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domingo, 2 de outubro de 2022

NÃO VÁS

 

Quem dera que o tempo roubasse 
as horas que me enganaram.

Melhor seria que o céu não achasse 
o que de mim tirou.

E eu, 
ajoelhado,
mendigaria  à mentira:

por
favor
não vás
embora

 

,2022Set_aNTÓNIODEmIRANDA
Casa Branca* Praia de Melides

LADAINHA (PORQUE AS LÁGRIMAS NÃO CONSEGUEM FUGIR DAS BOAS MEMÓRIAS)

 

Carrego nos ombros a lembrança dos esquecimentos. 

Não são fáceis as horas que entregam a meia-noite. 

O deserto da solidão deita-se no aconchego das orações que inventamos para desculpar a nulidade dos anos. 

Lençóis de sujo choro não querem saber do sol. 

Realidade fastidiosa.
 
Simulacro ignóbil de bondade.

A burla legalizada deposita nos braços 
a teimosia da desilusão. 

Não há consolo algum para os passos que velarão o pesadelo. 

A felicidade está fora da lei 
chutada em becos medrosos que nunca reclamaram qualquer subsídio para a inclusão. 

Neste fogo ferido, 
fantasmas sujos afirmam no pavilhão dos vendilhões, que perdemos o consolo das putas 
que sempre nos pariram. 

A vida é uma fiel traição, 
um permanente desapontamento 
que não podemos reparar.


   

,2022Set_aNTÓNIODEmIRANDA
Casa Branca* Praia de Melides

CONVÉNIO DA RESIGNAÇÃO

 

O caminho já não tem a mesma Volta


Eu sei


Tenho outro ouvir


Que só me entrega


Desilusões 


,2022Set_aNTÓNIODEmIRANDA


COMO SE FOSSE PROMESSA


qUALQUER 

dIA

vOU 

sER 

eU

!

   


,2022Set_aNTÓNIODEmIRANDA
Casa Branca* Praia de Melides


ACARICIAR IDEIAS

 

Só 
O amor 
Inconcebível 



Alcança 
A 
Paixão 
Proibida

  

,2022Set_aNTÓNIODEmIRANDA
Casa Branca* Praia de Melides

A TRISTE FALA DO VENTO ENTREGA-ME NOTÍCIAS PARA TRITURAR NO ALMOFARIZ

 

Queria oferecer-te 
um momento quase perfeito 
- uma sangria de abraços 
- um sorriso de boas 
vindas para apenas 
receber um olhar pintado 
com as flores dos teus lábios 
- e tudo começar num caminhar 
sem promessas 
- nem vozes vestidas 
com sorrisos de mármore 
enquanto a memória 
tenta iludir os passos amargos 
do desencanto


  

,2022Set_aNTÓNIODEmIRANDA


ALEGRIAS FALSIFICADAS

 

Só porque não ofereci a noite frenética que tinha prometido, 
escolheste o nó de estimação 
para agasalhar-me o pescoço. 

Saíste sem bebermos o café das manhãs mentirosas.

Nunca abandonaste o ardil da agulha 
que prometia uma chuva que nunca te iria molhar. 

(21 gramas suicidaram-nos). 

Não tive tempo para escrever no desgosto:
para sempre irei gostar-te.

Quantas alegrias falsificamos?

Desculpa.
As minhas mãos deixaram de estranhar a ausência do teu perfume.



,2022Ago_aNTÓNIODEmIRANDA