O mundo dos poetas
é um chão sem aconchego,
pisado numa tulipa
com nuvens de desassossego.
Lá, repousam os pássaros feridos,
corre-se a cortina do tempo,
sacode-se a poeira
de qualquer maneira,
mete-se a vontade na peneira
e acende-se a fogueira
para nos queimar o penar.
Se os poetas tivessem mundo,
seria sagrado esse chão
e no canteiro das flores,
não caberiam folhas proibidas.
E os pássaros
com poemas em forma de asas,
nunca teriam medos das redes
do voar.
Mas o mundo dos poetas,
é uma estrela distante
que só procura uma mão
para erguer o último verso.
O mundo dos poetas
é um relógio sem horas
esvaziadas num crepúsculo
obsoleto.
2017,jul_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com
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