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domingo, 31 de julho de 2022
PELE GRAFITADA
O último comboio vai rasgando o tempo da espera.
Temos um pacto lisonjeiro,
possivelmente a única testemunha da despedida.
Ambos sabemos que ninguém aparecerá para libertar a dor.
Vozes deitadas ao abandono,
grafitam na pele a réstia da inútil esperança.
Nenhum lugar para abrigar a fuga.
Um sorriso idiota aplaude o aconchego
da solidão desta coragem traída.
Onde andas?
Talvez desta vez,
finalmente não chegue o tempo de encontrar
o abraço que tinha escrito um nome
parecido com o nosso malogro.
A vida é o único lugar que não engana a morte.
O que farei de mim sem as nossas mentiras?
,2022Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
sábado, 30 de julho de 2022
CREIO
Acredito na salvação. Não na minha, pois não tenho interesse nisso. Creio em tudo o que não me perturbe, em certas bondades infectadas nos cabides que amparam a cerca das felicidades vindouras. Nas ideias inúteis deitadas ao abandono. Em solidões choradas nas "bag in box" 5Lts, com origem nas regiões das carícias nunca encontradas. Creio nos lugares que enganam certos passos, na bíblia sagrada escrita pelos pastores da noite, que ainda esperam núpcias prometidas, no não sentido das coisas verdadeiramente importantes, na redundância das hipóteses não concordantes, e no vazio que não queima o significado dos instantes atrevidos. Acredito no ouro que marca a pele, no sorriso sem palestra e nas intenções não pacíficas. Creio algumas vezes em mim, claro está, nem sempre até ao fim. Creio na tolerância da intolerância, na alquimia, nunca em demasia, e sobretudo em qualquer perspectiva anacrónica que não infecte excessivamente a minha cronologia.
2018Jun_aNTÓNIODEmIRANDA
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