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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

DA INUTILIDADE DO DESEJO

 


Encostado ao candeeiro,
pinto nas nuvens
o céu do teu nome.

Retoco a espera do teu cheiro
com ampolas de optimismo
que não perfumam a inutilidade do desejo.

Queres 
que 
te 
ame
?



, ,2022Fev08_aNTÓNIODEmIRANDA

sábado, 27 de janeiro de 2024

“CANÇONS DE LA RODA DEL TEMPS”

 


Querida,
a guerra acabou!
Colocou na lama sangrenta
o último ramo das lágrimas
que conseguiu chorar.
Espalhou para o vento
o poema de Salvador Espriu
que tantas vezes
soluçaram juntos.
Voltou para a angústia
e só tentou apagar
a vela da solidão.
Sentou-se na pedra fria,
agarrou na capa do 
Cançons de la roda del temps
e amou para sempre
a
Cançó del mati encalmat

Miró, também estava triste… 


,2019mai_aNTÓNIODEmIRANDA





ESTENDO NO SILÊNCIO O SOSSEGO DO MEU LUGAR

 


Talvez o último fôlego esteja a acontecer, 
nesta luz gasta de aquecer calafrios.
Há memórias teimosamente caladas na pele soluços clandestinos que toldam qualquer sentir nomes que sem prévio aviso anunciam convites para as noites das facas rombas.
Estendo no silêncio o sossego do meu lugar.
Faz de mim o que quiseres, mas, não abuses mais do que o necessário, Rainha dos sonhos desenhados a granel.
Sou apenas um refúgio de cartilagens usadas nesta insatisfação que airosamente me acompanha.
Vem até mim! Chega-te para fora do meu suor, Rainha dos sonhos desenhados a granel.
Leva-me para o longe da distância maior.
Respeita-me que eu só tenho o tempo que a memória ainda não apagou.
Livra-me de alguns males principalmente daquele que incendeia a infeliz circunstância dos pecados que ainda não fabriquei.
Estou por aí. Sou uma sombra que ainda anima os juros bonificados de uma lembrança a curto prazo. Enquanto eu assim o desejar ó luz da mais fundida esperança queimada nos horóscopos programados no científico conhecimento nunca exigirei a vossa permissão para aqui agora e nos demais lugares afirmar que na minha condição de único interessado no modo como pretendo gastar os dias (mesmo aqueles com o olhar triste) estou indisponível para dar corda a todas as convicções alheias à minha vontade.
Ó Rainha dos sonhos desenhados a granel fica comigo, mesmo nas noites da lua mentirosa. Põe-me de lado sempre que quiseres mas não me roubes o calor da tua cama. Deixas-me cansado nesta sequência repetida de assassinar o teu nome no céu das estrelas desanimadas. 
Fico tonto de tanta volta que pinto neste ofício de te procurar. Como se eu alguma vez pudesse acreditar no abandono com que saboreias as minhas manhãs.
Ó Rainha dos sonhos desenhados a granel confesso não sei beijar o teu fel.
Acorda-me sempre que te apetecer escreve nos meus olhos o calendário do nosso desejo.


,2019mar_aNTÓNIODEmIRANDA


terça-feira, 23 de janeiro de 2024

SOMBRA

 Vigia a tua sombra.
Existe ainda um fantasma
dentro de ti.

A liberdade chegará
malgrado a vontade nula
que ponho na minha sobrevivência.

É chegado o momento
de encararmos as coisas
com a frontalidade possível.

Façamos da incoerência
a nossa amada e tão necessária
Coerência.
E,
sobretudo 
continuemos a evitar
as perguntas perturbadoras.

É urgente
a paixão ardente
o amor violento
que emane
sem margem para
quaisquer dúvidas
a nossa malvadez
o nosso gentil ódio.

Sim, 
a liberdade chegará
e, embora sem sermos capazes
de compreender a sua presença,
escreveremos o seu nome nas
paredes,
soletra-lo-emos
letra a letra,
pelo que ela não deixará de 
ser aquilo que sempre foi :
Uma palavra agredida
Pela nossa futilidade.

Perdoa - me! Perdoa - me 1000000 vezes
por não ter
um filho teu.
Mas tens de admitir
que a vida é dura
quando um homem 
só tem
aquilo que deus
Lhe deu!
(e deus não existe!)

Vigia!
Vigia a tua sombra
há sempre um fantasma
dentro de ti.
Vigia! 
vigia o teu fantasma
há sempre uma sombra 
dentro de ti.

Não fiques intrigado
com o teu próprio jogo:
os trunfos que podes deitar
são o espelho da tua
versatilidade.
Joga com a cautela
que te é usual
Assim, não perdes o que podes
Ganhar
(recuperas sempre o fracasso),
porque a vitória
só é possível num jogo viciado.

O que nos une,
e é necessariamente
Urgente
que disso
tenhas consciência,
é o nosso desastre
arduamente conquistado,
conseguido gota a gota
falhanço a falhanço
pela nossa imbecilidade
pela nossa cretinice.

Tomai e bebei do meu cálice!
E, que o veneno seja assaz eficiente!

Perdoai a minha coragem
assim como eu não admito!
Não aceito!
O vosso bom comportamento
a vossa boa disciplina
a vossa boa organização.

Tomai e bebei todos
este meu ódio permanente
este néctar que deliciosamente derramo 
sobre os vossos pensamentos
sobre os vossos sorrisos
que,
abusivamente
têm o gosto
amorfo do tédio!

Há um fantasma dentro de mim
que ocupa o sossego do meu corpo.
Há milhares de sombras sorridentes
que preenchem a minha imagem.

Vou!
vou esconder-me
esconder-me bem
pôr-me fora de vista
a polícia do sexo
anda por aí espalhada!
(alguém lhes disse
que tinha no frigorífico
as mãos da minha namorada!)

Como é difícil de explicar a dificuldade do amor!!!
Corações ardentes
paixões violentas
milhares de humanidades refugiadas
no medo da solidão,
que embora fecundem o desprezo
a nulidade da personalidade
e toda a tentativa individual
DO DIREITO À DIFERENÇA.
(Como é diferente
 Ser-se Diferente.)

Tomai e bebei todos!
Este é o veneno do meu corpo
para vossa glória
por mim derramado.

Dão - vos um yô - yô
e com ele brincam à felicidade.
e depois dizem -me:
assenta bem os pés
no chão!
Então
como poderei tirar as calças?
(evitemos 
as perguntas perturbadoras...)
Assumamos
De uma vez por todas
A inconveniência da comum conveniência.
Consumamos
consumamos o desejo de ser obrigatório
Consumir.
 Consumamos até á exaustão
a ânsia da ignorância,
dos prazeres consentidos
pela legalidade legalizada.

(amor: que jogo mais estranho!)

Vou escrever 
uma carta apaixonada
antes que aniquilem esta
vontade louca que tenho de ser feliz!

Corações violentos
paixões ardentes: enterrem
       a minha loucura
       na curva
       do rio.

Haveremos de viver!
(O homo sapiens
usa perfume penetrante
bebe coco cola
e encharca o corpo 
com desodorizante).
Assim, tudo! 
tudo não passa de
reclame
iluminado pelo néon
da nossa estupidez.
Ámen!
Desolação!
Sou um anjo da desolação!
Estou farto de lutas
árduas conquistas e 
principalmente
do herói de celulóide
que aconselha a pasta dentífrica
que devo usar.

Resta - nos esperar
pela imortalidade da morte.
Porque
As pessoas diferentes
acabarão por realmente

VIVER !




84.jan, aNTÓNIODEmIRANDA


segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

AMY W.

 


No último degrau do sonho que deixaste, 
doí-me demasiado o não poder ouvir-te, 
e o meu coração é um copo de vinho 
que nunca molhou o teu penteado. 

O mundo sempre aborrecido, 
desprezou o teu olhar de sereia atrevida, 
navegando o tempo que não te quis merecer.
 
As boas estrelas voltam ao sonho, 
acompanhadas de um sax que grita ajoelhado, 
o tímido amor de só te quer beijar. 

No teu céu, estará à espera 
um cálice sempre cheio de saudade.

Aqui, vou rasgando aqueles aplausos 
que tanto te enganaram.



2017set_aNTÓNIODEmIRANDA


ALVÍSSARAS

 


Há por aí alguém que possa explicar o que vai na alma de um poeta?
Há um burburinho como pano de fundo dirigido por golfinhos contentes, guardadores de museus sem visitas curiosas.
Escondo a minha timidez numa moldura para ninguém a fotografar. Sou uma falsificação sempre presente, diluída num cocktail presumido.
Fecho-me nas copas deste baralho desordeiro e sonho um dia investir nas acções da companhia das ideias vagas. Ninguém me afina o teclado e começam a ver-me como uma antiguidade não apetecível. Estou fora do catálogo das superstições idiotamente confiáveis. Assim como uma velharia com a alma em 2ª mão. A lua que me acode jaz enrolada numa carpete azul. Ninguém visita a minha galeria, e o marchand está a ficar nervoso nestes tempos selados em horas encolhidas. E o bater do cansado relógio, acabará como sempre, por adormecer a parede.
Fica tão longe!
Anuncia-se um concurso de cartomantes, excelentes executantes nos procedimentos do “um-dó-li-tá”.
Há por aí quem compreenda o que vai fugindo da cabeça do poeta?
Dão-se alvíssaras.




Melides,2017,jul_aNTÓNIODEmIRANDA


domingo, 21 de janeiro de 2024

CALENDÁRIO DEFEITUOSO

 



Passam os dias

Num aceno

Nem sempre

Desejado


Despejo

No seu acontecer

As palavras da

Nostalgia




,2024Jan20_aNTÓNIODEmIRANDA