Nada sabemos dos sarilhos enrodilhados que nos fazem andar à nora.
Horas sem vagares, qual destino mastigado na crueldade da esperança.
Foge o tempo na lentidão do acontecer. Pinta-se a vida no caldo das colheres aquecidas, e, na carruagem dos avisos ignorados, há um alerta desesperado:
Para a sua segurança, não se pendure na janela da curiosidade.
O mundo é um lugar ciumento.
O sindicato dos crápulas gere os assassínios consagrados nas reuniões das termas da batota E no assobio dos desgostos, a lâmina dos cortes malvados empunha num gesto amargurado, a chama da ingratidão. Volta-se ao nível zero do princípio que nada acolhe.
O mundo é o asilo do resto da ilusão.
Na cama dos diamantes de sangue, a voz que nos deita, tem vergonha do falhanço da humanidade.
O mundo é um orfanato sem lápides para mentir.
E aquele preto deitado no passeio erguendo o orgulho para um telemóvel imaginário, ignora a indiferença, espalhando na nossa burguesa indignação, olhares impressos num pacote de vinho barato. O que nos une? A tempestade que nos entrega a estranha forma no viver. Aquele que à entrada da estação do metro, louvava com palavras absurdas, a compaixão de um tal Senhor que dizem existir, mas que continua a tardar tal aparecer. E os passos dos repetidos cansaços, sorriem para sombras sem amparo possível. Serviço ocasional para encores amestrados agradecendo a teia de aplausos entregues à consignação.
O mundo é um lugar ciumento.
Visitar o céu num risco implacável ditado pela malvadez. E um quarto empestado de beliches, colchões de memórias choradas por gente que reza nas lágrimas o enxovalho do dia-a-dia.
O mundo é lugar de insultos.
E aquele olhar que já perdeu a conta da afronta com que é chamado.
Será sempre assim porque a maldade não tem fim e todos sabemos que as promessas só se cumprem nas intenções. E estátuas ajoelhadas na podridão do mundo, semeiam com pressa de partir o conforto ainda possível. Sentado no patamar do futuro ajustável, o veneno do mundo mente sempre que invoca a indignação. Continua o zero do nada que entrega. Debaixo da angústia nada poderá ser lembrança. Fantasmas chorosos pintam no nevoeiro convites para a pousada da felicidade. Mas aqui, no tapete de cartão deitam-se anos tão tristes como a puta da desilusão.
O mundo é uma tesoura sempre pronta para cortar a planície dos sonhos.
Outra vida noutra vida é o que ousaríamos prometer, mas nesta terra sempre mentida, se outro sonho voasse na perfeita ilusão, talvez o cansaço parasse sem renda nem trespasse.
O mundo é um lugar perigoso.
Gostava que estivesses aqui. Não imaginam como estou farto dessa conversa! Pensas que a dor onde me visto, caberá algum dia na mentira do paraíso? Não me vejas como o crédulo que julgas existir. Estou tão vivo como a vontade que tenho de te matar! Que culpa terá o destino quando não cansam de o torturar?
Quanto ao mundo… a história nunca o absolverá.
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Nascido na Fábrica de Alternativas
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