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domingo, 11 de outubro de 2026

O SONHO DESLIZA AMARGURADO

 

dei-te as veias

plantei no peito as promessas 

que falhaste

tatuei na guitarra

o abraço da tua mentira

menti todo o chão que pisei

Agora

empalho ideias

para não atrapalhar

este

fim 



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sábado, 10 de outubro de 2026

NO SALMO DOS DIAS QUE MAGOAM A ESPERANÇA

 


A carcaça está à espera. 

Há uma maionese de lamentos 

para decorar o apetite, 

um cocktail voador,

uma crença imutável 

e lírios deitados ao lado de preces inúteis, 

conforme está escrito no salmo dos dias 

que magoam a esperança.


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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

EDUCADAMENTE

 Maravilhosamente mau.

(Modo 

polido 

de definir 

uma exibição 

de 

merda).



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quinta-feira, 8 de outubro de 2026

FEITIO ENVINAGRADO

Não me julguem complicado.

Estou apenas ocupado 
a cerzir conversas sedutoras. 
Estou farto de ideias pretensamente subtis, 
mal-amanhadas,
engarrafadas nas esplanadas, 
onde até o tédio
rapidamente se envergonha.

Quando será proibida 

A acessibilidade 

À 

Estupidez?


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sábado, 26 de setembro de 2026

NEM O CÉU É JÁ UM LUGAR SEGURO (Fica-te com a virgem, mas toma as devidas precauções)…

 


Adoro um qualquer elogio, ao abrigo de uma parelha de falsos aplausos para ousar denegrir a fingida simpatia quando se fala de ti na memória das asas calcinadas. 
Agora, aqui estatelado na face oculta do cochichar, a abrir o cofre das menções esquisitas, tão húmidas como a fuligem das gargalhadas molhadas num “champagne” a enganar o requinte da preguiça, revejo sem qualquer emoção o protocolo dos afectos trocados.
Qual alma fácil embrulhada em lágrimas menstruadas à mercê de uma palavra-chave sem jeito para mentir. Uma aranha coze a teia num atrevido cenário para o concerto das musas do Motel X. 
Bukovski convidou-me, mas amigavelmente ficamos por uma partida de Bourbon, sem tragos de batota. Os dias ficam difíceis nestas horas corriqueiras, e, nada mais nos resta do que contemplar o fluxo do mijo no doce remanso da retrete. E a vida vai acontecendo, sempre que o carteiro não se engane na morada. Lá fora, no caminho que a desencontrou, a harpa da glória invade o hospício dos anjos com arpejos de alegria. 
Na pousada dos sacrifícios sem maldade, Jesus acabado de sair da casa de correcção, 
no amparo de muletas de chocolate, tenta vender “trips” de bondade ao preço de saldos de ocasião. 
(A ASAE ainda não era nascida). 
Mas, de regresso à concha das enganos, 
um cauteleiro disfarçado de Boney M, lambia os únicos e verdadeiros tomates do Rasputin. 
Não manifestei qualquer interesse. 
Entretive-me a ouvir “25 or 6 to 4”, dos Chicago Transit Autority. 
Bebi mais uma gota e, eis senão, o Ray Davies acenou-me com a “Lola”.
Sou mesmo sentimentalão! 
E, claro, não resisto a tanta consideração…
Gosto desta viagem! Telefonei ao Country Joe McDonald para esperar por mim. 
Ele sabe o quanto aprecio a “I Feel-Like-I'm-Fixin'-To-Die Rag”. 
E acerca da Grace Slick? 
“Somebody to love”… 
Ainda hoje espero resposta… 
A minha liberdade viaja num vagão com paragem em todas as ilusões. Não sou de invejas. Uma respeitadora troca de ideias, toma conta desta vida cada vez mais trilhada. Desculpem-me! “Born to be wild” está a bater à porta com um especial abraço dos Steppenwolf. Ele há momentos assim!
Oh! Oh! Richie Havens, lá do paraíso enviou um bilhete-postal com a mais linda das palavras:

“FREEDOM”.


2026Set_aNTÓNIODEmiRANDA
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STARFUCKS (com 1 abraço para Neeli Cherkowski)

 


Não busco a nostalgia no convite do travesseiro dos sonos inquietos.
Já sei de cor os calores do catálogo das carícias maliciosas.
Relembro o atrevimento do sexo tétrico
apesar de não ter passado de um ensaio com recheio de nódoas negras.
Eramos jovens então, 
e, divertíamo-nos a enxotar o tédio dos anos parvos. 
E aquele pôr-do-sol, com a ousadia possível, 
no pinheiro-dos-abraços, poderia ter mudado 
a história da generosidade.  
Tentamos, é certo, mas o tropel das formigas invejosas 
não permitiu que os anjos da casa do sol nascente, 
tocassem aquele blues que queríamos beijar.
Deitada no peito das folhas caídas, 
a oração exaltada trazida pelo velho corvo, 
entregava no desfiladeiro da ternura, 
filetes de rara beleza.
Quando a solidão e eu nos desafiámos 
numa conversa idiota, cães vadios, 
desgostos pelo nosso ladrar,
fugiram das palavras ocas,
e, na infinita paciência, 
ergueram caudas de pesar
para o lar dos inválidos da boa-vontade.

II

Incendiar o ego malfeitor numa língua de pássaro ferido, 
fritar a crosta da saudade, 
apagar o olhar da curiosidade, 
agradecer os planos falhados para os malefícios 
da perfeição, enroscar a tristeza pintada no peito, 
e escalar vontades com o futuro desdentado 
na via rápida do festim das virtudes.

III

No lento escorrichar do tempo, 
a lenta convalescença da poesia,
espalha anonimamente salpicos de esperança. 



,2026Set_ aNTÓNIODEmiRANDA
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