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quinta-feira, 21 de maio de 2026

O TERÇO DAS PENITÊNCIAS

 


Sou aquilo que de mim nem sempre me apetece. 
Assim como uma salada de ossos momentaneamente desocupados. 
Perspicaz imolador de anúncios, repetidamente a amassar o descalabro para o arrecadar num cântaro de cinzas. 
E, numa piscadela furtiva, saúdo a velha pele, cúmplice de parábolas nem sempre bem-intencionadas. 
[Assinámos um pacto anti tirania]. 
Dizem que anda por aí a surfar numa padiola perante uma quadrilha de olhares invejosos. 
O terceiro segredo jaz num apocalipse intervencionado por lápis de cera. 
O tempo não o deixa mentir! 
Ameaça- o com uma enérgica tempestade de pó dos livros. 
A alameda da felicidade foi raptada, segundo o relatório das notícias da raiva. 
E no lugar onde o nada não termina, estende-se a toalha para o manhoso piquenique onde é proibido ler poesia. 
Não nasci para dormir com a tristeza nem uso no pescoço o terço das penitências. 
Sei que a traição do silêncio se esconde na varanda dos ocasos. 
Na esquina da impossível espera, tenho na mira o nojo delicadamente calibrado apesar da miopia entregue por anos maus conselheiros. 
Enviadas pelos mensageiros da sagrada esperança, memórias agradecidas desaguam no cais da minha gratidão. 
Então, ergo para o céu desgostos sem fim. 
Mãos sujas que nomes poderão chamar? 
Na certeza de todos os enganos, longos dias poderão tornar as horas mais desalentadas. Até porque na dor do desejo, 
a beleza será sempre uma actividade inflacionária.

2025Mai._aNTÓNIODEmIRANDA
poemanaalgibeira.blogspot.com

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