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sábado, 28 de fevereiro de 2026

O CÃO DO POETA FERLINGHETTI

 


Na curva onde morre o fim do mundo, 

o cão do poeta Ferlinguetti entregou um poema.

Quando o tempo nos abandona, despejamos as mesmas desculpas, cuspimos o mesmo sangue, repetimos os mesmos medos. 

Na toca dos solitários lamentos, veste-se o desejo do amanhã, que, não importa o que será, tarda em chegar. 

Na curva onde morre o fim do mundo, o cão do poeta Ferlinguetti, sossega através da janela, olhares sem cura possível. 

E na trilha da inabalável fé, o seu ladrar saúda a doce aparição da bondade projectada num écran imaginário.

E nos atalhos da decência não orquestrada, cumprimenta os que fugiram do mundo e voltaram para o filme, e que agora descansam na Oficina da Reparação dos Silêncios.

O cão do poeta Ferlinguetti, sentado no banco das mágoas, tenta abrir o cofre dos aflitos aplausos. 

Já passa da meia-noite e o camião da recolha das frustrações está, como sempre, atrasado. 

O pessoal do condomínio está deveras inquieto! 

Ele há demoras que não se desculpam. 

E na curva onde morre o fim do mundo, o cão do poeta Ferlinguetti, ofereceu à 

Repartição dos Sonhos Sem Data Prevista para Acontecer, 

o Relatório Anual das Notícias Atractivas.


2026Fev28_aNTÓNIODEmiRANDA
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SLB!

 Sou do BENFICA!

 Esta é uma das certezas que me tem acompanhado ao longo da minha vida.

E, acreditem, a minha vida não a deito fora.

aNTÓNIODEmIRANDA



2014 PORTUGAL (como se fosse poema) * Ó COELHO VAI-TE EMBORA QUE A MALTA NÃO TE QUER DE VOLTA

 https://www.facebook.com/miranda.antoniode/videos/900956229945634/?t=107



Portugal !
Agora sou um pedinte !
Mas, não te preocupes :
Isto é só uma espécie de poema.
Eu sei perfeitamente
que a não notícia da minha morte
passará despercebida.
Escreverei 
no testamento que te vou enviar
que as tuas pedras
não me ferem tanto
como os discursos impregnados de mentiras
pronunciados em conferências de imprensa,
onde mentes uma fingida preocupação.
& costumava ser tao fácil gostar de ti
Quando poderei entrar num supermercado
e comprar o que me faz falta
com a minha pobreza ?
Portugal ! 2014 !
O meu nojo tem mais idade
e eu quero morrer
antes do tempo confirmar a tua mentira.
Prometes tudo
e tudo me roubaste.
Nem 1 cêntimo foi devolvido.
Portugal !
Não fiquei surpreendido.
Tu és como um penico :
mesmo vazio, ocupa espaço.
& costumava ser tao fácil gostar de ti.
Cheguei a ser feliz com o sabor da tua ilusão.
Que sonho eu aqui á beira mar plantado,
onde a não notícia da minha dor 
passa despercebida ?
Mas, não te preocupes :
não faças isso por mim :
isto é só uma espécie de poema.
Portugal !
Da tua incoerência
herdei a insustentável rudeza
de nada ter.
Agora sou um pedinte !
& costumava ser tão fácil escrever poesia !
A minha raiva
não acontece para te agradar.
Agora sou um pedinte !
Mas não te preocupes :
isto é só um poema.
Portugal !
És agora um país
de putos e meninas :
eles enchem o cú
elas ocupam as vaginas.
Portugal !
Eu não estou contente.
vejo os teus desempregados a chorar,
vejo tanta gente a partir,
vejo a tua inversão de perspectiva,
vejo os teus velhos abandonados
desejando aquilo que nunca deveria acontecer :
acreditaram no teu sonho
e agora vejo nos seus olhos
uma indigna condição,
uma vontade apressada de morrer.
Portugal ! 2014 !
59 anos | 47 anos de trabalho.
47 anos legalizados pelo teu roubo ilegal .
Portugal !
Vivemos o tempo dos assassinos!
Dos mentecaptos !
Dos inúteis !
Dos inaptos !
Dos cretinos !
Dizes que é para o nosso bem,
mas porque sentimos
que nos estás a matar com tantos mimos ?
Portugal !
O teu falhanço nem sequer foi grande coisa.
Não me apeteces !
Já não posso morrer por ti.
Quando te cansarás
da árdua tarefa de libertares os teus ladrões ?
Portugal !
A minha cabeça tem uma estranha ideia.
O teu estado é caótico.
Estou imbuído de um espirito antagónico.
Tem cuidado : o meu pénis é atómico.
O meu desejo é automático.
Estou farto dos turistas do eléctrico 28
( Quando é que os informas 
que comprar o bilhete com a merda de uma nota 
de 50 euros, deixa-me abusivamente quilhado ?)
Portugal !
Agora nada posso impedir.
Vou dizer
e nem sequer é foleiro :
já foste um país porreiro !
Portugal !
Vendeste-te á puta errada :
A Angela não gosta de ser fodida !
Não tiveste cuidado
e ela é manhosa.
Portugal !
Mandaste-me á merda
sempre que te disse :
Ela é perigosa.
Portugal !
Vais morrendo,
matando cinicamente
um povo que lava no rio da grande desilusão
as tábuas do seu próprio caixão.


.2014aNTÓNIODEmIRANDA
#Livraria Buenos Aires#_tea for one_2015





CORRE COELHO

O coelho tem maus hábitos.
Já toda a gente devia saber.
Fala na tv com a voz entupida,
jurando que naquele tempo,
não nos queria foder.
É tão acre o seu cócó,
que até nos dá dó.
Esconde os dentes de vampiro
e num merdoso suspiro,
alisa a queda do cabelo,
espalhando penumbra 
nas palavras sempre mentirosas.
É um boy filho da trapaça.
Alguns ainda acham graça,
mas o seu tio
já empenhou o espaço publicitário.
Corre coelho,
taparam-te a toca,
ninguém te quer no aviário.
De nada és culpado?
Só a tua estupidez diz o contrário.

2017set_aNTÓNIODEmIRANDA








sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

MAP - Mostra de Artes da Palavra · ​☕ Café dos Poetas Nº38 "A Poesia da Beat Generation" 26Fev2026 com: Levi Condinho, Miguel Martins, Inóspita (música), Fernando Rodrigues (Luchapa) e Nuno Miguel Guedes (moderação) 26 de Fevereiro 2026 Fotografia: João Torres

 











NUNCA VOS PROMETI A AUDÁCIA DA PERFEIÇÃO

 

Abro a mala e começa a vida.  
A utopia nunca apareceu.
Olá colapso celestial! 
Imaculada seja a ignorância das ideias cozidas, na cabeça desolada por avenças previamente alojadas nas mais bentas nuvens de medronho.
Cansado de não encontrar a minha natureza
alvejo o homicídio do voo da liberdade enquanto a inteligência acamada na taça dos sortilégios baptiza a idade da inútil aflição. 
Adoro este mentir e o seu doudo abraço à tenda das contradições suavemente pornográficas.

MAS, NUNCA VOS PROMETI A AUDÁCIA DA PERFEIÇÃO

Como gostaria de saber  as coordenadas
para me sentir um arco-íris!
Cuidado!
Há por aí algumas vertigens 
com origem não alucinogénia duvidosa.
Aqui, a matutar no cadafalso das preces desajeitadas,
mais uma vez afirmo:

NUNCA VOS PROMETI A AUDÁCIA DA PERFEIÇÃO

E no abraço que entrega a morte, ao instante do prenúncio sem norte onde caberiam expectativas nunca velhacas,
um feitiço adolescente pendura na cancela da fronteira do absurdo,
abrenúncios penhorados.

CONTUDO, NUNCA VOS PROMETI A AUDÁCIA DA PERFEIÇÃO

Não busco a coerência da lógica 
nem admiro elencos instruídos.
Fico-me pelo baile não atrapalhado 
dos guerreiros da revolução não conivente.
Devastação crónica.  
Panfleto avulso avesso à indigna celebração.
Aterro de fingimento, a desta reputação enlatada.
Fecundo a pompa com furor num esboço de conveniência maltratada. 
A hipótese nefasta desenha na insignificância convincente manifestações hostis,
enquanto a mendiga radicalidade anseia por um qualquer perdão falsificado. 
Pensaste que absolveste a besta que exibe desavergonhadamente
uma sarna sempre à mão, fatalmente carregada de religiosos propósitos.
Triste ementa te escreveram
.
TODAVIA NUNCA ME PROMETI A AUDÁCIA DA PERFEIÇÃO


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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

FORA DO SONHO NEM SEMPRE VIVE A VERDADE

 


Colamos na alma os dias luminosos das histórias que amamos.
A morte fica-lhes tão bem.
Do outro lado do mundo se não morres na morte padeces na sorte.
Nunca tão tristes viram estas mãos nuas sobre a terra sangrenta.
Gostaria que por vezes as palavras não cultivassem o condão da mentira.
Cavalgo um catavento misericordioso sempre pronto a fugir do anseio 
qual rio de geleia esfregando as mãos no monte dos desperdícios. 
Como confortar o furacão que navega na horta dos desejos, desobedecendo às amarras do tempo chorado? 
Alguém viu o bando de espermatozóides desempregados apanhado a vender preservativos empolgados à porta da Oficina dos Poemas para celebrar práticas emocionais?
E, no armário dos sorrisos, esconde-se a enciclopédia dos maus feitios.
O falsário das indicações não recicladas, (divinamente autografadas em claro respeito pelos Presentes_E_Ausentes), encomenda ao CriaMor 3 certificados sermões na brasa.
Para que saibam, não estive lá. 
Alguém fugiu do paraíso. 
Cada vez tornam -se mais raros os sinais da inteligência. 
Também já não se aplaude sabiamente. 
Um fantasma voando na nuvem de algodão oferece uma temática inoperante. Bactérias disfuncionais habitam o corpo em adiantado estado de desilusão, piscando olhares apodrecidos. 
Lentamente vai-se finando a esperança. 
O relato do passado magoado obrigado a mentir, destila à toa palavras da  sorte. Apaixono-me de cada vez que aqui estendo o olhar. 
Um grito gourmet sem gorjeta aparecida. 
O sorriso sonolento acena a um cais moribundo com a previsão do boletim neurológico. 
E um calendário ruinoso dirige o tempo assassinado, para que o sangue oculto numa esquina discreta, aplauda a magnífica derrapagem da maldade da glória sem corrigir o inquieto adormecer. 
Até porque engomar pesadelos é a desculpa sem futuro. 
E assim se edifica 
A miserável Comédia Da Vida.







2026Fev_aNTÓNIODEmiRANDA
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SÓ ESTOU Á ESPERA DA CHEGADA

 
Como uma nuvem abençoando a chuva no lamento de todos os golpes, choro na alma as vozes que mataste. 
E os algozes que louvaste? 
Dos ideais que enterraste nem ouso escrever. 
E os gritos que calaste? 
É urgente que nos deixemos de conhecer. 
Há muito que deixei de acreditar nas portas douradas do paraíso. 
Respeitei apenas a advertência da minha salvação emocional. 
Cá se fica enviuvando a morte em vivos soluços. 
Ninguém se importa com os olhares que gritam o dorido destilar das memórias numa qualquer sargeta, 
como se fosse obrigatória a tristeza. 
E assim, na penumbra da inocência 
sacode-se o nojo que envenena a vontade. 
A vida só queima o tempo. 
E os murmúrios do silêncio serão para sempre a única a verdadeira possibilidade.
(as estátuas há muito que deixaram de ouvir o nosso cumprimento). 

Jaz a vida num cabaz agonizante. 
Nada para ver.
 
É tudo tão diferente do que se tenha 
imaginado. 

E agora que as horas sumiram, 
onde será punido o desalento?
 
A duas linhas paralelas 
nem sempre se poderá resistir 
à beleza do seu convite.

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