chegou a casa
deu a volta
à mesa vazia.
o patrão come lagosta
o operário demagogia.
penhorou a saúde
com a cautela da morte.
que importa
o fim do mês ???
hoje é dia um
e ontem não comeu
outra vez.
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segunda-feira, 14 de março de 2011
CELEBRAÇÃO
Complicamos
Tudo o que não devemos
Até a morte complicamos
Mesmo antes de morrermos
Complicamos a vida
Sem sequer a vivermos
Projectamos o destino
Com teorias banais
Dificultamos o tempo
Que não é nosso
E logo achamos que as horas
São um osso duro de roer
Complicamos o riso
E toda a sua vontade
Abraçamos o medo
E inventamos armas letais
Que não matam a nossa triste realidade
Vemos os filmes dos outros
Com enredos que a fingir
Nos fazem doer
Rejeitamos
Ignoramos
Qualquer convite à felicidade.
Cantando
Celebrarei a morte
Se assim me ajudar
O engenho e a sorte
ago.2010
Tudo o que não devemos
Até a morte complicamos
Mesmo antes de morrermos
Complicamos a vida
Sem sequer a vivermos
Projectamos o destino
Com teorias banais
Dificultamos o tempo
Que não é nosso
E logo achamos que as horas
São um osso duro de roer
Complicamos o riso
E toda a sua vontade
Abraçamos o medo
E inventamos armas letais
Que não matam a nossa triste realidade
Vemos os filmes dos outros
Com enredos que a fingir
Nos fazem doer
Rejeitamos
Ignoramos
Qualquer convite à felicidade.
Cantando
Celebrarei a morte
Se assim me ajudar
O engenho e a sorte
ago.2010
bestiário
o que nos resta
depois de separarmos o que não presta ?
deitar fora as horas do tempo
para envelhecer calmamente
embora se apresse a pressa
de apagarmos a memória
de controlarmos o pensamento ?
de riscar o calendário
desta batalha perdida
mesmo antes de ser vencida
à qual ainda chamamos vida
e que faz de mim um bestiário ?
e esta vontade que desafia
e que programa dia a dia
esta ausência de revolta
que só nos dá a derrota
à qual teimosamente
etiquetámos de vitória ?
85fev.
depois de separarmos o que não presta ?
deitar fora as horas do tempo
para envelhecer calmamente
embora se apresse a pressa
de apagarmos a memória
de controlarmos o pensamento ?
de riscar o calendário
desta batalha perdida
mesmo antes de ser vencida
à qual ainda chamamos vida
e que faz de mim um bestiário ?
e esta vontade que desafia
e que programa dia a dia
esta ausência de revolta
que só nos dá a derrota
à qual teimosamente
etiquetámos de vitória ?
85fev.
balada do prazer
isso ...
essa carícia
com malícia
o nosso amor é um tango
dançado swingadamente
cada vez melhor
cada vez mais diferente
adoro o teu dançar
e ainda sinto que é pouco
embora me tornes louco
de tanto te amar.
sim ...
a língua na boca
a mão na coxa
esta alegria quase rouca
de respirar o teu olhar .
85mar.6
essa carícia
com malícia
o nosso amor é um tango
dançado swingadamente
cada vez melhor
cada vez mais diferente
adoro o teu dançar
e ainda sinto que é pouco
embora me tornes louco
de tanto te amar.
sim ...
a língua na boca
a mão na coxa
esta alegria quase rouca
de respirar o teu olhar .
85mar.6
ausência
como de costume o
amor passou ao lado
e derramámos esperma
para celebrar a sua ausência.
85mar6.
amor passou ao lado
e derramámos esperma
para celebrar a sua ausência.
85mar6.
sábado, 13 de novembro de 2010
mãe
sentado na sua campa teso como de costume
lembro-me de muitas conversas e do modo como aceitava as minhas mudanças de humor eu sei o que vale uma flor agora que só posso falar com a sua ausência passo o tempo numa peneira plena dos seus sorrisos e de alguns planos para o futuro sou o que sou e mais que ninguém você o sabe alguma coisa a morte levou mas lembro-me perfeitamente quando se despediu de mim com um olhar apressado para a viagem sentado no frio do mármore não consigo chorar tudo o que pretendo mais que ninguém você conhece o que poderão significar as palavras que me levam até si desta vez não vou mentir a verdade é que não me tenho portado bem talvez porque saiba que já não se pode preocupar hoje vou ler-lhe um poema daqueles que por vergonha minha nunca cheguei a mostrar sentado na sua campa teso como de costume
ainda não consigo lembrar tudo o que pretendo
não sei quando me vou libertar mas já vi o arco-íris na minha janela eu sei que todos os prognósticos são reservados e as funções vitais são uma grande treta respeito a coragem mas você sabe como odeio a resignação e o tentar terá de ser sempre uma obrigação sentado na sua campa juro que não tenho vontade de abraçar o mundo este silêncio tem o som da conveniência e a minha melancolia não é obrigatoriamente triste o céu é um lugar onde nada acontece embora toda a gente acredite na sua festa sentado na sua campa só como de costume revejo imagens que me vestem e você sabe que eu sou um optimista descaradamente teimoso mãe você sabia que o cheiro dos meus cigarros era diferente e eu nunca toquei em nada que me fizesse mal á cabeça nem mesmo os cogumelos e quando eu ficava a ouvir todos aqueles blues você desligava o aspirador para escutar a música triste mãe eu continuo a ouvir essa música e dou-lhe inteira razão uma perda nunca é alegre sentado na sua campa olho o tempo do tempo soletro horas com hábitos de felicidade que já só têm o cheiro da despedida mãe continuo maluco daquela maneira que você sabe mãe continuo à espera daquele modo que você entende agora deixo-lhe os meus poemas
esperarei por si no clube dos poetas mortos
até logo
setembro12.2006
lembro-me de muitas conversas e do modo como aceitava as minhas mudanças de humor eu sei o que vale uma flor agora que só posso falar com a sua ausência passo o tempo numa peneira plena dos seus sorrisos e de alguns planos para o futuro sou o que sou e mais que ninguém você o sabe alguma coisa a morte levou mas lembro-me perfeitamente quando se despediu de mim com um olhar apressado para a viagem sentado no frio do mármore não consigo chorar tudo o que pretendo mais que ninguém você conhece o que poderão significar as palavras que me levam até si desta vez não vou mentir a verdade é que não me tenho portado bem talvez porque saiba que já não se pode preocupar hoje vou ler-lhe um poema daqueles que por vergonha minha nunca cheguei a mostrar sentado na sua campa teso como de costume
ainda não consigo lembrar tudo o que pretendo
não sei quando me vou libertar mas já vi o arco-íris na minha janela eu sei que todos os prognósticos são reservados e as funções vitais são uma grande treta respeito a coragem mas você sabe como odeio a resignação e o tentar terá de ser sempre uma obrigação sentado na sua campa juro que não tenho vontade de abraçar o mundo este silêncio tem o som da conveniência e a minha melancolia não é obrigatoriamente triste o céu é um lugar onde nada acontece embora toda a gente acredite na sua festa sentado na sua campa só como de costume revejo imagens que me vestem e você sabe que eu sou um optimista descaradamente teimoso mãe você sabia que o cheiro dos meus cigarros era diferente e eu nunca toquei em nada que me fizesse mal á cabeça nem mesmo os cogumelos e quando eu ficava a ouvir todos aqueles blues você desligava o aspirador para escutar a música triste mãe eu continuo a ouvir essa música e dou-lhe inteira razão uma perda nunca é alegre sentado na sua campa olho o tempo do tempo soletro horas com hábitos de felicidade que já só têm o cheiro da despedida mãe continuo maluco daquela maneira que você sabe mãe continuo à espera daquele modo que você entende agora deixo-lhe os meus poemas
esperarei por si no clube dos poetas mortos
até logo
setembro12.2006
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