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segunda-feira, 15 de junho de 2026

A MANHÃ QUE SEMPRE CHORAVA

 

A manhã que sempre chorava 
quando matava a noite, 
e congelava a alegria para
 uma melhor ocasião. 
Empacotava as lágrimas 
para mais tarde oferecer. 
Ponteiros deitados no naufrágio 
das horas da ilusão, 
acordavam relógios desonestos.
Nada para recordar o chão sagrado 
que varria  os passos, 
que para o nada se dirigiam. 
A raiva sossegava ruidosamente 
neste vagar desastrado. 
A salvação possível 
arquivava denúncias anónimas, 
e poetas descalços, 
entregavam salmos, 
num recital de memórias envergonhadas.
A manhã que sempre chorava 
quando matava a noite, 
escondia-se com um choro tímido, 
no corredor das palavras ainda não dissolvidas.
Paredes sem sorrisos emoldurados, 
pintavam algumas gotas de chuva, 
para que os pássaros das asas feridas, 
não morressem à sede.
Espera aí!
Não vás já!
Era assim a despedida
.

2018Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com


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