Pesquisar neste blogue

domingo, 15 de fevereiro de 2026

NADA ME DIZ A IMPORTÂNCIA DA EXTRAVAGÂNCIA DA INOPERÂNCIA

 Uma vez noutra vez sem nada para haver. 
Talvez um anjo vadio, o tal das asas ousadas para a vida atrevida, que mesmo assim na tristeza padece, qual ferida nunca curada que noutra vida acontece no sono que adoece no cansado desafio.
Naquela tarde onde dormi com a mentira do céu, estafado de estar sentado à direita de um inoportuno desconhecido, roubei corajosamente o décimo primeiro "mentimento". 
Julguei assim aliviar o infeliz espólio da humanidade. 
De nada valeu esta reles intenção.
Não é fácil desencaminhar o mau feitio deste olfato, surripiado no balcão das malícias desconfiadas.
Noites em lume brando, desencontros na cabeça, nada quero deste dia, pedindo que o amanhã seja diferente. Nada de bandeiras bordadas com desculpas estupidamente repetidas.
Corre o mundo para longe à procura do lugar perdido, levando consigo a manta dos murmúrios da roubada memória, enquanto um adeus desengonçado tenta disfarçar a pressa do tão vergonhoso abandono.
Ficamos por aí, à deriva no cais das cicatrizes, completamente desinteressados da chegada do embaixador da horta dos suspiros.
E, nesse longe cada vez mais galopante, agarrados à crina da boa-esperança, aplaudimos (assim ordena a má-educação), o mentiroso comité das Boas-Idas.

Por cá, nesta onda de lamentos agitados na proa do desavindo destino, brindamos ao tempo que fica com flores de sangue temperadas com o sal deste mar que nos desonra. 
Corre o lugar à procura do mundo, que, como é sabido, já não nos acolhe.

Assim, mesmo que seja proibido, 
temperai a possível esperança.

Eu? 

Ainda fico cá hoje à cata de alguma bondade na vida.






2026Fev_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

Sem comentários:

Enviar um comentário