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sábado, 2 de maio de 2026

O CADA VEZ MAIS APERTADO ABRAÇO DA DESPEDIDA

 



Madrugada libertada

Acordado e sempre à tua espera

Como poderei matar o horror 
da tua farsa

Triste e cansado segue o amparo 
desta triste jornada

QUEM LERÁ OS NOSOS EPITÁFIOS?

Possivelmente um anão 
com óculos de querubim 
Maduros seguem os meus anos 
pelas estradas dos sonhos que ergui
Mentiram ao meu acreditar
tal como o tempo que abraçava 
a amizade
Tempestade de amores imperfeitos 
chuva de ácidas pétalas 
orações choradas 
no perfume da ausência
Sei que me espera aquela coisa 
que odeio conhecer
(Morte)

De joelhos jamais ficarei

Tenho um mar de flores 
para assassinar 
paraísos artificiais


2025Mai_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

HALL DA DESILUSÃO

 


Ousadia no chicote de couro 
marcada na solidão.
O augúrio insensato, 
vendou o sonho numa viagem 
em contramão, 
oferecendo promessas 
esculpidas no devaneio 
das desculpas.
Não pretendo o tempo 
que estende a vida 
para enrolar na areia, 
a escolha dos passos ambicionados. 
E no fumo 
que me entrega o pensar,
 talvez um dia, 
isto é, 
se a amizade não falhar, 
tentarei não esquecer 
aqueles gloriosos diálogos.
(doce companhia acordando 
os segredos do travesseiro).
Ainda não perdi a esperança 
de o libertar da clandestina mistura 
dos afectos!



,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
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A CRIADA

 


    Ponha aqui o seu pezinho
devagar , devagarinho
se quer ser consolada.
    Olhe, a culpa não é minha,
eu era um inocente menino,
quem me ensinou foi a criada.
    A criada era matreira,
danada para a brincadeira,
era o que mais gostava.
    Começava à 2ª feira,
logo pela manhã,
e nunca mais parava…







,2020Mar_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

sexta-feira, 1 de maio de 2026

CORAÇÃO ALFARRABISTA

 


Que mortes me fizeste ver, louco diamante sempre a brilhar na tristeza desta pele roída. 
Lembrar para quê? 
O caminho mostra - me o acaso, calca a angústia, e segreda nas orelhas da lua, o engano do encanto do pôr-do-sol. 
Agradeço com um adeus envergonhado, 
a despedida estampada na minha escada.
ESTÁ UM TEMPO ANIMADOR PARA QUEM ACREDITA EM ALDRABICES
Eu poderia acordar, apertar no cinto dos mil sonhos brilhantes, os gritos de couro, e de joelhos dobrados, provar o chicote oferecido pelo amor não leviano.
FANTASIAS PECADORAS VESTIDAS COM A PELE DA CORAGEM
Disfarçam os medos que a usam.
E quando os sinos chiarem no teu leite derramado, irás ver que a surpresa será sempre a tal mentira apetecida. 
Começarás a andar ao terceiro dia, ainda que de um modo esquisito, mas se estivesses atento, terias lido que a folha de reclamações serviu para te limpar o cu. 
Bem que avisei que o meu milagre seria sempre mais eficaz, com o senão de não estares presente. 
OS HÁBITOS ESTÃO DIFERENTES. A ESTUPIDEZ É QUE NÃO
O tempo acabará por esquecer esta dor, nas horas que aguardam nos suspensórios da morte, a alegre notícia do abismo. 
A quem entregar pétalas desoladas, cansadas de uivar nomes sem voz? 
Cuida de mim, anjo da malvadez, poema sangrento que não consegue voar nas tuas botas de cetim. 
Perdi o teu abraço, cansei-me na escuridão da alma e do seu mentiroso divagar. 
Já não ouso sonhar! 
Este frio covarde cobre a esperança que agora me trilha.  
Já não sinto o sabor do vento, com a sua oferta 
de afectos embrulhados no brilho das lâminas.
Quero voltar – Fugir – Encontrar 
– Destruir o destino – Enferrujar o tino  
Assassinar o escravo que julgam me tornei 
– Encurtar o convite desse cinto de fivelas nojentas. 
O que é feito de ti, pássaro do voar envergonhado, canto de querubim nessa viagem da esperança fraudulenta?
Já não acreditas no meu abraço, já não pousas no meu acenar,
TERNURA CHICOTADA NO ESCURO 
Porque esperaste tanto tempo?  
Declamava o coração alfarrabista.
Uma agulha entrega a esperança na dor da tua única realidade suada na cadeira mentirosa.
Nem sempre gostei da vida. 
Apenas pensei que era assim que se amava, e conservo na memória possível, lágrimas que nada têm para chorar. 
Estou pronto. 
Vejo nuvens escritas neste presente angustiado. 
Estou à espera de um qualquer convite sem imaginação.
Estou Ou Não?
CONFORTAVELMENTE ATROPELADO 
Habito o comboio das sombras desesperadamente apaixonadas. 
Pinto esta viagem numa vida enrouquecida. 
Quero ver o silêncio! 
Escorreguei no desfiladeiro da sorte. 
Sorteei o norte no poço do azar. 
Quis o verbo mudar o tempo, no alento de enforcar o juízo nas cordas do destino, para que deixe de ser anunciado como se fosse obrigação. 
Não! Não gosto de ti! 
Mas sem ti, 
O que faria desta azia que premeia o nojo? 
Nunca me esconderei neste recolher obrigatório, nem na falta de respeito por ele oferecida.
Podes ouvir-me?
Sou um sopro cansado confortavelmente atropelado por uma memória vestida de desconsolos.

    Um salto moído
    que já se aleija
    no deitar.





,2021Set_aNTÓNIODEmIRANDA
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IMPORTÂNCIA ESPIRITUAL

 


Delicada, envolvente 
e com um charme natural 
que conquista sem esforço, 
sabe como transformar 
qualquer mentira 
numa experiência marcante. 
A sua presença transmite mal-estar, 
fazendo com que tudo brote 
da forma não pretendida. 
A atitude sedutora 
desperta cautela e desejo. 
Atenta a cada detalhe, 
exibe um jeito muito seu para pintar 
a realidade em fantasia. 
E promete deixar a rotina de lado, 
para circuncidar sensações 
intensas.



,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
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GENITÁLIA LUSITANA

 

A sardinha estava boa!

… Mas nós, 

continuamos irresistíveis!

(Dizia o pepino, ladeado por 2 tomates).


,2015_aNTÓNIODEmIRANDA
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O MUNDO VISTO DA MINHA RETRETE

 


É um mísero tratado de incoerências.
 
Ódio vomitado no orgulho assassino!
 
Na cratera das negociações 
jaz a infâmia
bramindo a bandeira da fraudulenta paz.

E um drone saído para a infalível 
certeza da morte, 
espalha pedaços de crueldade.

A vala das lágrimas da vergonha, 
continua a magoar consciências não distraídas, 
de nada valendo os elogios 
acamados na asquerosa esquina 
da consternação.

E os déspotas acampados 
na cataplana dos sangrentos troféus,
celebram com a corja dos atrasados mentais, 
a imunda glória que os pariu. 
 
                        (mas as mortes ficavam-lhes mesmo a matar)!






,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
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