Como as sombras da fantasia que aquecem os nós da ausência, tenho vadiado a esculpir sementes do céu, enquanto os traços da rara beleza, adormecidos na saudosa máquina de sonhar, agitam silêncios martelados nas veias da solidão.
No envelope das cinzas arrumadas no canteiro da poesia, versos por dizer escutam a canção nocturna dos amantes sentenciados.
Se a noite pudesse mentir, oferecia-lhe com as mais suaves lágrimas de júbilo, a súplica do eterno adormecer.
Mas não sei sacudir a presença do tempo, neste diálogo discordante com o mundo onde permaneço empunhando a recusa do aplauso efémero.
Como as estrelas chorando a infinita crueldade do universo, sinto-me um fungo atolado na pocilga das inúteis contrições.
Falo, não sei com que palavras, para as pedras desta alameda sem ânimos para navegar.
Doem até mais não, as memórias ferradas na pele!
Pode o mundo acabar nas frias manhãs do delírio e assim sossegar o sofrido tropel do desejo.
Tal como as sombras abotoadas à bengala dos anos, tenho corrido sem parança para alojar no albergue das indignações, as sementes de um imaginário céu entalhadas na voz onde a palavra já não cabe.
Justamente como as bravuras da utopia…
2026_mar19-Sams_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com
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