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segunda-feira, 23 de março de 2026

MEMÓRIAS FERRADAS NA PELE

 


            Como as sombras da fantasia que aquecem os nós da ausência, tenho vadiado a esculpir sementes do céu, enquanto os traços da rara beleza, adormecidos na saudosa máquina de sonhar, agitam silêncios martelados nas veias da solidão.
            No envelope das cinzas arrumadas no canteiro da poesia, versos por dizer escutam a canção nocturna dos amantes sentenciados.
            Se a noite pudesse mentir, oferecia-lhe com as mais suaves lágrimas de júbilo, a súplica do eterno adormecer. 
            Mas não sei sacudir a presença do tempo, neste diálogo discordante com o mundo onde permaneço empunhando a recusa do aplauso efémero.
            Como as estrelas chorando a infinita crueldade do universo, sinto-me um fungo atolado na pocilga das inúteis contrições.
            Falo, não sei com que palavras, para as pedras desta alameda sem ânimos para navegar. 
            Doem até mais não, as memórias ferradas na pele!
            Pode o mundo acabar nas frias manhãs do delírio e assim sossegar o sofrido tropel do desejo.
            Tal como as sombras abotoadas à bengala dos anos, tenho corrido sem parança para alojar no albergue das indignações, as sementes de um imaginário céu entalhadas na voz onde a palavra já não cabe. 

                Justamente como as bravuras da utopia…



2026_mar19-Sams_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

PLEASE TO MEET YOU! i`ll never forget your name (Patrícia Baltazar) / PATRÍCIA BALTAZAR (1977-2019) * Gostava muito desta rapariga





Sempre que estamos
Completamos o mundo.
E ambos sabemos
que a matemática
é sempre alheia a esta amizade.
Haverá porventura gente invejosa
com olhos de não ver
aquilo que verdadeiramente
é Gostar.
Eu não lamento nunca
as ausências que não me respeitam.
Tenho em mim
veias diferentes
que definem possibilidades
por eles nunca adquiridas.
Somos assim
aquela estrela incendiada
que em nada os poderá abraçar.
Porque eles
escorrem desculpas tardias
tão inúteis que não cabem sequer
numa bolsa de rapé.
Tenho-te em mim
no lugar mais sagrado
onde continuo a guardar
pétalas de um sol
que só os meus amigos podem tocar.
Born to be wild.
Custa tanto!
Mas diz-me
haverá outro modo?
Kisses
(de um amigo inevitável).
PLEASE TO MEET YOU!




,2016,04.17,no barco do Barreiro_
aNTÓNIODEmIRANDA
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The Rolling Stones - Midnight Rambler (Live) - OFFICIAL

 https://youtu.be/DRot9IjNSso?si=QiT1SsTvXmseHG1k

domingo, 22 de março de 2026

Alfredo Marceneiro - É tão bom ser pequenino

https://youtu.be/0DbUT5CaFxM?si=vjjj4ijMg2G9ce7k 

O CÃO DO POETA FERLINGHETTI

 


Na curva onde morre o fim do mundo, 

o cão do poeta Ferlinguetti entregou um poema.

Quando o tempo nos abandona, despejamos as mesmas desculpas, cuspimos o mesmo sangue, repetimos os mesmos medos. 

Na toca dos solitários lamentos, veste-se o desejo do amanhã, que, não importa o que será, tarda em chegar. 

Na curva onde morre o fim do mundo, o cão do poeta Ferlinguetti, sossega através da janela, olhares sem cura possível. 

E na trilha da inabalável fé, o seu ladrar saúda a doce aparição da bondade projectada num écran imaginário.

E nos atalhos da decência não orquestrada, cumprimenta os que fugiram do mundo e voltaram para o filme, e que agora descansam na Oficina da Reparação dos Silêncios.

O cão do poeta Ferlinguetti, sentado no banco das mágoas, tenta abrir o cofre dos aflitos aplausos. 

Já passa da meia-noite e o camião da recolha das frustrações está, como sempre, atrasado. 

O pessoal do condomínio está deveras inquieto! 

Ele há demoras que não se desculpam. 

E na curva onde morre o fim do mundo, o cão do poeta Ferlinguetti, ofereceu à 

Repartição dos Sonhos Sem Data Prevista para Acontecer, 

o Relatório Anual das Notícias Atractivas.


2026Fev28_aNTÓNIODEmiRANDA
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CRÓNICAS DA ESPLANADA

 


Nos degraus do desejo
acendo o caderno das recordações.

[ Alguém no baile das escolhas
rasuradas com fragâncias da imaginação
activou o plano da indulgência para o
humor alfinetado ].

Na arte do martírio perfeito,
O bando do tempo quis mudar de vida.

Infracção detectada!

Proibida a ida ao jardim dos egos rimar a
Estima.

[ As ferozes artroses entoam
o cântico da morte, que,
sentenciaram não iria acontecer ].

A vida corre num rio chorado
Que dirige o desgosto obrigatório.

Entreguem-me a manhã sem atalhos
nem ondas de medo para o satélite da
amizade.

[ Aviso que estou à espera da turma
das ilusões

 autografadas pela bala de 
deus ]


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The Jimi Hendrix Experience - Hey Joe (1967)

https://youtu.be/gUPifXX0foU?si=KmPnN5h1J8nRKWzV