Pesquisar neste blogue

terça-feira, 15 de setembro de 2026

A ONDA SENTIMENTAL OCASIONALMENTE CHEGADA DE UMA GARRAFA DE BOURBON

 


Olhas para a manhã, céu vermelho nos olhos, tentas acreditar que afinal o destino é aquele percevejo que percorre a parede sul do quarto mil vezes por dia ou mais. Saco de viagem na pele, a estrada continua a ser o lugar preferido. 
Alvejado no desejo por vozes invejosas, uma catarata emotiva convida a última ceia para a apresentação do almanaque do “Único e Verdadeiro Deus Vivo”. 
Cogumelos são porreiros e continuam a amar onde lhes é possível. 
Óptimo, disseste! Óptimo, respondi. 
Verdadeiramente sinto-me assim quando a tentação começa a bailar na algibeira. 
“A Onda Sentimental Ocasionalmente Num Trago de Bourbon”:
O nosso amor é diferente, tão diferente, diferente que o algo que nos une, são exactamente as mortalhas. Porque te amo e não acredito no amor, Porque te quero e odeio a possessão, porque desejo-te e logo me farto, Porque tive de mudar três vezes de caneta para escrever isto…Por favor, não me acredites! (Amor é tirar macacos do nariz e depositá-los no colarinho do gajo que não gramas). O suicídio não tem dor! Se a vida corre sem problemas, suicida-te! Se vai mal, deves fazer o mesmo. Eu continuo a mijar no Tejo! Quando oferecem… exigem! E a sedução nunca terá de ser um roubo. Nb: aqui o contrário não é recíproco. Wake up in the morning, red sky into your head. 
Bem-disposto, penso defecar na algibeira do ministro. Tudo em mim e em relação a qualquer governo, é sinistro. Só vivo o momento! Nunca os espaços limitados pelos ponteiros do relógio. 
Quando o acordar e as suas paredes nuas desenham uma única saída: a futilidade do quotidiano. Olhas para a manhã e lês nas rugas da decepção, aquilo que querem fazer de ti:
Patenteado; registado: Numerado: Dirigido: Legislado: Regulamentado: Parqueado: Doutrinado: Prejudicado: Controlado: Calculado: Depreciado: Etiquetado: Censurado: Comandado: Anotado: Recenseado: Tarifado: Selado: Medido: Avaliado: Licenciado: Autorizado: Rotulado: Admoestado: Impedido; Desenformado: Impotente: Corrigido: Fodido e Mal pago: Vendido: Parvo!
Não sei, nem me interessa o que poderá advir de uma qualquer dinastia de espelhos bafientos…











,2026Set_Vila Chã_ aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

CONSELHOS SEM CONSERTO

 


Se a voz fosse escrita 

Para que a vontade deixasse a esquisitice 


Se o futuro não fosse intrujice 

Quando o presente fugisse 

Até “ao resto que se lixe” 


Talvez a verdade 

Não fosse lá grande chatice


E, se o céu não fosse redondo, 

Onde se esconderiam tantas mentiras?


Toda a gente, 

E eu também não, 

Pensa no verbo que não prescreve


O tempo

Esse infindável rolo de papel higiénico 

Ilustrado pelos filósofos da eucaristia domesticada, tenta animar 

uma Desleixada conveniência


Está na hora de mandar enterrar 

Os acertos do relógio


Eu fico-me pelos restauros 

Dos conselhos sem conserto. 



2026Ago29_Vila Chã_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com






CONTAS DO SUMIR

 


Enlaçado na velha oliveira, 
o último poema cata memórias 
antes da apanha das contas do sumir. 

Na panela das histórias, 
gotas de gratidão confortam memórias 
onde gatos com olhos de peixes domingueiros,
 oferecem abraços há muito escondidos.

E, 
todos sabemos que o respeito publicitado na tv, 
será continuamente coisa de somenos…  



,2026 Set8_Vila Chã_ aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com










A SOMBRA DO SILÊNCIO


 

domingo, 6 de setembro de 2026

BAILE DO COTONETE

Vou pisando nuvens neste chão
que não me é sagrado,
nem sei agora que pecado devo cometer.
Visto luvas de frenesim nos pés
para não magoar a memória.
Triste ideia marinada em alecrim
que me consola um olfacto constrangido
devolvendo-me santidades de caruncho.
Estou aqui,
onde não me pertenço,
náufrago de um mar de fotografias
que ainda não rasguei.
Continuo os dias
com a infindável esperança
de ser benzido por gotas de chuva
com sabor a Jack Daniel`s.
Vou atrofiando a amnésia
nesta lipoinspiração
escondido na sentina
alegrando as impressões vegetais
do baile do cotonete.



,2017fev_aNTÓNIODEmIRANDA

poemanaalgibeira.blogspot.com

sábado, 5 de setembro de 2026

SORTILÉGIO DIVERSIFICADO

 


Sonho que de mim não existe 

                        Choro medonho 

            Prece fugida 

                                                Ondas 

            Zumbidos 

Só queria caminhar neste afoito 
sentir 

Só desejava não divagar 

Achar sem habitar o refúgio 
do tolo convencimento 

Saudades daquele calhar

Que tardava 

A solidão







,2024Ago_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

BLACK MAMBA

 

Ouço passos nesta lembrança que só esquece, 
e me vai abandonando num rodopiar de truques encenados num filme antigo.
Onde estão agora os que se enganaram no destino?
A varrer o medo com uma vassoura mentirosa
ou talvez a pintar o silêncio nas janelas
com vidros bordados a ponto cruz.
Rosas com espinhos tristes 
açoitam a dúvida dos seus rostos 
e sentados na cadeira do esplendor 
prometem apontar na melhor direcção.
Já nem sequer é uma alucinação.
A ferrugem nunca dorme. 
É o modo dela temperar a pele.
Almas "zombiadas", acendem velas de aniversários nas festas soturnas com animação cultural fecundada por dj`s manetas da cabeça. 
Sequelas apressadamente limpas a seco
tentam mostrar a etiqueta da última aparição. 
Uma mão infectada estica a língua
escrevendo borbulhas na certidão de óbito.
Se calhar há coisas que acontecem fora do tempo.
Uma "black mamba" destruiria sabiamente esta mentira.
Mas isto geralmente não é como nos filmes.


,2017out_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

REVISTA NERVO 28. ESPECIAL DIRECTO





 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

ARRUMAR A GAVETA

 

Ir sem voltar
partir ao meio
sem receio
o podre da vontade
e diluir 
no suspiro
mesmo mentiroso
a mínima serenidade
com que julgamos
despertar o relógio

Sentir
um outro modo
arrumar a gaveta
com um aceno breve
para que  fique
a distância que quer fugir

Voltar não faz sentido
quando o ir é um verbo obsceno

Ir e voltar
ao lugar
sem lá estar




,2017dez_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

REVISTA NERVO 28. AUTOBIOGRAFIA. Para que conste...





 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

SABEDORIA

 

O Sábio

Que Mostra Que Nada

Sabe,

É 

O Único

Que Não Engana

Ninguém.


,2017marçoaNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

NINGUÉM PODE SALVAR A MINHA ANGÚSTIA

 


Descalço escorrego no costumeiro 
pesadelo.

Nau de súplicas de sangue
rasgando as veias da memória.

Quem sou?
pergunta o desânimo 
enforcado no destino.

                                Alvejo 
                                Uma a Uma
                                as agulhas do desalento
                                roubadas ao relógio 
                                da penúria.

O tempo
é um prenúncio esquisito
sempre agarrado à urgência
que não me deixa escapar.

            Eu, 
            Aquele que ainda procura 
            os sons
            do último silêncio. 





,2024Ago_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

ASSIM SEJA FEITA A TUA VIDA

Vi tantas dores sem sentido
que só queriam a todo o momento
matar a morte....

Vi lágrimas secas da esperança
dos abraços cansados
de nunca nada terem tocado.
E eu,
não sei porquê,
pouco entendo do começar
dos novos caminhos.
Fico-me
num contínuo deslizar
para o álbum das fotos
com rostos cada vez mais ausentes.
Corre! Corre!
Não largues o horóscopo
que tem escrito
a tua última vontade.
Assim seja feita
a tua vida.


2017set_aNTÓNIODEmIRANDA

REVISTA NERVO Nª. 28 Fizeram o favor de publicar alguns poemas meus. MUITO OBRIGADO!

 


NÃO QUERO TER SAUDADES DE MIM

 


O

Velho

Fantasma

Adormeceu

Aqui





,2024Ago_aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

A MEDIDA DA MENTIRA

 


Alguém cremou o sonho julgando que era a mentira.
Ainda estariam verdes os desejos que desencaminhamos, mas as flores do feitiço, 
cansadas de tanta espera,
espalhavam versos no tempo que tardava.
E o doce remar na areia do sossego,
estendia nas dunas a mais sagrada das ausências.
Na cama do olhar nunca beijado,
cavalgavam nuvens da esperança possível.
Então, línguas de fogo derramavam nas ruas da lama, asas dos sonhos dourados.
Alguém escondido na vergonha das folhas caídas, 
rezava artifícios de dor num lamento 
tão pesaroso como a saudade.
Mãos rotas poderão erguer misericórdias
para a infinita tristeza?
Escondido nos andaimes da liberdade, 
o bando de larápios ignora o que deixaram 
aqueles que mais perder, 
já não conseguem.
    No colapso da coragem vendem-se filmes 
feitos à medida da mentira.


2026Ago25_Vila Chã_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

NA SEXTA-FEIRA PARA O SÁBADO QUE NUNCA ACONTECEU

 


Dispensei as boas vindas da usual cretinice, 
elogiei qualquer coisa mentida 
como se tratasse do simpático contentamento. 
Má sorte ter comprado este reportório. 
Prometi escrever outras palavras à Nina Simone, 
mas o meu optimismo “jazzia” doente 
sempre que tentei matar o tempo ouvindo “ain`t no life”. 
Nada sei do bálsamo que nos prometeram, 
mas continuo à espera de algo parecido comigo. 
(assim como uma bandeja de asas livres). 
Mesmo que tal voar acabe por cegar 
a pretensa meiguice do céu. 
Já não acredito em abraços estrelados! 
A Sexta-feira escondida na enfermaria 
do sábado preguiçoso, expulsou a alegria do paraíso, embora Jeff Beck no convite da sua guitarra, 
tentasse seduzir o derradeiro assomo da esperança. 
Bonnie Raitt tocava num “Slide guitar” corajoso 
a hora da partida. 
Contudo as minhas botas já não alcançam 
qualquer caminho. 
Mas, 
um vermelho garnisé, no seu louco cantar, 
teima que o jogo ainda agora começou. 
(que pena tenho da inocente carochinha, 
cansada de tanto desamor, 
que ainda anseia pelos prometidos suores 
no enlevo dos acetinados sonhos). 
A vida, afirma a sabedoria da memória, 
melhor correria com um “boggie” 
do profeta John Lee Hooker! 
Quem serei eu para discordar de tamanho 
entendimento? 
Mas hoje já é Sábado, 
apesar da hipótese 
daquela Sexta-feira que não me apeteceu. 
Porém, como está escrito na velha gaita de boca do senhor Sonny Boy Williamson, 
quem atira moedas ao ar 
é porque tem o “migalheiro” cheio de promessas oxidadas. 
Naquela Sexta-feira que não apareceu, 
uma vida noutra vida caberá no funil da expectativa?
Talvez o abraço prometido acabe por morrer esquecido! 
Possivelmente a vida sofrida daqueles que a não puderam viver no tempo sempre apressado da reservada despedida.
A pera está madura!
Tem de cair…




2026Ago25_Vila Chã_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

TUDO VAI COM OS SONOS (Senhora Isaura_28/05/1926 – 25/08/2026) *5 de Abril.2015. Um dia LINDO! A Senhora Isaura (minha sogra), lendo o m...



Só quero que as minhas lágrimas beijem a sua serenidade.
Não me apetece pensar. Depois morrer, e se possível, sem dar conta. Imaginar! Devagar! Sentar! Exasperar até amolecer a pedra da esperança! Divagar! Ousar! Mentir à crueldade da verdade! Esperar! Cada vez mais distante o tentar! Voltar! Para o nada até acontecer! Diz: vagar! Olhar no sentido ausente! Gritar no ébrio eco! Sentar! Atar! Desatar! Enrolar! Disfarçar! Atender a chamada! Fingir! Tingir o optimismo com disfarces anónimos! Anodizar! Entardecer! Emoldurar! Queimar o tempo que já não nos respeita! Rezar! Pecar! Queimar o prejuízo! Sentar! Sorrir! Quilhar até mais não o lamento entregue pela conveniência do propalado juízo! Apunhalar a puta da sorte que nos pariu! Embebedar a dor com finos repastos de hipocrisia! Juntar! Amolgar! Afiar! Partir! Despedir! Amanhecer depois de morrer! Sair antes do afligir! Erguer o sorriso enfeitado na derradeira palavra! E o adeus tocado na cara para um olhar maior do que a ternura! E a memória a sorrir para disfarçar o chorar! “e um sótão de batatas e uma pipa de vinho e uma pia de azeite e uma queijeira de queijos na vida do Vale Grande”! (assim lembrou a Senhora Odete).
Tudo vai com os sonos!
Nunca me desapontou! Nem um reparo para recordar nos 45 anos de amizade! Claro que para sempre irei chorar a sua partida! Não passo de um simples gajo que tanto aprendeu com a sua sabedoria! E no tempo que abraçamos, mesmo sabendo que o outono fugia das folhas do calendário, tínhamos sempre um cálice de respeito para celebrar tanta cumplicidade! Não se preocupe! Continuarei a cuidar da sua filha! Mais do que uma promessa, para sempre será este, o meu único modo de vida!  Esta coisa do tempo acabará por ser uma grade fadigas, e eu que tanto gostaria que o contrário muitas vezes acontecesse! Dispor simpatias na horta do paraíso, apanhar uns regalos na eira das bondades, distribuir afectos no jardim das delícias…como gostaria que por aqui estivesse! Mas, por favor, não ligue ao meu egoísmo! Ambos sabemos que os diamantes não são eternos! Mas, como poderei contrariar esta teimosia de sonhar que continua a exigir que desanque o momento da partida? O Kiko, o nosso cão tão mimado pela sua atenção, manda um abraço! Estará à sua espera! Comprei-lhe uma coleira a condizer com seu sorriso!
Tudo vai com os sonos!
Não ligue a estas lágrimas! Nunca mais aprendo a chorar como deve ser! Que patetice havia de me ocorrer! Que tempo este, minha estimada amiga! As cores estão diferentes! Mas, eu sei que a esperança ainda navega na barca do amor eterno! Aqui sentado na fila da espera, revejo 45 anos! Do cuidado que sempre manifestou para todos aqueles que tiveram o privilégio de a conhecer! Estou aqui na sua aldeia que tanto gosto! Visto uma tristeza amigável! E a senhora tanto a merece! Obrigado por ser a mão da mulher que tanto amo! Não! Não se trata de pieguice! Por aí fala-se dos dias futuros, mas digo-lhe que tal não passa de uma anomalia gerada por expectativas doentias! Muitas vezes, e lembro-me perfeitamente, nas nossas conversas comentamos essas mentiras!
Tudo vai com os sonos!
Olá!
Estará alguém por aí?
Quebrem-me as correntes da memória!
Ninguém quer saber das ideias que incendeiam o este pensar!
Confortavelmente cínico, um acervo de intenções avariadas, aponta no obituário certidões de ausências! Nada tenho a declarar! Dispenso a oferta dos heróis de banda-mal-desenhada! Nada mais importa! Nada se comparará com você!
Admito que sou aquele cujos sonhos se vão desertando!
Apesar disso, jamais desistirei!
Tudo vai com os sonos!


2026Ago25_Vila Chã_aNTÓNIODEmiRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com