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terça-feira, 30 de setembro de 2025

BARCA VELHA


 Amantes abandonados
Numa barca velha
Dois copos tombados
Procurando a deriva adormecida,
Tornam o amor absoluto.
    Pairámos em ondas
Que absurdamente nos alvejam
Com as setas do cupido.
    Há dias mais que perfeitos
Para embalar
A circunstância repetida.






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CAOS SOLIDÁRIO

 



Confortavelmente solidário 
no meio do meu caos

Não estou bem nem mal

Este haver já não me 
pertence


,2023Out_aNTÓNIODEmIRANDA
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domingo, 28 de setembro de 2025

TZERO

 



O mundo é um TZero. 
Também é verdade que nem todos os motores a diesel, trabalham da mesma maneira. 
Dizia-me o Carlos taxista.
Retorqui: a estupidez intelectualizada continua a ter como objectivo único não compreender esta verdade.
Os doutoramentos são como rolos de papel higiénico. Cagamos as folhas e lavámos as mãos para justificar a nossa desconfiança.
Quem vive neste quintal admite os muros que confinam esta ideia.
Louvados sejam aqueles. Os que apesar de tudo, continuam a pensar que nada disto lhes diz respeito.
Sejamos simples. 
Se tal não acontecer, será melhor não fingir.
As ecografias podem ser terríveis.
A minha médica desconfia que sou maníaco antidepressivo.
Receitou-me bífidos antigos.
Os coletes de salvação não são de fiar.
Vamos com kalma.
Podem usar o pau do segurança e ajustar a câmara para tirar a selfie espontânea.
Não me dou bem com a preparação prévia.
Nova corrida, nova viagem. 
É grátis p`ràs ladies e as senhoras não pagam.
Por favor, tirem os pés do estribo.
Não amachuquem as granadas.

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Big Walter Horton ~ ''Tin Pan Alley'' & ''Skip It'' 1977

Lou Reed Rock & Roll Jun 15, 1986

sábado, 27 de setembro de 2025

PERFECCIONISMO CAÓTICO

 


            Como vês não estou mudado. 
Fartei-me de ser quem fui.
            Vai-se o tempo atado à hora da chegada despedindo-se do alento para a derradeira ida.
            Arriscar a felicidade num banquete de sangue nas asas da alameda do infortúnio reciclável, perante a enormidade da distância dos abraços. 
            Ventre canonizado escondendo o soneto da loucura. 
            Só os poetas poderão entender a quietude das palavras. 
            Roubem-nos a sensatez. 
            Aqui jazemos nesta súplica iluminada furtando a sombra onde irá morrer a última vontade. 
            Recordações maltratadas, 
Insónias acenando nos escombros da penumbra, pedaços do passado nas visões não convidadas.
            Só as Janelas perfeitas 
oferecem o outro lado dos dias.
Benvindo.
            Fico feliz em ver-te, 
perfeccionismo caótico.
            Como vês não estou mudado. 
Mas deixei de ser quem fui.




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sexta-feira, 26 de setembro de 2025

CEMITÉRIO SEM LÁGRIMAS



Deixei de abandonar memórias, 
fustigar corações tatuados,
nos sorrisos que pretendiam enganar a desilusão. 
Cortei-me nos modos possíveis, 
menti algumas maneiras, 
mas, o sangue preso nos pulsos 
queria a liberdade de um só momento, 
de uma única altura, que rasgasse a correia demasiadamente atada a uma vontade que não posso admitir. 
Estranha forma de vida, 
esta que recusa ensinar o meu morrer.
Pássaros bêbados acompanham-me até à cama. 
Não fazem perguntas estranhas 
nem comentam a beleza do meu triste choro. 
Nada encontro neste outono 
que não se cansa de me procurar. 
Deixa sangrar. 
A raiva tem o nosso nome, 
e a razão está cansada das lisonjas. 
Não passo de um simples curioso, 
agrafado ao que resta deste apagão. 
Cansa-me esta coreografia, 
amorosamente com sabor a pecado.
Equívoco continuo,
ilustrado nestes defeitos  encadernados.


,2021Dezembro_aNTÓNIODEmIRANDA
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