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quarta-feira, 8 de abril de 2026

NA BOLHA DA HORA SOCIAL

 




    Um 

            Poema 

                        À 

                            Noite 

É 

                Melhor 

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2026Mar_aNTÓNIODEmiRANDA
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terça-feira, 7 de abril de 2026

FEIOS PORCOS & NÓS

 


Do que tanto prometemos na desalmada nuvem mensageira, resta o rosário da lembrança, amante da vontade que não queríamos que findasse.
Assim sejam pintados os dias no encalço da desejada alegria.
Andamos por aqui aos tombos nas amadas bebedeiras da ilusão.
Um passo à frente do outro, estrada fora, voo solitário para debaixo do vulcão, enquanto um ferrugento som da harmónica atrevida tenta dignificar a perseverança da espera.
Deitado no mausoléu da saudade, o poema da solidão segura o sorriso que tenta abraçar a escada da liberdade. 
Mas a malvadez dos sopros do silêncio assassinou o primeiro degrau.
No sonho onde já não nasce o sol, ainda exigem que permaneçamos vivos.
Ah! Ah! Ah!
No desfiladeiro das filhas da memória, consta-se que o mundo há muito deixou de ser hipótese sedutora.

2026Mar28_aNTÓNIODEmiRANDA
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MADRUGADAS VERMELHAS

 


Só espero que me compreendas

nos momentos em que não me 

entendo.

Que me elucides

a ilusão 

das palavras

que teimo dissimular.

Porque

tu sabes

que tenho horas tristes

nos sonhos esquecidos

chorados nas madrugadas

vermelhas.


2016,11aNTÓNIODEmIRANDA
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segunda-feira, 6 de abril de 2026

AS SIRENES DA MISÉRIA

 

Anjos escondidos nas cores dos fantasmas, 
flutuam no naufrágio dos sonhos estrangulados.
O velho farol acendeu as ruínas, 
e canta qualquer coisa, como se o mar 
fosse o possível amigo.
Barcas velhas,
cansadas da inutilidade da reforma,
oferecem ânforas com crédito recompensado, 
para a indecência que nos alvejou.
É tarde, grita o infame infante, 
lá na ponta, 
onde a areia acabará por nos atraiçoar.
Todos à proa!
Que se foda Lisboa, 
o aquém e além mar!
Fomos marinheiros estupidamente destemidos, 
franzinos no corpo, 
broncos no ousar.
Lá vai a nau da treta, 
que só merda tem para contar.
Todos em sentido!
Ó vento impiedoso, 
porque ainda nos queres enganar?
Terra à vista!
Nas cidades roubadas, 
esconde-se a fome, 
abafam-se as sirenes da miséria. 


,2020Jan_aNTÓNIODEmIRANDA
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sábado, 4 de abril de 2026

LIVRO DO GÉNESIS (impressão fraque-simulada)

 


Ao princípio não era nada.
E o homem pensou que isso era mau.
E foi assim que foi criada a crueldade.
No fim e por fim Deus comodamente instalado noutras paragens, continua a lamentar o maior erro da sua criatividade: o homem!
Eu bem o tinha avisado que há coisas com que não podemos brincar. Mas a bicicleta ainda não tinha sido inventada.
Moisés tinha uma vara de um acrílico carbonado alérgica a peixes, e teve a preciosa ajuda, quem diria, de um forte vento do leste. A Emel, aproveitando a separação das águas, bloqueou as rodas dos carros dos egípcios, que assim levaram uma grande banhada. Muitos deram à costa em Sevilha, onde foram oferecidas à população opulentas doses de calamares. Oremos ao Senhor que com tanta água nos libertou do imenso calor. O mar vermelho só acontece no Marquês de Pombal, quando o Glorioso ganha o campeonato. Isaías, depois de marcar ao Arsenal, tímido como era, quando lhe perguntaram o que sentiu, socorrendo-se da página de um certo livro, respondeu: eu sou bom, mas o outro é que continua a ser o Senhor do Uni-Verso. Ainda não chegou a minha vez. Palavra do treinador: ainda bem! Todo o nome devia ser santificado e infelizmente isso nunca fez maravilhas. Há quem diga que a salvação está escondida na caixa negra do aeroplano. Lázaro nunca andou, 
Abraão não sabia escrever e mais tarde foi visto a recolher um jackpot lá para os lados de Las Vergas. Isaac, sempre doido pela velocidade, treinava numa carroça com 220 cavalos. Continua preso por excesso de excremento. O filho do Abraão foi salvo da morte por um cordeiro imprudente que mais tarde foi servido em coentrada. O Salmo 32 foi alterado. Continha leituras impróprias para oníricos. Alguns dos caminhos da vida ainda não são conhecidos. Por isso, devemos continuar a desconfiar Daquele que se sentou à direita. Palavra do Senhor: ide-vos que eu fico por aqui. Não me confino nunca a que Deus seja a única esperança do mundo. É um peso demasiado para umas costas tão curvadas. A paz não é eterna e até já foi banida de muitos dicionários. Aqui estamos. Resplandecendo alegremente esta possibilidade nunca correspondida. Palavra do Senhor: Israel é uma conveniência que nunca desculpará um certo erro de cálculo. Não há lei perfeita. E a que o Senhor nos quer impor, ainda menos. Enfim, preceitos que não alegram o coração e apagam olhos que só queriam ver. O temor ao Senhor reza-nos um juízo mentiroso e também é verdade que ainda há quem prefira a posição de "seminário". Gente esta que sabia brincar. Senhor, Senhor estás sempre do meu lado e isso distrai a minha amante. A unidade, dizia o profeta Ezequiel, não pode acontecer com o Espírito Santo. É bem sabido que Ezequiel não gostava da imundice e isso já naquele tempo era uma grande chatice. A minha alma suspira por vós, mas vós, mais do que ninguém, sabeis Senhor que eu sou um mentiroso compulsivo. Como suspira o meu espírito Senhor! Mas desta vez não mentirei. Não estou arrependido. Mas eu sei que o veado suspira pelas águas cristalinas da montanha, onde cítaras tocam poemas louvando a tua ausência. S. Paulo nunca gostou dos romanos. É evidente a maneira como não manifestou qualquer contentamento pelos golos do Paolo Rossi. Baresi e Dino Zoff até lhe provocavam tosse. Aleluia! Aleluia! Gritava ele com o nariz enfarinhado quando o Nápoles de Maradona foi campeão. Ainda hoje, entre espirros gosta de falar disto. O senhor é o meu pastor! Mas a médica proibiu-me de comer queijo. 
Glória a deus nas alturas! No 35º andar vão servir Moet&Chandon e rissóis de camarão. Andainde pois então! Vinde até mim! Há gajas boas no camarim.






 2016,03_aNTÓNIODEmIRANDA
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sexta-feira, 3 de abril de 2026

3 FLORES PARA O AQUÉM

 


1

Para que conste,
porque poderá ser verdade:
nunca tentei desiludir o amor

2

Amar-te-ei se puder
morro de ti
quando deus não quiser.
Escreverei os nossos poemas
na lápide mais linda
da angústia celestial.
e então,
poderemos esperar,
que o que não nos pertenceu,
deixe de ser o amor
que nada nos prometeu

3

Não digas que errei
acerca da previsão
da nossa inevitabilidade




Melides,2016,07aNTÓNIODEmIRANDA
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NOSSA VIRGEM DA EXAUSTÃO

 



[ ouça a aflição da tristeza 
quando se rompeu a cortina da misericórdia para queimar a raiva que nos ampara
]

O que te custa?

Descer da cruz - encenar o calvário - doar os espinhos da coroa - farejar a sorte - bocejar na morte - nada que importe ao incessante pular na crista da maré dos açoites - vontade rarefeita no cair dos sonhos sempre desligados

O que te custa?

Caminhar nas asas do azar - enterrar histórias inventadas por vozes que caminham lado a lado na coroa vestida de trono onde nunca morou a glória

O que te custa?

Aplainar lágrimas de cortiça - curtir bebedeiras de tédio - bater ao postigo errado - cortejar elogios fúnebres - fundir abraços na forja da ansiada amizade

O que te custa?

Lembrar o possível – amolar a esperança – e soltar no vento o auspicioso convite daquele uivo oferecido pela catavento dados afectos

O que te custa?

Limpar a boca com o miolo da dor - riscar saudades na côdea do pão – e na medida do possível - eleger palavras do único e mentiroso deus vivo
 
O que te custa?

Sempre que for oportuno naufragar o apelo da solidão - e resolver esse assunto no tempo não apropriado

Ainda te custa?

Poderei a título privado recomendar um cal center disponível 24 horas por vida.

Nota Bem: se disseres que vais da minha parte, terei de assumir, sem quaisquer honorários, que a culpa de tal desvario, nunca será admitida por mim.

AMÉN!




2026Abr01_aNTÓNIODEmiRANDA
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