Pesquisar neste blogue

sexta-feira, 24 de abril de 2026

NO ALTAR DO ENTULHO

 


No altar do entulho 
Celebra-se Impunemente a Miséria Humana

No altar do entulho 

As orações são Bombardeadas 
para divulgarem em Defunta mão 
o significado do perdão dos Ofendidos

No altar do entulho
 
A inocência é despejada da Decência 
qual gravidez Trucidada 
pela Falsidade das Promessas 

No altar do entulho 

Há um olhar coberto de Desalento 
Agonizando no ninho da Vergonha

No altar do entulho 

Onde mora a Monstruosa Crença? 

No altar do entulho 

A salada do Genocídio está continuamente pronta 
para o Alheamento com Desculpamos a
nossa cada vez maior Incompetência

No altar do entulho 

As mortalhas há muito Embrulhadas 
em Lágrimas de Desolação 
escondem-se nas Valas da terra Usurpada

No altar do entulho 

Perfuma-se com o Incenso da Infâmia 
A Memória da Pele

No altar do entulho

A impunidade nunca Poderá Morrer sem Castigo

No altar do entulho

A humanidade não passa de uma Fraude 
Assiduamente Combinada 
nos Podres Tratados

No altar do entulho

O tempo nunca poderá esquecer 
o Massacre que Constantemente Entregamos

No altar do entulho

Trump celebra com Putin 
perante o pas-de-deux do Netanyahu 
num Cocktail de Sangue 
Assassino Toda a Crueldade do Mundo



2025Jul_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

Conversa Eloquente...

 







MANIFESTO (1981)

 


Na minha cabeça há uma cidade
No meu quarto uma cadeia
Nem aquilo que odeio
Consigo destruir

                    Não falo de coragem
Mesmo quando maliciosamente
Me bates com o batom
&
Nem Miró
Teria cores
Para pintar os teus olhos.

                    Não quero mudar nada
Nem mesmo o sótão da minha
Memória.
Nem mesmo este sorriso
Com o qual
Tanto te desejo
Como te odeio.

                    Desta vez,
Vou fazer o meu inventário:
57 Quilos de má disposição
½ Litro de esperma tipo h2so4
Um metro e sessenta e 6 de
Decadência
100 Anos de solidão
Hálito duvidoso
Sorriso nuclear
Não sei se a minha equivalência
Em lixo vale um saco de adubo
Da pior qualidade.
Quilómetros e quilómetros de apatia
Cinquenta doses de fingimento
Um milhão de desgostos
Ritmo normal de ejaculações
Coração em 2ª mão
Fígado emprestado
Olhar cansado
Memória fresca
Pensamento muito pouco usado
Inteligência não acreditada
Sangue misturado
Futuro? Nenhum
Solução? Nenhuma
Soluços? Poucos
Quase sempre menstruado
Órgãos genitais para troca.
Antitudo
Mas contudo
A mordidela não é venenosa.
As restantes intenções
São pacíficas.
Note bem:
Estes dados
Foram emprestados
Com a convicção que o meu
Equilíbrio instável permite.

                                    Por favor:

                                        EMBRULHE - ME
                                                                            E
                                        LEVE - ME CONSIGO
.



81jan.ANTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

quinta-feira, 23 de abril de 2026

6 PRANTOS INACABADOS

 


1_ 

Se quiseres saber de mim poderás falar com o vento. 
Costumo andar onde não fogem as sombras, agarrado ao consolo das asas vagabundas.

2_ 

Não me olhes assim.
Nasci em 55 e continuo à espera da sorte. 
Todos os dias aponto os números da lotaria, 
tento a simpatia, claro está, 
com o habitual gosto de azia, 
mas a fortuna não me conhece. 
Fartei-me de ser bom rapaz, 
depois de ter emprestado a alma 
embrulhada em delírios desonestos. 
Vomitei pizzas no azar da fome na 
“Grand Place”, desejei o calor dos lençóis 
naquele jardim de “Vitoria-Gasteiz”, 
e lavei muitas vezes os testículos 
nos wc´s dos comboios.

3_ 

Pensava que ser feliz seria a coisa mais normal, 
mas a despedida do dia sem nunca me convidar, 
fazia de mim o órfão mais abandonado.

4_ 

Parece que tudo se esconde na minha cabeça! 
Mas, estou de partida 
nesta mala cheia de abandonos. 
O cérebro, escondido num tubo de ensaio, 
só quer mentir naquela análise 
demasiado curiosa para incomodar 
a minha intimidade. 
Guardo comigo uma luz branca
fora das lágrimas do olhar, 
um caminho amigo do vagar dos passos, 
só para inventar dias que ainda não conheço.

5_ 

Nunca me preocupei com o futuro!
Não tenho seguro para o tempo seguinte. 
Sou um analfabeto continuamente 
desinteressado pelo vazio das ideias 
que só ocupam espaço. 

6_ 

Ok!
Está tudo bem!
Mas,
não faço parte desta banda. 


2019ago_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

quarta-feira, 22 de abril de 2026

HISTÓRIA DO COELHO QUE NÃO CONHECE A ALICE

 


E eu no país já sem maravilhas,

Mato-desato-x-acto-farto de esperar_

Desespero concreto _

Presente mais que deserto 

Movido na sorte moribunda_

Esperança ardilosa_ 

Queda ansiosa para o deus 

Que que só pode oferecer 

O refúgio do medo.

A condição humana 

Frequentemente atravessada 

Por interrogações anormais,

Continua a esperar. 

Mas…

O momento 

É agora.


,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

DESENHAR A SOLIDÃO NO JOGO DE SOMBRA

 


                                Talvez o Pouco 
                                            Chegasse
                                            Se o Nada 
                                            Bastasse.

                                Talvez o Sonho 
                                            Não Acabasse 
                                Para a Alma Desavinda
                                            Que na Tristeza Existe.

                                Talvez  
                                        O
                                            Abraço 
                                Viesse

Para que a Vida 
Acontecesse.




,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

PORQUE O MUNDO SÓ ACABA HOJE

 


A manhã acordará como sempre,
abraçada à golpeada esperança.
Não importará nunca a consciência 
depositada num naufrágio não 
reciclável.
O pensar que nos acorrenta, 
é um pesar silencioso,
qual nuvem persistente que subjuga 
a ânsia de gostar.

Somos os maiores 
e nada mais para além disso!

(até porque a realidade que nos palmilha
é infinitamente tacanha
para a importância que vestimos).

Nunca traí a expectativa.
Sismos de esperança,
quando habitarem o estado divinal,
poderão argumentar essa mentira. 
Irei ao fundo do mundo
a não ser que a voz não enlouqueça 
esse caminho  
.




,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

NÃO ME LEMBRO DE TI MAS ÉS CAPAZ DE TER RAZÃO

 


Estavas magnífico, 
estendido naquela toalha de mármore, 
quando os anjos desceram do hospício 
e autografaram com aplausos, 
a ausência do curioso fantoche. 
(o inútil entregador de condolências).

Lá, no longe de todos os lugares, 
uma cítara apaixonada 
recitava sorrisos embrulhados nos poemas.

E na lonjura da quinta das lágrimas, 
alguém ostentando a safira dos desejos, 
pintava nas nuvens lápides da consolação… 

Em Rilhafoles, 
pássaros dos tristes voos 
espalhavam a notícia:

[ Caixão não vais fugir de mim. 
Serás paixão até ao fim








,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

terça-feira, 21 de abril de 2026

PÊSSEGAS NA LAVANDARIA

 


Uma matilha de     hot-dogs     esfomeados 
aterrou no balcão     da     hamburgueria. 
Aproveitaram a ocasião 
para uma breve     sessão de Flash Mob
Alfinetes     desinfectados 
picaram entranhas     desafinadas 
perante o inconcebível     espanto 
das testemunhas do senhor     jeová.
Sorrisos escalados     premiaram 
a presença dos peregrinos                                                             da santificação adulterada.
Todos os abrenúncios 
        devidamente benzidos, 
    emporcaram aquele rio, 
    que só queria fugir da maré do azar.
Distante, o céu risca no     sol, 
um alfabeto que     ninguém     lê.
Na lavandaria, 
    pêssegas impacientes, 
lamentam em uníssono, 
                    as cópulas ausentes.






2018Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

ELES NÃO SE IMPORTAM MESMO NADA

 


                                        Se Te Deitas 

                           Com     

                                        Fome

                            Se     Morres 

                            Para     Não 

                                            Acordar



,2023Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

sábado, 18 de abril de 2026

DESENHAR A SOLIDÃO NO JOGO DE SOMBRA

 



Talvez o Pouco 

Chegasse

Se o Nada Bastasse.


Talvez o Sonho Não Acabasse 

Para a Alma Desavinda

Que na Tristeza Existe.


Talvez se o Abraço 

Viesse

Para que a Vida não 

Chorasse.




,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

ANJOS TOCANDO FLAUTA

Tinha na mão as violetas mais lindas.
Humedecido no olhar,
moldava-as com todo o cuidado.
Não fosse o mundo mudar-lhes a cor.
Sorridente,
sentado no banco que espreitava o mar,
pintava na cabeça de marinheiro, viagens.
Tinha no desejo uma ida destemida
e não era só sonho era uma vontade apetecida.
E olhava para mais do mais além
procurando a mania
que só a espuma enferrujava.
E ria. Ria muito alto,
nunca em sobressalto
para tudo o que avistava.
É bom ser assim.
Pensou consigo.
Gostar, caminhar no sonho
em que só ele cabia.
E gostava.
Gostava tanto daquela espuma,
dos salpicos da bruma
onde se alcança o imaginar.
Depois com o fim da tarde,
vieram os pássaros, velhos conhecidos
com nomes que ele gostava de inventar.
Era aquele o momento em que os anjos tocavam flauta.
E começou a andar na direcção que tinha aprendido.


,2016,06.aNTÓNIODEmIRANDA


quinta-feira, 16 de abril de 2026

CIDADE SUJA ( PARA FERREIRA GULLAR )

Cidade de abutres
Porca manhosa tinhosa
Cidade triste e alegre
Maliciosa
Insidiosa
Desesperante
Frustrante
Inimiga do amigo
Maltrata o sem abrigo
Cidade sem cor
 Ódio e amor
Paixão silenciosa
Violenta
Tarde cinzenta
Não ouves quem te fala
Não sorris a quem te cumprimenta
Cidade do frio
Não aqueces o rio
Não apaixonas quem te ama
Louca dos mais loucos
Amor apetecido
Esquecido numa cama
Coração arrefecido
Onde se esconde a minha alma
Percorro as tuas ruas
Beijo as estátuas nuas
Choro o porquê de não conseguir amar-te
E durmo nos teus jardins
Abraçando a estrela que me acalma
Já não consigo pintar
A tua beleza
Sei a cor da tua tristeza
Mas os meus olhos
Já nada querem ver
Serei eu a rasgar o teu véu
De noiva feita puta
Que já ninguém desfruta
Na alquimia do desejo
"Finita império
Abraça-me no el último tango:
( não me queiras
Não te quero
Nada me deste
Nada te pedi
Não te engano
Quero outra
Não creias por isso
Que te traí
O único beijo que me deste
Foi aquele que não te pedi
)

Cidade suja
Favela chic
Zombies junkies
Corruptos
Corrompidos
Suicídios
Violadores pedófilos
Doutores neuróticos
Mulheres desesperadamente solitárias
Olhares pedintes
Carências afectivas
Á espera de serem fodidas
Sugerindo a dificuldade
Mentindo a idade
Castrando o desejo
Por agora só a intenção envergonhada
Talvez um beijo
E barcos cansados
Adormecendo no tejo
Virgens arrependidas
Santos enforcados
Orações ridículas
Homens enganados
Soluços rasurados
Cidade que não é minha
Cheia de amantes ausentes
Sons de pássaros menstruados
Paixão clandestina
Sonhos delinquentes
Bebedeiras copos doentes
Sombras de fantasmas envergonhados
Cantando a canção do malandro
Espiões
Normalizadores do comportamento social
Odores desodorizados
Hipocondríacos distraídos
Bandidos surpreendidos
Sonhadores arrependidos
Confundidos
Enganos inteligentes
Adolescentes surpreendentes.
Traço no espelho
Sem risco
Leva-me ao riso que eu gosto
E eu sei que ninguém me conduz
Neste caminho da felicidade
Gostava que estivesses aqui
Comigo
Sem o teu medo
Não irei contar nunca o nosso segredo
Os golpes na pele do nosso enredo
As razões não explicáveis
As alegrias pendentes
Os soluços acontecidos
Projectos esquecidos
Dejectos à mesa servidos
Inaptos
Fingindo-se sensatos…
Ninguém me ajuda
Ninguém está atento
Ao meu salvamento emocional
E eu sei que não se pode manter uma promessa
.


,2010 Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com








terça-feira, 14 de abril de 2026

NA HORA DO PITÉU ABOCANHEI A QUESTÃO CELESTIAL

 


Se um dia pudesse, 
na janela do sonho, 
queimar datas mentirosas 
e fugir do templo 
das promessas infelizes, 
para danificar eficazmente 
a cruz do futuro maltratado, 
navegar na ideia favorável, 
e então pagar com um mísero trocado 
a inquestionável subtileza deste perder, 
onde a absurda memória 
açoita o meu nome.

Mas aqui  
onde a memória não prescreve,
não  existe ninguém  a não ser 
traficantes de solidões enlatadas.
Nada mais poderia ser tão correcto 
no santuário dos sorridentes 
malabaristas dos enganos 
sem fim à vista.

Acredita-me!
Hoje não consigo inventar mais 
mentiras…



,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

DECLARAÇÃO INTIMISTA

 


Continuo a gostar do
 “My Way” do Sid Vicious.

                Estamos Juntos! 
Ainda não sei quando.

Degusto com todo o enlevo 
o “African Reggae”.

Embora a Nina Hagen
tenha escondido 
o poema que imaginei.

Continuo à espera do 
White Rabbit”.

            Mas a Grace Slick 
não me liga nenhuma!

Tomei o comprimido 
que o médico não receitou.

Observam-me 
com um hálito estranho.

Não sei porquê…





,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

NÃO FIQUES TRISTE!

 


Ele partiu e eu por enquanto fiquei.
Enxertei a alma no saguão da memória.
Sabe-se que quando se desiste 
tudo irá desaparecer. 
A qualidade há muito que deixou de ser primordial. 
Tudo começa na seiva e só se cumpre na partilha. 
Aparece a recordação enterrada nas floreiras das tristes pétalas contadas no calendário. 
Pingas do sangue dizem que gostam de mim. 
Verdade que logo esqueço. 
Era bom se acreditasse, 
mas desse gostar não padeço. 
Para longe fugiu o momento 
mais apressado do que o acontecer. 
Mas irá alguém conseguir chegar 
ao canto da cotovia? 
E o sábio mocho, 
já sem lentes mentirosas, 
acampa o cansaço no poste, 
abrindo as asas para aconchegar 
o refúgio da calma noite. 
Rasgo o livro dos significados aldrabados. 
O carteiro só me entrega condolências 
da gente que se ausentou.
 Enche a caixa do correio 
com convites que não posso recusar. 
No vale dos cavaleiros do vento, 
penso seriamente que, 
se não passasse de uma estátua, 
juro que tentaria abraçá-los.

Não fiques triste! 

A merda deste mundo continuará 
sem a nossa nefasta
 contribuição.


,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

segunda-feira, 13 de abril de 2026

“ROCK ME BABY”

 


Reservei a noite sem fim 

para ti.
                Faz comigo o que 
te aprouver antes da música 
acabar.

Apaga o medo.
Sei o segredo.

Aquece a chama.

Deita-te até ao fim.

E na lua sem traições, 
abraça a almofada do desejo.

E na bandeja dos beijos
oferecidos pelo ballet da mariposa, 
sonha que existimos.

Enche o cálice do claro despertar 
dos gentis sons do mundo 
que agora é nossa pertença.

Até ao fim!

Mesmo que digam
que a luz se apagou.


,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

sábado, 11 de abril de 2026

ESPERANÇA COM OS PNEUS FURADOS

 




BABY PLEASE DON`T GO 
(cantava Muddy Waters naquele festim).

Que ninguém tenha piedade de mim! 
Não passo de um desclassificado anónimo, 
Serial Killer de perspectivas roubadas. 
Não sei se poderia admitir 
a possibilidade de ser algo diferente. 
Mas como poderia usar a indiferença 
para coisas corriqueiras? 
Cavaleiros da tempestade invadem a minha loucura, mas eu só pretendo um bom amigo para enrolar na sagrada mortalha os sonhos que nos pintaram. 
Sábado à noite será sempre o altar das delícias, onde por fim despirei a flor do imaginado desejo. 
egue longe o caminho com demasiados dias para riscar no ardiloso mapa das mágoas. 
O cheiro da primavera tarda o acontecer. 
Olá, como estás? Pergunta o sapateiro remendeiro das almas arrecadadas. Toda a vez em que me pertenço, não encontro o sentir. 
E o fantasma da tenebrosa viagem, 
solta ao desvario o perfume dos defuntos 
vindimados sem a vida ter acontecido.
Não quero acordar o sonho antes do meu chegar. 
Entreguem-me um cabide sem a naftalina dos guarda-medos! Todos a bordo! Aceitem o convite! 
Mas… confesso: tenho a esperança com os pneus furados. 
Depois… não reclamem!


,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

sexta-feira, 10 de abril de 2026

A TUA ÚNICA POSSIBILIDADE

 


Sei que estás triste. 
Na avenida dos teus braços a velha 
canção sopra no vento o caminho 
que te fará voar. 

Um sorriso amistoso levar-te-á a 
alcofa da felicidade. 

    Mas serão sempre mentirosas 
as únicas promessas que nunca te 
abandonarão. 

            Tudo é pesado. 
            O antes. 
            E o depois. 

Sentado na véspera do paraíso a 
corrente dos murmúrios enforca os 
sons da revolta perante a 
contemplação da plateia da 
decadência.

É 
Esta 
Agora 
Tua 
Única 
Possibilidade.



,2024Mar12_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

HOJE SÓ QUERIA O MUNDO MAIS BONITO QUE HOUVER

 


Na “Estación De Barcelona Sants” o poeta 
transporta consigo a biblioteca da 
“Sagrada Família” perante a satisfação de
Gaudi. 
A diva da contemplação  como de costume 
ignora a dama da ansiedade
e na cama da mentira mais feroz d
o que a ferida sem cura, 
uma mariposa pousou no poema. 
Na almofada do sentir, 
resistiu ao abraço e convidou-a para o retiro 
das noites do branco cetim. 
Ela beijou-o com o sorriso estampado 
nas asas do mais feliz dos anjos f
ugidos do paraíso artificial.
Flores do mal desta vez não 
conseguiram disfarçar a inveja 
alojada no quartel do tédio.
Agora já podia ser dia. 
Não queria outro prognóstico. 
Apenas o chão sem o teimoso cheiro 
amante da angústia. 
Apenas o cálice das hóstias eróticas 
divinamente oferecidas pela vaca do presépio. 
Viajar nos livros com a cabeça sem orçamentos. 
Pegou no bilhete onde estava escrito
é uma chatice a abundância da tontice.
O mundo anda sempre à procura de génios.



,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

DESCRENÇA INACABADA

 


Como se fosse vontade 
e a teimosia do teu olhar 
não me deixasse poisar
na acalmia da inquietação

                            Iludir a audácia com o 
                perfume da escassez
e viajar por aí 
procurando o sentido inverso
da solidão


                E             soletrar         numa 
pronúncia qualquer
                                despojos 
                                da 
                                inacabada 
                                descrença







,2024Mar26_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

LÁGRIMAS MOVEDIÇAS

 Não me respeitam. 
Roubam-me o nome 
e dão-me um número 
como se fosse a chave do euro milhões. 
Escorro a seca da vida num rio de lágrimas movediças só para afundar as minhas ilusões. 
Rio que me envergonha 
onde desliza a peçonha 
daquilo com que me faço.
A vontade só acontecida em fotografia
revelada no ácido da tina 
onde arde a sina 
da possibilidade admitida sem a minha permissão.
Mas eu não me encontro 
e dói-me tanto o achar-me 
às escondidas da esquina.
Elevo agora, 
(e isto sou eu a fingir), 
imbecilidades pisadas a papel químico.
Nada sei daquilo que de mim pensam, 
diria respeito.
Longe vai a lua
realizando uma manhã, 
certamente com as habituais palavras nos noticiários.
Continuo a mijar em retretes 
onde estão escritos convites 
sem a menor convicção.


,2016,07aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

1 PASSO ATRÁS

 


            Nunca     lhe     disseram 
            que     a     tabuleta 
            tinha     alterado     o     sentido.

A família mais chegada 
mandará celebrar a missa 
do sétimo débito 
em louvor do autor 
de tamanho acto. 
 
            (exemplar 
único da mais elevada 
filantropia).

Dos bons nunca nos 
esqueceremos.

                Tamanha 
consideração 
exibida no edital das 
condolências 
será gasta nos próximos 
cartões de crédito. 






,2026Abr_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

quinta-feira, 9 de abril de 2026

A COISA MAIS IMPORTANTE

 


Às vezes

Não         Me    Apetece

Nada.

&

Isso    É    A    Coisa

Mais       Importante

Que    Quero

Fazer



2018Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

quarta-feira, 8 de abril de 2026

NOTÍCIAS EM TERCEIRA MÃO

 


Estamos cá 

para o que Der 

e Vier!

            (desde que o 

que     For 

                Seja 

Infalivelmente  

                              Bom)




2026Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

NA BOLHA DA HORA SOCIAL

 




    Um 

            Poema 

                        À 

                            Noite 

É 

                Melhor 

                            Do 

                                Que 

Um 

                        Açoite



2026Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

terça-feira, 7 de abril de 2026

FEIOS PORCOS & NÓS

 


Do que tanto prometemos na desalmada nuvem mensageira, resta o rosário da lembrança, amante da vontade que não queríamos que findasse.
Assim sejam pintados os dias no encalço da desejada alegria.
Andamos por aqui aos tombos nas amadas bebedeiras da ilusão.
Um passo à frente do outro, estrada fora, voo solitário para debaixo do vulcão, enquanto um ferrugento som da harmónica atrevida tenta dignificar a perseverança da espera.
Deitado no mausoléu da saudade, o poema da solidão segura o sorriso que tenta abraçar a escada da liberdade. 
Mas a malvadez dos sopros do silêncio assassinou o primeiro degrau.
No sonho onde já não nasce o sol, ainda exigem que permaneçamos vivos.
Ah! Ah! Ah!
No desfiladeiro das filhas da memória, consta-se que o mundo há muito deixou de ser hipótese sedutora.

2026Mar28_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

MADRUGADAS VERMELHAS

 


Só espero que me compreendas

nos momentos em que não me 

entendo.

Que me elucides

a ilusão 

das palavras

que teimo dissimular.

Porque

tu sabes

que tenho horas tristes

nos sonhos esquecidos

chorados nas madrugadas

vermelhas.


2016,11aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

segunda-feira, 6 de abril de 2026

AS SIRENES DA MISÉRIA

 

Anjos escondidos nas cores dos fantasmas, 
flutuam no naufrágio dos sonhos estrangulados.
O velho farol acendeu as ruínas, 
e canta qualquer coisa, como se o mar 
fosse o possível amigo.
Barcas velhas,
cansadas da inutilidade da reforma,
oferecem ânforas com crédito recompensado, 
para a indecência que nos alvejou.
É tarde, grita o infame infante, 
lá na ponta, 
onde a areia acabará por nos atraiçoar.
Todos à proa!
Que se foda Lisboa, 
o aquém e além mar!
Fomos marinheiros estupidamente destemidos, 
franzinos no corpo, 
broncos no ousar.
Lá vai a nau da treta, 
que só merda tem para contar.
Todos em sentido!
Ó vento impiedoso, 
porque ainda nos queres enganar?
Terra à vista!
Nas cidades roubadas, 
esconde-se a fome, 
abafam-se as sirenes da miséria. 


,2020Jan_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com


sábado, 4 de abril de 2026

LIVRO DO GÉNESIS (impressão fraque-simulada)

 


Ao princípio não era nada.
E o homem pensou que isso era mau.
E foi assim que foi criada a crueldade.
No fim e por fim Deus comodamente instalado noutras paragens, continua a lamentar o maior erro da sua criatividade: o homem!
Eu bem o tinha avisado que há coisas com que não podemos brincar. Mas a bicicleta ainda não tinha sido inventada.
Moisés tinha uma vara de um acrílico carbonado alérgica a peixes, e teve a preciosa ajuda, quem diria, de um forte vento do leste. A Emel, aproveitando a separação das águas, bloqueou as rodas dos carros dos egípcios, que assim levaram uma grande banhada. Muitos deram à costa em Sevilha, onde foram oferecidas à população opulentas doses de calamares. Oremos ao Senhor que com tanta água nos libertou do imenso calor. O mar vermelho só acontece no Marquês de Pombal, quando o Glorioso ganha o campeonato. Isaías, depois de marcar ao Arsenal, tímido como era, quando lhe perguntaram o que sentiu, socorrendo-se da página de um certo livro, respondeu: eu sou bom, mas o outro é que continua a ser o Senhor do Uni-Verso. Ainda não chegou a minha vez. Palavra do treinador: ainda bem! Todo o nome devia ser santificado e infelizmente isso nunca fez maravilhas. Há quem diga que a salvação está escondida na caixa negra do aeroplano. Lázaro nunca andou, 
Abraão não sabia escrever e mais tarde foi visto a recolher um jackpot lá para os lados de Las Vergas. Isaac, sempre doido pela velocidade, treinava numa carroça com 220 cavalos. Continua preso por excesso de excremento. O filho do Abraão foi salvo da morte por um cordeiro imprudente que mais tarde foi servido em coentrada. O Salmo 32 foi alterado. Continha leituras impróprias para oníricos. Alguns dos caminhos da vida ainda não são conhecidos. Por isso, devemos continuar a desconfiar Daquele que se sentou à direita. Palavra do Senhor: ide-vos que eu fico por aqui. Não me confino nunca a que Deus seja a única esperança do mundo. É um peso demasiado para umas costas tão curvadas. A paz não é eterna e até já foi banida de muitos dicionários. Aqui estamos. Resplandecendo alegremente esta possibilidade nunca correspondida. Palavra do Senhor: Israel é uma conveniência que nunca desculpará um certo erro de cálculo. Não há lei perfeita. E a que o Senhor nos quer impor, ainda menos. Enfim, preceitos que não alegram o coração e apagam olhos que só queriam ver. O temor ao Senhor reza-nos um juízo mentiroso e também é verdade que ainda há quem prefira a posição de "seminário". Gente esta que sabia brincar. Senhor, Senhor estás sempre do meu lado e isso distrai a minha amante. A unidade, dizia o profeta Ezequiel, não pode acontecer com o Espírito Santo. É bem sabido que Ezequiel não gostava da imundice e isso já naquele tempo era uma grande chatice. A minha alma suspira por vós, mas vós, mais do que ninguém, sabeis Senhor que eu sou um mentiroso compulsivo. Como suspira o meu espírito Senhor! Mas desta vez não mentirei. Não estou arrependido. Mas eu sei que o veado suspira pelas águas cristalinas da montanha, onde cítaras tocam poemas louvando a tua ausência. S. Paulo nunca gostou dos romanos. É evidente a maneira como não manifestou qualquer contentamento pelos golos do Paolo Rossi. Baresi e Dino Zoff até lhe provocavam tosse. Aleluia! Aleluia! Gritava ele com o nariz enfarinhado quando o Nápoles de Maradona foi campeão. Ainda hoje, entre espirros gosta de falar disto. O senhor é o meu pastor! Mas a médica proibiu-me de comer queijo. 
Glória a deus nas alturas! No 35º andar vão servir Moet&Chandon e rissóis de camarão. Andainde pois então! Vinde até mim! Há gajas boas no camarim.






 2016,03_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

sexta-feira, 3 de abril de 2026

3 FLORES PARA O AQUÉM

 


1

Para que conste,
porque poderá ser verdade:
nunca tentei desiludir o amor

2

Amar-te-ei se puder
morro de ti
quando deus não quiser.
Escreverei os nossos poemas
na lápide mais linda
da angústia celestial.
e então,
poderemos esperar,
que o que não nos pertenceu,
deixe de ser o amor
que nada nos prometeu

3

Não digas que errei
acerca da previsão
da nossa inevitabilidade




Melides,2016,07aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

NOSSA VIRGEM DA EXAUSTÃO

 



[ ouça a aflição da tristeza 
quando se rompeu a cortina da misericórdia para queimar a raiva que nos ampara
]

O que te custa?

Descer da cruz - encenar o calvário - doar os espinhos da coroa - farejar a sorte - bocejar na morte - nada que importe ao incessante pular na crista da maré dos açoites - vontade rarefeita no cair dos sonhos sempre desligados

O que te custa?

Caminhar nas asas do azar - enterrar histórias inventadas por vozes que caminham lado a lado na coroa vestida de trono onde nunca morou a glória

O que te custa?

Aplainar lágrimas de cortiça - curtir bebedeiras de tédio - bater ao postigo errado - cortejar elogios fúnebres - fundir abraços na forja da ansiada amizade

O que te custa?

Lembrar o possível – amolar a esperança – e soltar no vento o auspicioso convite daquele uivo oferecido pela catavento dados afectos

O que te custa?

Limpar a boca com o miolo da dor - riscar saudades na côdea do pão – e na medida do possível - eleger palavras do único e mentiroso deus vivo
 
O que te custa?

Sempre que for oportuno naufragar o apelo da solidão - e resolver esse assunto no tempo não apropriado

Ainda te custa?

Poderei a título privado recomendar um cal center disponível 24 horas por vida.

Nota Bem: se disseres que vais da minha parte, terei de assumir, sem quaisquer honorários, que a culpa de tal desvario, nunca será admitida por mim.

AMÉN!




2026Abr01_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

quarta-feira, 25 de março de 2026

O ENTUSIASMO ORNAMENTAL EVIDENCIA A PRÁTICA CONSCIENCIOSA DA REFLEXÃO EXISTENCIAL

 


No ninho onde as horas calaram a lembrança 
festeja-se o mundo das acrílicas indignações.
E nos murmúrios de poesia, 
escritos no mudo pó, 
bailam sombras em suaves tons de pesadelo.
O cão solteiro agradece tal descalabro 
e brinda atrevidamente à desejada abaladiça.
Na algibeira das sete semanas, 
arrependimentos sem efeitos retroactivos, 
invocam as almas desocupadas 
que albergam as lamúrias da contradição.
Mentes ensebadas acordam o tempo 
onde sangram todos os momentos.
O que farei então? 
Não te preocupes!
(Segredou a cadela “Nina Simone”, 
na ombreira da fábrica, para o cão solteiro).
Quero que saibas que isto nunca será o fim!
Caminhamos na aprisionada vontade do mundo
Que nos Embala Docemente com Nódoas de Escárnio
... Indo devagar não haverá tempo para o chegar.
A bandeira sem cor sorri benevolamente 
para tamanha inoperância. 


2026Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

SE ISTO FOSSE UM POEMA

 


Se isto fosse um poema, beijava a oração do descrédito dos poetas do fim do longe. Enlatava os erros de palmatória, queimava a tristeza absurda que assola as perspectivas e barrava todos os naufrágios deste mar que só lavra a terra do desperdício. Se isto fosse um poema, as horas que me roubam teriam outro tempo e a exactidão dos ponteiros não se aproximaria tanto da fatalidade. Se isto fosse um poema, não teria nojo de toda esta mentira, que tudo me tira nestes dias cortados em fatias envenenadas. Se isto fosse um poema, não lamberia esta gelatina de destroços que me congela os ossos em alguidares de menosprezo. Se isto fosse um poema, queimava o mundo que me vira as costas e a dignidade significada em formas de postas, que me oferece a mais pobre afinidade. Se isto fosse um poema, não seria menos que o resto, e o que de mim dizem faltar, oferecido em festins nus numa festa definhada. Se isto fosse um poema, diria que ler certa poesia, é por vezes um hobby nojento. Se isto fosse um poema, na sombra da árvore sagrada dos versos, sentir-me-ia existir agradecido às folhas que pousavam no meu firmamento, pintava assim as horas amigas, soletrando prazeres com abraços de poetas companheiros, que pisam o mesmo chão.


2017,jun_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

O AMOR PROCURA AGORA OUTRO NOME

 


Farto de morrer na cansada história 
fugiu a tempo da mentira

O amparo da muleta ruiu 

Há quem diga que obedeceu  
a um prévio aviso

O que nos junta 
no simpósio  das ladainhas penhoradas
não é senão um herói 
com ideias de silicone 
reles vendedor 
de religiões Tele Opiadas
contentes por exibir a miséria da sorte 
premiada nos cartões  da ganância

Pensar em ti 
pode continuar a ser uma hipótese 
inoportuna







,2023Dez05_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

SENDO ASSIM...

Louvo aqueles que pelo menos fizeram bem 
uma só coisa.

Tenho pena dos outros, 
para quem carregar no botão do autoclismo, 
possa ser um acto sublime.

Sendo assim...

Tirar macacos do nariz, 
não deixará nunca de ser uma nobre 
possibilidade.



,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

terça-feira, 24 de março de 2026

SEGUNDAS NÚPCIAS


 Até que a sorte nos separe

Diziam um para o outro,

Relegando a morte

Para segundas núpcias


,2017dez_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

SESSÃO MATINAL DAS FEZES

 


A perspectiva que me querem vender
é uma vacina bacteriologicamente infectada.

Uso-a na sessão matinal das fezes.

Carimbo no papel higiénico
assinaturas de concordância.







2017,jun_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

NOITE SEM SONO ENTRE LENÇÓIS INQUIETOS

 


Apago a ideia

Queimo o sentido da ilusão
Provavelmente aparecerá 
a saudade das palavras 
que nos tornaram amantes 
confortavelmente infelizes

                [pode ler-se no dicionário 
                            das propostas absurdas]

Todos os dias me abandono 
neste cansaço colado 
no contrário do desejo 
que mata a crença surreal 
desenhada nas audácias 
assassinadas




,2023Dez01_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

segunda-feira, 23 de março de 2026

NEM PARA MIM JÁ NADA PROMETO

 


Adormecer 

No 

Teu 

Epitáfio  

E

Desligar 

presente




,2023Mar_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

SE O AMOR TE ENGANA

 


Se o amor te engana

É porque existes.

Será esta a única razão

Para não o difamares.


,2017dez_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

MEMÓRIAS FERRADAS NA PELE

 


            Como as sombras da fantasia que aquecem os nós da ausência, tenho vadiado a esculpir sementes do céu, enquanto os traços da rara beleza, adormecidos na saudosa máquina de sonhar, agitam silêncios martelados nas veias da solidão.
            No envelope das cinzas arrumadas no canteiro da poesia, versos por dizer escutam a canção nocturna dos amantes sentenciados.
            Se a noite pudesse mentir, oferecia-lhe com as mais suaves lágrimas de júbilo, a súplica do eterno adormecer. 
            Mas não sei sacudir a presença do tempo, neste diálogo discordante com o mundo onde permaneço empunhando a recusa do aplauso efémero.
            Como as estrelas chorando a infinita crueldade do universo, sinto-me um fungo atolado na pocilga das inúteis contrições.
            Falo, não sei com que palavras, para as pedras desta alameda sem ânimos para navegar. 
            Doem até mais não, as memórias ferradas na pele!
            Pode o mundo acabar nas frias manhãs do delírio e assim sossegar o sofrido tropel do desejo.
            Tal como as sombras abotoadas à bengala dos anos, tenho corrido sem parança para alojar no albergue das indignações, as sementes de um imaginário céu entalhadas na voz onde a palavra já não cabe. 

                Justamente como as bravuras da utopia…



2026_mar19-Sams_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com