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domingo, 20 de setembro de 2026

I CAN GET NO SATISFACTION (Qualquer dia mando-me foder)

 


Não estou para aturar as complicações dos aspirantes a anjos falidos. Visto um hálito com mau feitio. (admito essa rara qualidade sem qualquer mácula). Nela naufraga uma aliança sacramental diluída sem prévio aviso no infernal tráfico intestinal. Aplaudo assombrações sequiosas  de um paraíso artificial e um molho de flores regadas intempestivamente pela malvadez do Baudelaire. Sinto-me o mais eloquente vendedor do baile da frustração.
Qualquer dia mando-o foder.
Quero-te tanto sorte danada. Cansado estou do sonhador amestrado vil coleccionador dos inconvenientes desacatos da solidão.
                            Qualquer dia mando-me foder.
Nem comigo me apetece estar quanto mais com  sucedâneos…
E se de mim estou empanturrado neste angustiado atropelo, que outros deuses sem asas perversas, carimbem a ascensão para a bendita dispensa dos filhos da puta.
O governo é um traficante e um viciado jogador de maltrapilhos é o presidente desta mixórdia.
Qualquer dia mando-os partir!
Desculpa já não consigo soletrar o teu nome. Actua na minha alma uma razão triste mesmo assim melhor do que a farmacopeia que há muito desistiu de encantar. Dizem que não passo de um mal-agradecido aqueles que ignoram a importância desta fuga. Quero um exílio para enxotar tanto fingimento. Lenta vai a coragem neste passe anti-social. Nada já resta. Incendiaram o rastilho logo que nasci e o hino da alegria deixou-se morrer. 
A esperança escondeu-se na mais estofada ousadia, e a dança aflita nunca mais conseguiu acalmar o caos. Eu em mim, há muito que nada funciona. Enfadonhas já são as opções que tentam disfarçar a proximidade que nos desgastou.
                            Qualquer dia mando-as foder.
Sim! Vamos sendo um sem o outro matar. Nunca estivemos longe dos bonecos patéticos do presépio da leprosa humanidade. Nada. Nada consigo perdoar. A vergonha navega na bandeira da insatisfação acenando a uma paz mentida na liberdade vendida a metro. O lamento das lágrimas habituais já não acredita no asilo do meu aconchego. 
                Qualquer dia mando-me foder. 
Na borracheira habitual escolho o tipo de letra para disfarçar exageros malparidos. Medos de tanto “mau-viver” levam-me ao monte das palavras sem nome. Poderei embrulhar a alma na inutilidade e depois vendê-la numa bem-centrifugada operação de marketing. 
           Qualquer dia mando-vos foder.
E eu vestido no descalabro da tristeza a oferecer delicados cortes da espantosa contemplação! E eles, como se fossem fantoches, passeiam na memória restante. Uivos cansados abandonam a esperança no lento e nem sempre benevolente compasso da nostalgia. A última estação no seu sorriso voraz entoa cânticos da habitual circunstância previamente ensaiados na novena passional.
Nada de novo e as costumeiras intenções continuam a confortar desesperos indevidamente certificados para que o pranto da despedida continue a celebração da lisonja. Porque o mundo nunca volta nesta viagem sem fim.
Já nem Deus acredita na minha estranha forma de aparecer.
                        Qualquer dia mando-o foder.


,2024Mai18_aNTÓNIODEmIRANDA
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sábado, 19 de setembro de 2026

EU VESTIA TODA A ILUSÃO

 


Como vai a vida?

                                    Longa / Estreita / Larápia /                                                     Ardilosa / Olvidada / Judiada /                                                     Infernizada / Inalada / Contaminada/                                         Tricotada / Trampolineira / Sumiça /                                             Sortido sem graça /  / Vaticinada /                                             Calculada / Vacinada / Furtiva /                                                 Ladrona / Inconveniente / 

Hoje não passa de uma esperança 
abusivamente ferida





,2024Abr_22_aNTÓNIODEmIRANDA
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FANTASIA PARA UM DIA PERFEITO

 

Apenas eu

E o que de mim não pretendo

Nada já espero

Neste desespero

Que veste o fantasma

Que pensei ter enganado

Triste figura

Flor definhada

Na clausura

Do mentiroso

Caleidoscópio 

Dos dias perfeitos


,2024Dez_aNTÓNIODEmIRANDA
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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

EU E O DESENCANTO NUM MENTIRA DE ESPUMA PARA NÃO ESCREVER O ERRO DOS NOSSOS NOMES

 


                                                    Acredito nos defeitos perfeitos 

                                                Nunca nas promessas molhadas no desalinho dos lençóis


                            O que fazer com estes cortes 
                            amados na mais profana  loucura?




,2024Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
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A MORTE É UM ACTO INCORRECTO ( COM UM ADEUS PARA A PAULA MYRE DORES_17/09/2026

 


Todos os santos dançam ao contrário nos caminhos cruzados que lamentam a sua existência.
Enchem ninhos escuros e perturbam a leitura dos mochos.
Convivo bem com os sons do silêncio e facilmente me alegro com o bailado das estrelas que ilumina a minha sombra.
Uma coragem descalça floresce na minha cabeça com rega não automática.
Navego neste canal comandando uma barca apressada e espero estendido num pano de bilhar uma chamada pré combinada.
Meto na boca sementes inférteis e cuspo balas da mais pura imprudência.
Ato os desacatos e entrego-os na estação dos correios perante o sorriso habitual da senhora do balcão 4.
Até à próxima.
É o que costumamos dizer.
Volto à barca, lubrifico a decência, embalo a vontade com o mais atrevido laço.
Endireito o caminho e cambaleio sonolências.
Ainda não sei para onde vou.
Os tempos já não são o que eram.
Certos frios na minha espinha estão sempre a lembrar-me.
A morte é um acto incorrecto. 



2017,ago_aNTÓNIODEmIRANDA 
#SÓ ESPERAVA A VIAGEM PROMETIDA#
Editora volta d´mar_2018





PEDRA ROLANTE

 


Deslizo num tropel de cornetas envolto 
em falsos pensamentos
 que não posso reparar.
Não sei naquilo que me tornei. 
Não consigo apanhar as silhuetas 
que bailam na minha cabeça, 
e  jogam o mais sujo dos sonhos 
nesta tempestade vestida de fantasmas. 
Quero dançar a beleza do fim do amor. 
Afastem o cheiro das velas queimadas. 
Pretendo outra estrada, novas lembranças, 
desinfetar a escuridão que paira nos meus ombros, 
uma heroína não falsificada, 
um beijo não suplicante, 
qualquer luz que não mostre o caminho mentiroso.
Sim! Tudo!
Tudo foi diferente naquela manhã. 
Voltei a ser o rapazinho a imitar alguém que não eu. 
Pedra rolante, 
choro secreto escondido na mala dos sonhos
que pintam toda a ausência. 
Nada cabe neste bailado de passos perdidos. 
Nem sempre segui os conselhos dos sorrisos desconfiados, 
e, disso ainda não me arrependi.
A glória nunca dormiu ao meu lado. 
Continua a ser a mais cara das aldrabices, 
a única puta desonesta. 
O que faço quando estou só?
Esfrego o cheiro da tua pele nas cordas da minha angústia. 
Ajoelho para beijar o sabor da nostalgia, 
e corro para o riso da tua cocaína. 
Quantas vezes nos prometemos naquele baile de marionetas? 
Dêem-me cicuta! 
Um solo do Ron Wood
Um sniff do Keith Richard !
Estou com sede!
É só para erguer a moral. 
Toda a vez que fico assim, 
ganho a certeza que nem só os pássaros podem voar.
Nunca sonhei com alguém parecido comigo. 
Talvez tenha adormecido com a desgraça desse momento. 
E, como sempre, ninguém ofertou o ventre do conforto.
Suicídio alegre, não enamorado da noite das estrelas livres. 
Mas eu não me importo se o pôr-do-sol não acontecer 
no parapeito do meu optimismo.
Não passo de um tocador de gaita 
com algum jeito para fritar croquetes.
A harmónica dos blues chega com a noite para me acordar. 
Disfarço o convite prometendo-lhe o paraíso do Baudelaire.
As coisas mudaram. 
Em muito destes anos, as flores do mal foram simpática companhia.
Confesso que nem sempre estive atento aos sons do silêncio. 
Era jovem, e apressar os tempos do relógio, distraia-me.
Que alguém me ajude a contar mentiras verdadeiras.
Claro que tenho saudades.
Mas tento não tocar neste chão que grita 
a dureza dos momentos que matam.
Voei alto nas asas do ícaro desenfreado. 
Aterrei no terreiro vizinho da desgraça, 
saltei a negação, enrolei paixões de breves futuros.
Esconde-me no escuro do teu altar 
-ama-me mesmo que não consigas
-molha-me o desejo, mesmo sem beijo. 
Sabemos que o amor é cego 
e nunca ouvirá as nossas desculpas.
Só posso prometer um final feliz 
no satélite das notícias avariadas
Pai meu, não sei onde estás. 
Não preciso da tristeza pintada na lua de Havana 
montada pelos cavaleiros da tormenta 
que desassossega os gemidos das noites sortudas. 
Prometem mudanças, mas só queimam as memórias. 
Roubam tudo nesta mentirosa valsa. 
Até Deus perdeu a esperança na farsa que vos entregou. 
A misericórdia é a mais cotada trapaça 
na bolsa das acções nefastas. 
Tempos sujos!
Se pudesse, rezava por ti. 
Mas não sei ler esta doutrina.
Fico no quarto das memórias coladas. 
Divirto-me neste arco-íris povoado de alegres pirilampos.
Acendo guitarras imaginárias, 
desato os nós que me encaminham para o céu 
que nunca me encontrará. 
Até porque o paraíso está num sossego monstruoso. 
Degustados nas encrencas, 
os usurários deixaram de pagar o condomínio. 
A administração demitiu-se. 
Procuram-se substitutos à altura. 
Os interessados que publiquem o curriculum vitae 
em mensagem privada.
Pretende-se um defunto afável - de fino trato
-humor em mau estado de satisfação.
Em verdade vos cuspo:
O tempo não passa de uma asneira ignobilmente repetida.


,2021Novembro_aNTÓNIODEmIRANDA
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EU E O DESENCANTO NUM MENTIRA DE ESPUMA PARA NÃO ESCREVER O ERRO DOS NOSSOS NOMES

 


                    Acredito nos defeitos 

                                                perfeitos 

                Nunca nas promessas 

                                                molhadas 

                    no desalinho dos 

                                            lençóis


            O que fazer com estes 

            cortes 

            amados na mais profana  

            loucura?



,2024Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

HIGH-TECH

 


Sinceramente não sei quanto tempo 
poderei resistir ao permanente 
e desenfreado assédio da 
Bimby

(Ela ignora que todos os dias 
na caixa dos desastres 
aparece uma declaração ansiosa da 
Airfryer)

Verdade seja feita!

Nos meus sonhos de criança 
nunca constou a utilização de uma placa 
de indução






nb: tais «eficiências» nunca atrairão 
                        a minha curiosidade











,2024Mai26_aNTÓNIODEmIRANDA
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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

ESPALHAR A BELEZA NO ARCO-ÍRIS

 

Já posso secar o tempo
e rasgar na pele
as solidões do teu perfume.

A cicatriz que me entregaste
uiva nas noites vestidas
pela tua ausência.

Espero outras asas
que nos separem
da confusão que juntamos.

Cortar-te,
e espalhar os pedaços,
é a solução mais viável,
que desejo nunca
esquecer.


,2020Set_aNTÓNIODEmIRANDA
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terça-feira, 15 de setembro de 2026

A ONDA SENTIMENTAL OCASIONALMENTE CHEGADA DE UMA GARRAFA DE BOURBON

 


Olhas para a manhã, céu vermelho nos olhos, tentas acreditar que afinal o destino é aquele percevejo que percorre a parede sul do quarto mil vezes por dia ou mais. Saco de viagem na pele, a estrada continua a ser o lugar preferido. 
Alvejado no desejo por vozes invejosas, uma catarata emotiva convida a última ceia para a apresentação do almanaque do “Único e Verdadeiro Deus Vivo”. 
Cogumelos são porreiros e continuam a amar onde lhes é possível. 
Óptimo, disseste! Óptimo, respondi. 
Verdadeiramente sinto-me assim quando a tentação começa a bailar na algibeira. 
“A Onda Sentimental Ocasionalmente Num Trago de Bourbon”:
O nosso amor é diferente, tão diferente, diferente que o algo que nos une, são exactamente as mortalhas. Porque te amo e não acredito no amor, Porque te quero e odeio a possessão, porque desejo-te e logo me farto, Porque tive de mudar três vezes de caneta para escrever isto…Por favor, não me acredites! (Amor é tirar macacos do nariz e depositá-los no colarinho do gajo que não gramas). O suicídio não tem dor! Se a vida corre sem problemas, suicida-te! Se vai mal, deves fazer o mesmo. Eu continuo a mijar no Tejo! Quando oferecem… exigem! E a sedução nunca terá de ser um roubo. Nb: aqui o contrário não é recíproco. Wake up in the morning, red sky into your head. 
Bem-disposto, penso defecar na algibeira do ministro. Tudo em mim e em relação a qualquer governo, é sinistro. Só vivo o momento! Nunca os espaços limitados pelos ponteiros do relógio. 
Quando o acordar e as suas paredes nuas desenham uma única saída: a futilidade do quotidiano. Olhas para a manhã e lês nas rugas da decepção, aquilo que querem fazer de ti:
Patenteado; registado: Numerado: Dirigido: Legislado: Regulamentado: Parqueado: Doutrinado: Prejudicado: Controlado: Calculado: Depreciado: Etiquetado: Censurado: Comandado: Anotado: Recenseado: Tarifado: Selado: Medido: Avaliado: Licenciado: Autorizado: Rotulado: Admoestado: Impedido; Desenformado: Impotente: Corrigido: Fodido e Mal pago: Vendido: Parvo!
Não sei, nem me interessa o que poderá advir de uma qualquer dinastia de espelhos bafientos…











,2026Set_Vila Chã_ aNTÓNIODEmiRANDA
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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

CONSELHOS SEM CONSERTO

 


Se a voz fosse escrita 

Para que a vontade deixasse a esquisitice 


Se o futuro não fosse intrujice 

Quando o presente fugisse 

Até “ao resto que se lixe” 


Talvez a verdade 

Não fosse lá grande chatice


E, se o céu não fosse redondo, 

Onde se esconderiam tantas mentiras?


Toda a gente, 

E eu também não, 

Pensa no verbo que não prescreve


O tempo

Esse infindável rolo de papel higiénico 

Ilustrado pelos filósofos da eucaristia domesticada, tenta animar 

uma Desleixada conveniência


Está na hora de mandar enterrar 

Os acertos do relógio


Eu fico-me pelos restauros 

Dos conselhos sem conserto. 



2026Ago29_Vila Chã_aNTÓNIODEmiRANDA
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CONTAS DO SUMIR

 


Enlaçado na velha oliveira, 
o último poema cata memórias 
antes da apanha das contas do sumir. 

Na panela das histórias, 
gotas de gratidão confortam memórias 
onde gatos com olhos de peixes domingueiros,
 oferecem abraços há muito escondidos.

E, 
todos sabemos que o respeito publicitado na tv, 
será continuamente coisa de somenos…  



,2026 Set8_Vila Chã_ aNTÓNIODEmiRANDA
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A SOMBRA DO SILÊNCIO


 

domingo, 6 de setembro de 2026

BAILE DO COTONETE

Vou pisando nuvens neste chão
que não me é sagrado,
nem sei agora que pecado devo cometer.
Visto luvas de frenesim nos pés
para não magoar a memória.
Triste ideia marinada em alecrim
que me consola um olfacto constrangido
devolvendo-me santidades de caruncho.
Estou aqui,
onde não me pertenço,
náufrago de um mar de fotografias
que ainda não rasguei.
Continuo os dias
com a infindável esperança
de ser benzido por gotas de chuva
com sabor a Jack Daniel`s.
Vou atrofiando a amnésia
nesta lipoinspiração
escondido na sentina
alegrando as impressões vegetais
do baile do cotonete.



,2017fev_aNTÓNIODEmIRANDA

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sábado, 5 de setembro de 2026

SORTILÉGIO DIVERSIFICADO

 


Sonho que de mim não existe 

                        Choro medonho 

            Prece fugida 

                                                Ondas 

            Zumbidos 

Só queria caminhar neste afoito 
sentir 

Só desejava não divagar 

Achar sem habitar o refúgio 
do tolo convencimento 

Saudades daquele calhar

Que tardava 

A solidão







,2024Ago_aNTÓNIODEmIRANDA
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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

BLACK MAMBA

 

Ouço passos nesta lembrança que só esquece, 
e me vai abandonando num rodopiar de truques encenados num filme antigo.
Onde estão agora os que se enganaram no destino?
A varrer o medo com uma vassoura mentirosa
ou talvez a pintar o silêncio nas janelas
com vidros bordados a ponto cruz.
Rosas com espinhos tristes 
açoitam a dúvida dos seus rostos 
e sentados na cadeira do esplendor 
prometem apontar na melhor direcção.
Já nem sequer é uma alucinação.
A ferrugem nunca dorme. 
É o modo dela temperar a pele.
Almas "zombiadas", acendem velas de aniversários nas festas soturnas com animação cultural fecundada por dj`s manetas da cabeça. 
Sequelas apressadamente limpas a seco
tentam mostrar a etiqueta da última aparição. 
Uma mão infectada estica a língua
escrevendo borbulhas na certidão de óbito.
Se calhar há coisas que acontecem fora do tempo.
Uma "black mamba" destruiria sabiamente esta mentira.
Mas isto geralmente não é como nos filmes.


,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA
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REVISTA NERVO 28. ESPECIAL DIRECTO





 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

ARRUMAR A GAVETA

 

Ir sem voltar
partir ao meio
sem receio
o podre da vontade
e diluir 
no suspiro
mesmo mentiroso
a mínima serenidade
com que julgamos
despertar o relógio

Sentir
um outro modo
arrumar a gaveta
com um aceno breve
para que  fique
a distância que quer fugir

Voltar não faz sentido
quando o ir é um verbo obsceno

Ir e voltar
ao lugar
sem lá estar




,2017dez_aNTÓNIODEmIRANDA
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REVISTA NERVO 28. AUTOBIOGRAFIA. Para que conste...





 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

SABEDORIA

 

O Sábio

Que Mostra Que Nada

Sabe,

É 

O Único

Que Não Engana

Ninguém.


,2017marçoaNTÓNIODEmIRANDA
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NINGUÉM PODE SALVAR A MINHA ANGÚSTIA

 


Descalço escorrego no costumeiro 
pesadelo.

Nau de súplicas de sangue
rasgando as veias da memória.

Quem sou?
pergunta o desânimo 
enforcado no destino.

                                Alvejo 
                                Uma a Uma
                                as agulhas do desalento
                                roubadas ao relógio 
                                da penúria.

O tempo
é um prenúncio esquisito
sempre agarrado à urgência
que não me deixa escapar.

            Eu, 
            Aquele que ainda procura 
            os sons
            do último silêncio. 





,2024Ago_aNTÓNIODEmIRANDA
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ASSIM SEJA FEITA A TUA VIDA

Vi tantas dores sem sentido
que só queriam a todo o momento
matar a morte....

Vi lágrimas secas da esperança
dos abraços cansados
de nunca nada terem tocado.
E eu,
não sei porquê,
pouco entendo do começar
dos novos caminhos.
Fico-me
num contínuo deslizar
para o álbum das fotos
com rostos cada vez mais ausentes.
Corre! Corre!
Não largues o horóscopo
que tem escrito
a tua última vontade.
Assim seja feita
a tua vida.


2017set_aNTÓNIODEmIRANDA

REVISTA NERVO Nª. 28 Fizeram o favor de publicar alguns poemas meus. MUITO OBRIGADO!

 


NÃO QUERO TER SAUDADES DE MIM

 


O

Velho

Fantasma

Adormeceu

Aqui





,2024Ago_aNTÓNIODEmIRANDA
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