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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

DO PASSADO NÃO SE LIMPAM AS NÓDOAS

 


Há uma passagem sem retorno abandonada 
pelo brilho do céu arrependido. 
Porca ilusão, consciência conspurcada 
na traidora celebração do momento. 
Vida com vista para o precipício 
como se fora castigo hospedado 
na bandeja dos vendavais. 
Sou assim, exactamente como 
o que não pretendo, verso mentido 
nas palavras que não quis abraçar. 
Amargura escondida na demência 
das horas sem ouvidos para me atender. 
Fila única, 
Sentido contrário, 
Feliz aniversário, 
Onda curta morta 
Na curva da auspiciosa sorte. 
Vou caminhando ao invés 
dos canteiros do suplício, 
ramalhete escondido no almofariz 
da realidade virtual. 
E, assim confronto indesejáveis artroses 
alojadas numa robusta indelicadeza. 
O que espero, 
não sei nem me importa! 
Imagino uma opção condigna do meu pensar, 
assim como qualquer coisa parecida 
com aquilo que pretendo, 
dado que não acredito no saber absoluto.
Um gume eficaz, 
um laço pegado ao abraço 
para depois poisar no regaço daquela virgem 
artisticamente adorada no Balneário Municipal 
da República da Pudicícia. 
É bem verdade que hoje o dia está difícil. 
Raptaram os sonhos num raid manhoso 
e as manhãs prometedoras 
esqueceram-se de aparecer. 
Por mim bastaria uma realização onanista 
em modo de “câmara lenta” 
sem discursos de circunstância. 
E, sobretudo nada de lembranças pindéricas 
nem alusões inoportunas. 
Nem sequer um aplauso enlatado, 
daqueles expostos nas montras 
da inútil conveniência. 
Mas o que me oferecem 
é uma amnistia congelada 
com sabores bolorentos. 

Mas, eu só preciso de uma vitamina simpática. 

E tu? 
Porque esperas? 

Morres nesse dano sem fim.







2026Jan_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

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