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segunda-feira, 6 de julho de 2026

DERROTAMOS O SORRISO


O céu está vazio.

Os anjos vestiram os poetas com asas, 
e, agora, libertos das palavras, 
sonham outros conceitos 
no jardim das pétalas douradas.

Dançam versos nos escombros, 
catam-se soluços na sangria desatada.

Um mar de gritos apodrece no sufoco, 
do socorro que nunca virá.

Esperanças desmembradas, 
em nome da lei sagrada.

Um oceano de punhais, 
oferece malgas de sangue para embebedar 
a maré do desassossego.

Há um xaile que tenta confortar a penúria, uma latrina de intenções inúteis, uma obsessão maligna para ignorar a miséria.

Derrotamos o sorriso,
e, celebramos eficazmente a nulidade do mundo.




,2020Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
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domingo, 5 de julho de 2026

ALEIJAR PALAVRAS

 


Andar à Nora

À procura da Hora

Guiar a Sorte 

Até à

Porta da Vida 

Empacotar a Flor de Melancolia

Engavetar o Reparador de Mágoas 

Sem Rasto na Fila da Desolação

Onde se Esconde o Beijo da Fantasia

& Delicadamente

Aleijar Palavras






,2026Jul_ aNTÓNIODEmiRANDA
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CÉU DE TRAPACEIRO

 


Ó deus ou lá como te chamam 

Quantas mais vezes 

Continuarás a enganar 

Aqueles que em ti 

Só alcançam a miséria?

Terão sempre o sabor do vidro

As lágrimas em vão derramadas









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PENSAR QUE ME CONHECES...

 


Nunca Será Um Bom Começo 

Para Uma Qualquer Conversa 

Até Porque…

Nós Somos 

Mascarados 

Na 

Quermesse 

Das 

Mentiras 


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sábado, 4 de julho de 2026

OS VELHOS “BLUES” VÊM À VARANDA CONTAR HISTÓRIAS

 


Sentem-se abandonados.
Falam agora das noites que não conseguem dormir.
Dos sonhos que já não voam ao sábado 
e das raparigas sempre a fugir da cabeça. 
E o convite do céu, 
quando adormece nas manhãs do sol ansioso 
e vai libertar os desejos dos anzóis, 
oferece a paz para adormecer
 na serenidade da fala dos anjos.
Escrevem um adeus 
só para disfarçar a terrível saudade 
com que desenham a despedida. 
E na velha harmónica choram o amor 
num longo e apetecido abraço 
para aconchegar o desejo, 
e bebem o travo da beleza imaginada. 
E pedem desculpa pela anomalia 
que ainda ousa abraçar a ilusão.
São difíceis estes tempos 
confinados no mais estranho 
dos sentimentos.




,2026Jun_ aNTÓNIODEmiRANDA
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MUITA FERRUGEM NESTE CAMINHO

 


E a esperança a dançar no vazio da cidade, 
confortando a ousadia entorpecida 
no colo da mala das lágrimas.
Mais um sonho perdido no cais que nunca visitei. 
Toda a vez que tentei 
desencaminhar a memória 
a inveja do calendário rasgava as folhas da folia.
Aqui no bar, 
ainda ouço os gritos daquela guitarra 
beijando acordes bem-intencionados 
a festejar o caminho para casa.
Mas não sei o que farei 
com este desconforto 
regado com o perfume das flores sujas.
Tenho uma guerra na minha pele 
e tudo o que perco não consigo esquecer.
E a melodia inquieta 
descansa na aflição da almofada 
onde brinca o sono que não apetece.
Um bailado de sombras 
tenta em vão animar a noite 
com propostas repetidas.
Mas a maré triste não se deixa enganar.
Tudo vai parar à encruzilhada 
onde o sorridente  convite  da pedra fria, 
promete a viagem… 


                                Cada um com o seu xaile 
            para o baile da preocupação.



,2026Jun_ aNTÓNIODEmiRANDA
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SONHOS ENCENADOS NA BANHEIRA DAS ILUSÕES

 


Se me queres espera mais um 
pouco

Se me desejas não mintas

Desconheço a certeza das horas
e continuo a não conceber 
as demoras do acontecer

Há um certo charme que a solidão 
entrega na esponja suja 
pelos bairros da miséria

Só mais um copo sempre com o vazio 
de uma qualquer amizade

Hoje acordei assim...

Será  o amanhã diferente?

Há muito que não caminho 
com o incómodo de certas 
mentiras. 




,2026Jun_ aNTÓNIODEmiRANDA
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