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quinta-feira, 5 de março de 2026

ALGUÉM INVENTOU O FALHADO QUE NÃO SEREI

 


Mesmo os passos que habito 
conhecem o sabor dos prantos que 
os consolam. 
Escondido na carroça das vontades, 
não consigo alcançar o refúgio 
das almas encomendadas à capela 
das contemplações.
Outrora na estrada, 
à procura da vida especial, 
ousei sugerir toda a misericórdia 
para esta desavença. 
Deambular num suicídio iletrado 
agarrado à canção sorteada 
na roda das palavras sem fim à vista.
E no bailado das suposições, 
ondas de aplausos remendam 
o olhar talhado, 
qual comprimido milagroso 
acordado por um sonâmbulo trazido 
no apelo das areias movediças.
Agora refugiado na cama 
de papel dormente, 
lembro assim a pretensa existência.
Sei perfeitamente que ninguém tocará 
a sineta da minha espera.
Já entreguei tal mágoa no 
Armazém das Bagagens Sem Destinatário.




2026Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

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