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domingo, 26 de julho de 2026

ONDAS CURTAS_FREQUÊNCIA MODERADA

 


Horas fora do sono, naufrágios atrasados, chás desencontrados, índices da massa corporal defeituosamente calculados, notícias sem a última data, nem digno tempo de antena, e a minha pena que de tão mal acondicionada, não consegue esculpir o acto da minha condição.
Multado em contramão nesta esfera com olhos de fera e um tímido pedido escrito numa pétala de alumínio, oferecida por um teimoso desconhecido vendedor de flores tardias. Um cálice com álcool não adamado e um par de cordões para atarem aquilo que vai caindo dos bolsos. Remorsos à medida, pintados com o giz do alfaiate, tesoura com as mãos do Eduardo a traçarem o meu juízo. E eu, satisfeito por tanta deferência, mostro orgulhoso o atestado da minha urgência, que afinal só quer ser feliz. Não é para aqui chamado o nariz curioso, nem o olhar guloso com que costumava tocar os collants rendados a bilros, misturados com os espirros da primeira-dama do fulano que nunca tive em apreciável estima.
Estou só!
E só continuo, mas nem por isso mais aliviado.
Quero: 
um sossego que não me engane , nem acalme, nem roube o alvoroço que me comporta. Um copo de vinho servido com dupla personalidade, com bolhas de histórias bonitas, mesmo que não encantem os pássaros que me ignoram. E um pau de canela mesclado de ignorância e uma nuvem de importância naturalmente descongelada. 
Qualquer coisa de borracha, com pernas, mamas, vagina com sorriso de latex num olhar vermelho de namorada e um preservativo conhecedor de algumas boas maneiras para não magoar a orfandade. 
E um vácuo singelo com salpicos de amarelo, enlatado num ramo de hortelã com o trago do cardo para fazer qualquer coisa de útil a outros que não a mim. Uma resma de papel de formato educado, uma caneta de tinta não permanente, um aparo decente de 14K com letra de alecrim. Uma desidratação imbuída de tracção às quatro vontades, um sótão harmonioso para aconchegar as memórias que pretendo conservar em molho picante. Uma escada em caracol com degraus não muito morosos e  sorrisos radiosos que dignifiquem  a sensibilidade de qualquer pasta dentífrica. Um final feliz nada oneroso, um gume amistoso, atento, não pode ser lento e um corte vaidoso que não me deixe ficar mal, qualquer que seja a circunstância. Tenho cartão de crédito internacionalmente reconhecido e fichas em bom estado de conservação, para trocar numa roleta russa, jogada como deve ser.
A vida é um casino. Há que ter todo o cuidado com as slot machines desconfiadas.
Bebo lentamente o roncar deste relógio amestrado com sentidos contrários.
Até quando?
Ainda não fizemos essa aposta.


2017marçoaNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

sábado, 25 de julho de 2026

JANTAR _25JUL2026

 




COISAS QUE DE MIM NUNCA SOUBE

Dizia-me ao ouvido perguntas para um teste 
que não conseguia perceber.
E eu quieto, 
neste fim de vida na  varanda plantado, 
rodo todas as clepsidras 
e fujo do tempo que quer tombar as velas 
pintadas nestas ondas de incerteza.
É certo, talvez ainda não para mim, 
que o vento sopra um lamento apressado, 
escrito com esta espuma que entrega as palavras, 
no mar que de mim sai.
Só porque aquilo que quero,
já não se lembra de mim.
Chicote desalmado, 
dor insana e prurida, 
coisa impura tão sofrida, 
que pousa na janela que não quero abrir.
E, se um dia te falar,
coisas que de mim nunca soube,
deverás acreditar
que poderão ser verdade.
Mas a vida é um espelho ardiloso,
o amor um verbo com tempos inúteis,
onde nada poderá existir para além
de um presente perdido.
Nada te posso prometer!
Mas gostaria que nos amássemos
na próxima oportunidade.
Que deus te assoe,
que eu agora já não tenho lenços.
Que alguém te ilumine,
porque eu perdi o isqueiro.





,2017,mai_.aNTÓNIODEmIRANDA
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A TESOURA DO EDWARD

 


É possível que tenha cortado a carne 
em corações mal passados, 
forrados com a velha pele golpeada.

Mas não tinha na mão a tesoura do Edward.

Cerzi poemas sem dedal, 
e os dedos tingidos de vermelho,
ponteavam as palavras
na velha folha cansada.
Ilustrei cenários
com ousadias de mim,
no livro que não encontro.

A poesia nunca descansa em paz.


,2017nov_aNTÓNIODEmIRANDA
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MELODIA DESAFINADA #QUIÇE MI LÁ BUCHE# Editora tea for one _2015

 





" ONDE É A AUTO ESTRADA ESTA NOITE?" #LIVRARIA BUENOS AIRES# Editora tea for one# 2015

 








sexta-feira, 24 de julho de 2026

O MUNDO DOS POETAS

 


O mundo dos poetas

é um chão sem aconchego,

pisado numa tulipa

com nuvens de desassossego.

Lá, repousam os pássaros feridos,

corre-se a cortina do tempo,

sacode-se a poeira

de qualquer maneira,

mete-se a vontade na peneira

e acende-se a fogueira

para nos queimar o penar.

Se os poetas tivessem mundo,

seria sagrado esse chão

e no canteiro das flores,

não caberiam folhas proibidas.

E os pássaros

com poemas em forma de asas,

nunca teriam medos das redes

do voar.

Mas o mundo dos poetas,

é uma estrela distante

que só procura uma mão

para erguer o último verso.

O mundo dos poetas

é um relógio sem horas

esvaziadas num crepúsculo

obsoleto.






2017,jul_aNTÓNIODEmIRANDA 
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