Pesquisar neste blogue

terça-feira, 4 de agosto de 2026

FIGURAS DE ESTALO


-1: Mandei-lhe uma carta em papel perfumado,
          mas quem a leu foi o namorado.
     Já não se pode confiar
         num carteiro desconfiado.

-2: Duvido sempre da minha inocência. 
    Até prova em contrário, não gosto de banalidades. 
    Muito menos do cUrriqueirismo. 
    Duvido sempre da minha boa vontade. não a quero vandalizar.
                Até porque a pressa nunca dorme.

-3: Está cada vez mais difícil o mundo deixar de ser um covil de vespas.
     Já não se fabrica a FAMEL-ZUNDAPP.

-4: Não olhem para a minha namorada!
     Ela é bonita e apaixona-se facilmente.

-5: Ó nossa senhora, peca tu por mim.

-6: Tinha mais inox nos lábios do que a cuba de uma
      máquina de lavar roupa.

-7: Palestra de j.j. (o 3289).
     Mister!
     Depois de tanta conversa, 
     tanta léria, 
     tanta treta, 
     tanta táctica… 
     meta-me a jogar no intervalo, 

2015melidesaNTÓNIOdemIRANDA
FIGURAS DE ESTALO

-1: Mandei-lhe uma carta em papel perfumado, 
mas quem a leu foi o namorado.
(Já não se pode confiar
num carteiro desconfiado).

-2: Duvido sempre da minha inocência. 
até prova em contrário, não gosto de banalidades. muito menos do CUrriqueirismo.
Duvido sempre da minha boa vontade. não a quero vandalizar.
Até porque a pressa nunca dorme.

-3: Está cada vez mais difícil o mundo deixar de ser um covil de vespas.
Já não se fabrica a FAMEL-ZUNDAPP.

-4: Não olhem para a minha namorada!
Ela é bonita e apaixona-se facilmente.

-5: Ó nossa senhora, peca tu por mim.

-6: Tinha mais inox nos lábios do que a cuba de uma 
máquina de lavar roupa.

-7: Palestra de j.j. (o 3289).
Mister! 
Depois de tanta conversa, 
tanta léria, 
tanta treta, 
tanta táctica… 
meta-me a jogar no intervalo.


, 2015melidesaNTÓNIOdemIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com



sexta-feira, 31 de julho de 2026

ELEGIA A JACK KEROUAC (12 Março 1955 - 21 Outubro 1969)



Nasci na página 124 do On The Road e passados cinco minutos desvirginei - me fazendo amor com o pôr-do-sol numa praia sem nome Passei noites dormindo em latas de sardinha com um polegar esticado aprendi a falar com cães e a chamar mãe às auto estradas e aos vagões de mercadorias dos caminhos de ferro Amei em bermas de estradas caguei debaixo de árvores abracei violas livros e mijei nos sacos de plástico dos supermercados Lavei os dentes em cabines telefónicas enterrei tesouros em vasos com plantas roubei papel higiénico e bocados de espelho das retretes dos cafés e hotéis Troquei fatos por blue jeans sujeitando - me às caricias do cinto do meu pai Aprendi que o ópio não deverá ser a única religião das pessoas e guardei um pelo da barba do Ginsberg
Forniquei dias e noites seguidos com a lua e a amante do Nixon e tive que cultivar a pénisflor
Vi aqueles: que morreram afogados pelos ideais que eles próprios construíram pensando na compreensão das pessoas e Jesus Cristo praticando budismo á meia-noite em Biarritz E aqueles que apertavam as mãos aos caranguejos e davam autógrafos a camelos com o objectivo de angariar votos para as futuras eleições E aqueles que confundiam estrelas com candeeiros que diziam que uma viola é como uma mulher que congelaram o sol que engarrafaram o cheiro da manhã que beijavam flores e arco –íris bebiam chuva e liam revistas pornográficas embrulhados nos  sacos de dormir e vagueavam pelas avenidas e jardins desertos à caça de homossexuais
Aqueles que em viagens clandestinas subiram à lua e substituíram a bandeira americana por uma toalha de mesa e que pensavam fazer um piquenique sobre essa mesma toalha e que morreram fazendo a barba com um corta unhas Aqueles que se perderam no meio da viagem porque se esqueceram da bíblia que fugiram de casa e voltaram de táxi que resistiram aos olhares das pessoas demasiadamente semelhantes aos dos chuís da brigada de narcóticos Que faziam amor julgando que este é um jogo de cama E ouvi: freaks & pseudo freaks gurus & pais arrependidos vendedores de seguros varredores de ilusões carneiros manietados pelo sistema budistas que tudo e nada me disseram ouvi Fidel  Castro declarar-se à Marilyn Monroe prometendo - lhe que raparia a barba O barulho que Salazar fazia quando chupava no polegar da mão esquerda O vento batendo à porta do banco do jardim durante as noites em que eu ainda sonhava
Ouvi Kissinger pedindo-me um charro e conselho para fomentar uma nova guerra: ambicionava ganhar outro prémio Nobel da paz Vozes histéricas de estátuas coisas e pessoas durante actos sexuais prostitutas adolescentes dirigindo-se timidamente a homens casados complexados para os quais ser cornudo é facto que não podem  admitir
Ouvi  Ouvi  Ouvi  Ouvi Ouvi Ouvi Ouvi Ouvi
ouvi vozes protestando contra a guerra o ódio e a miséria e a quem calaram para sempre com paradas e tiros de metralhadora e celas onde os ratos preferiram morrer Ouvi choros de mulheres velhos & órfãos que em gritos dilacerantes perguntavam qual a razão da fome e da opressão e que perderam definitivamente a confiança que até então tinham nos homens Valquírias sussurrando - me para escarrar nas bandeiras soldados feridos cantando hinos nacionais enquanto lhes pregavam medalhas 
Ouvi Lenine & Trotsky discursarem sempre em pé e durante longas horas para peixes vermelhos Bakunine e os demais verdadeiros anarquistas serem apelidados de loucos e inconscientes por rebanhos de carneiros cuja posição embora erecta em nada os diferenciava dos estúpidos peludos das regiões inquietantes
E senti: os olhares inquietantes daqueles que
por serem diferentes a sociedade etiquetou de loucos e encerrou em manicómios Estive numa reunião do Movimento Nacional Feminino onde me serviram croquetes que eram tirados dum soutien da Triumph copa 48 Estive: em comícios políticos onde vendiam batatas fritas em manifestações em que apalpavam
o cu e os seios às gajas cujas formas corporais
despertavam positivamente apetites sexuais

Nasci na página 124 do On The Road e
passados cinco minutos e trinta segundos ...





.73aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com








FELLINI VIVIA FELIZ!

Enquanto descalcei as botas
um barco roubou-me os cordões
com medo de ser atracado. ...
Depois veio uma onda revoltada
que leu num jornal mentiroso uma notícia atrasada.
O marujo acima e abaixo do seu mastro sujo
fingia que via o tejo ocupado.
Chamaram a rota,
desenharam o comandante
e no lastro do navio já perdido
um leme ferido
abandonava um grito onde se ouvia:
Voglio una donna.
Fellini vivia feliz!
Na sua "Cidade das Mulheres"
a "Julieta dos Espíritos",
tinha sempre um 8 ½ para o mimar.


,2016,03aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com






quinta-feira, 30 de julho de 2026

ELEGIA DO ESTAR QUE ENTORPECE

 


Dá 

Vida 

Ao 

Tempo

,2021Agosto_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

COMO SER ANJO


 
 
 





BANDEIRAS ROTAS

 


Naquele tempo, quando os dias não eram mentiras, e contavam-se histórias no carrossel sem mudança da hora, quando a oralidade ainda não era um gatafunho, e os fósforos não queimavam o desejo, e a memória nunca ficava na jaula, não se dava a mínima importância à conversa folhada.
Depois apareceu a fónix renascida, fala da treta, alpista fumada, bosta multifacetada em elogios mais mentirosos, do que a minha autobiografia sem nexo.
Por favor, não abalem o flirt do perdedor.
Ele só nos quer amaciar, neste composto de nódoas sem fim à vista.
Eu desconfio, e sempre, daqueles que se embrulham em bandeiras rotas.






2018Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

quarta-feira, 29 de julho de 2026

CREIO

 


Acredito na salvação. Não na minha, pois não tenho interesse nisso. Creio em tudo o que não me perturbe, em certas bondades infectadas nos cabides que amparam a cerca das felicidades vindouras. Nas ideias inúteis deitadas ao abandono. Em solidões choradas nas bag in box 5lts, com origem nas regiões das carícias nunca encontradas. Creio nos lugares que enganam certos passos, na bíblia sagrada escrita pelos pastores da noite, que ainda esperam núpcias prometidas, no não sentido das coisas verdadeiramente importantes, na redundância das hipóteses não concordantes, e no vazio que não queima o significado dos instantes atrevidos. Acredito no ouro que marca a pele, no sorriso sem palestra e nas intenções não pacíficas. Creio algumas vezes em mim, claro está, nem sempre até ao fim. Creio na tolerância da intolerância, na alquimia, nunca em demasia, e sobretudo em qualquer perspectiva anacrónica que não infecte excessivamente a minha cronologia.


2018Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

terça-feira, 28 de julho de 2026

BLOW JOB

Não falava inglês!
Fiz um desenho
&

Lá nos entendemos.
Dicionário?
Para quê?



2018Set_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

BARBA SURREALISTA

 

Este não se cansa.
Dá horas para roubar tempo.
Cada vez gosto menos desta simpatia. 
Resta-me confiar na memória, 
vomitar o que não presta,
 e limpar, se me aprouver, 
as lentes que têm gravadas calendários que não vivi.
Os jardins do paraíso fartaram-se das boas intenções. 
A Eva continua linda e convenceu o Adão a vestir calções. 
A parra foi levada para Marte, 
e consta-se que está contente com o novo parceiro. 
Noé, finalmente rebitou a arca nos estaleiros de Porto Brandão. 
A ferrugem já dificultava aquela estúpida crença. 
Tem sido visto por aí, 
um cabeludo com barba surrealista, 
que agora é confundido por um outro qualquer. 
Comenta-se que o transplante poderia ter corrido menos mal...
Moral da história:
ele há coisas que nem Ele imaginava.


2018Set_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

domingo, 26 de julho de 2026

ONDAS CURTAS_FREQUÊNCIA MODERADA

 


Horas fora do sono, naufrágios atrasados, chás desencontrados, índices da massa corporal defeituosamente calculados, notícias sem a última data, nem digno tempo de antena, e a minha pena que de tão mal acondicionada, não consegue esculpir o acto da minha condição.
Multado em contramão nesta esfera com olhos de fera e um tímido pedido escrito numa pétala de alumínio, oferecida por um teimoso desconhecido vendedor de flores tardias. Um cálice com álcool não adamado e um par de cordões para atarem aquilo que vai caindo dos bolsos. Remorsos à medida, pintados com o giz do alfaiate, tesoura com as mãos do Eduardo a traçarem o meu juízo. E eu, satisfeito por tanta deferência, mostro orgulhoso o atestado da minha urgência, que afinal só quer ser feliz. Não é para aqui chamado o nariz curioso, nem o olhar guloso com que costumava tocar os collants rendados a bilros, misturados com os espirros da primeira-dama do fulano que nunca tive em apreciável estima.
Estou só!
E só continuo, mas nem por isso mais aliviado.
Quero: 
um sossego que não me engane , nem acalme, nem roube o alvoroço que me comporta. Um copo de vinho servido com dupla personalidade, com bolhas de histórias bonitas, mesmo que não encantem os pássaros que me ignoram. E um pau de canela mesclado de ignorância e uma nuvem de importância naturalmente descongelada. 
Qualquer coisa de borracha, com pernas, mamas, vagina com sorriso de latex num olhar vermelho de namorada e um preservativo conhecedor de algumas boas maneiras para não magoar a orfandade. 
E um vácuo singelo com salpicos de amarelo, enlatado num ramo de hortelã com o trago do cardo para fazer qualquer coisa de útil a outros que não a mim. Uma resma de papel de formato educado, uma caneta de tinta não permanente, um aparo decente de 14K com letra de alecrim. Uma desidratação imbuída de tracção às quatro vontades, um sótão harmonioso para aconchegar as memórias que pretendo conservar em molho picante. Uma escada em caracol com degraus não muito morosos e  sorrisos radiosos que dignifiquem  a sensibilidade de qualquer pasta dentífrica. Um final feliz nada oneroso, um gume amistoso, atento, não pode ser lento e um corte vaidoso que não me deixe ficar mal, qualquer que seja a circunstância. Tenho cartão de crédito internacionalmente reconhecido e fichas em bom estado de conservação, para trocar numa roleta russa, jogada como deve ser.
A vida é um casino. Há que ter todo o cuidado com as slot machines desconfiadas.
Bebo lentamente o roncar deste relógio amestrado com sentidos contrários.
Até quando?
Ainda não fizemos essa aposta.


2017marçoaNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

sábado, 25 de julho de 2026

JANTAR _25JUL2026

 




COISAS QUE DE MIM NUNCA SOUBE

Dizia-me ao ouvido perguntas para um teste 
que não conseguia perceber.
E eu quieto, 
neste fim de vida na  varanda plantado, 
rodo todas as clepsidras 
e fujo do tempo que quer tombar as velas 
pintadas nestas ondas de incerteza.
É certo, talvez ainda não para mim, 
que o vento sopra um lamento apressado, 
escrito com esta espuma que entrega as palavras, 
no mar que de mim sai.
Só porque aquilo que quero,
já não se lembra de mim.
Chicote desalmado, 
dor insana e prurida, 
coisa impura tão sofrida, 
que pousa na janela que não quero abrir.
E, se um dia te falar,
coisas que de mim nunca soube,
deverás acreditar
que poderão ser verdade.
Mas a vida é um espelho ardiloso,
o amor um verbo com tempos inúteis,
onde nada poderá existir para além
de um presente perdido.
Nada te posso prometer!
Mas gostaria que nos amássemos
na próxima oportunidade.
Que deus te assoe,
que eu agora já não tenho lenços.
Que alguém te ilumine,
porque eu perdi o isqueiro.





,2017,mai_.aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

A TESOURA DO EDWARD

 


É possível que tenha cortado a carne 
em corações mal passados, 
forrados com a velha pele golpeada.

Mas não tinha na mão a tesoura do Edward.

Cerzi poemas sem dedal, 
e os dedos tingidos de vermelho,
ponteavam as palavras
na velha folha cansada.
Ilustrei cenários
com ousadias de mim,
no livro que não encontro.

A poesia nunca descansa em paz.


,2017nov_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com


MELODIA DESAFINADA #QUIÇE MI LÁ BUCHE# Editora tea for one _2015

 





" ONDE É A AUTO ESTRADA ESTA NOITE?" #LIVRARIA BUENOS AIRES# Editora tea for one# 2015

 








sexta-feira, 24 de julho de 2026

O MUNDO DOS POETAS

 


O mundo dos poetas

é um chão sem aconchego,

pisado numa tulipa

com nuvens de desassossego.

Lá, repousam os pássaros feridos,

corre-se a cortina do tempo,

sacode-se a poeira

de qualquer maneira,

mete-se a vontade na peneira

e acende-se a fogueira

para nos queimar o penar.

Se os poetas tivessem mundo,

seria sagrado esse chão

e no canteiro das flores,

não caberiam folhas proibidas.

E os pássaros

com poemas em forma de asas,

nunca teriam medos das redes

do voar.

Mas o mundo dos poetas,

é uma estrela distante

que só procura uma mão

para erguer o último verso.

O mundo dos poetas

é um relógio sem horas

esvaziadas num crepúsculo

obsoleto.






2017,jul_aNTÓNIODEmIRANDA 
poemanaalgibeira.blogspot.com

45 (24.07.1981 * 24.07.2026)

 


Escrevo na tua pele
a solidão dos poemas
com que entardeciamos
o amanhecer.
Saudades caligrafadas
neste mar caído
onde acontecia
o nosso naufrágio.
Solta o vento
o resto das palavras
que não tivemos tempo
para inventar.
E no tempo que passa
oferecendo-nos a brisa
que nos torna mais usados,
ainda consigo traçar
nos teus lábios
sabores de um amor
que pretendo total.

                                        Me gustas baby.


aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

      





O VENTO FAVORÁVEL

 


Serei sempre umas reticências, um ponto de interrogação ladeado por um etc às vezes latido. Um aloquete mal aberto ou ferrolho enferrujado. Tímida descoberta desaguando num cais com todas as milhas da distância. Mera circunstância de marinheiro atrevido. Relógio sem pulso, mentindo o impulso do tempo em que me abuso, navegando alturas agarrado a uma corda digitalizada em formato de imagem desfocada, que não me respeita. Serei sempre aquilo que gostava de ser. Vontade presente, para um desejo sempre premente parindo uma razão apenas não válida, para um pretérito imperfeito onde nada mais poderá caber. Não gosto de meias medidas!
Serei sempre o meu mundo dentro de uma barca prenha de soluços encaminhados por um controlo remoto, tentando enganar o nevoeiro anunciado pelo ronronar dos faróis automatizados. Uma solitária prancha de surf, aproveita o momento para entregar poemas de amor a uma onda com destino desconhecido. Uma vela ingénua, anuncia contente uma passageira hipótese de poesia.
Na praça do costume, à hora habitual, estátuas supostamente interessadas, catam o tempo corrigindo a minha escrita não adequada. A cigana despenteia-me o olhar. Perdeu a vontade de me ler a sina. Caminho ao contrário. 

Esta rota já não me convém... 
O comandante sou eu!
Ainda não descobri o vento favorável.



2015dez11_3 ½ da manhã aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

AMY W.

 


No último degrau do sonho que deixaste, 
doí-me demasiado o não poder ouvir-te 
e o meu coração é um copo de vinho 
que nunca molhou o teu penteado. 

O mundo sempre aborrecido, 
desprezou o teu olhar de sereia atrevida 
navegando o tempo que não te quis merecer.
 
As boas estrelas voltam ao sonho, 
acompanhadas de um sax que grita ajoelhado 
o tímido amor de só te quer beijar. 

No teu céu, estará à espera 
um cálice sempre cheio de saudade.

Aqui, vou rasgando aqueles aplausos 
que tanto te enganaram.







2017set_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

quinta-feira, 23 de julho de 2026

CHEGAREMOS EMBRULHADOS NO SONHO

 


Voltaremos para viver
o amor de todas as causas.
    Apartaremos o mar
com a lâmina sincera 
que acabámos de achar.
    Sonhos vazios são bons conselheiros.
Não mancham lençóis 
nem prometem amanhãs traiçoeiros.
    Depois, 
sempre depois do acontecer, 
chegaremos embrulhados no sonho, 
que o sono  novo nos irá adormecer.






,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

BICARBONATO DE TÉDIO

Sobretudo não aguento esta ácida chuva de sorrisos ocasionais. Sobretudo não suporto os compromissos de conveniência facilmente dissolvidos numa solução doméstica de bicarbonato de tédio. Sobretudo não pretendo dissimular a má qualidade desta realidade infeliz.
Mas...
Acredito no entupimento nas artérias fecais, nas princesas arrependidas, nas rendas descaídas da lingerie da feira de Carcavelos, nos príncipes obcecados pela passerelle da Praça do Comércio, no não cumprimento dos horários da “TT”, na bebedeira ainda não curtida do piloto do “Trafaria”, na atracagem exemplar no terminal de cruzeiros onde se compram “souvenirs.
Passo a palavra para o enviado espacial, bêbado como de costume, no meio do cardume dos eternos surpreendidos. Na conferência de imprensa, sua excelência o presidente, o ausente, o residente e o discurso eloquente do carro do almeida, agora que ninguém o ouve, diz estar farto desta gente.
E o colar das efemérides continua indiferente

2017,nov_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

ANDAR DUVIDOSO

 



Ante
Pé,
Poderá 
Deixar 
Um andar
duvidoso




,2017dez_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

BUCÓLICA

Tinha chovido de madrugada.

A vaquinha, 
na palha deitada,
fumava a erva molhada.

O pastor ressonava,

o cão não ladrava,

e a sopa fervia
na panela vazia.




2017set_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

quarta-feira, 22 de julho de 2026

CACHET

 


Embrulhar
-te
num cachet de 50 cêntimos,
depositar
-te
num recibo sem importância
e tecer no pin do código de acesso,
impressões digitalizadas
da ternura roubada
numa black friday.
Mudar de voltas 
e tentar abafar num cachecol
a mínima fragância
que nos deixou.
Alinhavar a mais pequena hipótese 
e esperar, 
se houver vagar,
a esperança que sabemos, 
não irá anoitecer.
Andar no tentar das outras rotas,
soletrar um sorriso, 
mesmo fingido, como os botões
que apertam os sobretudos
desta solidão.



,2017dez_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

ANJOS PRETOS

 


Na manhã deste domingo

com o mundo neste acordar desavindo

vamos jurar mesmo fingindo

uma tentativa brincalhona

até que os relógios parem de mentir


Anjos pretos fugirão desta sebenta

antes que sins desconfiados 

os metam no corredor dos embargados











,2017set_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

terça-feira, 21 de julho de 2026

APTIDÃO INAPTA PARA FAZER CONVENIENTEMENTE NADA.



O coelho falante com botas “panamá jack” 
era um anónimo traficante 
que bondosamente entregava 
comprimidos que espelhavam 
a curiosidade da “Alice”.
A “Alice” fugiu do cenário. 
Consta-se que agora dança num tabuleiro de xadrez 
e entrega enxa-quecas climatizadas 
a um rei cansado de ser branco, 
que escreve poemas breves 
em folhas de “waffles” codificados.
Cogumelos espreguiçam contos de fadas 
numa praia só vista por eles.
“Lewis” pendura pergaminhos num estendal 
e é agora  correspondente anónimo do jornal 
da terra que o viu desertar. 
Nas horas vagas é amolador, 
mas toda a gente diz 
que não tem jeito para a profissão.
Comenta-se que é dono de uma aptidão inapta 
para fazer convenientemente nada.


,2017jan_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com



AQUELE SACANA

 

Chegado o 3º dia, sentamo-nos à mesa 
para delinear um novo plano.
Nada fazia prever o que aconteceu.
Mas, porra!
Podiam ter avisado o chavalo que a coca comprada no Terreiro do Paço, nunca ofereceu confiança. Assinamos a moção de censura, com toda a lisura, queimando paletes de pés de louro.
Lá em cima, aquele sacana sempre pronto para nos descorçoar, mostrava-nos cinicamente algumas notas de 50 aérios.







2017,jun_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com


segunda-feira, 20 de julho de 2026

BICARBONATO DE FÓDIO

A luxúria sempre o atraiu.
Era o seu sonho maior.
Mas o seu preço estava pela hora da morte.
Assim pensando...
dedicou-se á lixívia,
que como quem não quer a coisa,
se tornou na sua pinga preferida.
Dizem que morreu
anonimamente conhecido.



Melides,2017,jul_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

CADA UM SABE DE SI

 


Ela costumava dizer que não há amor como aquele que não se lembra. 
Mas o guarda dos sonhos mais húmidos, teimosamente rondava a sua combinação. 
Na euforia mais atrevida, descia as alças, baixava as calças e na curva mais escondida, desafiava o engenho dos 5 contra 1. 
Arfava devagar, baixava o som, da voz mudava o tom, e subia o monte em ponto morto, mentindo o amanhã com um sexo diferente. Acordava à pressa. 
Não queria falhar a promessa. 
Deus o tenha em bom lugar. 
É assim que espirram, quando vem à baila a sua lembrança.

Cada um sabe de si. 
& só os estúpidos continuam a acreditar que 
Alguém sabe de todos.





2017set_aNTÓNIODEmIRANDA
Vila Chã
poemanaalgibeira.blogspot.com

sábado, 18 de julho de 2026

bOAS fESTAS

 


Disse-me ela:

bOAS fESTAS!



            Perguntei eu :

                    alguém a convidou?



,2017dez_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

segunda-feira, 6 de julho de 2026

DERROTAMOS O SORRISO


O céu está vazio.

Os anjos vestiram os poetas com asas, 
e, agora, libertos das palavras, 
sonham outros conceitos 
no jardim das pétalas douradas.

Dançam versos nos escombros, 
catam-se soluços na sangria desatada.

Um mar de gritos apodrece no sufoco, 
do socorro que nunca virá.

Esperanças desmembradas, 
em nome da lei sagrada.

Um oceano de punhais, 
oferece malgas de sangue para embebedar 
a maré do desassossego.

Há um xaile que tenta confortar a penúria, uma latrina de intenções inúteis, uma obsessão maligna para ignorar a miséria.

Derrotamos o sorriso,
e, celebramos eficazmente a nulidade do mundo.




,2020Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

domingo, 5 de julho de 2026

ALEIJAR PALAVRAS

 


Andar à Nora

À procura da Hora

Guiar a Sorte 

Até à

Porta da Vida 

Empacotar a Flor de Melancolia

Engavetar o Reparador de Mágoas 

Sem Rasto na Fila da Desolação

Onde se Esconde o Beijo da Fantasia

& Delicadamente

Aleijar Palavras






,2026Jul_ aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

CÉU DE TRAPACEIRO

 


Ó deus ou lá como te chamam 

Quantas mais vezes 

Continuarás a enganar 

Aqueles que em ti 

Só alcançam a miséria?

Terão sempre o sabor do vidro

As lágrimas em vão derramadas









,2026Jul_ aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

PENSAR QUE ME CONHECES...

 


Nunca Será Um Bom Começo 

Para Uma Qualquer Conversa 

Até Porque…

Nós Somos 

Mascarados 

Na 

Quermesse 

Das 

Mentiras 


,2026Jul_ aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

sábado, 4 de julho de 2026

OS VELHOS “BLUES” VÊM À VARANDA CONTAR HISTÓRIAS

 


Sentem-se abandonados.
Falam agora das noites que não conseguem dormir.
Dos sonhos que já não voam ao sábado 
e das raparigas sempre a fugir da cabeça. 
E o convite do céu, 
quando adormece nas manhãs do sol ansioso 
e vai libertar os desejos dos anzóis, 
oferece a paz para adormecer
 na serenidade da fala dos anjos.
Escrevem um adeus 
só para disfarçar a terrível saudade 
com que desenham a despedida. 
E na velha harmónica choram o amor 
num longo e apetecido abraço 
para aconchegar o desejo, 
e bebem o travo da beleza imaginada. 
E pedem desculpa pela anomalia 
que ainda ousa abraçar a ilusão.
São difíceis estes tempos 
confinados no mais estranho 
dos sentimentos.




,2026Jun_ aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

MUITA FERRUGEM NESTE CAMINHO

 


E a esperança a dançar no vazio da cidade, 
confortando a ousadia entorpecida 
no colo da mala das lágrimas.
Mais um sonho perdido no cais que nunca visitei. 
Toda a vez que tentei 
desencaminhar a memória 
a inveja do calendário rasgava as folhas da folia.
Aqui no bar, 
ainda ouço os gritos daquela guitarra 
beijando acordes bem-intencionados 
a festejar o caminho para casa.
Mas não sei o que farei 
com este desconforto 
regado com o perfume das flores sujas.
Tenho uma guerra na minha pele 
e tudo o que perco não consigo esquecer.
E a melodia inquieta 
descansa na aflição da almofada 
onde brinca o sono que não apetece.
Um bailado de sombras 
tenta em vão animar a noite 
com propostas repetidas.
Mas a maré triste não se deixa enganar.
Tudo vai parar à encruzilhada 
onde o sorridente  convite  da pedra fria, 
promete a viagem… 


                                Cada um com o seu xaile 
            para o baile da preocupação.



,2026Jun_ aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

SONHOS ENCENADOS NA BANHEIRA DAS ILUSÕES

 


Se me queres espera mais um 
pouco

Se me desejas não mintas

Desconheço a certeza das horas
e continuo a não conceber 
as demoras do acontecer

Há um certo charme que a solidão 
entrega na esponja suja 
pelos bairros da miséria

Só mais um copo sempre com o vazio 
de uma qualquer amizade

Hoje acordei assim...

Será  o amanhã diferente?

Há muito que não caminho 
com o incómodo de certas 
mentiras. 




,2026Jun_ aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

sexta-feira, 3 de julho de 2026

POR VEZES O PASSADO APARECE SEM SER CONVIDADO

 


Desse-me o tempo outros nomes 
para sossegar a memória
Outros dias sem cansar a vida
Outro ser sem deve nem haver
E o acordar sem dias para riscar
E um aplauso sem efeitos whatsapp
Desse-me o alento outro compasso 
juízo mesmo em esquisso
para não sentir a alma numa sépia desgostada
Desse-me o tempo outras lembranças paridas
longe do turbilhão das doridas ausências
Desse-me o tempo outro intento
 para crucificar o céu da Discórdia.



,2026Jun_ aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

FRITAR A VOSSA IMBECILIDADE

 


Não sei se o nojo chega ou será suficiente 
o afinar da corda da garganta para encantar 
o piar de algum nó enrouquecido.
Sinto-me como um touro enraivecido 
traído covardemente por um qualquer 
peão de brega estupidamente entusiasmado 
pelos berros da multidão tresmalhada 
atirando ramos de flores e chapéus ocos.
As voltas à arena salteadas com música 
do mais desafinado respeito nunca serão 
dignas de qualquer sangue.
Só poderá ter valor a liberdade 
que não condena vontades diferentes.
Estou a aprender 
e com toda a pressa 
a fritar a vossa imbecilidade







2016,12aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

quinta-feira, 2 de julho de 2026

ATENDIMENTOS APENAS COM AGENDAMENTO PRÉVIO

 


Ventos inquietos abençoam a história 
com bocejos de gratidão.
Oferecem o anjo das asas desfalcadas 
para o verdadeiro armistício das mentes ferrugentas. 
Encenam um salva-vidas sem janelas, 
para a bebedeira do Infame D. Henrique, 
navegar no ópio do gamanço.
Uma meia dose, mesmo surripiada,
da sanidade não conformista, 
seria a opção verdadeiramente credível
E porque não, 
um cutelo eficaz, 
um Si(m) Bemol não desanimado, 
para descarrilar a tristeza.
(Peço que avisem a entidade patronal, 
que de nada sou culpado da falência 
desta demente realidade).
E, se houver um adeus envergonhado, 
a sua timidez deverá para sempre ser respeitada!
Eu, 
apenas dei uns míseros trocados ao diabo 
para publicitar a alma numa honesta feira da ladra!



,2026Jun_ aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

quarta-feira, 1 de julho de 2026

PRAÇA MARQUÊS DE POMBAL – PARAGEM DO AUTOCARRO 748

 

Foge o tempo alourando chocalhos, sacudindo memórias no triste oásis das ideias feridas. 
Sou um mártir desocupado esculpido em culpas inúteis, vagarosamente arrependidas neste concurso de sóis encardidos. 
Carrego aos ombros uma misericórdia banal. 
Dei 1 € a alguém que nunca tinha visto. 
(Falou de um sem-abrigo, que depois de tantas horas a pedir, foi a primeira, a moeda que lhe entreguei). 
Educadamente mencionou uma qualquer sabedoria. 
Retorqui com a palavra respeito.
PRAÇA MARQUÊS DE POMBAL 
– PARAGEM DO AUTOCARRO 748
Claro que olhamos um para o outro. 
Mesmo assim, não aclaramos a distância.
Ela pegou num pequeno caderno e desenhou as ideias que a cabeça queria que pintasse. 
Tentei, mas não consegui disfarçar a curiosidade. 
A elegância do seu caminhar, (assim como um voo de pássaro ferido), esboçava o bailado do anjo da desolação que espalhava as mais tristes lágrimas de um qualquer desgosto. 
Ali estava eu. 
Perfume de merda aconchegado ao rosto, a puta da esperança matinal para o dia perfeito, as desculpas formatadas para o falhanço do costume. 126 m2 + garagem, contas do condomínio em dia, seguros atempadamente pagos, 74 camisas+32 pólos+8 fatos com gravatas a condizer + champô contra a caspa, sabonetes certificados. 
Não quero falar das angústias auto conformistas. 
Sei o nojo que sou, mas o pior é que domino a batota que o indulta.
PRAÇA MARQUÊS DE POMBAL 
– PARAGEM DO AUTOCARRO 748
HORAS:16,52
Ela, por fim, olhou.
Desta vez a minha trapaça envergonhou – me.
Quando cheguei a casa, 
reguei a consciência na máquina de ignorar silêncios que já não conseguem chorar.



,2022Jun_aNTÓNIODEmIRANDA


A-MANDA-A-FACA (1)

 

Pega 

Na 

Cicuta 

Vai 

Levar 

Almoço 

ao 

Chefe


 ,2022Jan_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

A-MANDA-A-FACA (2)

 


nunca pensei 

que depois de tanta maldade 

houvesse 

ainda alguma amizade 

escondida 

na 

tua 

faca



 ,2022Jan_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

terça-feira, 30 de junho de 2026

& O FUTURO FOI PARA A PUTA QUE O PARIU

 


*Luz seca corta o céu 
em bocados de desespero*

* Fugir sem sair*

*Morrer abraçado a um grito* 

*Chorar numa cama de sombras vadias*

 *Humedecer a tristeza* 

*Acordar a espera* 

*Distrair a angústia* 

*Agarrar a fisga* 

*Rezar o último segundo* 

*Queimar o prazo da validade* 

*Regar ausências* 

*Explodir frequentemente* 

*Enraivecer* 

*Conferir*

*Suturar esperanças*

*Despoletar por aí*



,2022Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

LISBOA, QUE TRISTE FADO TE ABALROA

 


Até quando permitiremos que nos mandem à merda com sorrisos patetas? O Pessoa do Chiado está farto, cansado & chateado. Enoja tanta fotografia de quem dele nem sequer leu um verso. Isto é uma porra, diz a velhota sem lugar no autocarro. Os pastéis de Belém já não são lugar para ninguém e o pasteleiro batoteiro sorri contente por enganar tanta gente. O de Santa Justa, sempre acima e abaixo, aguarda consulta e está com um feitio filha da puta. O Castelo de icterícia amarelada, acha isto uma chachada e já não tem sexo com a namorada. O pastel de bacalhau com queijo enjoa o Tejo. O tuk tuk é um preservativo com rodas e espia sem vergonha as travessas de Lisboa. E as Colinas estafadas brincam às escondidas no cemitério dos Prazeres. Imbecis com mapas na mão e mochilas anti-refugiados, palram desalmadamente, e nipónicos atónicos vomitam sushis digitais com ténis de alta cilindrada, made numa Alemanha com incoerências nas emissões de CO2.E Tintins e Milous com pele vermelha tipo camarão do Lidl, com os testículos a abanar, bebem Stella Artois e fingem que são cães a mijar. E Asterixes e Obelixesavec alors cependant” nas calçadas da Graça, sujam a sombra do Limoeiro, intrigam o cruzamento e o sinaleiro, e uma santa que dantes Luzia. Santiago Alquimista, muralha com triste vista e o fado amestrado no clube de Alfama. Lisboa, não digas mal de quem te ama, nem daquele que não te magoa, que chora por ti na Madragoa, e lava uma saudade sempre suja, estendida na noite, disfarçado nos abraços do cacilheiro que só a ti pode podem pertencer. Despeço-me de ti sem adeus num entardecer que arrefece e vai enfeitando esta morte anunciada com que te sonho.
Adeus meu amor. Está escrito numa velha bóia.



,2016,06aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

MARMITA VAZIA

 


Sustento

Azedado

Ganha

Pão

Ultrajado


,2022Nov_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

A GATA LUA



 A lua come pampo.

O dono não é grande ponto.

E quem o ouvir falar não terá qualquer dúvida 

que há imbecis menos burros.

O interessante nunca será uma qualidade 

da cretinice.

A lua come pampo.

Observa todo o movimento.

Mia. 

Às vezes mia tanto, 

não será só fome, 

mas vejo ali um lamento.

Mia a lua e come pampo.

Tanto, tanto.

Mas afinal qual é o espanto?

Não sei que sabores terá 

depois da nossa partida.



Melides,2016,07aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

A HIPOTÉTICA IMPORTÂNCIA



Não podes conduzir o meu gostar 
nem coordenar o modo como detesto. 
As minhas intenções poderão não ser pacíficas 
e a minha disposição 
é situação que não comando.
Vamos pensar numa coisa mais simples:
Ficas como estás!
Eu sou como vou.
Assim experimentaremos 
a hipotética importância 
que continuará longe de nós.














2016,10aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

domingo, 28 de junho de 2026

A CALDEIRADA

 


Para ele nunca havia impedimentos.

Era assim que dizia.

Embora a caldeirada 

de lâmpadas fundidas,

lhe provocasse 

uma nada dignificante azia.



,2019nov_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

DESASSOSSEGO

 
Eu Só Queria Ser Alguém
Mais Do Que Nem,
Só Eu....

Para Ser Ninguém
Ou Alguém
Mais Diferente Que Eu.
E Eu
Como Se Fosse Alguém
Sem Chegar A Ser Ninguém.
Porque É assim
Que Eu Nunca
Me chego.
Alguém Ser
Mais Que Ninguém
É Um Desassossego.

 
2016,11aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com
 
 

ELA COSTUMAVA GOSTAR DE MIM!

...até que descobriu quem eu 
era.
Dizia-me que tinha um olhar triste, 
mas que poderia fazer 
qualquer coisa mais profícua 
para me alegrar.
Remédio santo!
8 dias depois, 
foi constituída arguida, 
(com notícias nos rodapés de todos os noticiários), em 72 mil situações de inadaptação sexual. 
Convém dizer, que na última benção, 
o papa não esteve presente.
Não estava na disposição de perder 
aquele blowjob (broche em português), 
há muito prometido pela Gioconda. 
Educado e agradecido, como sempre, enviou uma calorosa mensagem ao glorioso, para assinalar o 37.

2019mai_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com