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sábado, 26 de setembro de 2026

STARFUCKS (com 1 abraço para Neeli Cherkowski)

 


Não busco a nostalgia no convite do travesseiro dos sonos inquietos.
Já sei de cor os calores do catálogo das carícias maliciosas.
Relembro o atrevimento do sexo tétrico
apesar de não ter passado de um ensaio com recheio de nódoas negras.
Eramos jovens então, 
e, divertíamo-nos a enxotar o tédio dos anos parvos. 
E aquele pôr-do-sol, com a ousadia possível, 
no pinheiro-dos-abraços, poderia ter mudado 
a história da generosidade.  
Tentamos, é certo, mas o tropel das formigas invejosas 
não permitiu que os anjos da casa do sol nascente, 
tocassem aquele blues que queríamos beijar.
Deitada no peito das folhas caídas, 
a oração exaltada trazida pelo velho corvo, 
entregava no desfiladeiro da ternura, 
filetes de rara beleza.
Quando a solidão e eu nos desafiámos 
numa conversa idiota, cães vadios, 
desgostos pelo nosso ladrar,
fugiram das palavras ocas,
e, na infinita paciência, 
ergueram caudas de pesar
para o lar dos inválidos da boa-vontade.

II

Incendiar o ego malfeitor numa língua de pássaro ferido, 
fritar a crosta da saudade, 
apagar o olhar da curiosidade, 
agradecer os planos falhados para os malefícios 
da perfeição, enroscar a tristeza pintada no peito, 
e escalar vontades com o futuro desdentado 
na via rápida do festim das virtudes.

III

No lento escorrichar do tempo, 
a lenta convalescença da poesia,
espalha anonimamente salpicos de esperança. 



,2026Set_ aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

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