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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

ARRUMAR A GAVETA

 

Ir sem voltar
partir ao meio
sem receio
o podre da vontade
e diluir 
no suspiro
mesmo mentiroso
a mínima serenidade
com que julgamos
despertar o relógio

Sentir
um outro modo
arrumar a gaveta
com um aceno breve
para que  fique
a distância que quer fugir

Voltar não faz sentido
quando o ir é um verbo obsceno

Ir e voltar
ao lugar
sem lá estar




,2017dez_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

REVISTA NERVO 28. AUTOBIOGRAFIA. Para que conste...





 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

SABEDORIA

 

O Sábio

Que Mostra Que Nada

Sabe,

É 

O Único

Que Não Engana

Ninguém.


,2017marçoaNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

NINGUÉM PODE SALVAR A MINHA ANGÚSTIA

 


Descalço escorrego no costumeiro 
pesadelo.

Nau de súplicas de sangue
rasgando as veias da memória.

Quem sou?
pergunta o desânimo 
enforcado no destino.

                                Alvejo 
                                Uma a Uma
                                as agulhas do desalento
                                roubadas ao relógio 
                                da penúria.

O tempo
é um prenúncio esquisito
sempre agarrado à urgência
que não me deixa escapar.

            Eu, 
            Aquele que ainda procura 
            os sons
            do último silêncio. 





,2024Ago_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

ASSIM SEJA FEITA A TUA VIDA

Vi tantas dores sem sentido
que só queriam a todo o momento
matar a morte....

Vi lágrimas secas da esperança
dos abraços cansados
de nunca nada terem tocado.
E eu,
não sei porquê,
pouco entendo do começar
dos novos caminhos.
Fico-me
num contínuo deslizar
para o álbum das fotos
com rostos cada vez mais ausentes.
Corre! Corre!
Não largues o horóscopo
que tem escrito
a tua última vontade.
Assim seja feita
a tua vida.


2017set_aNTÓNIODEmIRANDA