Não busco a nostalgia no convite do travesseiro dos sonos inquietos.
Já sei de cor os calores do catálogo das carícias maliciosas.
Relembro o atrevimento do sexo tétrico
apesar de não ter passado de um ensaio com recheio de nódoas negras.
Eramos jovens então,
e, divertíamo-nos a enxotar o tédio dos anos parvos.
E aquele pôr-do-sol, com a ousadia possível,
no pinheiro-dos-abraços, poderia ter mudado
a história da generosidade.
Tentamos, é certo, mas o tropel das formigas invejosas
não permitiu que os anjos da casa do sol nascente,
tocassem aquele blues que queríamos beijar.
Deitada no peito das folhas caídas,
a oração exaltada trazida pelo velho corvo,
entregava no desfiladeiro da ternura,
filetes de rara beleza.
Quando a solidão e eu nos desafiámos
numa conversa idiota, cães vadios,
desgostos pelo nosso ladrar,
fugiram das palavras ocas,
e, na infinita paciência,
ergueram caudas de pesar
para o lar dos inválidos da boa-vontade.
II
Incendiar o ego malfeitor numa língua de pássaro ferido,
fritar a crosta da saudade,
apagar o olhar da curiosidade,
agradecer os planos falhados para os malefícios
da perfeição, enroscar a tristeza pintada no peito,
e escalar vontades com o futuro desdentado
na via rápida do festim das virtudes.
III
No lento escorrichar do tempo,
a lenta convalescença da poesia,
espalha anonimamente salpicos de esperança.
,2026Set_ aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com
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