Porca ilusão, consciência conspurcada
Vida com vista para o precipício
Sou assim, exactamente como
Amargura escondida na demência
das horas sem ouvidos para me atender.
Fila única,
Sentido contrário,
Feliz aniversário,
Onda curta morta
Na curva da auspiciosa sorte.
Vou caminhando ao invés
E, assim confronto indesejáveis artroses
alojadas numa robusta indelicadeza.
O que espero,
não sei nem me importa!
Imagino uma opção condigna do meu pensar,
assim como qualquer coisa parecida
com aquilo que pretendo,
dado que não acredito no saber absoluto.
Um gume eficaz,
um laço pegado ao abraço
para depois poisar no regaço daquela virgem
artisticamente adorada no Balneário Municipal
da República da Pudicícia.
É bem verdade que hoje o dia está difícil.
Raptaram os sonhos num raid manhoso
e as manhãs prometedoras
Por mim bastaria uma realização onanista
em modo de “câmara lenta”
E, sobretudo nada de lembranças pindéricas
nem alusões inoportunas.
Nem sequer um aplauso enlatado,
daqueles expostos nas montras
Mas o que me oferecem
é uma amnistia congelada
Porque esperas?
Morres nesse dano sem fim.
2026Jan_aNTÓNIODEmiRANDA
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