Pesquisar neste blogue

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

…AMOR ÀS 6 DA TARDE (#LIVRARIA BUENOS AIRES# Editora Tea For One_2015Março)

 


Ela
Movia-se como um anjo
Levei-a ao restaurante chinês
E comemos amor.
Com a face
Bastante rosada
Falei-lhe do
Nevoeiro de Lisboa
Contrastando fortemente
Com o sol radioso de Londres
Ela riu-se
E eu
Perguntei-lhe
Se já tinha visto algum santo
Cortar as unhas.
Chamou-me doido
E foi à casa de banho
Tirar o penso higiénico
Tirei a bota do pé esquerdo
Para ver as horas
Ela, admirada
Perguntou-me porque não usava
O relógio no pulso.
Disse-lhe que não tinha braços.
Levei-a ao restaurante chinês
E comemos amor.
Gostas de mim?
Gosto. Porquê?
Ezra Pound é fantástico
Amas-me?
Amo-te. Porquê?
Os Estados Unidos estão em decadência
Queres-me?
Quero-te. Porquê?
Na Rússia não há Páginas Amarelas
Desejas-me?
Desejo. Porquê?
Sou parvo.
Mas
Ela movia-se como um anjo
E dizia que odiava o sistema
Mas prazer e amor
Continuavam a ser esquema.





,76_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

#LIVRARIA BUENOS AIRES#
Editora Tea For One_2015Março







FISIOTERAPIA

 


Não me iludo nas explicações que esgotam 
horas que escapam e toldam o momento que pensei.
Sou demasiado comparsa da minha perspectiva 
& confesso a máxima deferência para este oleado 
onde passeiam as minhas vontades. 
Escorrego neste bamboar, 
passividades que tendo a diluir.
Não mudo nada!
Nem o mais completo de mim.
Sentado neste espaço ocupado tantas vezes 
com a ausência, articulo asneiras nesta fisioterapia 
amparada por canadianas bêbadas 
& cansadas da minha teimosia.
A serenidade passa por vezes galgando o rio, 
tão apressada que nem consigo agarrar o seu cheiro.
Tiro os pés do chão só para decorar 
esta vela com palavras que um dia 
deixarão de me fugir.






,2017fevaNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

ETC...

 


Se

Eu

Fosse Esperma

Escolheria

O Teu Corpo

Para Navegar.





aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

DIAGNÓSTICOS INDECENTES

 


Às vezes, isto é, muitas vezes,
canso-me assim.
Como se fosse uma espinha deitada na areia.
Visto a pele do búzio mais parecido 
com a desordem do mar.
E conto-lhe histórias de linhas de água,
onde às vezes, isto é, poucas vezes,
mergulho o cansaço.
Atraco o sentimento,
no seixo mais polido
onde às vezes, e não sei quantas vezes,
desenho nas ondas 
desalinhados gemidos.
Enredo-me nesta teia
onde chocalha o meu cérebro.
Avisei a Catarina,
a minha médica,
que continuo indisponível
para diagnósticos indecentes.





Melides,2016,07aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

A postos...


 

ENVIESAVA O DESTINO NA VIA-SACRA


Pensou todo o tempo.
Numa raiz apodrecida e raivosa até mais não, conspurcada por cem anos de solidão.
Como seria levantar-se neste torpedo de pólvora penteado com genuínos golpes de «Pratex» e as mãos cavadas pelo bocejar com que julgava iluminar os dias seguintes?
Não se lembrava da dor mas sentia cada vez mais a lâmina da sua presença.
Enviesava o destino na via-sacra que com ele falava na catedral dos encontros imediatos.
Tanto caminho sem eira nem fim, tanto percalço solitário, tanta paz desalmada, todo o desassossego bebido.
Não há moedas para esta contrição, nem pecados para disfarçar este medo.
Pensou aquele tempo quando as amoras lhe ofereciam os mais puros dos sangues que lhe bebiam a sede.
& Mirando estrelas curiosas que só queriam a sua amizade, por vezes chegava a pensar que afinal tinha existido.


2017fevaNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

BULIMUNDO (Para o Alexandre Neves, o músico no restaurante TAMBARINA)



Corri mundo
fugi do mundo
mas nunca encontrei outro lugar.
Vivi em barracas sem o céu da minha terra 
fiquei além de mim para viver em guerra 
mas nada sabia desta vida. 
Caí para o mundo 
mas não havia FUNANÁ para dançar. 
Bulimundo onde me chamam vagabundo 
mas eu só queria  um torrão da Tabanca 
onde os meus pés descalços eram felizes. 
Parti morri não pertenço aqui 
onde outras músicas tocam corações não meus
e sempre de mim ausentes.
Que faço aqui onde o meu lugar é uma ferida?
Não quero morrer da tristeza 
onde algo maior que a fome me mata.




,2016,08aNTÓNIODEmIRANDA_restaurante Tambarina
poemanaalgibeira.blogspot.com