Amantes abandonados Numa barca velha Dois copos tombados Procurando a deriva adormecida, Tornam o amor absoluto. Pairámos em ondas Que absurdamente nos alvejam Com as setas do cupido. Há dias mais que perfeitos Para embalar A circunstância repetida.
Também é verdade que nem todos os motores a diesel, trabalham da mesma maneira.
Dizia-me o Carlos taxista. Retorqui: a estupidez intelectualizada continua a ter como objectivo único não compreender esta verdade. Os doutoramentos são como rolos de papel higiénico. Cagamos as folhas e lavámos as mãos para justificar a nossa desconfiança. Quem vive neste quintal admite os muros que confinam esta ideia. Louvados sejam aqueles. Os que apesar de tudo, continuam a pensar que nada disto lhes diz respeito. Sejamos simples.
Se tal não acontecer, será melhor não fingir. As ecografias podem ser terríveis. A minha médica desconfia que sou maníaco antidepressivo. Receitou-me bífidos antigos. Os coletes de salvação não são de fiar. Vamos com kalma. Podem usar o pau do segurança e ajustar a câmara para tirar a selfie espontânea. Não me dou bem com a preparação prévia. Nova corrida, nova viagem.
É grátis p`ràs ladies e as senhoras não pagam. Por favor, tirem os pés do estribo. Não amachuquem as granadas.
Como vês não estou mudado. Fartei-me de ser quem fui. Vai-se o tempo atado à hora da chegada despedindo-se do alento para a derradeira ida. Arriscar a felicidade num banquete de sangue nas asas da alameda do infortúnio reciclável, perante a enormidade da distância dos abraços. Ventre canonizado escondendo o soneto da loucura. Só os poetas poderão entender a quietude das palavras. Roubem-nos a sensatez. Aqui jazemos nesta súplica iluminada furtando a sombra onde irá morrer a última vontade. Recordações maltratadas, Insónias acenando nos escombros da penumbra, pedaços do passado nas visões não convidadas. Só as Janelas perfeitas oferecem o outro lado dos dias. Benvindo. Fico feliz em ver-te, perfeccionismo caótico. Como vês não estou mudado. Mas deixei de ser quem fui. 2025Set_aNTÓNIODEmiRANDA poemanaalgibeira.blogspot.com
Deixei de abandonar memórias, fustigar corações tatuados, nos sorrisos que pretendiam enganar a desilusão. Cortei-me nos modos possíveis, menti algumas maneiras, mas, o sangue preso nos pulsos queria a liberdade de um só momento, de uma única altura, que rasgasse a correia demasiadamente atada a uma vontade que não posso admitir. Estranha forma de vida, esta que recusa ensinar o meu morrer. Pássaros bêbados acompanham-me até à cama.
Não fazem perguntas estranhas nem comentam a beleza do meu triste choro. Nada encontro neste outono que não se cansa de me procurar. Deixa sangrar.
A raiva tem o nosso nome, e a razão está cansada das lisonjas. Não passo de um simples curioso, agrafado ao que resta deste apagão. Cansa-me esta coreografia, amorosamente com sabor a pecado. Equívoco continuo, ilustrado nestes defeitos encadernados.
Já não calco os passos que me levavam até mim. Danço os sons da floresta nesta amálgama de incúrias lambidas suavemente pela língua da minha aparência. Percorro-me de lés a lés num golpe estranho ao batuque do coração. Visto-me com a vontade congelada aguardando o seu degelo para nela naufragar. Esta é a fé que não pode ser salva pelas trompas gloriosas da ventura insaciada. Há um desejo repetido tantas vezes sem conta um soluçar de esperança atrevido e um não estar orado nas preces sem deuses. Estou vivo no modo contrário da normalidade narcotizada embora assuma a plenitude da minha falta de defeitos. Tenho uma tranquilidade adversa uma vontade dizem que perversa e um juramento infiel bailando a valsa dos arrependidos que estão por chegar. Guardo num saco azul quezílias bolorentas sediadas num paraíso artificial que ainda não encontrei. Não digas não sussurra a velha canção. Olha que amanhã também poderá ser um dia como deve ser.
Mudar de rumo também não me apetece.
Perco-me facilmente nas propostas indecentes.
Passam um milhão de medos pela minha cabeça. Não tenho desculpas para todos. Frito as tristezas nos sorrisos sem futuro, mas não tenho pele para tantos golpes. Nada está calmo nesta nuvem com sons cada vez mais desavindos onde estranhos que já conheci acenam com bandeiras da última meia-noite. Mas eu quero mais : o sonho que não dormi! Quero um cocktail de luas maliciosas. Um sono não amolgado.um outono sossegado. Um velho blues sincopado. Um abraço não ocupado. Uma aleluia sofisticada com berros dos cordeiros sobreviventes e cútis fora das hóstias e histórias sem morais inóspitas e uma vontade sempre a arder.
Um relógio fora de horas um tempo sem demoras e uma ideia sempre pronta para acontecer.
Estou a perder o coração.
Não digas isso que me dá dó. Diz-me a minha fralda madrinha. Coitadinha, não sabe que está só. Todas as mães deveriam estar no céu. Refiro-me unicamente às boas mães.
Que poderei eu fazer se nada pretender?
Vi aquele cogumelo naquele lugar estava vivo tive de o abraçar. Vou oferecer todo o meu desejo. Talvez sim provavelmente não. Só quero uma noite de cada vez na minha lista de espera. A minha porta já pouco se abre. Todas as cores morrem sem me avisarem. Ninguém chora a orfandade das tintas. A palete desmaiou a espreitar a fechadura a carpete foi aniquilada como obra de arte gongos ao longe disfarçam o seu choro.
A minha cabeça entrega-me a chuva dos dias de prata onde dormem as primaveras amistosas. Sonhos voam nas ravinas dos murmúrios para esconderem as lágrimas. Estou no meio das sopas dos ninhos das borboletas dos sorrisos multicores. Guinchos de ambulâncias queimam as esponjas do fim do dia. A brigada dos choros convulsivos recolhe dissimuladamente alguns poemas. A angústia é uma colher onde nunca tudo caberá.
A minha cabeça diz-me que estou certo. Hoje preciso da sua ajuda. Quero o seu amor esta noite. Agora ouço as suas palavras que me prometem as imagens que quero. Preciso da sua ajuda. Hoje quero que o seu amor me ofereça as folhas do outono prometido.
Sinto-me tão preguiçoso. Vou dedicar-me a pintar o teu sorriso vestido com as nuvens do teu olhar. Podes ouvir-me querida amiga neste absurdo da vida com que celebro a tua presença num TANGO WHISKEYMAN.
Amo-vos com toda a impossibilidade que atormenta este odor de axila quezilenta onde afago os últimos beijos. Sabor sem néctar, num cheiro engarrafado com angústias pregadas nesta escada de cristal pintada de abraços amolgados pelo destino possível. Talvez não seja errado, agora dizer, que o amor nem sempre é uma tese sem erros, e os exames que a consideram acessível, mentiras escritas nos livros com capa cor-de-rosa.
Encontrei certas veias serradas no álbum das fotografias. Um curioso fotógrafo pensou que as congelou. O gelo matou a máquina e escondeu o negativo. Li esta notícia, sentado em frente do engraxador das mentes coloridas. Não percebo nada de abismos e não estou com grande vontade para relembrar esse sorriso. Há por aí muitos parvos que pensam que sou eu que lhes engraxo os ténis.
Quero que se saiba, que sou um intelectual da esquerda minimamente alcoolizado em raids submersos de conversas sem título. O que você leu, alguém escreveu e isso nunca satisfará a minha curiosidade. A sua cabeça exibe bolas de pingue-pongue e a minha raquete não está para as jogar. Poderíamos falar de uma atitude profiláctica, mas a minha paciência neste momento, está pouco saudável para aguentar explanações de bidé. Iremos tentar o “AIKIDÓI”, mas não quero que se magoe. E, devo dizer, não aprecio por aí além a sua postura de “pizza hut”. Não sei quem o convidou para este filme, e reconheço sempre quando um realizador não está na plena posse das suas possibilidades fecais. Temos estrumes diferentes, o que torna neste caso a vida numa grande diarreia. Já reparou que nos estamos a entender, pensa você com esse tom argiloso, andar dengoso e estupidez pepsodent. Não vimos a mesma cena no écran que mirámos. Mas não é grave.
Tenho quilómetros de vaporizações de desodorizantes habilmente aconselhados, e isso, permita que lhe diga, dá-me uma certa fragância para aturar os imbecis que cada vez mais invadem a minha área geográfica. Gostaria que isto acabasse bem. Não por uma questão de consciência, mas o tempo vai passando, a idade avançando e a pontaria já não é o que era. Tenha eloquência, meta uma pose de irreverência, encoste-se ao muro. Mantenha-se sereno! Assim está bem. Então, gostou do furo? As despesas do funeral são por conta do governo.
Nódoas traçadas na toalha bordada horizonte peneirado névoa de manhas retardadas um fugir lento sem situações confiáveis. Nada faz sentido neste monte de cavacas brevemente arrastadas em tons e cinza. O vento empurra o serrim alçando nuvens que alcançam a espuma dos dias. Nada restará deste pó tantas vezes crucificado na vã glória do sonho nunca acontecido. Os retratos fugiram das molduras habitando agora um hábil desleixo que enche estas mãos sem nada para abraçar. E esta perseverança repetida assobia aos ouvidos as canções do serrim vagabundo que jura nunca nos abandonar. No chão da lareira ardem todos os prenúncios deixando um cheiro angustiado que suja a solidão. E depois há um soalho velho e gasto por tantos passos que tantas vezes nos levaram a lado nenhum. E o sol oculto nas janelas demasiado apressado na longa caminhada para acordar os dias. E um torpor gélido que ponto por ponto sublinha as palavras da circunstância que nos pariu.
Na janela do sonho é permitido chantagear a morte. (gentil oferta da confiável certeza).
Mesmo empenhar o tédio (por um mísero elogio) como se inverter o futuro num abraço apreciado, fosse mais do que uma ideia promissora com vista para a última vez.
Na janela do sonho embalsama-se o tempo numa pressa nunca acabada.
[E o teu amigo especial é a tua sombra nos momentos em que invejas o conforto da casa].
Esse bálsamo desconfiado que te fez pegar na mala e largar. A tua alma é um saco de viagem repleto dos sonhos que te acompanham. Agora és uma solidão não sozinha, nunca igual à que vês nos olhos apressados daqueles que sem qualquer sentido, caminham para o mesmo lugar. É a hora do lobo, onde o sol mal disposto e cansado, vai enganar a lua. E o teu amigo especial é a tua sombra nos momentos feitos de esperança às vezes com lágrimas com o sabor da hipótese mais apetecida. É sempre tempo para se viver aquilo que ainda não aconteceu. Agora que a noite caiu, e o polegar é o teu anjo da guarda, há um frio que te deseja e abraça o corpo. Há uma espera imaginada. Agora qualquer beijo seria bem-vindo. Qualquer tronco de árvore no jardim será a tua cama. Agora que rogas no teu único silêncio um soluço que nem de saudade já é, agora onde todos os minutos recusam o adormecer, e o medo habitual vai fazer-te companhia, agora que te apetecia chorar mas falha-te a vontade, agora não podes parar. É a vida feita saudade. E há sempre um carro que policia com olhos curiosos. Abeiram-se de ti e pedem uma qualquer identidade, menos aquela que te pertence. Partem para voltar. Voltar sempre mais cedo do que era imaginável. Observam-te vigiando a atracção da tua diferença. Agora, todas as estrelas que tu não vais sonhar foram dormir. Deixaram-te sozinho e não te iluminam o tecto. É sempre longe qualquer desejo.
Nem um cão está tão abandonado. Logo, quando o frio for mais forte, terás pensado, talvez mais um dia, afinal sou um gajo com sorte.
E vais tomar o banho habitual, numa qualquer retrete de estação, lavando a tua bondade em suaves prestações. Então, esperarás como sempre, por alguém sempre ausente que continuará a não te estender a mão. São fáceis todos os sorrisos. É normal o desprezo com que passam por ti. Hoje e amanhã, nada será diferente
Mas tu tens a estrada da alma enorme que impede de seres tal gente.
Fugiste dos caminhos perfeitos. Em tempo algum foi aceite a tua necessidade. E a tua consciência sempre foi confundida.
Adormeces com uma faca na mão, sabendo que nem sequer vais ter tempo para a usar.
Farto de tentar o sonho idiota, mãos erguidas para um orgasmo desconhecido, órfão das partidas indesejáveis tatuadas na inconveniente memória do adeus, a mãe de todas as impossibilidades.
Árduos tempos matando a esperança de qualquer desejo, recolhem porta-a-porta os abraços escritos nas noites amadas na solidão.
Rogo envergonhado, escondido no amargo cansaço nunca deixando de acreditar no missal da bondade.
ATÉ AO FIM DA DESGRAÇA
Já chegaste?
Porque esvaziaste o paraíso?
E agora?
Que cama para as estrelas sonharem?
Tamanha maldade nunca abandonará o sentido do fim.
Poder-se-ia ter ido para lá da imbecilidade, mas, rola-se sempre na errada escada.
Contudo a morte nunca será o fim de coisa alguma.
A verdadeira importância nunca caberá no forno da idiotice.
E os dias claros como o sabor dos velhos vinhos, chegarão em rendadas núpcias, como de facto está lavrado no Salmo dos Salmos, lá para os lados do inferno dos céus.
Quando ali se chegar, (não importa o altar), pedir-se-á um poema para louvar.
ATÉ AO FIM DA DESGRAÇA
Já partiste?
Não magoes o último contentamento.
Liberdade o que é feito de ti?
Nenhuma desculpa para as traições cometidas em teu nome.
Aparece lesto este desalento marinado no mar dos vampiros viajados na barca dos desgostos.
ATÉ AO FIM DA DESGRAÇA
Abaixa um pouco a luz.
Não quero incomodar a inveja d`Ele.
Não sei porque me trouxeste aqui.
Devias saber que a imaginação só faz de mim um descarado sem vergonha.
Não me mandes embora.
Poderei ser o teu cãozinho.
Disseste que tudo iria dar certo.
Acabei abraçado a um colar de algemas.
Como poderei apertar as goelas à via-sacra do desencanto?