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sábado, 31 de janeiro de 2026

MUDAS A FOTO, NÃO ENGANAS O PERFIL

 

Preocupam-me todos os sistemas totalitários, e sobretudo não quero que me gele a vontade de brindar com sangue a morte de todos os monstros do mundo. É infinita a distância que nos separa. Estes ideais inquietos, causam-me a angústia de que nada vai mudar. Estão mais altos do que nunca, os velhos muros do ódio. Tenho gravadas nas mãos, as marcas de frias grades onde escorrem poemas com o sabor do tempo. O que falta? O único minuto, deserto, sempre deserto de esperança. Serão agora ainda mais difíceis os sorrisos que ancoravam com toda a cumplicidade, vagas não exageradas de optimismo. De nada valeram os gestos ensaiados. A mentira mais fingida foi sempre maior que o cenário disponível. Toda a evidência encharcou a metáfora. Talvez não custasse muito destilar outras frequências. O tudo e o nada será sempre a medida exacta. Aqui a dúvida não passa de um intercâmbio de palavras. Apostamos a fatalidade numa bolsa com o crash há demasiado tempo preparado. Há ainda quem pense que o dow jones foi o primeiro guitarrista dos Rolling Stones. Eu diria: é preciso não acreditar na inteligência do ar condicionado. Garanto-vos a inexistência de cobardias honrosas, e, as verdades que nos querem impingir não passam de uma imitação adulterada de pechisbeque. Não há ponto razoável para acreditar em virtudes tísicas. São sempre indigestas as discussões estéreis. Olhamos para o céu mentindo copiosamente na vontade de lá chegar. Há imaginações com demasiada cinza.

.2015aNTÓNIODEmIRANDA 

#Livraria Buenos Aires# - Editora Tea For One / 2015Março




sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

E EU AINDA NÃO SOU ANJO no livro #Livraria Buenos Aires# - Editora Tea For One / 2015Março

 

E EU AINDA NÃO SOU ANJO
Para os que comemoram aniversários clandestinos debaixo dos viadutos, ouvindo sinfonias estereofónicas de claxons e que conhecem de cor as influências dos fluídos do trânsito no comportamento das pessoas. Para aqueles que ainda têm a coragem de assumir a diferença cada vez mais etiquetada com heterónimos de loucura. Para os que rezam em silêncio desfilando entre os dedos rosários de lágrimas e, ajoelhados em soluços de desespero, esperam ainda com a esperança possível, aparições dos anjos do néon.
EU AINDA NÃO SOU ANJO
Para os que constroem a poesia com o amargo optimismo de experiências repetidas e que, sobretudo, sobretudo não lamentam , não invejam a maldita sorte dos poetas malditos :
Visões do apocalipse
Tentações demoníacas
Desolação
E EU AINDA NÃO SOU ANJO !
VIVA LA MUERTE !
Os duendes de Somorra invadiram as autoestradas deste inferno com sorrisos malignos de arco -íris.
Para aqueles que ignoram as constantes tentações do deus publicidade e fumam orgulhosamente beatas anónimas, marimbando-se nas marcas, e ainda para os que olham as montras sem qualquer laivo de cobiça, manifestando delicadamente a sua indiferença pelo Yves Saint-Laurent.
Para os guerrilheiros da angústia, que atacam a normalidade com raids ritmados de swing e destroem horários com metralhadoras de coragem.
E EU AINDA NÃO SOU ANJO !
Para os que gastam o tempo antes que o tempo os gaste e sorriem às estátuas com sorrisos cheios de cumplicidade 
Para os que lavam as horas em retretes repletas de relógios, para que o despertar não tenha o sabor inglório da obrigação digital. 
Para os que se deitam na praia desenhando na areia voos obscenos de gaivotas e desfilam sonhos de m`água e que compreendem docemente os queixumes do mar e choram no silêncio soluços da ausência.
Para os que acordam sempre
do mesmo lado 
da mesma maneira 
devorando avidamente croissants recheados com perfumes da Dior e devoram avidamente o nosso tédio, cuspindo depois as algemas da nossa escravidão.
Para que os vagabundos tenham pena de nós, da nossa impotência, da nossa burguesia, das nossas aspirações, dos nossos projectos, da nossa incoerência, do nosso medo e, sobretudo, sim sobretudo, para que lamentem :
A nossa falta de coragem que sempre desculpamos com a sorte
porque gastamos a vida na margem dum rio que se chama morte.

aNTÓNIODEmIRANDA




segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

DO PASSADO NÃO SE LIMPAM AS NÓDOAS

 


Há uma passagem sem retorno abandonada pelo brilho do céu arrependido. 
Porca ilusão, consciência conspurcada na traidora celebração do momento. 
Vida com vista para o precipício como se fora castigo hospedado na bandeja dos vendavais. 
Sou assim, exactamente como o que não pretendo, verso mentido nas palavras que não quis abraçar. 
Amargura escondida na demência 
das horas sem ouvidos para me atender. 
Fila única, 
Sentido contrário, 
Feliz aniversário, 
Onda curta morta 
Na curva da auspiciosa sorte. 
Vou caminhando ao invés dos canteiros do suplício, ramalhete escondido no almofariz da realidade virtual. 
E, assim confronto indesejáveis artroses 
alojadas numa robusta indelicadeza. 
O que espero, 
não sei nem me importa! 
Imagino uma opção condigna do meu pensar, 
assim como qualquer coisa parecida 
com aquilo que pretendo, 
dado que não acredito no saber absoluto.
Um gume eficaz, 
um laço pegado ao abraço 
para depois poisar no regaço daquela virgem 
artisticamente adorada no Balneário Municipal 
da República da Pudicícia. 
É bem verdade que hoje o dia está difícil. 
Raptaram os sonhos num raid manhoso 
e as manhãs prometedoras esqueceram-se de aparecer. 
Por mim bastaria uma realização onanista 
em modo de “câmara lenta” sem discursos de circunstância. 
E, sobretudo nada de lembranças pindéricas 
nem alusões inoportunas. 
Nem sequer um aplauso enlatado, 
daqueles expostos nas montras da inútil conveniência. 
Mas o que me oferecem 
é uma amnistia congelada com sabores bolorentos. 
Mas, eu só preciso de uma vitamina simpática. 
E tu? 
Porque esperas? 
Morres nesse dano sem fim.





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CONSTATAÇÃO AMBÍGUA (1) (ideia do Fábio Mendes)

 


Estarei 

                

                        Se For

Mas

        Se Irei

                                    Ainda

        Não 

Sei



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O QUE DE MIM VÊS E AINDA NÃO ACONTECEU

 


Diferente, eu?

Não!

Mas Nunca Será 
Pecado Meu 
Se Igual Assim 
Ainda 
Não Aconteceu!





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Patxi Andión - 20 Aniversario (Palabras)

Patxi Andion - Manuela (1971-1973)