Sou tão pequeno para gostar disto.
A minha felicidade cabe agora nos bons domingos. Meu deus! Não me embrulhes um mercedes-benz.
Bom dia, alegria. Já não quero que me ofereças algo mais.
Fica! Fica só esta noite.
Estou abraçado a uma juke box, a única amante dos meus últimos 50 xelins.
Vou apanhar aquela morena loura e vou oferecer-lhe uma dança à Mick Jagger.
Só peço que ela esteja atenta.
Não sei porque o meu coração está a sangrar.
Vejo-te como o deus que sabia que o filho iria morrer.
E eu que não tenho palavras que escrevam o perdão.
Acredita em mim!
Eu não sou desses.
E este balanço que não me dá descanso?
E eu que não consigo chegar até ti.
Perco-me neste chorar constante.
Faz de mim o teu insano amante.
Guarda as lágrimas que só querem
dizer que te amo.
Esquece a minha falta de jeito.
,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA
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quarta-feira, 4 de outubro de 2017
LIQUIDAÇÃO TOTAL
Há bocados que guardamos com a falsa promessa que mais tarde irão fazer-nos falta.
Mas o tempo não passa de uma revista com muitas páginas desactualizadas que nunca rasgámos.
Seria mais fácil acreditar nas coreografias sorridentes e conjugar as ausências num passado excluído. Tenho um tecto proctecor onde se esconde um manto furado em permanente liquidação total. Enrola-me a cabeça com uma toalha tépida de sumaúma e afaga-me as pálpebras numa ficção admirável.
O mundo novo que promete chegar, não passa afinal de uma projecção recauchutada.
Mil sons espumam nesta curva de cotovelo ferido com a derrapagem anunciada.
E, estes bocados,
o tempo não os deixa apanhar.
,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA
Mas o tempo não passa de uma revista com muitas páginas desactualizadas que nunca rasgámos.
Seria mais fácil acreditar nas coreografias sorridentes e conjugar as ausências num passado excluído. Tenho um tecto proctecor onde se esconde um manto furado em permanente liquidação total. Enrola-me a cabeça com uma toalha tépida de sumaúma e afaga-me as pálpebras numa ficção admirável.
O mundo novo que promete chegar, não passa afinal de uma projecção recauchutada.
Mil sons espumam nesta curva de cotovelo ferido com a derrapagem anunciada.
E, estes bocados,
o tempo não os deixa apanhar.
,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA
JÁ NOS CONHECEMOS?
Já nos conhecemos?
Tenho sempre a ideia que bebemos do mesmo branco, ou então sorri para aquela palavra do poema, onde estavas escrito.
Sentados à mesa com o tampo do velho mármore lascado, tivemos longas gargalhadas, como se os poetas pudessem estar sempre felizes.
Naquele tempo a poesia deixava de ser um cristo crucificado e as folhas que não escrevemos, serão porventura grandes abraços.
Penso que falámos.
Mas guardo na cabeça essas conversas.
Até porque algum bisbilhoteiro poderá pensar que as entendeu.
,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA
Tenho sempre a ideia que bebemos do mesmo branco, ou então sorri para aquela palavra do poema, onde estavas escrito.
Sentados à mesa com o tampo do velho mármore lascado, tivemos longas gargalhadas, como se os poetas pudessem estar sempre felizes.
Naquele tempo a poesia deixava de ser um cristo crucificado e as folhas que não escrevemos, serão porventura grandes abraços.
Penso que falámos.
Mas guardo na cabeça essas conversas.
Até porque algum bisbilhoteiro poderá pensar que as entendeu.
,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA
QUERMESSE
Era o mais velho naquela quermesse.
Mas nem por isso lhe emprestavam
a devida atenção.
Desenrolou o discurso previamente improvisado
e no seu fato aprumado,
esquisitamente sofisticado,
botou a palavra.
Mais uma vez,
agradeceu os bocejos do espelho.
,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA
Mas nem por isso lhe emprestavam
a devida atenção.
Desenrolou o discurso previamente improvisado
e no seu fato aprumado,
esquisitamente sofisticado,
botou a palavra.
Mais uma vez,
agradeceu os bocejos do espelho.
,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA
terça-feira, 3 de outubro de 2017
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
ROCK`N`ROLL ANIMAL
De cócoras no meu canto, retoco a vida em jeito de brincadeira várias vezes repetida. Nunca admirei os heróis com banda desenhada, nem a vergonha adequada que me impunham. Saltei outras vistas, soltei as minhas conquistas, e sabia que aquilo que esperava iria acontecer. Sou do género dos sonhadores indestrutíveis. Algumas vidas deram-me razão, outras assim que tal, muitas outras também pouco não. Atravessei os oceanos que dividiam o meu coração. Caminhei sempre de pé deixando as asas no chão. E continuo a tentar infernizar as dúvidas que não me pertencem. Só estou fora da lei, porque a lei nunca me respeitou. Emprestei a minha alma a um bom ladrão que gostava de comer couscous. Ninguém o conhecia, e alguns, desconfiados dessa mania, colaram a sua biografia numa cruz. Mau trabalho, embora publicitado nas embalagens de sais de banho. Entretanto, há uma voz que reza, que nada preza a minha vontade de voar noutras nuvens. Leio o mais que posso, sempre que não me esqueço do prazo de validade desta opção. Baixo o som da guitarra, desligo os efeitos do amplificador, e deixo que a calma chegue vagarosamente até mim. Escrevo canções para o acaso. Os caminhos do medo pensam que são a minha estrada. Pinto-os nas passadeiras com cores invisíveis para que os curiosos as ignorem. Podia desejar estar noutro lugar, mas também não me lembro. Toda a gente pensa que está feliz, naquele bar que mostra a música que os engana. Sovacos mal cheirosos, trocas de sorrisos mentirosos, um roçar de penas para sempre feridas, olheiras de sexo adiado, e, tudo é bom, não foi? Vamos dançar até o laço nos apertar, esperar até cansar esta ideia absurda que não assassina a nossa velhice. Vamos tirar um retrato que não minta o amor que queremos verdadeiro. Vamos endireitando o caminho que nos subtrai, arrasar o olhar que pensamos estar numa dor nunca pintada nas praias do arco-íris. E pensar que alguma vez qualquer coisa poderá acontecer. Os desejos bons cansam tanto! E as semelhanças que não nos reconhecem, não merecem qualquer respeito! Não sei o que me prometi. Toda a gente está ausente nesta corrida fora do meu mundo. Talvez seja uma boa hora. Mas o meu relógio fugiu do baile dos segundos. E corre, corre sempre, para longe de mim. Strippers domésticas, enrolam com esmero o meu pijama e dançam com toda a pompa e circunstância uma música do Lou Reed. Uma questão de bom gosto. Reconheço o baixo do Fernando Sanders trepando o “Rock`N`Roll”. Porque não nos conhecemos? O perto nunca teria de ser o infinito do longe. Todas as luzes foram apagadas e a única hipótese não passou de um concurso assombrado pela tv. E a escuridão que nos quebra, é agora uma paisagem embrulhada num outdoor olhada por transeuntes com a pressa às costas.
Há um céu onde já não cabemos, uma estrela que ignora o nosso nome e um anjo que quando passa por ela, altera a rota para outro inferno. O que fizeram de nós, vida tentada, atrevida, congelada numa carne branca que tanto nos magoou. Balouça comigo uma dança sempre estranha, mansa de cor, penteada com nós que não me pertencem.
2017set_aNTÓNIODEmIRANDA
Há um céu onde já não cabemos, uma estrela que ignora o nosso nome e um anjo que quando passa por ela, altera a rota para outro inferno. O que fizeram de nós, vida tentada, atrevida, congelada numa carne branca que tanto nos magoou. Balouça comigo uma dança sempre estranha, mansa de cor, penteada com nós que não me pertencem.
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