Sentem-se abandonados.
Falam agora das noites que não conseguem dormir.
Dos sonhos que já não voam ao sábado
e das raparigas sempre a fugir da cabeça.
E o convite do céu,
quando adormece nas manhãs do sol ansioso
e vai libertar os desejos dos anzóis,
oferece a paz para adormecer
na serenidade da fala dos anjos.
Escrevem um adeus
só para disfarçar a terrível saudade
com que desenham a despedida.
E na velha harmónica choram o amor
num longo e apetecido abraço
para aconchegar o desejo,
e bebem o travo da beleza imaginada.
E pedem desculpa pela anomalia
que ainda ousa abraçar a ilusão.
São difíceis estes tempos
confinados no mais estranho
dos sentimentos.
,2026Jun_ aNTÓNIODEmiRANDA
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