Pesquisar neste blogue

terça-feira, 17 de outubro de 2017

JÁ NADA ESPREITA NESTE MATAR QUE TANTO NOS ASSASSINOU

Não sei por que cada vez que me esperas, estás sempre no outro lado. Assim nunca poderei entregar as flores colhidas nas radiografias que compus para ti. E o descalço do teu caminhar, faz de mim uma demora cada vez mais cansada. Quisera o amor, que não sabemos como é, que tu chegasses leve como o sorriso que tatuaste no meu olhar.
Sabes, a vida vai morta, acompanhada pelo sino que grava na minha pele, o som de te ter perdido.
Já nada espreita neste matar que tanto nos assassinou.
,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA

SENDO ASSIM...

Louvo aqueles que pelo menos fizeram bem uma só coisa.

Tenho pena dos outros, para quem carregar no botão do autoclismo, possa ser um acto sublime.

Sendo assim...
Tirar macacos do nariz, não deixará nunca de ser uma nobre possibilidade.



,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA

COMO PASSAS-TE?

Como passas-te?
Não me parece lá grande coisa.
Não te esqueças que ainda temos coisas em comum.
O que iremos fazer neste papel?
Não há manuais para o sucesso

nem enciclopédias para a ignorância.
Snifaste-me.
Parámos naquela noite sem pensar viver.
Nunca tenho tempo para afastar aquele pêndulo incendiando as chamas do jogo das partidas perdidas. O amor é uma fenda profunda como a ferida da canção que não chegaste a ouvir. Os deuses fúteis que sempre prometeram abusar-nos, continuam entretidos no logro.
Embrulhar-te na minha casca.
Ligo-te amanhã, depois dos ontens que nunca tive.


,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA

DEIXA ESTAR

Deixa estar.
Sombras velhas conhecidas rasgam caminhos
Não pertenço aqui a este lugar naufragado que não me deixa fugir da lição mentirosa do professor com a cartilha errada, que pensava que me iludia. Mas eu só via o gato encostado no vidro da janela que no seu manso miar comentava o que lá fora acontecia. Não me pertenço nem nos sóis que pintam de vermelho a areia.
Foi apenas um sonho beijar o teu rosto como se a tela onde te abracei, alguma vez tivesse aparecido. São lentos e sem verdade estes lençóis que vejo reflectidos no tempo que nos separa com momentos cada vez mais mentirosos. Tenho nas mãos as rugas deste rosto sem mim, olheiras que já não peneiram o saldo negativo da vida que agora tudo subtrai. Há um projecto de lei ansioso pela aprovação da inutilidade das memórias que hão-de chegar. E um desejo mesmo sem futuro, que consigna a salvação dos defuntos inteligentes que morreram de véspera. Entretanto naquela rua há um cão incomodado pela sirene do 112. Não gosta que incomodem a sua preocupação. Rosna o cão. A dona, morta não dá por isso. No domingo há procissão. Na quermesse vende-se pão com chouriço. O padre enraba o sacristão. Cada um fode com o que tem à mão. Ninguém tem nada a ver com isso. Tocam os sinos a rebate. A gravação com os decibéis distraídos, avisa no meio dos gemidos:
Irmãos!
É preciso manter a calma!
Isto só acontece em marte.

,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA

GOSTAVA DE TE ESCREVER ROSAS

Gostava de te escrever rosas.
Mas quem sou eu,
a quem todos os espinhos
rasgam as letras do teu nome?
Preciso de um avental com luvas amigas,
e sobretudo de um vaso
para regar a tua sombra.
E uma foice amigável
para não magoar a vontade
com que te quero.
E uma tarefa,
cumprida não como promessa,
só para enlatar o azeite
que algumas vezes nos temperou.
Sou o que sou!
O que quer dizer,
que sem ti,
continuo a ser
o
nada.
Gostava que estivesses aqui,
e que o dia que agora tão mal me trata
não tivesse que acontecer.



,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA

ODEIO VER-TE PARTIR

Odeio ver-te partir.
Logo agora,
que pintei
as paragens do autocarro,
com uma nova espera.



,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA