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domingo, 22 de outubro de 2023

OS DIAS DO FIM

 


Embalados gota-a-gota 
exibidos em raids de drones 
na sebenta realidade 

Todos os sangues 
acontecem no cenário 
assassino 
dos gritos repetidos

Até quando?

Estratégias falsificadas 
condenam hipocritamente 
o fiasco habitual

Morre-se em todos os momentos 

Sobretudo nos lugares 

onde a vida há muito desistiu 

de aparecer



,2023Out19_aNTÓNIODEmIRANDA


APARAS DO TEMPO

 


Vazio

Era o seu nome

Só uma vez sorriu

&
isso foi o maior
incómodo
da sua vida

Anda por aí
lapidando aparas
do tempo


2018Out_aNTÓNIODEmIRANDA




NEGATIVO...

 


.2014_aNTÓNIODEmIRANDA


sábado, 21 de outubro de 2023

SOSSEGO

 


                        Velha fraga escondida

                                    Enternece com o olhar

                                                                O voo de quem a                                                                            procura




,2017nov_aNTÓNIODEmIRANDA


SUI GENERIS

 


A sua chamada 
vai ser reencaminhada para um rating 
de acordo com o seu lixo. 
Devo ficar ou partir perguntou ele 
ao seu botão prestes a cair. 
Tombado dizia este 
que a fidelidade não é hereditária. 
Meteu o solstício no braço 
e queimou a carteira onde dormia 
a previsão fisiológica das nuvens 
com temperatura amena. 
Dobrou o sui generis no modo perversão 
e espalhou aquele risco 
com o sistema de aspiração central.
Mais tarde 
o registo emocional 
explicaria com fala de pontos finais 
qualquer coisa como...



,2016,05.aNTÓNIODEmIRANDA


O RESTO...

 


Não sei
que vento me leva
nem maré 
para onde caminhar

Gosto deste rio
e dos seus passos em volta
que não me procuram
qualquer destino

Consigo agarrar sorrisos
em forma de anzol
e sinto-me marinheiro
da minha própria vela

Assim,
vou ao que interessa
porque o resto… 
já está feito


,2015,aNTÓNIODEmIRANDA


O QUE FAZER?

 


O que fazer
Com esta fúria de viver?
Ignorar este tempo
Que passa lento demasiado lento
Lento na vida Apressado no morrer.
O que fazer  Com este sorriso?
Sempre igual Traiçoeiro
Que sorri quando eu não quero
Embora no desespero Ele seja verdadeiro.
O que fazer  Com esta espera?
Que de tanto ter de esperar
Já desespera.
Aniquilem - me!
Aniquilem - me por favor.
Que me importa esperar
Se o tempo já roeu a esperança
Embora digam ( e eu não acredito )
Que quem espera sempre alcança.
Até quando?
Até quando poderei manter
Este optimismo?
Esta máscara
Já pouco me ajuda Já molda no meu rosto
A tristeza Embora com a subtileza
Que lhe é peculiar.
Até quando continuarei a fingir?
Que eu existo?
Fingir que poderei falar contigo!
Porque não matar - te de vez
Para que não penses que eu minto.

 


10.03.86. 09aNTÓNIODEmIRANDA