

A bela sonolenta, deitada na cama,
ouvindo a lenga-lenda da ama,
espera a fingir de acordada,
a chegada do cavaleiro da Kawasaki 1100,
produzida no Camboja,
onde nunca lhe contaram,
que ali caíram bombas.
Vestiu a combinação de lingerie adequada,
para a noite da desfloração,
e muda reza a Buda,
pedindo para que o príncipe encomendado,
não se esqueça do Black & Decker, made in Japan.
Lembra-se vagamente do Enola Gay.
Que raio de coisa haviam de mentir.
São rosas!
Escreveu-lhe uma rainha de um distante país.
Mas de cada vez que olhava pela janela
só via os espinhos
que mancharam a humanidade.
Melides,2016,07aNTÓNIODEmIRANDA
Porra!
No final desta vida,
o filme morre mesmo a sério.
Foi só um momento a fingir ternura,
um cenário não conseguido
numa gelatinosa apoteose,
roubando a corda do relógio do tempo que vai cansando.
A pretensa simplicidade muitas vezes,
torna-se na nódoa predilecta
das pessoas sem dias para contar.
,2020Julho_aNTÓNIODEmIRANDA