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quinta-feira, 4 de agosto de 2022

LISBOA SHITSEEING

 Socorro!

Já não tem Graça!

Quem me Ajuda,

a sair deste Calvário?


2016,08aNTÓNIODEmIRANDA




quarta-feira, 3 de agosto de 2022

ALMOÇO.


 

Amoreiras.

 


10 P´RÀS 5

 

Dez p´ràs cinco.
Estou atrasada.
Nunca mais aparece o autocarro.
E o escritório à espera da limpeza.
A vida não me dá B.Leza,
e a cachupa requentada, 
não tem o sabor que deixei na panela.
E o meu suor incomoda o passageiro
que se masturba com o Iphone.
Não tenho dinheiro
para falar com a saudade da terra 
que sempre, com todo o respeito,
pisei.
Disseram-me que este é o país
do mar salgado,
mas eu só tenho na alma,
as cores da sua angústia.
Morro no oceano das sua lágrimas, 
escondidas no caixão 
onde todas as noites me deito.
Amo-te mundo sem pátrias!
Não sei sonhar!
É um verbo que sempre
me enganou.

2018Ago_aNTÓNIODEmIRANDA

FALÁCIA

Ela dizia:
O meu corpo não me envolve.
E pedia ao deus que nunca perdoou,
que a acalmassem.
Mas era esse deus, maldizente e distraído de todas as pretensões pedidas.
Ela só queria ser o que constantemente lhe fugia e implorava sensações que vira nos outros.
Gelava sempre neste sonho, mergulhada em frios suspiros e as noites molhadas escondiam-se nos tupperwares da solidão onde dormia sonos estranhos.
Tinha ouvido falar da paixão que talvez estivesse naquele presente que nunca conseguiu abrir.
Ela dizia que só queria salvar a alma, e num gesto há anos utilizado, continuava a encher com lâminas o mealheiro da sua vida.
E o seu corpo mentia enquanto lhe dizia:
Gosto de ti, doce nuvem de algodão hidrófilo.
Ela mentia quando dizia:
o meu amor acabará por chegar.
E na cínica espera com que o tempo nos enlaça, sorria feita megera, rindo até ao último choro, secando as lágrimas desta trapaça.
Ela dizia, para alguém que não ouvia:
a perspectiva é uma calúnia e a sua falácia a realidade que muitas vezes enleva o sonhar.
Depois não há corpo nem pertença,
nada que preste para partilhar.
Deus é uma cópula

que nem todos sabem fornicar. 


2017,jul_aNTÓNIODEmIRANDA

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Fio dENTAL

 


OS BONS VELHOS TEMPOS NUNCA MAIS CHEGAM!

 Estou farto da confusão nesta velhice de veias entupidas. 
Esta lâmina não presta. 
Eu não quero voltar. 
Sou um galo velho que já não encontra o poleiro. 
Não confio no azar, mas também nada sei da sorte. Salto aqui e acolá com um imbecil bilhete pré-comprado, que uns dias aparece, e nos outros, manda-me à merda quando lhe apetece. 
Chamo a patrulha da traiçoeira lotaria, 
apodrecida no albergue da morte anunciada. 
Não gosto. 
Recuso sempre os abrigos que me oferecem. 
Sou um oásis naufragado num alguidar de lama, supostamente perfumado com o falso sabor da liberdade. 
Emoções perdidas deitadas na sombra dos abraços. Despeço-me de mim. 
No colchão de magnólias há um espião tecendo a teia, que observa a baboseira das minhas orações. 
100 Anos de vida, promete a pulseira da liberdade ocasional. 
A fúria doente, cansada da minha indecisão, esconde-se num pijama que ostenta uma etiqueta duvidosa. Nada faz sentido nem o sorriso que mostras no relógio.
Nas pregas do teu olhar, vejo agora essa dor que só te enganou nesse aperto traiçoeiro que prometia o que querias conhecer.


,2021Julho_aNTÓNIODEmIRANDA