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sexta-feira, 15 de maio de 2026

LUTAR PELO CÉU NAS ASAS DESTE VOO MENTIROSO

 


Não me interessa se alguma memória deixarei. 
Tento não desiludir o convite para a viagem 
que o nascer me entregou. 
Revejo-me nos abraços da solidão ancorada 
com suaves beijos de tolerância. 
Velho agora, 
(como me mira o espelho enrugado), 
embeveço neste odor de hortelãs taradas, 
estendo-me num colchão de chá, 
esperando o fingir de um qualquer adormecer. 
Continuo a morrer sempre que não importa 
a maneira como acordo. 
Calçar a esperança ainda é um exercício 
que não me mente. 
Mas as horas deste relógio são mais atrevidas 
que o tempo que desejo. 
Então enleio-me neste poço de mentiras  
que não consigo rasgar.




,2022Jul_aNTÓNIODEmIRANDA
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quinta-feira, 14 de maio de 2026

O CHÁ DA FUTILIDADE

O meu amor come sushi e rega-o com mijito
E eu sinto-me beatificado no meio 
deste cozido à portuguesa.

Obrigado meu bem pelo teu zumbar 
de mosca bêbada.

Temos um mundo tão belo 
e um caminho com tanta luz
para iluminar a nossa estupidez.

Abençoados sejam as nossas crianças

tão parecidos com os filhos dos três mosqueteiros
quando bebem o chá da futilidade.

 
2016,09aNTÓNIODEmIRANDA
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MORRER É UM JOGO COMPLICADO

 


Morrer é um jogo complicado.
Queima a flor que tanto nos entonteceu, 
e não há rega para a sua ausência. 
É um arrefecimento a pronto pagamento 
depois de tantas prestações pagas a um tributo 
que sempre nos ignorou. 
Mas a vida, de cada vez que a respirámos, 
é uma traição ignóbil, 
sempre pronta a roubar aquilo que gostámos. 
Depois os dias que sobram fazem de nós os invernos, 
onde enroupados nas fotografias, 
contemplamos memórias que definham 
o correr do nosso tempo. 
E é tão lindo o que gostámos 
e de tão querido, embrulhámos no lenço da saudade, 
todos os momentos que nos fazem felizes. 
Esta realidade é uma conspiração abrasiva, a
busa sempre de nós, 
aqueles que sempre acreditam 
que este jogo sempre será a mais miserável das batotas. 
            Eu também já não dou ao tempo
            a importância que ele não me merece. 
            Estou farto do seu modo de me cansar!



2016,12aNTÓNIODEmIRANDA
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quarta-feira, 13 de maio de 2026

A FOME NÃO QUER MAIS A MORTE

 


Vejo a fome distribuída em longas filas. Máscaras com um choro envergonhado. Olhares perdidos na lama da desilusão. Não é minha esta paisagem, esta certeza que já nada abriga. Um saco de lágrimas. É o que tenho para oferecer ao caixote solidário.

A fome não quer mais a morte.

Caminho no chão das luvas, serpenteio nos desejos da aproximação desconfiada. Olho para os rostos, mas, não tenho memória para gostar. Passa por mim um cão. Não abana o rabo, simplesmente ignora-me, obedecendo à vontade do olfacto, farejando a ausência do vírus. Tornei-me num eu sem mim. Alojei-me no lugar que partiu, despido de qualquer lembrança. Sigo descalço para a fonte dos ocasos.  Desejo uma coisa estranha.
Uma anomalia surda que obedeça à voz que já não ouço. A gravação não funciona. A fita iludiu a cassete. Ignoro o convite da porta. Estou confortavelmente fechado nos golpes das curiosidades que não me aliciam. Escondi os cadeados da ousadia. Imagino encenações porque não sei desenhar sonhos. Desconheço quem irá suicidar-me, depois de embriagar o desalento.

A fome não quer mais a morte.

Isto não está a correr bem.
Resta-me a sagrada violação da poesia nojenta, mas, o ar condicionado não funciona, e a vontade vai-se finando.

A fome não quer mais a morte.

Um gato pardacento encosta os bigodes no meu peito. Atiro a má disposição para as persianas. Dou voltas enroladas neste sofá, escrito com recordações pantanosas. Não sei o que faço, pendurado na árvore de natal. Só pretendo conhecer um cheiro parecido com a vida. Convivo bem com os arautos da tempestade. Abraço-me nos seus gritos. Agora já nada me custa. Por vezes, sou um lobo vestido com uivos desabitados, que não compreendem o apelo ao perdão. Não sei que conforto poderá oferecer o cemitério. Já escrevi o meu elogio fúnebre. E, ele não comporta mais palavras.

A fome não quer mais a morte.

Andei tanto aos tombos que nem me lembro das paredes que sangrei. Bebi nas noites longas, o amparo que tudo prometia. Beijei noivas hesitantes, conspurquei os futuros mais risonhos. Continuo a levantar-me num acordar alegre. Tiro a ramela dos olhos, pisco os olhos para o gajo do espelho, alvejamo-nos no ritual costumeiro. Despedimo-nos delicadamente. Sento-me na sanita para aliviar a vontade.
 
A fome não quer mais a morte.

Diz a canção que preciso de alguém para amar. A melhor oração para um defunto. Nunca serei um voluntário das intenções, mesmo boas, que não me respeitem. Na verdade estou farto da sorte aos trambolhões, do jackpot das hipóteses aputalhadas, dos conselhos respeitáveis que constantemente batem à porta. Viajo nos lugares que não conheço. Tenho saudades de ti, velho amigo. 

A fome não quer mais a morte.

Onde teremos andado, agora que não encontro o nosso passar? 
Quando voltaremos a beber o som daquele sax que escreve as palavras do único verdadeiro deus vivo? Paramos nesta página.


,2020mai_aNTÓNIODEmIRANDA,
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OBRIGADO E ATÉ BREVE

Não te falo das rosas porque tu és 
a flor mais lindamente bordada
que me aquece os dias e enche a madrugada,
qual ramo desejado no amanhecer
com que tento sofregamente acariciar outras mãos.
Temos chuva no cardápio e malmequeres no jardim.
Mandasse eu só um pouco na vida 
e o resto não seria assim.
Nem no facebook me sinto abençoado.
Por isso, 
ama-me na tenda com um chá de hortelã sofisticada,
toca-me nas cruzes,
apaga as luzes que a espondilose quer dormir.
Deixa entrar eu meto devagar
numa frequência modelada 
ao correr das horas
sem desvio nas manobras d
os trabalhos em execução.
Bermas com supressão e alterações
sonoras,poderão acontecer.

Prometemos ser transitórios.

                Obrigado e até breve.



2016,08aNTÓNIODEmIRANDA
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Parabéns. Abraço Grande.


terça-feira, 12 de maio de 2026

COM TODO O NOJO PARA UM IGNÓBIL

 

    V erme
        E mbusteiro
            N éscio
                T raste
                    U ltrajante
                        R ato
                            A rruaceiro

 


2026Fev_aNTÓNIODEmiRANDA
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CARNE PICADA

 


Enrola-me pela manhã
docemente até ao fim do dia.
Quero que me mates
até os ossos se tornarem fiambre.
Ama-me no chão,
faz de mim o mais vil tostão
um chá de um Judas pestilento,
canta-me numa canção de 
azar, só para acreditarem
que gostas de mim.
Enrola-me num cartucho
como se guardasses a
mais preciosa iguaria.
E oferece-me sofregamente
quando te apetecer.
Estou aqui,
abaixo do zero mais que finito
com arpejos do bolero
onde uma loura sem vergonha,
cavalgou nas minhas ancas
arfando palavras
roubadas dos meus poemas.
Enrola-me de manhã mesmo só um bocado,
no mais fino brocado para fingir a alegria.
Enrola-me agora,
pela noite fora
até fazeres das minhas costas
um ossário defeituoso.


2016,12aNTÓNIODEmIRANDA
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segunda-feira, 11 de maio de 2026

TENHO INVEJA DA COZINHA DE MANHUFE

À 2ª os museus estão fechados.
É o nosso dia favorito para o piquenique das confidências.
Olho para o Amadeo e falo-lhe da Vieira que tive nas mãos. 

Fita-me abrindo os olhos no meio daquela partida de xadrez, como que a dizer:

és um gajo sortudo.
Relembro a memória

e agarro o repolho vermelho do
Eduardo Luíz.
Há que ter calma.
Só quero saborear aquele verde “pistache” do Mário Botas.
Sorrimos um para o outro.
Gosto da nossa malandragem, aponta ele.
Ok.
Tenho inveja da cozinha de Manhufe, atirei eu, em forma de convite.
Timidamente escondeu-se na viola,

e ofereceu ao céu as cores que lhe faltavam.
Os galgos farejaram o nosso delírio e deitaram-se com o único deus que os soube criar.
Amadeo, saiu da tela, limpou os pés no pincel, e levou a cabeça do Santa-Rita para o passeio das horas sem tempo.


2018Dez_aNTÓNIODEmIRANDA
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NÃO IMPORTA SER FAMOSO

Não pratico a necessidade genital da beleza,
mas afirmo com toda a franqueza,
que alguma dela é necessária.
Não será esta razão um válido argumento para um filme porno.
Não me comove pensar saber o tão pouco que conheço.
Talvez exista uma ideia naquelas palavras que mais nos custam dizer.
As outras, aquelas que compramos, usamo-las como se fossem sagradas.
Então, ficamos apreensivos quando minuto a minuto, elas são contadas.
Não importa ser famoso.
É 
este o conforto que delicadamente as pantufas nos revelam.
Depois, damos passos em volta,
tendo todo o cuidado para não tropeçar no cinto do roupão.



.2015aNTÓNIOdemIRANDA
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sábado, 9 de maio de 2026

OLHO O CÉU E BENZO O SILÊNCIO

 


Sim!

Admito!

Tivemos uma pequena conversa

E se a dor se finar

Na hora que não nasceu

Digam à sorte malvada

Que quem morreu

Ainda não fui eu!

Vai-se caindo a amolecer a partida

Ao ritmo das pancadas do relógio 

A vida foi gasta a sacudir o pó 

dos magoados anos 

Num chegar que nunca me alcançou



,2026Maio_aNTÓNIODEmiRANDA
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AS PORTAS DO CÉU

Fala com ele!
Disseram-me que nem sempre está ocupado.
Cuidado!
Não atende números anónimos,
nem responde a mensagens.
Claro que te tens portado bem,
não é?
Tens tratado com todo o respeito o próximo,
ou é só quando estás distraído?
Toma atenção!
Ele tudo vê.
Queixas-te da fome?
É coisa que ele não aprecia.
Choca-te a miséria?
É melhor mudares de cenário.
A injustiça está sempre presente?
Não digas blasfémias.
Reza à hora certa.
Não renegues o chicote.
Mantem-te ajoelhado.
É assim que ele quer.
Não encontras as portas do céu?
Não te incomodes.
Foram pintadas e colocadas noutro lugar.
Ele está enrascado.
Nada lhe disseram.


,2019abr_aNTÓNIODEmIRANDA
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NERVO 27 E UM POEMA DA INÊS DIAS.

 





JÁ TENHO FAMA QUE CHEGUE!

JÁ TENHO FAMA QUE CHEGUE!
Sou cumprimentado por alguns condutores do 28.
O Vitor, o Jorge e o Artur, do talho da Poiais de S. Bento, saúdam-me com estima.
Com o António do lugar da Poço dos Negros, onde compro fruta e legumes, tenho sempre uma conversa que me deixa contente. 

E o pessoal do café Moinho de S. Bento, adoça o mesmo, com uma qualidade inigualável.
Compro o pão de Mafra na mercearia da malta do Bangladesh.
A senhora da peixaria do amoreiras shopping, recita-me “A Balada da Neve” e “Ó mar salgado, quanto do teu sal/ São lágrimas de Portugal”, enquanto prepara os chocos.
Já tenho fama que chegue!
Contudo nunca me fartarei de não ser conhecido.
 
2018Ago_aNTÓNIODEmIRANDA
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sexta-feira, 8 de maio de 2026

A SAUDADE NÃO VAI AO GINÁSIO

 


                Todos me dizem, 
Voa! 

                Mas nunca em mim encontrei 
o pássaro que pintou o ser.

                E nas nuvens de algodão 
martirizado, 
uma gota da amorosa rosa, 
floresce sem período de carência.

                Todos me dizem, 
Fica!

                Mas o tudo mais que 
quero lembrar 
permanecerá no desejo 
sem o meu achar.

                Todos me dizem, 
Porque não?

                Sabe bem quando não tens 
cotão na memória.  








,2026Maio_aNTÓNIODEmiRANDA
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quinta-feira, 7 de maio de 2026

A MALVADEZ DO TEMPO

 


cansei de esperar
/ embora não acreditasse
 que desenharíamos 
no último sorriso
a entrega do dia perfeito
/era só uma ideia elegante
 sem desesperos no zoo
/ um filme suave
um chão promissor
alheado das memórias tristes
/ fotografias sem ausências
que sorriam para nós
                        / mas a malvadez do tempo
                           tempera numa constante acidez
                           recordações dolorosas
                           que  despudoradamente percorrem 
                            os corredores dos cemitérios


,2022Mai_aNTÓNIODEmIRANDA
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EXTRAVAGÂNCIA DE ÍNDOLE SEXUAL

 


                                          Envergonhe-se 
quem nisto vê malícia.

As anãs nuas que escorriam 
pela Calçada do Combro, 
com a fidedigna intenção 
de me violarem, 
foram, agora posso dizê-lo, 
coreografadas pelo 
Miguel Martins.
 
                             Atento aos meus devaneios 
mais secretos, 
o seu apreço enobrece 
qualquer pilha de gargalhadas 
previamente não recicladas.






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quarta-feira, 6 de maio de 2026

FERRO VELHO

 


Homem velho pescando a vida na valeta da ilusão com o anzol banhado na enferrujada miséria. Quantos sóis o esperarão na lua de amor-finada? 
Louvo a icterícia geração, torpedeada por uma matilha de gambozinos, onde no parqueamento das reclamações disponíveis, estava lavrada em acta, a extinção do serviço de embalsamento dos cadáveres não esquisitos. E no rio das margens sangrentas, alguém cava a triste melodia do amor desamparado nos sons da memória. 
E a resignação embrulhada no roupão da tristeza, tenta roer o cordão dos dias sem futuro. 
Homem velho pescando a vida na valeta da ilusão , abana o tempo num cansado bailar para a maré das recordações, e
despeja nos olhos as derradeiras lágrimas do socorro entregues pelo abraço do carteiro da finita esperança. 
Agora, no cubículo das crenças sem efeitos retroactivos, discute-se a realização da greve geral contra as nocivas consequências da conduta normalizada. 
E nas fotos, 15,2x21, (formato horizontal), 
reúnem-se gemidos com demonstrações (para uso doméstico), 
profusamente ilustradas da arte de bem montar o Cama-Sutra.
Nb: Aos interessados, basta não acreditarem nestas tretas!


,2026Maio_aNTÓNIODEmiRANDA
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sábado, 2 de maio de 2026

O CADA VEZ MAIS APERTADO ABRAÇO DA DESPEDIDA

 



Madrugada libertada

Acordado e sempre à tua espera

Como poderei matar o horror 
da tua farsa

Triste e cansado segue o amparo 
desta triste jornada

QUEM LERÁ OS NOSOS EPITÁFIOS?

Possivelmente um anão 
com óculos de querubim 
Maduros seguem os meus anos 
pelas estradas dos sonhos que ergui
Mentiram ao meu acreditar
tal como o tempo que abraçava 
a amizade
Tempestade de amores imperfeitos 
chuva de ácidas pétalas 
orações choradas 
no perfume da ausência
Sei que me espera aquela coisa 
que odeio conhecer
(Morte)

De joelhos jamais ficarei

Tenho um mar de flores 
para assassinar 
paraísos artificiais


2025Mai_aNTÓNIODEmIRANDA
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HALL DA DESILUSÃO

 


Ousadia no chicote de couro 
marcada na solidão.
O augúrio insensato, 
vendou o sonho numa viagem 
em contramão, 
oferecendo promessas 
esculpidas no devaneio 
das desculpas.
Não pretendo o tempo 
que estende a vida 
para enrolar na areia, 
a escolha dos passos ambicionados. 
E no fumo 
que me entrega o pensar,
 talvez um dia, 
isto é, 
se a amizade não falhar, 
tentarei não esquecer 
aqueles gloriosos diálogos.
(doce companhia acordando 
os segredos do travesseiro).
Ainda não perdi a esperança 
de o libertar da clandestina mistura 
dos afectos!



,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
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A CRIADA

 


    Ponha aqui o seu pezinho
devagar , devagarinho
se quer ser consolada.
    Olhe, a culpa não é minha,
eu era um inocente menino,
quem me ensinou foi a criada.
    A criada era matreira,
danada para a brincadeira,
era o que mais gostava.
    Começava à 2ª feira,
logo pela manhã,
e nunca mais parava…







,2020Mar_aNTÓNIODEmIRANDA
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sexta-feira, 1 de maio de 2026

CORAÇÃO ALFARRABISTA

 


Que mortes me fizeste ver, louco diamante sempre a brilhar na tristeza desta pele roída. 
Lembrar para quê? 
O caminho mostra - me o acaso, calca a angústia, e segreda nas orelhas da lua, o engano do encanto do pôr-do-sol. 
Agradeço com um adeus envergonhado, 
a despedida estampada na minha escada.
ESTÁ UM TEMPO ANIMADOR PARA QUEM ACREDITA EM ALDRABICES
Eu poderia acordar, apertar no cinto dos mil sonhos brilhantes, os gritos de couro, e de joelhos dobrados, provar o chicote oferecido pelo amor não leviano.
FANTASIAS PECADORAS VESTIDAS COM A PELE DA CORAGEM
Disfarçam os medos que a usam.
E quando os sinos chiarem no teu leite derramado, irás ver que a surpresa será sempre a tal mentira apetecida. 
Começarás a andar ao terceiro dia, ainda que de um modo esquisito, mas se estivesses atento, terias lido que a folha de reclamações serviu para te limpar o cu. 
Bem que avisei que o meu milagre seria sempre mais eficaz, com o senão de não estares presente. 
OS HÁBITOS ESTÃO DIFERENTES. A ESTUPIDEZ É QUE NÃO
O tempo acabará por esquecer esta dor, nas horas que aguardam nos suspensórios da morte, a alegre notícia do abismo. 
A quem entregar pétalas desoladas, cansadas de uivar nomes sem voz? 
Cuida de mim, anjo da malvadez, poema sangrento que não consegue voar nas tuas botas de cetim. 
Perdi o teu abraço, cansei-me na escuridão da alma e do seu mentiroso divagar. 
Já não ouso sonhar! 
Este frio covarde cobre a esperança que agora me trilha.  
Já não sinto o sabor do vento, com a sua oferta 
de afectos embrulhados no brilho das lâminas.
Quero voltar – Fugir – Encontrar 
– Destruir o destino – Enferrujar o tino  
Assassinar o escravo que julgam me tornei 
– Encurtar o convite desse cinto de fivelas nojentas. 
O que é feito de ti, pássaro do voar envergonhado, canto de querubim nessa viagem da esperança fraudulenta?
Já não acreditas no meu abraço, já não pousas no meu acenar,
TERNURA CHICOTADA NO ESCURO 
Porque esperaste tanto tempo?  
Declamava o coração alfarrabista.
Uma agulha entrega a esperança na dor da tua única realidade suada na cadeira mentirosa.
Nem sempre gostei da vida. 
Apenas pensei que era assim que se amava, e conservo na memória possível, lágrimas que nada têm para chorar. 
Estou pronto. 
Vejo nuvens escritas neste presente angustiado. 
Estou à espera de um qualquer convite sem imaginação.
Estou Ou Não?
CONFORTAVELMENTE ATROPELADO 
Habito o comboio das sombras desesperadamente apaixonadas. 
Pinto esta viagem numa vida enrouquecida. 
Quero ver o silêncio! 
Escorreguei no desfiladeiro da sorte. 
Sorteei o norte no poço do azar. 
Quis o verbo mudar o tempo, no alento de enforcar o juízo nas cordas do destino, para que deixe de ser anunciado como se fosse obrigação. 
Não! Não gosto de ti! 
Mas sem ti, 
O que faria desta azia que premeia o nojo? 
Nunca me esconderei neste recolher obrigatório, nem na falta de respeito por ele oferecida.
Podes ouvir-me?
Sou um sopro cansado confortavelmente atropelado por uma memória vestida de desconsolos.

    Um salto moído
    que já se aleija
    no deitar.





,2021Set_aNTÓNIODEmIRANDA
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IMPORTÂNCIA ESPIRITUAL

 


Delicada, envolvente 
e com um charme natural 
que conquista sem esforço, 
sabe como transformar 
qualquer mentira 
numa experiência marcante. 
A sua presença transmite mal-estar, 
fazendo com que tudo brote 
da forma não pretendida. 
A atitude sedutora 
desperta cautela e desejo. 
Atenta a cada detalhe, 
exibe um jeito muito seu para pintar 
a realidade em fantasia. 
E promete deixar a rotina de lado, 
para circuncidar sensações 
intensas.



,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
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GENITÁLIA LUSITANA

 

A sardinha estava boa!

… Mas nós, 

continuamos irresistíveis!

(Dizia o pepino, ladeado por 2 tomates).


,2015_aNTÓNIODEmIRANDA
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O MUNDO VISTO DA MINHA RETRETE

 


É um mísero tratado de incoerências.
 
Ódio vomitado no orgulho assassino!
 
Na cratera das negociações 
jaz a infâmia
bramindo a bandeira da fraudulenta paz.

E um drone saído para a infalível 
certeza da morte, 
espalha pedaços de crueldade.

A vala das lágrimas da vergonha, 
continua a magoar consciências não distraídas, 
de nada valendo os elogios 
acamados na asquerosa esquina 
da consternação.

E os déspotas acampados 
na cataplana dos sangrentos troféus,
celebram com a corja dos atrasados mentais, 
a imunda glória que os pariu. 
 
                        (mas as mortes ficavam-lhes mesmo a matar)!






,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
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Sacco and Vanzetti - song by Woody Guthire & David Ro

.https://youtu.be/N0sYAU96FY0?si=Y2TBqLQQMKu5-M-j

“NA TRISTEZA, O TEMPO ANDA DEVAGAR” # CÃES MAUS NÃO DANÇAM# Arturo Pérez-Reverte

 


Vou ali e não sei se volto.
Tenho de pintar as lágrimas do céu.
Estou tranquilo. 
Aplaudo o sangrar dos dias 
para o funil dos sonhos 
que já não lambem as feridas
Mas, não te preocupes. 
É o momento para cuidar da minha sombra.
Estou tranquilo. 
A incendiar ideias.
As nuvens passam
e beijam as recordações 
com abraços das memórias 
ainda não esquecidas.

    Claro que sim!
            Honrar o contar das horas,
            é uma história que não sei ler.




,2021Mar_aNTÓNIODEmIRANDA
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ALMA LUSA

 


No genuflexório desta Pátria
abafo a triste sensação
amarrotada na ilusão
de tentar gostar de ti

                    Alma lusa
                            Que me partiste 
                                        Nunca esperes 
                            Fazer
                                        De mim
                            O teu
                                        Pedinte
                            Exemplar




,2019mai_aNTÓNIODEmIRANDA
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quinta-feira, 30 de abril de 2026

COLTRANE

 


Dança no sax um fado triste, 
uma ausência constante naquele olhar
 que só as estrelas podem molhar. 
As mãos afagam delírios 
que unicamente lhe pertencem. 
Nas esquinas que o conduzem 
a nenhum dos lugares, 
há um som escondido n
o caminhar para o crepúsculo 
dos deuses com alma. 
No riscado LP, escovo para a memória, 
um pó sagrado.
Gosto!


2019jun_aNTÓNIODEmIRANDA
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NUNCA DEIXAREI DE SER FRANCO NA ANÁLISE DAS IMITAÇÕES

 


                O talento não 
se ensina 
Muito menos poderá ser 
comprado.

            Se o 
                    desperdiçaste 
nunca mais acontecerá.

            Mas quem 
desaproveita o engenho 
Enfeita 
desapontamento.

             Viverá 
no desalento 
Quem não esteve 
atento. 





,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
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quarta-feira, 29 de abril de 2026

CANSEI DE ANDAR DE JOELHOS

 


Tenho na mão um conselho curioso 
que ronrona no peito o eco da poesia. 
    Sento-me no oráculo dos anjos caídos, 
que vertem lágrimas só para 
que as flores não murchem. 
    Cantam a vida em sílabas suaves, 
e espalham palavras para o cantar 
do vento. 
    Está tão frio, este estar que embrulha 
o desalento vertido em copos de vinho. 
    É tudo tão longe, 
com esta perca persistente. 
    Já não peço ajuda.
                    Até     porque     cansei 
        de andar 
                    de 
                             joelhos.










,2020Mar_aNTÓNIODEmIRANDA
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A CONDIÇÃO DO TEMPO

 

Tentou seguir a estrada numa réstia 
de via láctea embrulhada em delícias 
de nitroglicerina. 
Abençoou o caminho feito sem destino 
na auto-estrada onde ninguém aparece. 
Guinou para qualquer lado 
assim como a despedir-se 
dos velhos carreiros 
que tanto o acompanharam. 
Desligou o voice mail 
e enterrou para sempre a indignação. 
Acendeu os faróis que nunca 
lhe alumiaram os dias e seguiu em frente 
para o lugar onde nunca tinha estado. 
A vida fez-lhe a ferida num corpo 
calejado por todo o desejo aleijado.
Teve pouco tempo.
E gastou-o todo com um sorriso.


2016,12aNTÓNIODEmIRANDA
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CREPÚSCULO

 


Memórias das horas sem tempo 
cuidam da insónia de deus 
no reino das roídas consolações

Desvio a saudade para o beco da 
insensatez que nos conduz ao ruído 
fúnebre habitado por despedidas

A lição do esquecimento sugere 
sentimentos         contrabandeados 
vendidos nas orações em 2ª mão

Lá fora, 
a audácia há muito murcha 
não acalenta a esperança possível



,2024Abr_09_aNTÓNIODEmIRANDA
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PAPEL SUJO PARA O PIAÇABA

 


E o que dizer da Tonta 
Mosca Varejeira? 
à Volta da Boteifa 
Anilha Escarlate
a Condizer com Tamanho Traste
Malota nas Costas
qual Insolente Berloque 
Transplante Falhado 
olhar Esgazeado 
comportamento Nauseado 
Originado por uma Disfunção de Ética
Não pára Quieta a dita Frenética
Fora e dentro, sem Eira nem Feira 
Lambisgóia abraçada à Paranóia
Patética, Escanifobética
Estúpida e Escangalhada
A Mosca Varejeira






,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
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terça-feira, 28 de abril de 2026

Jantado...

 



“A ANGÚSTIA DAQUELE QUE NASCEU ANTES DE MORRER” Para o Changuito. (A minha escandilose não permite como desejaria, beijar o sagrado da tua sombra).

Naquele tempo estavam doze poemas e um intelecualóide a copo, que só por milagre escapou à sincronizada operação da brigada de trânsito. Furioso, o comandante propôs-se castigar o resto da humanidade.
Alguém ironicamente bêbedo, lá do alto do seu filme, balbuciava sem a menor convicção:
Perdoa-me pai! A culpa é tua! Eles só fazem o que sabem.
Ferlinguetti no preâmbulo da leitura do poema “a angústia daquele que nasceu antes de morrer”, tentava convencer os demais, que a poesia só pode ser dita por alguns. Corso, incorrigivelmente narcotizado, limpava a boca a haikus que lhe sabiam a hambúrguer de peyote. Kerouac, sentado no canto do meio, rezava e chorava com cara de Ginsberg, agarrado ao último rolo de papel higiénico. Di Prima, estava com muita vontade, mas ninguém ali, mostrou o mínimo interesse numa demostração grátis de um superior blowjob. Paul Carroll, tinha na mão as três dimensões do retrato do pai, mas só conseguia ver dois minúsculos pês (pele, picha & ossos).
Um ovni aterrou disfarçadamente em cima do gira discos e todos puderam ouvir aquela música.
Como eu gostaria de ter estado presente.
 
2016,03_aNTÓNIODEmIRANDA
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A CONDIÇÃO DO POETA

 


Andamos para aqui a sarapintar vírgulas num papel qualquer.
Sabes, os poetas não têm uma fama lá muito aconselhável.
Há quem diga que têm na alma um teclado de uma máquina de escrever. 
E não são muito rígidos na escolha das palavras adequadas.
Às vezes pintam imagens estranhas, como se falassem com elas.
Abusam constantemente nas cargas etílicas.
Têm sempre uma pressa urgente.
E lavam pouco os pensamentos.
Enfeitam com um laço as ilusões,
ouvem outras vozes frequentemente
e são geralmente doidos por um par de asas.
São singelos na leitura de cartografias,
aparecem tímidos nas fotografias,
e passam muitas tardes a corrigir epitáfios.
E beatificamente despedem-se com a bênção habitual:
Que deus vos acompanhe,
porque eu já não sei o caminho.
Aqueles, ditos subversivos,
apostam sempre na barata tonta,
e lisonjeiam com desdém matraquilhos curiosos
que vomitam sílabas mal cheirosas.
Os poetas não são assim,
mas também nunca poderiam ser o contrário.
Têm ritmos de alquimia,
e, sentados, tentam colorir outro cenário.
Pensam que falam como as pessoas,
discutem amiúde anatomias sintéticas,
descansam os olhos com atitudes patéticas, e sorriem como se fizessem parte do mundo.
Cultivam simpatias incompreensíveis,
dão longos passeios envoltos num manto de nevoeiro, chamando alguém em forma de estátua, de Sebastião.
Odeiam parapeitos supersticiosos, e escorrem por uma corda fictícia até pisarem os pés da lua.
Dois poetas nunca se encontram, 
mas abraçam-se com um código secreto, 
e sabem de cor a maliciosa palavra-chave.
Os poetas têm importâncias não definidas,
e sangram como crianças,
pelo poema que nunca poderão escrever.
Vivem em forma de tempestade, 
o tempo que constantemente lhes foge.
Cavalgam como um puro-sangue, 
mas enganam-se sempre na corrida.
Sabem que não há futuro na poesia,
mas, enquanto poetas acreditam 
na sua eventualidade.
Há quem diga que não são normais! 
Até mesmo difíceis!
Têm sempre um copo na mão,
Donde bebem sessões contínuas de dignidade.
Nunca renegam a condição de ser poeta.



2016_aNTÓNIODEmIRANDA
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segunda-feira, 27 de abril de 2026

PÕE-TE A PAU

 


E o candidato que para nada presta 
pede o teu voto para continuar a burlar.

Nunca aparece quando é preciso
mas confia na tua falta de juízo.

Aquilo que promete podes deitar na 
retrete.

Mão no teu pêlo 
elogia a demagogia
(Costumeira mentira).

A tua ignorância 
satisfaz a sua importância. 

O bem-estar não passa de uma miragem!

Brinca com a ausência da tua falta de 
coragem.

Mas continuas a acreditar…






,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
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domingo, 26 de abril de 2026

BLUES PARA 6ª FEIRA À NOITE

Tudo mais do que o mundo, foi o que me prometi enquanto todas as tardes eram passadas em buracos. Desci tantas ruas às cambalhotas trauteando “I`m a rolling stone”. Perdia-me assim do olhar das pessoas e salvava a pele com esta minha alma. Tinha estampado nos olhos um sorriso indiferente enquanto pensava no “Leave me alone”.Cuidava de mim assim nesta “Worried life”. Pisava esta encruzilhada, embrulhado no “Crossroads” cantada por um velho amigo preto. E quando chegava à realidade não faltava nunca a lembrança do “ I got the key to the highway”. Ficava calmo desejando um amanhã mais depressa. A minha mãe dizia que era uma música muito triste enquanto me penteava uma cabeleira com mais de quatro anos. Continuei a prometer-me muito mais. E este mundo já não cabia em mim. Mas era sempre o mesmo acordar e eu fazia disto um desafio à minha medida. “Dark clouds rollin`” nunca foi uma preocupação importante. “I`m a king bee” acompanhava-me no primeiro cigarro da manhã. E chegava à hora habitual, à secretária do costume com um autógrafo personalizado desodorizando no escritório “I can`t get no satisfaction”. Era uma pedra rolante ainda não tendo provado o amargo sabor do “Love in vain”. Da janela chegava-me um convite que me acendia o dia: “Born to be wild”. Saía com toda a pressa inventando desculpas porque estava à minha espera um jamaicano um tal de Jimmy Cliff com a tal promessa do “Wild world”.
Todos a bordo! “That`s Alright
Eu sou o vosso “Hootchie coochie man”.
Blues! Apanhei este vício e escondi-o para sempre nas minhas veias.
I`m in the mood” ! “I`m ready” !
Blow wind blow. Blow back my baby to me”.

2016,09aNTÓNIODEmIRANDA
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EU BEM TE AVISEI!

 


Eu bem te avisei!
Os poetas escrevem com palavras mentirosas. 
Pensam enquanto riem e nesse riso fingido, 
não têm tempo para emendar o que não foi sentido. 
Desenham a tristeza em folhas frias e limpam lágrimas escondidas nas caixas de pó de arroz. 
Avermelham os olhos pintados cirurgicamente 
em frente de espelhos convenientes.
Acendem o cigarro com voz de catarro,
e entram no filme levando no braço 
a gabardine do Humphrey Bogart.
Num olhar pretensamente descomprometido, 
imaginam a amplitude
da costura daquelas meias de renda.
Os poetas escrevem as palavras possíveis
dos poemas mentirosos.
E a sua almofada preferida é forrada 
com papel mata-borrão, 
para que os sonhos que não querem ter, 
não incomodem a sua fantasia.
    Os poetas não têm culpa da inveja de Deus.
Eu bem te avisei!
Vou desligar esta chamada
com número anónimo.



,2017,abr_.aNTÓNIODEmIRANDA
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sexta-feira, 24 de abril de 2026

O'Gilins IrishPub - First Irish Pub in Lisbon - 24Abril2026

 



Restaurante Darshan Nepal - jantar 24Abril2026

 




NO ALTAR DO ENTULHO

 


No altar do entulho 
Celebra-se Impunemente a Miséria Humana

No altar do entulho 

As orações são Bombardeadas 
para divulgarem em Defunta mão 
o significado do perdão dos Ofendidos

No altar do entulho
 
A inocência é despejada da Decência 
qual gravidez Trucidada 
pela Falsidade das Promessas 

No altar do entulho 

Há um olhar coberto de Desalento 
Agonizando no ninho da Vergonha

No altar do entulho 

Onde mora a Monstruosa Crença? 

No altar do entulho 

A salada do Genocídio está continuamente pronta 
para o Alheamento com Desculpamos a
nossa cada vez maior Incompetência

No altar do entulho 

As mortalhas há muito Embrulhadas 
em Lágrimas de Desolação 
escondem-se nas Valas da terra Usurpada

No altar do entulho 

Perfuma-se com o Incenso da Infâmia 
A Memória da Pele

No altar do entulho

A impunidade nunca Poderá Morrer sem Castigo

No altar do entulho

A humanidade não passa de uma Fraude 
Assiduamente Combinada 
nos Podres Tratados

No altar do entulho

O tempo nunca poderá esquecer 
o Massacre que Constantemente Entregamos

No altar do entulho

Trump celebra com Putin 
perante o pas-de-deux do Netanyahu 
num Cocktail de Sangue 
Assassino Toda a Crueldade do Mundo



2025Jul_aNTÓNIODEmiRANDA
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