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terça-feira, 27 de outubro de 2026

ALGUÉM MATOU A COCA-COLA

 


Não sei se já passa da ½ noite, numa página qualquer de Garcia Marquez. Que conversa terei na catedral, eu que só pretendo ilustrar fins-de-semana alucinantes. Estou usado sem a esquisitice ridícula de pretender ser jovem. 
Engodo esta convicção com a cabeça de Alfredo Garcia e quero abraçar o Woody Allen para continuarmos a acabar de vez com a cultura. A Sandra dá-me gins muito engraçados e nas conversas com o Senhor MM dirigindo-se aos humanos, molhamos sempre novos contos. Ary, o infiel mais religioso, abre-nos a porta do botequim e fala-nos que a solidão fica menos só, quando é regada com a melhor das amizades. Tenho boas ideias, escritas com uma pistola saída do inimigo público, e a total garantia que desta vez não haverá chuva. Alguém matou a Coca-Cola e foi comemorar com os outros bons malandros.

                Para terminar, comecem sempre a noite com as visitadoras do senhor Pantaleão.
        … E já agora, façam o favor de ignorar qualquer pretensa sensatez nesta minha recusa de ser aquilo que não quero.


2016,11aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

SEPULCRO DA ESPERANÇA ASSASSINADA

 


Nada 

Mais 

Há 

Para 

Morrer!




GAZA



Lembrem-se 

de 

nós


,2025JANEIRO_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com







AMOR EM CUVETES



O sucesso chega-me por uma transportadora
porta-a-porta, com a garantia intrínseca
da entrega com um prazo máximo de 24 horas....

Gosto de me permanecer assim
e atrasar o cancelamento dos voos
que nem sequer me tiram do lugar.
Não pretendo indemnização aérea
pelo aparecimento da minha ausência.
Desfilo a debilidade
em espirais de esparguete
numa permuta vazia
onde grelho chuvas de estrelas
com bikinis polidos
num sexo sem intenção.
Limpo assepticamente outras mãos
sujas de tanto perdão consumir.
Ignoro a tradução automática
que lençóis em louco frenesim
tentam oferecer-me.
Limo os calcanhares
com uma lixa mais gasta
do que a minha intenção de viver.
Ajeito o amor nas cuvetes.
Tento estar preparado
para a inevitabilidade de certas ocasiões.



Melides,2016,07aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

AS PORTAS DE ABRIL QUE SE FECHARAM

 


Gostaria que estas palavras não tivessem o sabor de uma esperança agredida.
Gostaria que o direito á diferença não fosse uma situação ocasional.
Gostaria que o respeito fosse uma opção institucionalizada.
Gostaria que a utopia fosse uma ideia minimamente aceitável.
Sobretudo gostaria que as pessoas não tivessem a necessidade constante de continuarem a ser enganadas.
Porque:
As portas existem para serem abertas. 
As portas fechadas são sempre ideias erradas!
Nunca negarei aquilo que valho, porque o que sou não será nunca o vosso número preferido
& ninguém terá de ser um mero assistente operacional.
Não me transformem num assassino!
Por muito que queiram, não matarei nunca esta intenção:
continuo a alimentar a esperança possível e garanto-vos que a vossa imbecilidade jamais condicionará a minha vontade.
SEI AQUILO QUE QUEREM!
Mas...
não é culpa minha se a vossa realidade me constrinja a fazer guerra a tanta maldade.
Pois é...
Não vemos o mesmo filme | Não lemos o mesmo livro | E o vosso diccionário continua a dar um significado MENTIROSO (da vossa errada conveniência), das palavras mais importantes.
TANTA BOMBA MAL CAÍDA!


2014abr12_aNTÓNIOdemIRANDA
             poemanaalgibeira.blogspot.com

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

ALLEGRO MA NON TROPPO

 

Ajeitou a coroa 
e avulso cumprimentou os servos 
com uma sinalética surfista. 
O sufrágio devidamente gelado no "frapé", 
aguardava o fondue de oboés caramelizados 
e um "allegro ma non troppo" narcotizado 
por adágios psicossomáticos com cobertura de glacé. 
O maestro especialmente convidado para a soirée, 
pediu a casaca emprestada,
o que fazia dele um simpático pinguim. 
Bodas de fígado e canja "à la plancha", 
completavam este menu servido 
entre o "andante" e o "moderato".
O chef pendurado no galho da árvore, 
assistia honrado e feliz 
a esta maravilha da ciência. 

Discursos, só com a eloquência 
de um qualquer "cantabile".


,2016,06.aNTÓNIODEmIRANDA