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segunda-feira, 29 de agosto de 2022
DESPEJO ABRAÇOS NA LUA DOS SEUS OLHOS
São 4 da manhã.
Digo um até logo aos livros.
Está na hora de acalmar um passado ansioso,
Digo um até logo aos livros.
Está na hora de acalmar um passado ansioso,
o futuro da esperança duvidosa,
e ,
diluir gentilmente
a subtileza
no copo da tristeza
cansada de mentir
opções requentadas.
Está na hora de me esconder no tapete
e ,
diluir gentilmente
a subtileza
no copo da tristeza
cansada de mentir
opções requentadas.
Está na hora de me esconder no tapete
dos voos sem fronteiras,
e aconchegar-me nos lençóis
que me contam histórias dos amigos que partiram,
e que continuam a deixar prendas nos meus cabelos cinzentos.
Despejo abraços na lua dos seus olhos,
Despejo abraços na lua dos seus olhos,
só porque o que nos aproxima,
ainda dorme no relento da torre da amizade.
2019ago_aNTÓNIODEmIRANDA
MEMORY
Não tenho a faca não gosto de queijo, só uma colecção de corta memórias fatiadas. Facadas em todas as costas cozinhadas em tons gourmet. Alguém sentado à minha direita, isto é do lado errado, mostra-se num ângulo cego, atropelando-me a marcha atrás. Dizem por lá que poderá ser bom rapaz. Mas continuo a não atinar com a mudança. Estou empanado! E tenho a plena consciência que não sou capaz. Só me apetece uma corrida a mil sem hora convenientemente anunciada no Borda d`Água. Na sessão da meia- noite, ressona na poltrona o filme da minha vida. Por vezes, e para não o acordar, chego a pensar num outro realizador. Mas, as discussões abertas à definição da minha probabilidade continuam a não me dizer respeito. Não me apetece mudar de inventário. Dispenso esse trabalho. Contudo irei avisar a bilheteira para proibir o consumo de pipocas com sabor a desodorizante.
Contrariamente ao que é publicitado, esta acção em nada dignifica a desinfestação do mau hálito.
2016,12aNTÓNIODEmIRANDA
domingo, 28 de agosto de 2022
MINUETE
Não é justo que todos os outonos
lavem as paixões tardias transformando-as,
com a sua pressa de inverno,
num qualquer instante inacabado.
O que faremos às palavras nunca ditas,
gravadas na almofada
onde dorme o sonho nunca lembrado?
Navegam elas num ventre lasso,
com botas que lambem
uma estéril melodia rasgada com voz de lâmina.
Dançam agora marionetas,
minuetes num impulso quebrado.
Vou errando.
Ouvindo lamentos bulidos pelo vento.
Não me é estranha a sua angústia.
Ouvindo lamentos bulidos pelo vento.
Não me é estranha a sua angústia.
.2015aNTÓNIODEmIRANDA
sábado, 27 de agosto de 2022
UM PEQUENO QUARTO A ABARROTAR DE PENSAMENTOS
Arrotar a bafio.
Azedar o acordar que cospe na vontade.
Tenho que sair daqui.
Abandonar este destino amarrotado,
até porque os anjos,
já não reconhecem a minha assinatura.
Ouço as suas vozes que
nunca secarão as lágrimas
que rolam na minha cabeça.
Carrego um corpo grafitado,
num delírio ronhoso que não assassina
a mórbida curiosidade dos observantes.
Azedar o acordar que cospe na vontade.
Tenho que sair daqui.
Abandonar este destino amarrotado,
até porque os anjos,
já não reconhecem a minha assinatura.
Ouço as suas vozes que
nunca secarão as lágrimas
que rolam na minha cabeça.
Carrego um corpo grafitado,
num delírio ronhoso que não assassina
a mórbida curiosidade dos observantes.
Se acredito em deus?
Tenho a certeza que ele
não se importa com isso.
,2021Agosto_aNTÓNIODEmIRANDA
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