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segunda-feira, 11 de maio de 2026

TENHO INVEJA DA COZINHA DE MANHUFE

À 2ª os museus estão fechados.
É o nosso dia favorito para o piquenique das confidências.
Olho para o Amadeo e falo-lhe da Vieira que tive nas mãos. 

Fita-me abrindo os olhos no meio daquela partida de xadrez, como que a dizer:

és um gajo sortudo.
Relembro a memória

e agarro o repolho vermelho do
Eduardo Luíz.
Há que ter calma.
Só quero saborear aquele verde “pistache” do Mário Botas.
Sorrimos um para o outro.
Gosto da nossa malandragem, aponta ele.
Ok.
Tenho inveja da cozinha de Manhufe, atirei eu, em forma de convite.
Timidamente escondeu-se na viola,

e ofereceu ao céu as cores que lhe faltavam.
Os galgos farejaram o nosso delírio e deitaram-se com o único deus que os soube criar.
Amadeo, saiu da tela, limpou os pés no pincel, e levou a cabeça do Santa-Rita para o passeio das horas sem tempo.


2018Dez_aNTÓNIODEmIRANDA
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NÃO IMPORTA SER FAMOSO

Não pratico a necessidade genital da beleza,
mas afirmo com toda a franqueza,
que alguma dela é necessária.
Não será esta razão um válido argumento para um filme porno.
Não me comove pensar saber o tão pouco que conheço.
Talvez exista uma ideia naquelas palavras que mais nos custam dizer.
As outras, aquelas que compramos, usamo-las como se fossem sagradas.
Então, ficamos apreensivos quando minuto a minuto, elas são contadas.
Não importa ser famoso.
É 
este o conforto que delicadamente as pantufas nos revelam.
Depois, damos passos em volta,
tendo todo o cuidado para não tropeçar no cinto do roupão.



.2015aNTÓNIOdemIRANDA
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sábado, 9 de maio de 2026

OLHO O CÉU E BENZO O SILÊNCIO

 


Sim!

Admito!

Tivemos uma pequena conversa

E se a dor se finar

Na hora que não nasceu

Digam à sorte malvada

Que quem morreu

Ainda não fui eu!

Vai-se caindo a amolecer a partida

Ao ritmo das pancadas do relógio 

A vida foi gasta a sacudir o pó 

dos magoados anos 

Num chegar que nunca me alcançou



,2026Maio_aNTÓNIODEmiRANDA
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AS PORTAS DO CÉU

Fala com ele!
Disseram-me que nem sempre está ocupado.
Cuidado!
Não atende números anónimos,
nem responde a mensagens.
Claro que te tens portado bem,
não é?
Tens tratado com todo o respeito o próximo,
ou é só quando estás distraído?
Toma atenção!
Ele tudo vê.
Queixas-te da fome?
É coisa que ele não aprecia.
Choca-te a miséria?
É melhor mudares de cenário.
A injustiça está sempre presente?
Não digas blasfémias.
Reza à hora certa.
Não renegues o chicote.
Mantem-te ajoelhado.
É assim que ele quer.
Não encontras as portas do céu?
Não te incomodes.
Foram pintadas e colocadas noutro lugar.
Ele está enrascado.
Nada lhe disseram.


,2019abr_aNTÓNIODEmIRANDA
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NERVO 27 E UM POEMA DA INÊS DIAS.

 





JÁ TENHO FAMA QUE CHEGUE!

JÁ TENHO FAMA QUE CHEGUE!
Sou cumprimentado por alguns condutores do 28.
O Vitor, o Jorge e o Artur, do talho da Poiais de S. Bento, saúdam-me com estima.
Com o António do lugar da Poço dos Negros, onde compro fruta e legumes, tenho sempre uma conversa que me deixa contente. 

E o pessoal do café Moinho de S. Bento, adoça o mesmo, com uma qualidade inigualável.
Compro o pão de Mafra na mercearia da malta do Bangladesh.
A senhora da peixaria do amoreiras shopping, recita-me “A Balada da Neve” e “Ó mar salgado, quanto do teu sal/ São lágrimas de Portugal”, enquanto prepara os chocos.
Já tenho fama que chegue!
Contudo nunca me fartarei de não ser conhecido.
 
2018Ago_aNTÓNIODEmIRANDA
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sexta-feira, 8 de maio de 2026

A SAUDADE NÃO VAI AO GINÁSIO

 


                Todos me dizem, 
Voa! 

                Mas nunca em mim encontrei 
o pássaro que pintou o ser.

                E nas nuvens de algodão 
martirizado, 
uma gota da amorosa rosa, 
floresce sem período de carência.

                Todos me dizem, 
Fica!

                Mas o tudo mais que 
quero lembrar 
permanecerá no desejo 
sem o meu achar.

                Todos me dizem, 
Porque não?

                Sabe bem quando não tens 
cotão na memória.  








,2026Maio_aNTÓNIODEmiRANDA
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