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terça-feira, 13 de setembro de 2016
MAS ESTÁ TUDO BEM!
Tenho um grito que não foge de mim
e o poster de uma anunciação
que diz lembrar-se do meu nome.
O mundo é esquisito
tem dias complexos cheios de alquimias
que esqueci.
Tenho um rio que fugiu da minha procura
e uma procuração devidamente preenchida,
selada e assinada
num papel de sessenta e uma rasuras.
Tenho tudo em dia excepto a coerência
que continua pertença minha.
Tenho as dúvidas actualizadas
e um ritmo cardíaco sempre sincronizado
com esta contínua vontade
de continuar a ser diferente.
Não pretendam de mim outra coisa
que não o nojo com que vos beijo.
Mas está tudo bem!
Um de nós, vou matar-te!
2016,09aNTÓNIODEmIRANDA
e o poster de uma anunciação
que diz lembrar-se do meu nome.
O mundo é esquisito
tem dias complexos cheios de alquimias
que esqueci.
Tenho um rio que fugiu da minha procura
e uma procuração devidamente preenchida,
selada e assinada
num papel de sessenta e uma rasuras.
Tenho tudo em dia excepto a coerência
que continua pertença minha.
Tenho as dúvidas actualizadas
e um ritmo cardíaco sempre sincronizado
com esta contínua vontade
de continuar a ser diferente.
Não pretendam de mim outra coisa
que não o nojo com que vos beijo.
Mas está tudo bem!
Um de nós, vou matar-te!
2016,09aNTÓNIODEmIRANDA
CEMITÉRIO
Não tenho tempo para nada!
E isso aborrece-me o tédio.
Tenho uma dama de copas ciumenta!
Mandei-a passear ao domingo de mãos dadas com o sacristão,
enquanto jogava poker no cemitério.
O coveiro contente pela atenção dispensada,
pensava que escondia a batota com que me enganava.
Vendi-lhe um relógio automático!
Não precisa de lhe dar corda.
Dá-me um tempo simpático sempre que o mando à merda.
2016,09aNTÓNIODEmIRANDA
E isso aborrece-me o tédio.
Tenho uma dama de copas ciumenta!
Mandei-a passear ao domingo de mãos dadas com o sacristão,
enquanto jogava poker no cemitério.
O coveiro contente pela atenção dispensada,
pensava que escondia a batota com que me enganava.
Vendi-lhe um relógio automático!
Não precisa de lhe dar corda.
Dá-me um tempo simpático sempre que o mando à merda.
2016,09aNTÓNIODEmIRANDA
ROSÁRIO
Só percorria caminhos santificados
e tinha uma vontade histérica
que lhe entorpecia os dias.
Carregava um rosário
tão usado como a ausência
que fazia acontecer a cruz da vida
na mentira no existir.
Pensava que expiava todos os pecados
e pisava os espinhos com chinelos ortopédicos.
Escondia no poço todas as mágoas
mesmo aquelas que não lhe pertenciam.
Carpia deste jeito memórias mais velhas
que o seu não viver.
2016,09aNTÓNIODEmIRANDA

e tinha uma vontade histérica
que lhe entorpecia os dias.
Carregava um rosário
tão usado como a ausência
que fazia acontecer a cruz da vida
na mentira no existir.
Pensava que expiava todos os pecados
e pisava os espinhos com chinelos ortopédicos.
Escondia no poço todas as mágoas
mesmo aquelas que não lhe pertenciam.
Carpia deste jeito memórias mais velhas
que o seu não viver.
2016,09aNTÓNIODEmIRANDA
CRÓNICAS DE VILA CHÃ (R)
Sou o mais pobre dos pobres e as dores da espondilose mais os pensamentos que me incendeiam a cabeça, não me dão o sono. Só queria um sossego que alguém tem e não continuar a pastar os dias sem palavras que me façam ouvir. Não sei nada do vazio que vem nos livros, mas leio esta pena enorme que tenho dentro de mim. Mal conheço esta fogueira feita com acendalhas da ignorância que me consome. Odeio este caminho tão torto como o meu corpo que não me permite voltar a olhar o céu. Sei que a tristeza dos filmes não é como a minha, porque esta não tem cura.
Estou cansado das badaladas do sino desta aldeia que me entregam uma fé que sempre me abandonou.
Quer-se dizer, conheço todo este povo mas não compreendo o seu abandono.
Vai-se andando mas isto já não é o que era. Na escola que nunca tive só me deram a conhecer as palavras das estrelas e não consigo ler outra coisa que não a miséria.Só me queixo das malditas costas e deram-me uma injecção como se fosse um cavalo de corrida. Foi para acalmar a dor, mas não tem cura esta ferida. O bordão que me acompanha, o único amigo de todas as ocasiões, espera-me para continuarmos, não sabemos até quando, a calcar este fado cada vez mais longe.
E como podia ter sido diferente!
Bastava que alguém tivesse reparado em mim.
2016,09aNTÓNIODEmIRANDA
Estou cansado das badaladas do sino desta aldeia que me entregam uma fé que sempre me abandonou.
Quer-se dizer, conheço todo este povo mas não compreendo o seu abandono.
Vai-se andando mas isto já não é o que era. Na escola que nunca tive só me deram a conhecer as palavras das estrelas e não consigo ler outra coisa que não a miséria.Só me queixo das malditas costas e deram-me uma injecção como se fosse um cavalo de corrida. Foi para acalmar a dor, mas não tem cura esta ferida. O bordão que me acompanha, o único amigo de todas as ocasiões, espera-me para continuarmos, não sabemos até quando, a calcar este fado cada vez mais longe.
E como podia ter sido diferente!
Bastava que alguém tivesse reparado em mim.
2016,09aNTÓNIODEmIRANDA
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
DIMITRIUS XUPAIMUS – TESSALÓNICA (Barco Barreiro/Lisboa. Depois da leitura de poemas na Partícula de Deus, com Miguel Martins e Filipe Homem Fonseca).
Dimitrius não era homem de grandes falas.
Nunca se dedicou à venda de esculturas
formato A5, made in China, ...
de Zeus Apolo Eros Hércules Dionísios
e outros que tais.
Portanto raramente falou com eles.
Para que conste.
Enrolava vagarosamente cigarros,
enquanto sentado no cais,
mirava pelo canto do copo,
já com mais de ½ dose entornada de Ouzo,
as mini saias das turistas que desciam o passadiço.
Colocava então
o seu olhar mais guloso,
endireitando ao mesmo tempo
a sua camisola de marinheiro nunca sido.
Puxava as meias branca até à barriga das pernas
não fosse estas palermas
reparar nas varizes teimosas e de mau cultivo.
Arranhava o francês, também o inglês
de modo convenientemente exagerado.
Já o alemão, deixava-o cansado.
E o que é certo, é que mesmo derreado
e com muito custo
atrevia-se ainda a ir atrás delas.
Dimitrius Xupaimus, na sua boa fé,
ortodoxamente escanhoada,
pensava às vezes,
isto é quando o Nótios tinto
não lhe toldava a ideia,
quantos filhos teria espalhados
pelos países onde nunca tinha ido
e achava estranho
que eles não falassem a sua língua
Dimitrius nunca se despedia dos cruzeiros.
Só gostava da sua chegada.
Dimitruis era um bom homem.
Era um regalo vê-lo à sexta-feira
repartir a sua refeição preferida:
O pregado
temperado
com ramos de oliveira.
Nunca se dedicou à venda de esculturas
formato A5, made in China, ...
de Zeus Apolo Eros Hércules Dionísios
e outros que tais.
Portanto raramente falou com eles.
Para que conste.
Enrolava vagarosamente cigarros,
enquanto sentado no cais,
mirava pelo canto do copo,
já com mais de ½ dose entornada de Ouzo,
as mini saias das turistas que desciam o passadiço.
Colocava então
o seu olhar mais guloso,
endireitando ao mesmo tempo
a sua camisola de marinheiro nunca sido.
Puxava as meias branca até à barriga das pernas
não fosse estas palermas
reparar nas varizes teimosas e de mau cultivo.
Arranhava o francês, também o inglês
de modo convenientemente exagerado.
Já o alemão, deixava-o cansado.
E o que é certo, é que mesmo derreado
e com muito custo
atrevia-se ainda a ir atrás delas.
Dimitrius Xupaimus, na sua boa fé,
ortodoxamente escanhoada,
pensava às vezes,
isto é quando o Nótios tinto
não lhe toldava a ideia,
quantos filhos teria espalhados
pelos países onde nunca tinha ido
e achava estranho
que eles não falassem a sua língua
Dimitrius nunca se despedia dos cruzeiros.
Só gostava da sua chegada.
Dimitruis era um bom homem.
Era um regalo vê-lo à sexta-feira
repartir a sua refeição preferida:
O pregado
temperado
com ramos de oliveira.
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