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domingo, 5 de julho de 2026

ALEIJAR PALAVRAS

 


Andar à Nora

À procura da Hora

Guiar a Sorte 

Até à

Porta da Vida 

Empacotar a Flor de Melancolia

Engavetar o Reparador de Mágoas 

Sem Rasto na Fila da Desolação

Onde se Esconde o Beijo da Fantasia

& Delicadamente

Aleijar Palavras






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CÉU DE TRAPACEIRO

 


Ó deus ou lá como te chamam 

Quantas mais vezes 

Continuarás a enganar 

Aqueles que em ti 

Só alcançam a miséria?

Terão sempre o sabor do vidro

As lágrimas em vão derramadas









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PENSAR QUE ME CONHECES...

 


Nunca Será Um Bom Começo 

Para Uma Qualquer Conversa 

Até Porque…

Nós Somos 

Mascarados 

Na 

Quermesse 

Das 

Mentiras 


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sábado, 4 de julho de 2026

OS VELHOS “BLUES” VÊM À VARANDA CONTAR HISTÓRIAS

 


Sentem-se abandonados.
Falam agora das noites que não conseguem dormir.
Dos sonhos que já não voam ao sábado 
e das raparigas sempre a fugir da cabeça. 
E o convite do céu, 
quando adormece nas manhãs do sol ansioso 
e vai libertar os desejos dos anzóis, 
oferece a paz para adormecer
 na serenidade da fala dos anjos.
Escrevem um adeus 
só para disfarçar a terrível saudade 
com que desenham a despedida. 
E na velha harmónica choram o amor 
num longo e apetecido abraço 
para aconchegar o desejo, 
e bebem o travo da beleza imaginada. 
E pedem desculpa pela anomalia 
que ainda ousa abraçar a ilusão.
São difíceis estes tempos 
confinados no mais estranho 
dos sentimentos.




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MUITA FERRUGEM NESTE CAMINHO

 


E a esperança a dançar no vazio da cidade, 
confortando a ousadia entorpecida 
no colo da mala das lágrimas.
Mais um sonho perdido no cais que nunca visitei. 
Toda a vez que tentei 
desencaminhar a memória 
a inveja do calendário rasgava as folhas da folia.
Aqui no bar, 
ainda ouço os gritos daquela guitarra 
beijando acordes bem-intencionados 
a festejar o caminho para casa.
Mas não sei o que farei 
com este desconforto 
regado com o perfume das flores sujas.
Tenho uma guerra na minha pele 
e tudo o que perco não consigo esquecer.
E a melodia inquieta 
descansa na aflição da almofada 
onde brinca o sono que não apetece.
Um bailado de sombras 
tenta em vão animar a noite 
com propostas repetidas.
Mas a maré triste não se deixa enganar.
Tudo vai parar à encruzilhada 
onde o sorridente  convite  da pedra fria, 
promete a viagem… 


                                Cada um com o seu xaile 
            para o baile da preocupação.



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SONHOS ENCENADOS NA BANHEIRA DAS ILUSÕES

 


Se me queres espera mais um 
pouco

Se me desejas não mintas

Desconheço a certeza das horas
e continuo a não conceber 
as demoras do acontecer

Há um certo charme que a solidão 
entrega na esponja suja 
pelos bairros da miséria

Só mais um copo sempre com o vazio 
de uma qualquer amizade

Hoje acordei assim...

Será  o amanhã diferente?

Há muito que não caminho 
com o incómodo de certas 
mentiras. 




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sexta-feira, 3 de julho de 2026

POR VEZES O PASSADO APARECE SEM SER CONVIDADO

 


Desse-me o tempo outros nomes 
para sossegar a memória
Outros dias sem cansar a vida
Outro ser sem deve nem haver
E o acordar sem dias para riscar
E um aplauso sem efeitos whatsapp
Desse-me o alento outro compasso 
juízo mesmo em esquisso
para não sentir a alma numa sépia desgostada
Desse-me o tempo outras lembranças paridas
longe do turbilhão das doridas ausências
Desse-me o tempo outro intento
 para crucificar o céu da Discórdia.



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