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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

EU E O DESENCANTO NUM MENTIRA DE ESPUMA PARA NÃO ESCREVER O ERRO DOS NOSSOS NOMES

 


                    Acredito nos defeitos 

                                                perfeitos 

                Nunca nas promessas 

                                                molhadas 

                    no desalinho dos 

                                            lençóis


            O que fazer com estes 

            cortes 

            amados na mais profana  

            loucura?



,2024Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

HIGH-TECH

 


Sinceramente não sei quanto tempo 
poderei resistir ao permanente 
e desenfreado assédio da 
Bimby

(Ela ignora que todos os dias 
na caixa dos desastres 
aparece uma declaração ansiosa da 
Airfryer)

Verdade seja feita!

Nos meus sonhos de criança 
nunca constou a utilização de uma placa 
de indução






nb: tais «eficiências» nunca atrairão 
                        a minha curiosidade











,2024Mai26_aNTÓNIODEmIRANDA
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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

ESPALHAR A BELEZA NO ARCO-ÍRIS

 

Já posso secar o tempo
e rasgar na pele
as solidões do teu perfume.

A cicatriz que me entregaste
uiva nas noites vestidas
pela tua ausência.

Espero outras asas
que nos separem
da confusão que juntamos.

Cortar-te,
e espalhar os pedaços,
é a solução mais viável,
que desejo nunca
esquecer.


,2020Set_aNTÓNIODEmIRANDA
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terça-feira, 15 de setembro de 2026

A ONDA SENTIMENTAL OCASIONALMENTE CHEGADA DE UMA GARRAFA DE BOURBON

 


Olhas para a manhã, céu vermelho nos olhos, tentas acreditar que afinal o destino é aquele percevejo que percorre a parede sul do quarto mil vezes por dia ou mais. Saco de viagem na pele, a estrada continua a ser o lugar preferido. 
Alvejado no desejo por vozes invejosas, uma catarata emotiva convida a última ceia para a apresentação do almanaque do “Único e Verdadeiro Deus Vivo”. 
Cogumelos são porreiros e continuam a amar onde lhes é possível. 
Óptimo, disseste! Óptimo, respondi. 
Verdadeiramente sinto-me assim quando a tentação começa a bailar na algibeira. 
“A Onda Sentimental Ocasionalmente Num Trago de Bourbon”:
O nosso amor é diferente, tão diferente, diferente que o algo que nos une, são exactamente as mortalhas. Porque te amo e não acredito no amor, Porque te quero e odeio a possessão, porque desejo-te e logo me farto, Porque tive de mudar três vezes de caneta para escrever isto…Por favor, não me acredites! (Amor é tirar macacos do nariz e depositá-los no colarinho do gajo que não gramas). O suicídio não tem dor! Se a vida corre sem problemas, suicida-te! Se vai mal, deves fazer o mesmo. Eu continuo a mijar no Tejo! Quando oferecem… exigem! E a sedução nunca terá de ser um roubo. Nb: aqui o contrário não é recíproco. Wake up in the morning, red sky into your head. 
Bem-disposto, penso defecar na algibeira do ministro. Tudo em mim e em relação a qualquer governo, é sinistro. Só vivo o momento! Nunca os espaços limitados pelos ponteiros do relógio. 
Quando o acordar e as suas paredes nuas desenham uma única saída: a futilidade do quotidiano. Olhas para a manhã e lês nas rugas da decepção, aquilo que querem fazer de ti:
Patenteado; registado: Numerado: Dirigido: Legislado: Regulamentado: Parqueado: Doutrinado: Prejudicado: Controlado: Calculado: Depreciado: Etiquetado: Censurado: Comandado: Anotado: Recenseado: Tarifado: Selado: Medido: Avaliado: Licenciado: Autorizado: Rotulado: Admoestado: Impedido; Desenformado: Impotente: Corrigido: Fodido e Mal pago: Vendido: Parvo!
Não sei, nem me interessa o que poderá advir de uma qualquer dinastia de espelhos bafientos…











,2026Set_Vila Chã_ aNTÓNIODEmiRANDA
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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

CONSELHOS SEM CONSERTO

 


Se a voz fosse escrita 

Para que a vontade deixasse a esquisitice 


Se o futuro não fosse intrujice 

Quando o presente fugisse 

Até “ao resto que se lixe” 


Talvez a verdade 

Não fosse lá grande chatice


E, se o céu não fosse redondo, 

Onde se esconderiam tantas mentiras?


Toda a gente, 

E eu também não, 

Pensa no verbo que não prescreve


O tempo

Esse infindável rolo de papel higiénico 

Ilustrado pelos filósofos da eucaristia domesticada, tenta animar 

uma Desleixada conveniência


Está na hora de mandar enterrar 

Os acertos do relógio


Eu fico-me pelos restauros 

Dos conselhos sem conserto. 



2026Ago29_Vila Chã_aNTÓNIODEmiRANDA
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CONTAS DO SUMIR

 


Enlaçado na velha oliveira, 
o último poema cata memórias 
antes da apanha das contas do sumir. 

Na panela das histórias, 
gotas de gratidão confortam memórias 
onde gatos com olhos de peixes domingueiros,
 oferecem abraços há muito escondidos.

E, 
todos sabemos que o respeito publicitado na tv, 
será continuamente coisa de somenos…  



,2026 Set8_Vila Chã_ aNTÓNIODEmiRANDA
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A SOMBRA DO SILÊNCIO