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terça-feira, 6 de outubro de 2015

SE VOTAR MUDASSE ALGO...SERIA PROÍBIDO.

Nunca compreendi essa coisa da esperança no voto. Tenho vivido a maior parte da minha idade (59 anos e....), com a consequência da necessidade de votar. Claro que não sou contra o votar. Detesto é a enganadora hipótese, que essa função poderá trazer algo de diferente ás necessidades das pessoas. Mas também penso que essas necessidades terão de ser seriamente diferentes. A prática de votar, abusivamente usada em nome da democracia, mostra nas constantes decepções, uma realidade perversa e com consequências malignas para que votou.
Mas, o que poderei eu esperar de quem tem a necessidade, diria intestinal, de eleger quem o vai enganar? Poderão dizer que sou um sonhador, uma merda de utópico, mas, ao contrário do John Lennon, sei perfeitamente que jamais se juntarão a mim. Sinceramente não tenho pena.
NINGUÉM É INOCENTE !
E, por favor : não me venham com a estúpida questão : mas então se ninguém mandar, como é que vai ser ? Garanto-vos : eu não estou disponível.




2014.aNTÓNIODEmIRANDA

2015set19 | CRÓNICAS DE VILA CHÃ (6) | "NEM TUDO LEMBRA"

Não exijo nada. Só quero estar atento áquilo que me acontece. Hoje ajudei a plantar três árvores, com a máxima generosidade. Quero que elas medrem com a espera plena de curiosidade para despejá-las dos seus possíveis frutos. Não é troca por troca, nunca paga ou recompensa por nada que nunca se poderá saldar. É o tempo com respeito, feito alegre, acolchoado com o sabor único de apreciar. Não sou ínfimo em nada mas somente grande de decência. É uma tentação inevitável e como tal, cuidarei dela sempre que me seja possível. Não gosto de promessas, sobretudo daquelas com joelhos esfolados que conspurcam asfaltos. Velas já não se usam. A electrónica sugeriu-lhes a morte conveniente. O pior lixo poderemos encontra-lo num qualquer jazigo infestado com rendas de mentirosos arrependimentos. Fazemos caminhos tão estreitos que atrapalham o trânsito de carros de mão. Enfronhados na razão absurda andamos com molhos de flores que nos olham desconfiadas e percorremos a via sacra onde consagramos a nossa azia, e confundimos os epitáfios dos apóstolos, onde ardemos círios como se fossem parte de nós, aqui onde mentimos lambendo feridas alheias. Tanta pena em vão para não ser saudade, voos tão pequenos com lamentos em forma de posologia e indecentemente esperámos que alguém rogue por nós. Persignarmos esta prece trinchando o peru que roubamos ao pai natal. De joelhos! Aqui e agora. E agora o que fazer? Rasgar bandeiras, mas sobretudo não falhar a colocação das bandarilhas. É este o momento. Convém estar atento. A vacinação é gratuita. Os boletins pouco custam. Qualquer multinacional está empenhada, e claro, nunca preocupada, com o nosso desalento. Providenciará campanhas com descontos adequados á nossa estúpida conveniência. Alguém irá sobreviver. Rejeito qualquer hipótese de convite.


2015aNTÓNIODEmIRANDA

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A PARAGEM

Era um bom treinador.
Conceituado.
Admirado....
A critica era unânime nesta apreciação.
Tacticamente esclarecido.
Tecnicamente evoluído.
Vaidoso e destemido.
Gostava de pôr toda a carne no assador.
O árbitro aproveitou uma paragem no jogo

para meter a febra dentro da carcaça
e engoliu o penalty tinto de uma só vez.
Educadamente limpou as beiças à bandeirola de canto.




,2015aNTÓNIODEmIRANDA

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Fico contente.


ANARQUIA PRECISA-SE!


Existo Logo trabalho Vendo-me Consumo E sou consumido. Sentado á secretária, Imagino & sou feliz Vendo os ponteiros do relógio Apressando um tempo Que em nada me dignifica.
Ser figurante nunca fez de alguém importante. Ainda nos torram com tantas soldagens. Não precisa de ser tão pessimista! Pois é, senhor ministro, eu dantes não era pensionista. É sempre o mesmo filme que nos preparam estes mentecaptos realizadores. É-nos impingida a ideia constante que ...precisamos de ser orientados, governados e caímos sempre na teia que nos transforma em meros espoliados. A banca está atenta, como sempre pronta para chupar um sangue que já não é nosso. Depois virão as teorias do plasma negociado por vampiros, varizes cromáticas em forma de tatuagens para impressionar os músculos fabricados com suplementos encharcados com toxinas inadvertidamente amestradas num ginásio sempre com promoções prometendo um aumento facilmente observável do sexo daqueles que só distraidamente o praticam. As desculpas habituais aparecerão nas mãos de cavaleiros liofilizados com máscaras de anjos para cultivar a nossa servidão. Mas quem manda, quem tem de mandar para construir uma realidade que a cada um de nós diz respeito? Falam do útil como se fosse necessário e premendo a tecla do fútil nunca arbitrário. Dói-nos na pele. Emporca-nos a alma, tira-nos a calma e queima-nos assiduamente o sonho. Estatísticas holísticas inquéritos esponjados numa frequência tendencialmente alérgica à mínima inteligência necessária para a eles não responder. Óleos queimados que nos entopem a tentativa da diferença. Não me conformo, e sei agora que nunca poderá ser proibido o ousar. Mas o medo encanta uma gente que já não canta esta vida que já não é e nunca virá a ser. Ameaçam-nos com o caos porque eles são os bons e nós, os sempre roubados e enganados, os maus. Deixem-me em paz! Eu quero agora calcar o meu próprio caminho. Não sei que força é esta. Não a compreendo. E rejeito as suas garras que vos engenham a necessidade de serem mandados.
ANARQUIA PRECISA-SE!
Deveremos saboreá-la e bebê-la com o sangue daqueles que ao abrigo da lei só nos têm enganado.
Chegou o momento de provarem o próprio veneno da sua hipocrisia. Ofereço-vos um nó windsor na gravata feita com as vossas tripas.


2015aNTÓNIODEmIRANDA

NÃO SEI JOGAR


O patrão joga golfe
com o $taco$ do operário.
A cortesã admira-o, 
humedecendo discretamente o sexo.
No clube
A esmerada esposa
cruzando ostensivamente as pernas,
tenta mostrar a lingerie que prometeu estrear
ao fim da tarde, numa private session
com o segurança do condomínio.
O caddy otário,
continua
desesperadamente á espera
do hole-in-one.
Moral da história:
uns divertem-se com tacadas.
Os outros carregam na vida
costas com todas as facadas.
Não sei jogar este jogo.
Só gosto de u
m swing:
o do jazz.



2015aNTÓNIODEmIRANDA