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sábado, 4 de julho de 2026

SONHOS ENCENADOS NA BANHEIRA DAS ILUSÕES

 


Se me queres espera mais um 
pouco

Se me desejas não mintas

Desconheço a certeza das horas
e continuo a não conceber 
as demoras do acontecer

Há um certo charme que a solidão 
entrega na esponja suja 
pelos bairros da miséria

Só mais um copo sempre com o vazio 
de uma qualquer amizade

Hoje acordei assim...

Será  o amanhã diferente?

Há muito que não caminho 
com o incómodo de certas 
mentiras. 




,2026Jun_ aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

sexta-feira, 3 de julho de 2026

POR VEZES O PASSADO APARECE SEM SER CONVIDADO

 


Desse-me o tempo outros nomes 
para sossegar a memória
Outros dias sem cansar a vida
Outro ser sem deve nem haver
E o acordar sem dias para riscar
E um aplauso sem efeitos whatsapp
Desse-me o alento outro compasso 
juízo mesmo em esquisso
para não sentir a alma numa sépia desgostada
Desse-me o tempo outras lembranças paridas
longe do turbilhão das doridas ausências
Desse-me o tempo outro intento
 para crucificar o céu da Discórdia.



,2026Jun_ aNTÓNIODEmiRANDA
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FRITAR A VOSSA IMBECILIDADE

 


Não sei se o nojo chega ou será suficiente 
o afinar da corda da garganta para encantar 
o piar de algum nó enrouquecido.
Sinto-me como um touro enraivecido 
traído covardemente por um qualquer 
peão de brega estupidamente entusiasmado 
pelos berros da multidão tresmalhada 
atirando ramos de flores e chapéus ocos.
As voltas à arena salteadas com música 
do mais desafinado respeito nunca serão 
dignas de qualquer sangue.
Só poderá ter valor a liberdade 
que não condena vontades diferentes.
Estou a aprender 
e com toda a pressa 
a fritar a vossa imbecilidade







2016,12aNTÓNIODEmIRANDA
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quinta-feira, 2 de julho de 2026

ATENDIMENTOS APENAS COM AGENDAMENTO PRÉVIO

 


Ventos inquietos abençoam a história 
com bocejos de gratidão.
Oferecem o anjo das asas desfalcadas 
para o verdadeiro armistício das mentes ferrugentas. 
Encenam um salva-vidas sem janelas, 
para a bebedeira do Infame D. Henrique, 
navegar no ópio do gamanço.
Uma meia dose, mesmo surripiada,
da sanidade não conformista, 
seria a opção verdadeiramente credível
E porque não, 
um cutelo eficaz, 
um Si(m) Bemol não desanimado, 
para descarrilar a tristeza.
(Peço que avisem a entidade patronal, 
que de nada sou culpado da falência 
desta demente realidade).
E, se houver um adeus envergonhado, 
a sua timidez deverá para sempre ser respeitada!
Eu, 
apenas dei uns míseros trocados ao diabo 
para publicitar a alma numa honesta feira da ladra!



,2026Jun_ aNTÓNIODEmiRANDA
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quarta-feira, 1 de julho de 2026

PRAÇA MARQUÊS DE POMBAL – PARAGEM DO AUTOCARRO 748

 

Foge o tempo alourando chocalhos, sacudindo memórias no triste oásis das ideias feridas. 
Sou um mártir desocupado esculpido em culpas inúteis, vagarosamente arrependidas neste concurso de sóis encardidos. 
Carrego aos ombros uma misericórdia banal. 
Dei 1 € a alguém que nunca tinha visto. 
(Falou de um sem-abrigo, que depois de tantas horas a pedir, foi a primeira, a moeda que lhe entreguei). 
Educadamente mencionou uma qualquer sabedoria. 
Retorqui com a palavra respeito.
PRAÇA MARQUÊS DE POMBAL 
– PARAGEM DO AUTOCARRO 748
Claro que olhamos um para o outro. 
Mesmo assim, não aclaramos a distância.
Ela pegou num pequeno caderno e desenhou as ideias que a cabeça queria que pintasse. 
Tentei, mas não consegui disfarçar a curiosidade. 
A elegância do seu caminhar, (assim como um voo de pássaro ferido), esboçava o bailado do anjo da desolação que espalhava as mais tristes lágrimas de um qualquer desgosto. 
Ali estava eu. 
Perfume de merda aconchegado ao rosto, a puta da esperança matinal para o dia perfeito, as desculpas formatadas para o falhanço do costume. 126 m2 + garagem, contas do condomínio em dia, seguros atempadamente pagos, 74 camisas+32 pólos+8 fatos com gravatas a condizer + champô contra a caspa, sabonetes certificados. 
Não quero falar das angústias auto conformistas. 
Sei o nojo que sou, mas o pior é que domino a batota que o indulta.
PRAÇA MARQUÊS DE POMBAL 
– PARAGEM DO AUTOCARRO 748
HORAS:16,52
Ela, por fim, olhou.
Desta vez a minha trapaça envergonhou – me.
Quando cheguei a casa, 
reguei a consciência na máquina de ignorar silêncios que já não conseguem chorar.



,2022Jun_aNTÓNIODEmIRANDA


A-MANDA-A-FACA (1)

 

Pega 

Na 

Cicuta 

Vai 

Levar 

Almoço 

ao 

Chefe


 ,2022Jan_aNTÓNIODEmIRANDA
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A-MANDA-A-FACA (2)

 


nunca pensei 

que depois de tanta maldade 

houvesse 

ainda alguma amizade 

escondida 

na 

tua 

faca



 ,2022Jan_aNTÓNIODEmIRANDA
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