Our father whose art’s in heaven
Hollow be thy name
Unless things change
Thy kingdom come and gone
Thy will will be undone
On earth as it isn’t heaven
Give us this day our daily bread
At least three times a day
And lead us not into temptation
Too often on weekdays
But deliver us from evil
Whose presence remains unexplained
In thy kingdom of power and glory
Oh Man!
A Última Oração do Senhor
por Lawrence Ferlinghetti
Pai nosso cuja arte está no céu
Oco seja o teu nome
A menos que as coisas mudem
Teu reino venha e se vá
Tua vontade será desfeita
Na terra como não é no céu
Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia
Pelo menos três vezes ao dia
E não nos conduzas à tentação
Com demasiada frequência nos dias de semana
Mas livra-nos do mal
Cuja presença permanece inexplicada
No teu reino de poder e glória
Ó Homem!
O POETA NUNCA DIZ QUE É POETA
(com os melhores cumprimentos para o Senhor Ferlinghetti)
Num contexto fácil e descontraído, preocupa-se com factualidades terríveis, como a queda da aranha na maionese, que ostensivamente machucou o néon dos seios daquela musa, surpreendida pelo ondular achocolatado das pregas da sua dança.
Um lenço acena uma seda triste.
O poeta que nunca diz que é poeta, afoga com estima, molduras ressequidas, e num laço afectuoso, envolve as sombras da poesia. Depois, senta-se lavando lágrimas no alguidar dos poemas que ninguém leu. Amparado na bengala da solidão, acende candeeiros abandonados pelo céu das estrelas fraudulentas. Desobedece confortavelmente às intenções maliciosas do bem-estar oferecido. Conspurca sempre a higienização social, e asfixia no mictório da normalidade, a pronúncia dos patetas que dizem ser poetas. O poeta não perde tempo com zunidos, não gosta que lhe entupam os sonhos. Fala com os amigos que também não se dizem poetas, e desfiam artifícios como sobremesa.
Na conversa dos poetas, aqueles que dizem não serem poetas, gravam-se sorrisos num grafiti engraçado, para mais logo emprestar.
O poeta nunca acaba o poema. Tem na folha outra invenção. E cavalga a onda do seu consentimento, só para aparar limalhas que choram no seu peito. Sustenta a tristeza que corre nas veias, lambe as feridas, e diz o único adeus com sabor a despedida.
O poeta que nunca diz que é poeta, entorna o olhar na memória lenta dos poemas que o abandonam. E tatua cicatrizes na marcha da ignorância, só para lembrar, que como sempre, morrerá só.
Os que se acham poetas, não passam de alucinações doentias!
&, Como os poetas que dizem não serem poetas sabem, isso é uma estupidez sem cura possível.
2018Abr_aNTÓNIODEmIRANDA
#SÓ ESPERAVA A VIAGEM PROMETIDA#
volta d' mar



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