS FORA DO RETRATO

 


Por vezes chora-se fora dos olhos 
a procura de um qualquer sorriso. 

E será na moldura das emoções 
que se espera o aconchego do carinho. 

Entre o céu  e eu 
o que de nós não ardeu?

Nada combinou no roto alforge 
da verdade.

Acende-se o fósforo 
mesmo sabendo da pequenez da sua 
duração.

Não ligues às almas da Má-Língua.

Até porque…
Desgostos não se discutem.







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CANÇÃO PARA O DESTINO SEM AMANHÃ

 


No céu ou na terra, 

desde que não sejam estes 

os habituais lugares

Sonho num oásis assombrado, 

onde ontem e depois do antigamente 

nada de novo aconteceu


Ó rainha de todas as imaginações 

que me consomem, 

porque 

te deitas com o afago 

que me matou? 





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DE VOLTA À JANELA DO SONHO

 


Abrigar-me na mente abençoada 
por acordes em permanente 
Harmonia

Chafurdar o desalento
na marmita das 
Contemplações

Afogar as falas da ausência sem fim

E no intrometido bónus do beco 
das maldades
Reparar o futuro com ampolas de 
coragem

Até porque…
Esperar que aconteça 
Nunca será um bom 
Remédio





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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

BURROCRACIA

 


CALAMIDADE

LIDADA

POR

CAMELIDADOS


















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domingo, 22 de fevereiro de 2026

ELOGIO FUGIDIO

 


Nós e a ilusão somos o mais 
inatingível colóquio da solidão.

A ausência continua a enviar convites 
absolutamente sarcásticos.

Ocorrência registada.

Ferraram na pele todos os carimbos 
da traição.

Brilhos alucinados.

Olhos que não quero ver. 

Lembranças marinadas em 
desgostos. 

Marchas em doidas correrias 
voltam à procura daquilo que 
sem sabermos, ruiu. 

Inocentes desejos deslizam 
nos lamentos fora do tempo.

E no bazar dos cortes delicados, 
vendem-se aos molhos, 
as aldrabonas promessas. 

Porquê assim? 

Não aceito a ressurreição 
ardilosamente encenada. 
(a escada para o Éden 
continua em trabalhos 
de manutenção).


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