ON THE ROAD
Poesia. Blues . Arte Moderna e Contemporânea. Encontros.
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terça-feira, 22 de setembro de 2026
domingo, 20 de setembro de 2026
I CAN GET NO SATISFACTION (Qualquer dia mando-me foder)
Não estou para aturar as complicações dos aspirantes a anjos falidos. Visto um hálito com mau feitio. (admito essa rara qualidade sem qualquer mácula). Nela naufraga uma aliança sacramental diluída sem prévio aviso no infernal tráfico intestinal. Aplaudo assombrações sequiosas de um paraíso artificial e um molho de flores regadas intempestivamente pela malvadez do Baudelaire. Sinto-me o mais eloquente vendedor do baile da frustração.
Qualquer dia mando-o foder.
Quero-te tanto sorte danada. Cansado estou do sonhador amestrado vil coleccionador dos inconvenientes desacatos da solidão.
Qualquer dia mando-me foder.
Nem comigo me apetece estar quanto mais com sucedâneos…
E se de mim estou empanturrado neste angustiado atropelo, que outros deuses sem asas perversas, carimbem a ascensão para a bendita dispensa dos filhos da puta.
O governo é um traficante e um viciado jogador de maltrapilhos é o presidente desta mixórdia.
Qualquer dia mando-os partir!
Desculpa já não consigo soletrar o teu nome. Actua na minha alma uma razão triste mesmo assim melhor do que a farmacopeia que há muito desistiu de encantar. Dizem que não passo de um mal-agradecido aqueles que ignoram a importância desta fuga. Quero um exílio para enxotar tanto fingimento. Lenta vai a coragem neste passe anti-social. Nada já resta. Incendiaram o rastilho logo que nasci e o hino da alegria deixou-se morrer.
A esperança escondeu-se na mais estofada ousadia, e a dança aflita nunca mais conseguiu acalmar o caos. Eu em mim, há muito que nada funciona. Enfadonhas já são as opções que tentam disfarçar a proximidade que nos desgastou.
Qualquer dia mando-as foder.
Sim! Vamos sendo um sem o outro matar. Nunca estivemos longe dos bonecos patéticos do presépio da leprosa humanidade. Nada. Nada consigo perdoar. A vergonha navega na bandeira da insatisfação acenando a uma paz mentida na liberdade vendida a metro. O lamento das lágrimas habituais já não acredita no asilo do meu aconchego.
Qualquer dia mando-me foder.
Na borracheira habitual escolho o tipo de letra para disfarçar exageros malparidos. Medos de tanto “mau-viver” levam-me ao monte das palavras sem nome. Poderei embrulhar a alma na inutilidade e depois vendê-la numa bem-centrifugada operação de marketing.
Qualquer dia mando-vos foder.
E eu vestido no descalabro da tristeza a oferecer delicados cortes da espantosa contemplação! E eles, como se fossem fantoches, passeiam na memória restante. Uivos cansados abandonam a esperança no lento e nem sempre benevolente compasso da nostalgia. A última estação no seu sorriso voraz entoa cânticos da habitual circunstância previamente ensaiados na novena passional.
Nada de novo e as costumeiras intenções continuam a confortar desesperos indevidamente certificados para que o pranto da despedida continue a celebração da lisonja. Porque o mundo nunca volta nesta viagem sem fim.
Já nem Deus acredita na minha estranha forma de aparecer.
Qualquer dia mando-o foder.
,2024Mai18_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com
sábado, 19 de setembro de 2026
EU VESTIA TODA A ILUSÃO
Como vai a vida?
Longa / Estreita / Larápia / Ardilosa / Olvidada / Judiada / Infernizada / Inalada / Contaminada/ Tricotada / Trampolineira / Sumiça / Sortido sem graça / / Vaticinada / Calculada / Vacinada / Furtiva / Ladrona / Inconveniente /
Hoje não passa de uma esperança
Longa / Estreita / Larápia / Ardilosa / Olvidada / Judiada / Infernizada / Inalada / Contaminada/ Tricotada / Trampolineira / Sumiça / Sortido sem graça / / Vaticinada / Calculada / Vacinada / Furtiva / Ladrona / Inconveniente /
Hoje não passa de uma esperança
abusivamente ferida
,2024Abr_22_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com
,2024Abr_22_aNTÓNIODEmIRANDA
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FANTASIA PARA UM DIA PERFEITO
Apenas eu
E o que de mim não pretendo
Nada já espero
Neste desespero
Que veste o fantasma
Que pensei ter enganado
Triste figura
Flor definhada
Na clausura
Do mentiroso
Caleidoscópio
Dos dias perfeitos
,2024Dez_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com
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sexta-feira, 18 de setembro de 2026
EU E O DESENCANTO NUM MENTIRA DE ESPUMA PARA NÃO ESCREVER O ERRO DOS NOSSOS NOMES
Acredito nos defeitos perfeitos
Nunca nas promessas molhadas no desalinho dos lençóis
O que fazer com estes cortes
amados na mais profana loucura?
,2024Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com
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A MORTE É UM ACTO INCORRECTO ( COM UM ADEUS PARA A PAULA MYRE DORES_17/09/2026
Todos os santos dançam ao contrário nos caminhos cruzados que lamentam a sua existência.
Enchem ninhos escuros e perturbam a leitura dos mochos.
Convivo bem com os sons do silêncio e facilmente me alegro com o bailado das estrelas que ilumina a minha sombra.
Uma coragem descalça floresce na minha cabeça com rega não automática.
Navego neste canal comandando uma barca apressada e espero estendido num pano de bilhar uma chamada pré combinada.
Meto na boca sementes inférteis e cuspo balas da mais pura imprudência.
Ato os desacatos e entrego-os na estação dos correios perante o sorriso habitual da senhora do balcão 4.
Até à próxima.
É o que costumamos dizer.
Volto à barca, lubrifico a decência, embalo a vontade com o mais atrevido laço.
Endireito o caminho e cambaleio sonolências.
Ainda não sei para onde vou.
Os tempos já não são o que eram.
Certos frios na minha espinha estão sempre a lembrar-me.
A morte é um acto incorrecto.
Enchem ninhos escuros e perturbam a leitura dos mochos.
Convivo bem com os sons do silêncio e facilmente me alegro com o bailado das estrelas que ilumina a minha sombra.
Uma coragem descalça floresce na minha cabeça com rega não automática.
Navego neste canal comandando uma barca apressada e espero estendido num pano de bilhar uma chamada pré combinada.
Meto na boca sementes inférteis e cuspo balas da mais pura imprudência.
Ato os desacatos e entrego-os na estação dos correios perante o sorriso habitual da senhora do balcão 4.
Até à próxima.
É o que costumamos dizer.
Volto à barca, lubrifico a decência, embalo a vontade com o mais atrevido laço.
Endireito o caminho e cambaleio sonolências.
Ainda não sei para onde vou.
Os tempos já não são o que eram.
Certos frios na minha espinha estão sempre a lembrar-me.
A morte é um acto incorrecto.
2017,ago_aNTÓNIODEmIRANDA
#SÓ ESPERAVA A VIAGEM PROMETIDA#
Editora volta d´mar_2018
#SÓ ESPERAVA A VIAGEM PROMETIDA#
Editora volta d´mar_2018
PEDRA ROLANTE
Deslizo num tropel de cornetas envolto
em falsos pensamentos
que não posso reparar.
Não sei naquilo que me tornei.
Não consigo apanhar as silhuetas
que bailam na minha cabeça,
e jogam o mais sujo dos sonhos
nesta tempestade vestida de fantasmas.
Quero dançar a beleza do fim do amor.
Afastem o cheiro das velas queimadas.
Pretendo outra estrada, novas lembranças,
desinfetar a escuridão que paira nos meus ombros,
uma heroína não falsificada,
um beijo não suplicante,
qualquer luz que não mostre o caminho mentiroso.
Sim! Tudo!
Tudo foi diferente naquela manhã.
Voltei a ser o rapazinho a imitar alguém que não eu.
Pedra rolante,
choro secreto escondido na mala dos sonhos
que pintam toda a ausência.
Nada cabe neste bailado de passos perdidos.
Nem sempre segui os conselhos dos sorrisos desconfiados,
e, disso ainda não me arrependi.
A glória nunca dormiu ao meu lado.
Continua a ser a mais cara das aldrabices,
a única puta desonesta.
O que faço quando estou só?
Esfrego o cheiro da tua pele nas cordas da minha angústia.
Ajoelho para beijar o sabor da nostalgia,
e corro para o riso da tua cocaína.
Quantas vezes nos prometemos naquele baile de marionetas?
Dêem-me cicuta!
Um solo do Ron Wood!
Um sniff do Keith Richard !
Estou com sede!
É só para erguer a moral.
Toda a vez que fico assim,
ganho a certeza que nem só os pássaros podem voar.
Nunca sonhei com alguém parecido comigo.
Talvez tenha adormecido com a desgraça desse momento.
E, como sempre, ninguém ofertou o ventre do conforto.
Suicídio alegre, não enamorado da noite das estrelas livres.
Mas eu não me importo se o pôr-do-sol não acontecer
no parapeito do meu optimismo.
Não passo de um tocador de gaita
com algum jeito para fritar croquetes.
A harmónica dos blues chega com a noite para me acordar.
Disfarço o convite prometendo-lhe o paraíso do Baudelaire.
As coisas mudaram.
Em muito destes anos, as flores do mal foram simpática companhia.
Confesso que nem sempre estive atento aos sons do silêncio.
Era jovem, e apressar os tempos do relógio, distraia-me.
Que alguém me ajude a contar mentiras verdadeiras.
Claro que tenho saudades.
Mas tento não tocar neste chão que grita
a dureza dos momentos que matam.
Voei alto nas asas do ícaro desenfreado.
Aterrei no terreiro vizinho da desgraça,
saltei a negação, enrolei paixões de breves futuros.
Esconde-me no escuro do teu altar
-ama-me mesmo que não consigas
-molha-me o desejo, mesmo sem beijo.
Sabemos que o amor é cego
e nunca ouvirá as nossas desculpas.
Só posso prometer um final feliz
no satélite das notícias avariadas
Pai meu, não sei onde estás.
Não preciso da tristeza pintada na lua de Havana
montada pelos cavaleiros da tormenta
que desassossega os gemidos das noites sortudas.
Prometem mudanças, mas só queimam as memórias.
Roubam tudo nesta mentirosa valsa.
Até Deus perdeu a esperança na farsa que vos entregou.
A misericórdia é a mais cotada trapaça
na bolsa das acções nefastas.
Tempos sujos!
Se pudesse, rezava por ti.
Mas não sei ler esta doutrina.
Fico no quarto das memórias coladas.
Divirto-me neste arco-íris povoado de alegres pirilampos.
Acendo guitarras imaginárias,
desato os nós que me encaminham para o céu
que nunca me encontrará.
Até porque o paraíso está num sossego monstruoso.
Degustados nas encrencas,
os usurários deixaram de pagar o condomínio.
A administração demitiu-se.
Procuram-se substitutos à altura.
Os interessados que publiquem o curriculum vitae
em mensagem privada.
Pretende-se um defunto afável - de fino trato
-humor em mau estado de satisfação.
Em verdade vos cuspo:
O tempo não passa de uma asneira ignobilmente repetida.
,2021Novembro_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com
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