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quarta-feira, 4 de março de 2026

UMA FEIRA POPULAR NO MEU DESERTO - 71

 


                    Gostava de ir ao destino para ter outro nascer sem esta apoquentada mania de pensar o viver. 
                    Triste coisa desatinada no já longo morrer porque neste desassossego deitado na cama do medo, 
já não se esconde a chama da tranquilidade.
                    Dizem saber o caminho, 
mas ninguém o quer mostrar. 
                    Os sons à volta, sem nada para dizer, voam no suor batendo à porta, 
como quem chama por mim.
                    Despedir o destino sem desculpas para escrever, talvez falar no adeus do tempo que me faz sofrer, e navegar em qualquer nuvem, não importa o lugar, para nos versos do poeta, descansar o meu achar.
                    Porque a vida vai indo nos soluços deste apressado tropel.
                    Depois seria fácil anavalhar o convite do céu.

(Estás sempre a brincar)!

          Por uma vez gostaria que isso fosse verdade.

O nojo está no ninho!

Podes cá vir…


2026_3Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
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domingo, 1 de março de 2026

SHITSEEING (Bertholt Friedrich Brecht , o senhor tinha razão)

 


Acabou a drogaria.
Apareceu a “creperie”.
Não era comigo,
Não me importei.
Fechou a velha retrosaria.
É agora uma “boulangerie” Alsaciana.
Não era comigo,
Não dei relevância. 
O sapateiro desapareceu.
Instalou-se naquele lugar uma gelataria.
Não era comigo,
Não me preocupei.
A taberna fechou.
É agora um “bistrot” com palavras esquisitas.
O alfarrabista foi assassinado
por uma loja de artesanato português,
feito num país qualquer,
que nada sabe do galo de Barcelos.
A livraria enforcou-se 
com um nó de coragem ressequida.
Não era comigo,
Não me incomodei.
Fui corrido da minha casa.
Tarde demais.
&...
Não acontece só aos outros.


2018Mar_aNTÓNIODEmIRANDA
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4

 


Rosas louras
morreram a caminho 
do bouquet

Espinhos silenciosos
choram  no jardim
das ausências

4
 Lágrimas molham
o cálice
das hóstias

Facas feridas
sangram o carpaccio
da sua saudade

Beijos
Tentam enfeitar
tristes manhãs

Por vezes
será um número
enganador






,2017Fev_aNTÓNIODEmIRANDA
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sábado, 28 de fevereiro de 2026

O CÃO DO POETA FERLINGHETTI

 


Na curva onde morre o fim do mundo, 

o cão do poeta Ferlinguetti entregou um poema.

Quando o tempo nos abandona, despejamos as mesmas desculpas, cuspimos o mesmo sangue, repetimos os mesmos medos. 

Na toca dos solitários lamentos, veste-se o desejo do amanhã, que, não importa o que será, tarda em chegar. 

Na curva onde morre o fim do mundo, o cão do poeta Ferlinguetti, sossega através da janela, olhares sem cura possível. 

E na trilha da inabalável fé, o seu ladrar saúda a doce aparição da bondade projectada num écran imaginário.

E nos atalhos da decência não orquestrada, cumprimenta os que fugiram do mundo e voltaram para o filme, e que agora descansam na Oficina da Reparação dos Silêncios.

O cão do poeta Ferlinguetti, sentado no banco das mágoas, tenta abrir o cofre dos aflitos aplausos. 

Já passa da meia-noite e o camião da recolha das frustrações está, como sempre, atrasado. 

O pessoal do condomínio está deveras inquieto! 

Ele há demoras que não se desculpam. 

E na curva onde morre o fim do mundo, o cão do poeta Ferlinguetti, ofereceu à 

Repartição dos Sonhos Sem Data Prevista para Acontecer, 

o Relatório Anual das Notícias Atractivas.


2026Fev28_aNTÓNIODEmiRANDA
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SLB!

 Sou do BENFICA!

 Esta é uma das certezas que me tem acompanhado ao longo da minha vida.

E, acreditem, a minha vida não a deito fora.

aNTÓNIODEmIRANDA



2014 PORTUGAL (como se fosse poema) * Ó COELHO VAI-TE EMBORA QUE A MALTA NÃO TE QUER DE VOLTA

 https://www.facebook.com/miranda.antoniode/videos/900956229945634/?t=107



Portugal !
Agora sou um pedinte !
Mas, não te preocupes :
Isto é só uma espécie de poema.
Eu sei perfeitamente
que a não notícia da minha morte
passará despercebida.
Escreverei 
no testamento que te vou enviar
que as tuas pedras
não me ferem tanto
como os discursos impregnados de mentiras
pronunciados em conferências de imprensa,
onde mentes uma fingida preocupação.
& costumava ser tao fácil gostar de ti
Quando poderei entrar num supermercado
e comprar o que me faz falta
com a minha pobreza ?
Portugal ! 2014 !
O meu nojo tem mais idade
e eu quero morrer
antes do tempo confirmar a tua mentira.
Prometes tudo
e tudo me roubaste.
Nem 1 cêntimo foi devolvido.
Portugal !
Não fiquei surpreendido.
Tu és como um penico :
mesmo vazio, ocupa espaço.
& costumava ser tao fácil gostar de ti.
Cheguei a ser feliz com o sabor da tua ilusão.
Que sonho eu aqui á beira mar plantado,
onde a não notícia da minha dor 
passa despercebida ?
Mas, não te preocupes :
não faças isso por mim :
isto é só uma espécie de poema.
Portugal !
Da tua incoerência
herdei a insustentável rudeza
de nada ter.
Agora sou um pedinte !
& costumava ser tão fácil escrever poesia !
A minha raiva
não acontece para te agradar.
Agora sou um pedinte !
Mas não te preocupes :
isto é só um poema.
Portugal !
És agora um país
de putos e meninas :
eles enchem o cú
elas ocupam as vaginas.
Portugal !
Eu não estou contente.
vejo os teus desempregados a chorar,
vejo tanta gente a partir,
vejo a tua inversão de perspectiva,
vejo os teus velhos abandonados
desejando aquilo que nunca deveria acontecer :
acreditaram no teu sonho
e agora vejo nos seus olhos
uma indigna condição,
uma vontade apressada de morrer.
Portugal ! 2014 !
59 anos | 47 anos de trabalho.
47 anos legalizados pelo teu roubo ilegal .
Portugal !
Vivemos o tempo dos assassinos!
Dos mentecaptos !
Dos inúteis !
Dos inaptos !
Dos cretinos !
Dizes que é para o nosso bem,
mas porque sentimos
que nos estás a matar com tantos mimos ?
Portugal !
O teu falhanço nem sequer foi grande coisa.
Não me apeteces !
Já não posso morrer por ti.
Quando te cansarás
da árdua tarefa de libertares os teus ladrões ?
Portugal !
A minha cabeça tem uma estranha ideia.
O teu estado é caótico.
Estou imbuído de um espirito antagónico.
Tem cuidado : o meu pénis é atómico.
O meu desejo é automático.
Estou farto dos turistas do eléctrico 28
( Quando é que os informas 
que comprar o bilhete com a merda de uma nota 
de 50 euros, deixa-me abusivamente quilhado ?)
Portugal !
Agora nada posso impedir.
Vou dizer
e nem sequer é foleiro :
já foste um país porreiro !
Portugal !
Vendeste-te á puta errada :
A Angela não gosta de ser fodida !
Não tiveste cuidado
e ela é manhosa.
Portugal !
Mandaste-me á merda
sempre que te disse :
Ela é perigosa.
Portugal !
Vais morrendo,
matando cinicamente
um povo que lava no rio da grande desilusão
as tábuas do seu próprio caixão.


.2014aNTÓNIODEmIRANDA
#Livraria Buenos Aires#_tea for one_2015





CORRE COELHO

O coelho tem maus hábitos.
Já toda a gente devia saber.
Fala na tv com a voz entupida,
jurando que naquele tempo,
não nos queria foder.
É tão acre o seu cócó,
que até nos dá dó.
Esconde os dentes de vampiro
e num merdoso suspiro,
alisa a queda do cabelo,
espalhando penumbra 
nas palavras sempre mentirosas.
É um boy filho da trapaça.
Alguns ainda acham graça,
mas o seu tio
já empenhou o espaço publicitário.
Corre coelho,
taparam-te a toca,
ninguém te quer no aviário.
De nada és culpado?
Só a tua estupidez diz o contrário.

2017set_aNTÓNIODEmIRANDA