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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

BLACK MAMBA

 

Ouço passos nesta lembrança que só esquece, 
e me vai abandonando num rodopiar de truques encenados num filme antigo.
Onde estão agora os que se enganaram no destino?
A varrer o medo com uma vassoura mentirosa
ou talvez a pintar o silêncio nas janelas
com vidros bordados a ponto cruz.
Rosas com espinhos tristes 
açoitam a dúvida dos seus rostos 
e sentados na cadeira do esplendor 
prometem apontar na melhor direcção.
Já nem sequer é uma alucinação.
A ferrugem nunca dorme. 
É o modo dela temperar a pele.
Almas "zombiadas", acendem velas de aniversários nas festas soturnas com animação cultural fecundada por dj`s manetas da cabeça. 
Sequelas apressadamente limpas a seco
tentam mostrar a etiqueta da última aparição. 
Uma mão infectada estica a língua
escrevendo borbulhas na certidão de óbito.
Se calhar há coisas que acontecem fora do tempo.
Uma "black mamba" destruiria sabiamente esta mentira.
Mas isto geralmente não é como nos filmes.


,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

REVISTA NERVO 28. ESPECIAL DIRECTO





 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

ARRUMAR A GAVETA

 

Ir sem voltar
partir ao meio
sem receio
o podre da vontade
e diluir 
no suspiro
mesmo mentiroso
a mínima serenidade
com que julgamos
despertar o relógio

Sentir
um outro modo
arrumar a gaveta
com um aceno breve
para que  fique
a distância que quer fugir

Voltar não faz sentido
quando o ir é um verbo obsceno

Ir e voltar
ao lugar
sem lá estar




,2017dez_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

REVISTA NERVO 28. AUTOBIOGRAFIA. Para que conste...





 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

SABEDORIA

 

O Sábio

Que Mostra Que Nada

Sabe,

É 

O Único

Que Não Engana

Ninguém.


,2017marçoaNTÓNIODEmIRANDA
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NINGUÉM PODE SALVAR A MINHA ANGÚSTIA

 


Descalço escorrego no costumeiro 
pesadelo.

Nau de súplicas de sangue
rasgando as veias da memória.

Quem sou?
pergunta o desânimo 
enforcado no destino.

                                Alvejo 
                                Uma a Uma
                                as agulhas do desalento
                                roubadas ao relógio 
                                da penúria.

O tempo
é um prenúncio esquisito
sempre agarrado à urgência
que não me deixa escapar.

            Eu, 
            Aquele que ainda procura 
            os sons
            do último silêncio. 





,2024Ago_aNTÓNIODEmIRANDA
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