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sábado, 6 de junho de 2026

AINDA HÁ MUITOS POETAS DISTRAÍDOS

 


Coloco a cabeça no lugar 
e perfumo os sovacos como aprendi na televisão. 
E num estrugido feito em chama lenta, 
salteio palavras que nunca escreverei. 
A conexão entre o meu cérebro 
e o aparo da caneta, tem muitas vezes falhas no servidor. 
Tente outra vez. 
Está escrito na mensagem que não solicitei. 
Desligue e volte a ligar. 
Como se isso fosse fácil. 
Mas eu só sou um poeta 
sem a mínima ambição tecnocrata.
Não uso máquina de barbear 
nem frequento as lavagens automáticas 
para aparelhagens dentárias.
Sou mais pela utilização da insensatez 
que sabiamente me afasta 
das bermas da normalidade.
Bebo pouco zelo no whisky
e amparo o guarda-chuva
para jogar pénis de mesa.
Dobro folhas dos livros
com a pacífica intenção de as violar.
Organizo estes crimes na perfeição
e alfabeticamente desenho  um conspirativo manual
cientificamente guardadona prateleira 
F, do corredor O, nível D, Sector A.
Por acaso, não tem tido lá grande procura.
Ainda há muitos poetas distraídos.


Melides,2016,07aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

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