Pesquisar neste blogue

domingo, 5 de dezembro de 2021

USAS O MEU PERFUME NA PELE


A lua de veludo agasalha a fotografia sorridente 
que continua pendurada na minha parede, 
com o olhar desfocado, 
é apenas um pó sempre em queda, 
memória esquecida, 
deitada no chão para um frio sonho. 
Apenas te pedi para mostrares que sou o teu amante, 
e, dar-te-ei uma peça feita de mim, 
para contemplares céus que não são nossos. 
Nunca quis ser o complemento da hipótese, 
e no entanto há a ilusão latente de beijos 
e abraços sedosos, 
congelados no tempo dos silêncios. 
Eu sou uma sombra enferrujando o gelo, 
uma nuvem de ossos dourados 
cortados pela raiva da tempestade, 
uma premissa deplorável 
paga em dízimos emprestados. 
Serás tu a minha hiena, 
o manto da pobreza gritando no fogo, 
toda a lembrança deste exercício 
estampado na janela, 
sem que haja um só poema.
Usas o meu perfume na pele.
Eu ofereço-te pedras de lua.

,2017dez_aNTÓNIODEmIRANDA


Muddy Waters - No Escape From The Blues




FOI BOM, ATÉ PORQUE NÃO GOSTEI

 

Gostava tanto que a sorte me 
embebedasse 
que um só adeus me acenasse 
coisa breve 
como se de um abraço tratasse 
e eu agradecido 
lhe entregasse o laço carinhoso 
para pendurar no galho mais robusto

DESCEU DA CRUZ
AO TERCEIRO SEGUNDO
FICOU ARREPENDIDO

Vou matar estrelas 
carimbar o passaporte das fronteiras 
nojentas 
amar a desordem
e decepcionar sem quaisquer dúvidas
as cláusulas imbatíveis dos acordos 
auspiciosos



,2021Dezembro_aNTÓNIODEmIRANDA


Desert Blues - Félenko Féfé